{"id":4446,"date":"2014-04-02T00:00:24","date_gmt":"2014-04-02T03:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sao-jose-de-anchieta-rogai-por-nos\/"},"modified":"2017-05-15T10:39:16","modified_gmt":"2017-05-15T13:39:16","slug":"sao-jose-de-anchieta-rogai-por-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sao-jose-de-anchieta-rogai-por-nos\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta, rogai por n\u00f3s!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No dia 2 abril, o ap\u00f3stolo do Brasil ser\u00e1 canonizado! Um homem de Deus que soube acolher o chamado vocacional e viver nos in\u00edcios do Brasil protagonizando a funda\u00e7\u00e3o de col\u00e9gios, cidades, entre as quais a do Rio de Janeiro. O Papa Francisco nos d\u00e1 esse belo presente!<br \/>\nS\u00e3o dias de alegria indiz\u00edvel estes em que, de cora\u00e7\u00f5es agradecidos, vivemos a canoniza\u00e7\u00e3o do Beato Jos\u00e9 de Anchieta (1534-1597), sacerdote jesu\u00edta que, tanto no campo material quanto no espiritual, muito trabalhou pelo Brasil e, por esta raz\u00e3o, recebeu com carinho e justi\u00e7a o codinome de \u201cAp\u00f3stolo do Brasil\u201d.<br \/>\nAntes de penetrarmos diretamente na vida desse grande homem de Deus, atentemo-nos para o rico significado catequ\u00e9tico do momento em que estamos celebrando: uma canoniza\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a quest\u00e3o: qual \u00e9, na Igreja, o real significado dos verbos beatificar e canonizar?<br \/>\nBeatificar \u00e9 celebrar, em Roma ou fora dela, um ato solene no qual o Papa, pessoalmente ou atrav\u00e9s de um legado seu, declara que o (a) Servo(a) de Deus pode ser venerado(a) como Bem-Aventurado(a) ou Beato(a) por meio de uma festa em lugares delimitados como, por exemplo, as cidades em que viveu, atuou, morreu.<br \/>\nCanonizar \u00e9 a a\u00e7\u00e3o pela qual o Papa declara que o(a) Bem-Aventurado(a) \u00e9 Santo(a) ao inscrev\u00ea-lo no c\u00e2non (cat\u00e1logo) dos santos, por isso se fala em canoniza\u00e7\u00e3o, termo utilizado pela primeira vez no s\u00e9culo XII, em uma carta de Udalrico, Bispo de Constan\u00e7a, ao Papa Calixto II (1119-1124).<br \/>\nTanto a beatifica\u00e7\u00e3o quanto a canoniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es reservadas ao Santo Padre \u2013 especialmente, de modo formal, a partir do s\u00e9culo XII, com o Papa Alexandre III (1159-1181) \u2013, embora as cerim\u00f4nias correspondentes possam ser oficiadas por um delegado papal. Requer-se, para se declarar que algu\u00e9m \u00e9 beato(a) ou santo(a), a comprova\u00e7\u00e3o das virtudes her\u00f3icas do(a) candidato(a) nesta vida, de modo que ele(ela) mere\u00e7a, por gra\u00e7a divina, gozar, atualmente, da vis\u00e3o de Deus face a face no c\u00e9u. De l\u00e1, pode ser invocado oficialmente para interceder por n\u00f3s e nos servir de modelo enquanto caminhamos nesta Terra rumo \u00e0 P\u00e1tria definitiva.