{"id":44246,"date":"2018-10-01T07:59:25","date_gmt":"2018-10-01T10:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44246"},"modified":"2018-10-01T07:59:25","modified_gmt":"2018-10-01T10:59:25","slug":"o-reinado-dos-espinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-reinado-dos-espinhos\/","title":{"rendered":"O reinado dos espinhos"},"content":{"rendered":"<p>Deus sempre suscita l\u00edderes para governar seu povo. Mas aceita-los ou n\u00e3o, legitima-los e ungi-los depende do voto, da consagra\u00e7\u00e3o eletiva que esse povo lhes faz. De nada adianta, pois, a indica\u00e7\u00e3o divina sem a aclama\u00e7\u00e3o popular, sem a concord\u00e2ncia majorit\u00e1ria daqueles que se deixar\u00e3o conduzir ou representar por seus eleitos. Prova inconteste de qu\u00e3o precioso e respeitado \u00e9 o livre arb\u00edtrio humano. At\u00e9 Deus o respeita! Ju\u00edzo, pois, no exerc\u00edcio desse privil\u00e9gio que temos ao conduzir nossos destinos.<\/p>\n<p>Eis porque o tempo dos Ju\u00edzes (etapa b\u00edblica de \u00f3timas conquistas do povo) continua como refer\u00eancia aos dias atuais. \u00c9 de suas p\u00e1ginas uma das f\u00e1bulas mais preciosas sobre o valor de uma lideran\u00e7a popular. T\u00e3o ou mais que uma par\u00e1bola, met\u00e1fora ou qualquer outra classifica\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que possamos lhe fazer. F\u00e1bula ou par\u00e1bola, n\u00e3o importa. Mas sua li\u00e7\u00e3o sim.<\/p>\n<p>Joat\u00e3o subiu ao monte e conclamou seu povo a ouvi-lo&#8230;. Oxal\u00e1 fosse eu essa voz prof\u00e9tica no momento atual! Mas era Joat\u00e3o, o \u00fanico dos filhos de uma fam\u00edlia escolhida por Deus, a n\u00e3o se deixar contaminar pela vida promiscua de um povo infiel. Ainda no lampejo de sua coer\u00eancia, gritou: \u201cOuvi-me, homens de Siqu\u00e9m, para que Deus vos ou\u00e7a!\u201d (Jz 9, 7). \u00a0Ouvi-me, povo meu!<\/p>\n<p>\u201cAs \u00e1rvores resolveram um dia escolher um rei para govern\u00e1-las\u201d. S\u00e1bio \u00e9 o povo que se deixa conduzir pela sensatez de bons governantes. Surgiram ent\u00e3o tr\u00eas possibilidades que bem representavam uma flora diversa: a oliveira, a figueira e a videira. Mas estas estavam ensoberbadas pelas pr\u00f3prias qualidades e n\u00e3o pretendiam desperdi\u00e7a-las com uma popula\u00e7\u00e3o pobre e desqualificada que lhes implorava um pouco de suas experi\u00eancias de sucesso. A oliveira apegava-se a seu precioso \u00f3leo, que lhe proporcionava a gl\u00f3ria dos deuses. N\u00e3o renunciaria a esse privil\u00e9gio. A figueira n\u00e3o abandonaria a docilidade e \u00e0s del\u00edcias de seus frutos para t\u00e3o somente servir \u00e0 rel\u00e9s do vasto arvoredo ao redor de suas ra\u00edzes. A videira, ah!, a videira! \u201cPoderia eu renunciar ao meu vinho que faz a alegria de Deus e dos homens&#8230;\u201d Assim, uma a uma, todas se omitiram. Restou somente o espinheiro.<\/p>\n<p>De bom grado, o espinheiro topou o desafio. Era-lhe at\u00e9 de f\u00e1cil execu\u00e7\u00e3o, com uma \u00fanica condi\u00e7\u00e3o imposta: \u201cSe realmente me quereis escolher para reinar sobre v\u00f3s, vinde e abrigai-vos debaixo de minha sombra\u201d. A sombra que sufoca, que fere \u00e0s escondidas, que mata paulatinamente, que n\u00e3o produz frutos, que nunca floresce&#8230; Essa \u00e9 a escolha dos insensatos. A sombra do incerto&#8230;<\/p>\n<p>Hora do bom senso. N\u00e3o nos cabe agora a prote\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios, a defesa dos bens pessoais, a ideologia pessoal contra os ide\u00e1rios coletivos, as\u00a0 benesses do poder sem o peso das car\u00eancias populares, da justi\u00e7a, do bem comum.\u00a0 Campanha eleitoral n\u00e3o \u00e9 um campeonato esportivo, onde torcida e torcedores se embatem pela vit\u00f3ria de um \u00fanico time. Ao contr\u00e1rio, essa briga almeja a vit\u00f3ria de todos. Se o ide\u00e1rio pol\u00edtico n\u00e3o contemplar o sonho de todos, corremos o risco de um desastre social. N\u00e3o \u00e9 hora de defender apenas uma camisa (\u00e0s vezes esfarrapada, rota, desgastada ou mesmo tecida em puro linho, brilhante, chamativa), mas contemplar primeiro o humano que veste tais camisas. Melhor mesmo \u00e9 a nudez do fanatismo, capaz de nos mostrar um peito aberto e confiante, um cora\u00e7\u00e3o revestido de paix\u00e3o pela vida, n\u00e3o pelo fanatismo de suas divis\u00f5es. Sensatez, povo meu! Pois da escolha que hoje fazemos \u00e9 que vir\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de uma p\u00e1tria amada, aquela que idolatramos como nossa, n\u00e3o de poucos, n\u00e3o de alguns. Isso se o espinheiro da disc\u00f3rdia n\u00e3o tomar conta. Nem sempre o melhor caminho \u00e9 o mais curto e f\u00e1cil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus sempre suscita l\u00edderes para governar seu povo. Mas aceita-los ou n\u00e3o, legitima-los e ungi-los depende do voto, da consagra\u00e7\u00e3o eletiva que esse povo lhes faz. De nada adianta, pois, a indica\u00e7\u00e3o divina sem a aclama\u00e7\u00e3o popular, sem a concord\u00e2ncia majorit\u00e1ria daqueles que se deixar\u00e3o conduzir ou representar por seus eleitos. 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