{"id":4415,"date":"2014-03-24T13:28:27","date_gmt":"2014-03-24T16:28:27","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-que-e-e-e-como-se-formou-a-mariologia-ao-longo-dos-seculos\/"},"modified":"2017-04-05T09:39:38","modified_gmt":"2017-04-05T12:39:38","slug":"o-que-e-e-e-como-se-formou-a-mariologia-ao-longo-dos-seculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-que-e-e-e-como-se-formou-a-mariologia-ao-longo-dos-seculos\/","title":{"rendered":"O que e \u00e9 e como se formou a Mariologia ao longo dos s\u00e9culos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/maria2014.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00c9 no agir de Maria que vemos o modelo da vida <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos, como cat\u00f3licos, pensar que a Virgem Maria, na Igreja, \u00e9 apenas um objeto de devo\u00e7\u00e3o e esquecemos que ela tamb\u00e9m teve e tem um papel muito importante na obra da Salva\u00e7\u00e3o e, por isso, \u00e9 digna de ser \u2013 al\u00e9m de cultuada \u2013 estudada. Para isso, existe uma mat\u00e9ria que chamamos de mariologia.<\/p>\n<p>O que \u00e9 mariologia? \u00c9 a disciplina que, dentro da teologia, estuda o locus (lugar) da Virgem Maria na obra da Salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Maria nos primeiros s\u00e9culos de cristianismo:<\/strong> A mariologia como tratado separado \u00e9 fruto da Idade M\u00e9dia. O primeiro mil\u00eanio de cristianismo conhece Maria, mas sempre numa rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo, onde este era o protagonista dos discursos e homilias \u2013 lembremo-nos que a Patr\u00edstica era o per\u00edodo das grandes controv\u00e9rsias teol\u00f3gico-cristol\u00f3gicas, salvos alguns relatos piedosos, como o \u201cprotoevangelho de Tiago\u201d (in\u00edcio do s\u00e9culo III) e a \u201cVida de Maria\u201d, do monge Epif\u00e2nio.<\/p>\n<p><strong>Mariologia medieval:<\/strong> Na Idade M\u00e9dia, ap\u00f3s os dogmas cristol\u00f3gicos serem definidos, a piedade marial ganhou espa\u00e7o. Basta que nos lembremos do surgimento do santo Ros\u00e1rio, das in\u00fameras devo\u00e7\u00f5es marianas e das revela\u00e7\u00f5es privadas que ocorreram a v\u00e1rios santos. O Tratado da Sant\u00edssima Virgem, de S\u00e3o Bernardo de Claraval (+ 1153), \u00e9 a obra mariol\u00f3gica que marca este per\u00edodo.<\/p>\n<p>No per\u00edodo medieval, ainda, percebemos grandes controv\u00e9rsias mariol\u00f3gicas, principalmente no que diz respeito \u00e0 Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria. As universidades eram verdadeiros polos de discuss\u00e3o entre te\u00f3logos franciscanos e dominicanos. Apesar destes \u00faltimos carregarem o ros\u00e1rio no h\u00e1bito e terem todo um hist\u00f3rico devocional mariano \u2013 devido ao seu fundador, S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o \u2013 eram os frades menores que defendiam a imaculada concep\u00e7\u00e3o de Maria, encontrando a sua figura mais expressiva no Beato Jo\u00e3o Duns Scotus. Por esse motivo \u00e9 que Santo Tom\u00e1s n\u00e3o fez um tratado de mariologia, visto que era dominicano e, portanto, fruto de uma \u00e9poca e de uma escola de pensamento.<\/p>\n<p><strong>Mariologia Sistem\u00e1tica na Idade Moderna:<\/strong> O per\u00edodo Moderno \u00e9 marcado pela teologia sistem\u00e1tica. E, a mariologia entra dentro deste campo. Diante da Reforma Protestante, que promoveu \u201cum corte radical na devo\u00e7\u00e3o aos santos e, sobretudo, a Maria [&#8230;] a Contra-Reforma cat\u00f3lica retoma com mais vigor a figura de Maria\u201d (MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e t\u00e3o humana. 