<br \/>\nVia de regra, s\u00e3o exigidos dois milagres \u2013 geralmente de recupera\u00e7\u00e3o completa da sa\u00fade \u2013, como sinais comprobat\u00f3rios da santidade do(a) Servo(a) de Deus em quest\u00e3o: um para a beatifica\u00e7\u00e3o e outro para a canoniza\u00e7\u00e3o. Todavia, pode acontecer \u2013 como \u00e9 o caso de Anchieta \u2013 o que chamamos de \u201ccanoniza\u00e7\u00e3o equipolente ou equivalente\u201d e, para que ela ocorra, devem ser preenchidos tr\u00eas requisitos b\u00e1sicos: 1) a prova do culto antigo ao candidato a santo; 2) o atestado hist\u00f3rico incontest\u00e1vel da f\u00e9 cat\u00f3lica e das virtudes do candidato; 3)\u00a0 a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato.<br \/>\nIsto posto, resta-nos regozijarmos, enquanto cat\u00f3licos e brasileiros, pela inscri\u00e7\u00e3o do nosso querido Jos\u00e9 de Anchieta no cat\u00e1logo dos Santos por determina\u00e7\u00e3o do Santo Padre, o Papa Francisco, 34 anos depois de ser declarado Beato pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II, em 22 de junho de 1980, ainda que o processo de beatifica\u00e7\u00e3o tenha sido iniciado no j\u00e1 distante s\u00e9culo XVII.<br \/>\nJos\u00e9 de Anchieta nasceu em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, Tenerife, uma das ilhas espanholas do Arquip\u00e9lago das Can\u00e1rias, em 19 de mar\u00e7o de 1534, dia dedicado, no calend\u00e1rio lit\u00fargico, a S\u00e3o Jos\u00e9, patrono da Igreja. Da\u00ed o seu nome de Batismo ser Jos\u00e9 de Anchieta.<br \/>\nAp\u00f3s estudar no famoso Col\u00e9gio de Artes de Coimbra, ingressou, aos 17 anos, na Companhia de Jesus, dos Jesu\u00edtas, Ordem fundada por Santo In\u00e1cio de Loyola, em 1539 e aprovada pelo Papa Paulo III, em 1540. Recebeu a\u00ed boa forma\u00e7\u00e3o em filologia e literatura e, sobretudo, aprendeu que vivemos neste mundo para \u201cconhecer, amar e servir a Deus e, mediante isso, salvar nossa alma\u201d. Aqui, tudo o que fizermos deve ser \u201cPara a maior gl\u00f3ria de Deus\u201d.<br \/>\nContudo, t\u00e3o logo se fizera jesu\u00edta foi provado com uma grave doen\u00e7a \u00f3steo-articular, com fraqueza e dores em todo o corpo, durante dois anos, raz\u00e3o pela qual os superiores, ap\u00f3s ouvirem os m\u00e9dicos, decidiram envi\u00e1-lo ao Brasil na esperan\u00e7a de que o bom clima da terra lhe fizesse bem. Era a a\u00e7\u00e3o providencial de Deus em sua vida e na dos brasileiros, daqueles e dos nossos tempos.<br \/>\nChegou \u00e0 Bahia de Todos os Santos, Salvador, em 13 de julho de 1553, com apenas 19 anos de idade, como irm\u00e3o jesu\u00edta, com um \u00fanico objetivo: salvar almas para Cristo. De l\u00e1, deveria ir, junto com o Pe. Manuel da N\u00f3brega, seu superior, para a Capitania de S\u00e3o Vicente, litoral de S\u00e3o Paulo, a fim de catequizar ind\u00edgenas e colonos. Como a viagem era tamb\u00e9m por mar, um fato inesperado aconteceu: no Sul da Bahia uma forte tempestade surpreendeu as duas embarca\u00e7\u00f5es e o barco em que estava Anchieta acabou ficando encalhado nos recifes.<br \/>\nEnquanto o ve\u00edculo de viagem era consertado, conta-se que Anchieta, consciente de que depois da vinda de Cristo \u201co tempo se fez breve\u201d (1Cor 7,29), foi \u00e0 procura dos silv\u00edcolas da regi\u00e3o e come\u00e7ou a lhes falar de Deus. Em uma dessas caminhadas, levaram-no at\u00e9 uma indiazinha que, doente, se encontrava em seus \u00faltimos dias nesta Terra. O padre a instruiu na f\u00e9 e a batizou, dando-lhe o nome de Cec\u00edlia. Era o primeiro sacramento que \u201co Ap\u00f3stolo do Brasil\u201d ministrava em seu t\u00e3o vasto territ\u00f3rio de miss\u00e3o.<br \/>\nChegando, finalmente, a S\u00e3o Vicente, Anchieta n\u00e3o parava um s\u00f3 instante: fazia contato com os habitantes do lugar para falar-lhes de Deus e, ao mesmo tempo, plantar as bases de uma vida mais digna e justa para todos. N\u00e3o se limitou, por\u00e9m, apenas \u00e0 regi\u00e3o praiana, mas, ao contr\u00e1rio, subiu a Serra do Mar, chegou ao Planalto de Piratininga e, no dia 25 de janeiro de 1554, festa da Convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo Ap\u00f3stolo, participou da funda\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio da vila de S\u00e3o Paulo de Piratininga, onde tamb\u00e9m lecionou. Ao lado do col\u00e9gio, construiu-se uma capela na qual foi celebrada a primeira Missa, em 25 de agosto daquele mesmo ano. Estava, assim, nascendo o n\u00facleo da cidade que, com o passar dos anos, se tornaria uma das maiores metr\u00f3poles do mundo: S\u00e3o Paulo.<br \/>\nFoi superior da Capitania de S\u00e3o Vicente e tamb\u00e9m provincial dos jesu\u00edtas por 10 anos, ou seja, de 1577 a 1587. Logo aprendeu a l\u00edngua tupi, falada pelos ind\u00edgenas, e elaborou a primeira gram\u00e1tica tupi-guarani, traduzida para o alem\u00e3o e o latim. Nosso santo criou, desse modo, uma l\u00edngua-geral, que foi usada no Brasil at\u00e9 1750, ano em que foi imposta a l\u00edngua portuguesa. Comp\u00f4s m\u00fasicas, versos, dan\u00e7as e teatros em linguagem ind\u00edgena. \u00c9 chamado o \u201cpai do teatro brasileiro\u201d e grande nome da cultura nacional. Dentre seus dez livros est\u00e1 o que leva o t\u00edtulo de \u201cPoemas \u00e0 Virgem Maria\u201d, cuja maior parte foi redigida nas areias de Iperoig (hoje Ubatuba, SP), no per\u00edodo em que ficou ref\u00e9m dos \u00edndios tamoios. Escrevia em portugu\u00eas, espanhol, latim e tupi-guarani.<br \/>\nParecia arder em Anchieta as palavras de S\u00e3o Paulo, o Ap\u00f3stolo das gentes: \u201cAi de mim se eu n\u00e3o anunciar o Evangelho\u201d (1Cor 9,16). Da\u00ed ele valorizar a espontaneidade dos silv\u00edcolas que buscavam conhecer e praticar a f\u00e9 cat\u00f3lica, segundo se depreende das correspond\u00eancias que o religioso mantinha com seus superiores na Europa. Em carta ao Padre Diogo La\u00ednes, geral dos jesu\u00edtas, datada de 1565, Anchieta, ainda ref\u00e9m dos \u00edndios em Iperoig, relata que todas as manh\u00e3s, Pindobu\u00e7u, o chefe da tribo, ia visit\u00e1-lo para perguntar coisas sobre Deus. O religioso lhe mostrava, ent\u00e3o, imagens de uma B\u00edblia ilustrada que possu\u00eda e isso causava muita admira\u00e7\u00e3o no \u00edndio que, na manh\u00e3 seguinte, voltava para aprender mais (cf. Cartas. S\u00e3o Paulo: P.H.A Viotti, 1984, p. 222, vol. 6 das Obras Completas). Ao se referir aos tupis de S\u00e3o Paulo, o religioso jesu\u00edta diz que eles \u201cvoluntariamente (&#8230;) vivem como crist\u00e3os, correspondendo plenamente ao esfor\u00e7o de seus catequistas\u201d (Cartas, Jes. III, 316-317).