2. ed.. S\u00e3o Paulo: Paulinas; Val\u00eancia: Siquem, 2006. p. 14). Com isso, Francisco Suarez (1584) cria o primeiro tratado mariano e Pl\u00e1cido N\u00edgido (1602) cria a palavra \u201cmariologia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mariologia devocional, fruto do iluminismo: <\/strong>Diante do Iluminismo dos s\u00e9culos XVIII e XIX surge \u201cuma mariologia devocional, de cunho afetivo, na qual se misturam elementos simb\u00f3licos e racionais\u201d (MURAD, 2006, p. 14). Assim, nasce O Tratado da Verdadeira Devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Sant\u00edssima Virgem, de S\u00e3o Lu\u00eds Maria Grignion de Montfort. Salvo a linguagem hiperb\u00f3lica do autor, Montfort busca mostrar que a verdadeira forma de ser livre \u00e9 se tornar escravo daquele que \u00e9 o Senhor da Liberdade, Jesus Cristo. Mas, para que fa\u00e7amos isso da melhor maneira \u00e9 preciso que o fa\u00e7amos pelas m\u00e3os de Maria, tendo em mente que \u00e9 mais f\u00e1cil perceber as virtudes que santificaram a Virgem M\u00e3e, do que perceber as virtudes que nos levaram \u00e0 salva\u00e7\u00e3o (presentes em Cristo (j\u00e1 santificado)). Assim, nasce a escravid\u00e3o de Jesus por Maria, que marcou muitos institutos religiosos surgidos nesta \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Mariologia no s\u00e9culo XX:<\/strong> Nos anos sessenta do s\u00e9culo XX inicia-se um movimento um movimento de retorno \u00e0s fontes do cristianismo (Sagradas Escrituras, Patr\u00edstica e Sagrada Liturgia), conhecida como Nouvelle Theologie, que encontra seus maiores expoentes em Joseph Ratzinger, Hans Urs von Balthasar e Henry de Lubac. Assim, toda \u201cmariologia armada somente sobre argumentos da tradi\u00e7\u00e3o\u201d (MURAD, 2006, p.15), principalmente do racioc\u00ednio escol\u00e1stico e do seu m\u00e9todo dedutivo, cai por terra. Era preciso que se voltasse \u00e0s ra\u00edzes e se considerasse a Virgem Maria como sendo verdadeiramente Senhora, mas tamb\u00e9m criatura, para o pesar do tomismo leonino de Lagrange, cardeal Ottaviani, dentre outros. E, tamb\u00e9m para o pesar de certos te\u00f3logos liberais, que queriam mostrar apenas o labor da \u201cMaria de Nazar\u00e9\u201d, aquela que tinha uma vida comum, sem nada de extraordin\u00e1rio, com as dificuldades corriqueiras de qualquer ser humano, mas que se esqueceram que a dimens\u00e3o interior (espiritual) de Maria era aquela que a tornava grande, a ponto de ser assunta ao C\u00e9u, em corpo e alma (dogma de 1950). <\/p>\n<p><strong>Anos 70 e a \u201cMaria de Nazar\u00e9\u201d:<\/strong> Vem, na d\u00e9cada de 70, uma esp\u00e9cie de minimaliza\u00e7\u00e3o da figura da Virgem Maria, chegando ao absurdo de \u201cafirmar: \u2018J\u00e1 se falou demais sobre Maria. Agora, \u00e9 tempo de se calar\u2019\u201d (MURAD, 2006, p. 15). O pensamento moderno desacredita a figura da M\u00e3e de Deus sob pretextos sociologizantes e psicologizantes.