<br \/>\nNota-se, por esses dados, que poder\u00edamos multiplicar o quanto Anchieta, agora nosso santo, viveu o ardor mission\u00e1rio que motivava os religiosos europeus a rumarem para as Am\u00e9ricas, segundo se l\u00ea, com muita clareza, nesta constata\u00e7\u00e3o: \u201cA \u00fanica convers\u00e3o que os evangelizadores pretendiam (e, em boa parte, conseguiram) era a convers\u00e3o no plano sobrenatural: aceita\u00e7\u00e3o interna, sustentada pela gra\u00e7a de Deus, da f\u00e9 na revela\u00e7\u00e3o divina, seguida da mudan\u00e7a de vida no intuito de ajust\u00e1-la aos preceitos divinos, como prepara\u00e7\u00e3o para a vida eterna. Esta foi a suprema miss\u00e3o que Cristo confiou \u00e0 sua Igreja: \u2018Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas. Quem crer e for batizado ser\u00e1 salvo, quem n\u00e3o crer, ser\u00e1 condenado\u2019 (Mc 16,15s)\u201d (Jo\u00e3o E. M. Terra. Catequese de \u00edndios e negros no Brasil colonial. Aparecida: Santu\u00e1rio, 2000, p. 38).<br \/>\nEsse ideal voltado ao sobrenatural n\u00e3o fez, no entanto, de Anchieta um alienado das coisas deste mundo. Ele bem parecia antever aquilo que, cerca de 410 anos depois, o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-65) ressaltaria na Gaudium et Spes: \u201cAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo; e n\u00e3o h\u00e1 realidade alguma verdadeiramente humana que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o. Porque a sua comunidade \u00e9 formada por homens, que, reunidos em Cristo, s\u00e3o guiados pelo Esp\u00edrito Santo na sua peregrina\u00e7\u00e3o em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salva\u00e7\u00e3o para comunic\u00e1-la a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao g\u00eanero humano e \u00e0 sua hist\u00f3ria.\u201d (n. 1). Da\u00ed, em 1555, por ocasi\u00e3o das invas\u00f5es francesas ao Rio de Janeiro, ele esteve ao lado de Est\u00e1cio de S\u00e1, ent\u00e3o governador, ajudando a conscientizar o povo de que n\u00e3o deviam aceitar os intrusos, pois eles planejavam dividir nossa gente.<br \/>\nSegundo o Postulador da causa, Padre C\u00e9sar Augusto dos Santos, SJ: \u201cEm 1\u00ba de novembro de 1566, Mem de S\u00e1, o visitador, padre In\u00e1cio de Azevedo, o provincial, padre Lu\u00eds da Gr\u00e3, o segundo bispo do Brasil, Dom Pedro Leit\u00e3o, Jos\u00e9 de Anchieta e outros jesu\u00edtas partem para o Rio de Janeiro, chegando \u00e0 cidade no dia 19 de janeiro de 1567. Eles partiram na armada enviada pelo rei de Portugal, comandada pelo capit\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o de Barros. Imediatamente no dia seguinte \u00e0 sua chegada, Mem de S\u00e1, confiante na intercess\u00e3o do padroeiro da cidade, S\u00e3o Sebasti\u00e3o, cuja festa lit\u00fargica era naquele dia, desfechou um assalto ao forte que estava no atual Outeiro da Gl\u00f3ria, o forte de Ibiragua\u00e7u-mirim. Conta Anchieta, em sua \u201cInforma\u00e7\u00e3o do Brasil e suas Capitanias\u201d, que depois de destruir dois fortes, Ibiragua\u00e7u-mirim, na foz do rio da Carioca e Paranapucu\u00ed, na Ilha de Maracaj\u00e1, atual Ilha do Governador, Mem de S\u00e1 mudou a cidade para o Morro de S\u00e3o Janu\u00e1rio, depois chamado Morro do Castelo, de onde se tinha uma vis\u00e3o privilegiada da entrada da barra. No in\u00edcio do s\u00e9culo 20, o morro foi demolido e o local ficou conhecido como Castelo ou Esplanada do Castelo. No ataque a Ibiragua\u00e7u-mirim, Est\u00e1cio de S\u00e1, verdadeiro baluarte durante os dois anos da cidade, foi mortalmente ferido, vindo a falecer no dia 20 de fevereiro. Anchieta, que o acompanhou muito de perto, assim escreveu sobre esse capit\u00e3o: \u201ct\u00e3o amigo de Deus, t\u00e3o manso e af\u00e1vel, que nunca descansa de noite e de dia, acudindo a uns e a outros, sendo o primeiro nos trabalhos&#8230;\u201d<br \/>\nContudo, como j\u00e1 vimos nesta reflex\u00e3o, o que mais se destacava em Anchieta era o seu zeloso sacerd\u00f3cio ministerial. Queria ele consumir-se como a chama de uma vela para o bem de todos, ministrando os Sacramentos, lecionando \u2013 aos \u00edndios pequenos ensinava latim e aos jesu\u00edtas europeus dava aulas de tupi \u2013 ajudando na edifica\u00e7\u00e3o de vilas onde o povo pudesse viver dignamente. Morreu com 63 anos, no povoado que ele mesmo havia ajudado a edificar em 1569, Iritiba (hoje Anchieta, ES), na Capitania do Esp\u00edrito Santo. Era o dia 9 de junho de 1597.<br \/>\nA partir da\u00ed, muitas pessoas passaram a recorrer ao \u201cAp\u00f3stolo do Brasil\u201d a fim de que ele intercedesse junto a Deus por elas. Nasceram disso muitos relatos de gra\u00e7as alcan\u00e7adas pela intercess\u00e3o de Anchieta entre n\u00f3s, especialmente no campo da restitui\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, bem como a narra\u00e7\u00e3o de fatos lend\u00e1rios e pitorescos como este: \u201cDurante a vida do Pe. Anchieta (1534-1597), um barqueiro garantia a quantos quisessem ouvir. A barca em que viajava o Pe. Anchieta afundou. O padre ficou retido no fundo pela barca virada. E o barqueiro, at\u00e9 uma hora depois, viu o Pe. Anchieta tranquilamente lendo seu brevi\u00e1rio l\u00e1, embaixo da \u00e1gua. Quando o retiraram, nem o padre, nem o livro haviam se molhado\u201d (Oscar G. Quevedo. Milagres, a ci\u00eancia confirma a f\u00e9. S. Paulo: Loyola, 2000, p. 296).<br \/>\nN\u00e3o importa debater aqui se tal fato ocorreu ou n\u00e3o, o que nos interessa \u00e9 frisar o quanto o povo tinha Anchieta na conta de santo. T\u00e3o santo que Deus como que o \u201cplastificara\u201d contra os acidentes naturais&#8230; Contudo, importa frisar que a santidade nem sempre vem acompanhada de grandes portentos. Ela pode ser fruto de uma vida simples, escondida em Cristo, mas que faz, cotidianamente, a vontade do Pai. Mais: a narrativa nos traz uma li\u00e7\u00e3o: ainda que debaixo das \u00e1guas do mar da vida que querem nos afogar, n\u00e3o percamos a serenidade, seguremos firmes nas m\u00e3os de Deus e sigamos adiante, certos de que Ele n\u00e3o chama ningu\u00e9m \u00e0 mediocridade, mas, sim, a ser santo como Ele mesmo \u00e9 santo (cf. Lv 19,2; Mt 5,48).<br \/>\nPara atingir esta t\u00e3o ousada meta \u00e9 que, agora, pedimos confiantes: S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta, Ap\u00f3stolo do Brasil, rogai por n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 2 abril, o ap\u00f3stolo do Brasil ser\u00e1 canonizado! Um homem de Deus que soube acolher o chamado vocacional e viver nos in\u00edcios do Brasil protagonizando a funda\u00e7\u00e3o de col\u00e9gios, cidades, entre as quais a do Rio de Janeiro. O Papa Francisco nos d\u00e1 esse belo presente! 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