<\/p>\n<p><strong>A devo\u00e7\u00e3o mariana hoje:<\/strong> Alguns mari\u00f3logos acreditam que ainda estamos dentro de uma crise, visto que alguns grupos de fi\u00e9is t\u00eam-se voltado aos grandes tratados marianos de Montfort, Bernardo ou de Lig\u00f3rio. Entretanto, \u00e9 preciso que olhemos a realidade atual com um olhar mais atento. O que estes grandes tratados afirmam s\u00e3o profundamente verdadeiros e eficazes para o cultivo da f\u00e9 crist\u00e3 cat\u00f3lica. N\u00e3o h\u00e1 nada de falso. Por\u00e9m, \u00e9, por vezes, hiperb\u00f3lico na linguagem, onde Maria \u00e9 extremamente exaltada (cf. o dito latino De Maria nunquam satis). De fato, se objetivo um fim que me \u00e9 muito caro, n\u00e3o posso transferir a raz\u00e3o do meu agir para o meio, entretanto, devo estar extremamente atento ao meio para que eu chegue ao fim. Ora, o fim \u00e9 Jesus e o meio \u00e9 Maria. Devo estar atento \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es de Maria, como ela nos demonstrou em Can\u00e1. \u00c9 preciso que fiquemos atentos \u00e0 voz atenta de Maria que conhece a realidade mais do que a n\u00f3s, simples servos; pessoas limitadas por natureza. Neste sentido as apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora jamais deixam de ser confirmadas biblicamente, j\u00e1 que Ela \u00e9 a Senhora que sabe daquilo que os \u201crec\u00e9m-casados\u201d precisam. Ela sabe como Deus quer que vivamos e, por isso, nos diz: \u201cfazei tudo o que Ele vos disser\u201d.<\/p>\n<p><strong>Modelo de vida crist\u00e3:<\/strong> \u00c9 no agir de Maria que vemos o modelo da vida crist\u00e3. As Sagradas Escrituras est\u00e3o repletas de pessoas que falaram e nos mostraram o caminho atrav\u00e9s de suas palavras e prega\u00e7\u00f5es, como Jonas, Isa\u00edas, Jeremias, Jo\u00e3o Batista, dentre outros, mas existem aqueles que falaram de Deus sem pronunciar uma s\u00f3 palavra, como foi o caso de Abra\u00e3o, J\u00f3, Jos\u00e9 e Maria. Agora, quem pode dizer qual destes foram mais importantes? S\u00e3o Francisco de Assis dizia: \u201cpreguem, mas se necess\u00e1rio usem palavras\u201d. O testemunho de vida \u00e9 a prega\u00e7\u00e3o mais eficaz. Neste sentido \u00e9 que a Virgem Maria se faz para n\u00f3s modelo a ser imitado, porque n\u00e3o imita a si mesma, mas a Deus. Ela pode afirmar com mais raz\u00e3o: \u201cj\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d.<\/p>\n<p>Com a consci\u00eancia daquilo que \u00e9 Jesus, Deus, e daquilo que \u00e9 Maria, modelo de vida crist\u00e3, podemos ler at\u00e9 mesmo os tratados mais exaltados sobre a Sant\u00edssima Virgem. N\u00e3o nos far\u00e1 idolatr\u00e1-la. Mas, se n\u00e3o tenho essa consci\u00eancia, profundamente assumida e vivida, a menor Ave-Maria que eu rezar, me transformar\u00e1 num id\u00f3latra, porque n\u00e3o busco a gl\u00f3ria de Deus sobre todas as coisas, mas apenas um amuleto que me fa\u00e7a adquirir a minha pr\u00f3pria honra e gl\u00f3ria. <\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 no agir de Maria que vemos o modelo da vida \u00a0 Podemos, como cat\u00f3licos, pensar que a Virgem Maria, na Igreja, \u00e9 apenas um objeto de devo\u00e7\u00e3o e esquecemos que ela tamb\u00e9m teve e tem um papel muito importante na obra da Salva\u00e7\u00e3o e, por isso, \u00e9 digna de ser \u2013 al\u00e9m de cultuada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4415","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4415"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4415\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9315,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4415\/revisions\/9315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}