{"id":44147,"date":"2018-09-26T10:36:26","date_gmt":"2018-09-26T13:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44147"},"modified":"2018-09-26T10:40:18","modified_gmt":"2018-09-26T13:40:18","slug":"44147-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/44147-2\/","title":{"rendered":"Apresentado na Alemanha estudo sobre abusos encomendado pela Igreja"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O estudo, que foi encomendado pelos pr\u00f3prios bispos alem\u00e3es, enfatiza o abuso de poder e o clericalismo. O cardeal Marx assegura que a Igreja n\u00e3o defende a si mesma, mas trabalha pelo bem de todos: prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e justi\u00e7a para as v\u00edtimas<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Sergio Centofanti &#8211; Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>&#8220;O abuso sexual \u00e9 antes de tudo tamb\u00e9m abuso de poder&#8221;. \u00c9 o que afirma um estudo independente encomendado pela Confer\u00eancia Episcopal Alem\u00e3 em uma equipe das Universidades de Mannheim, Heidelberg e Giessen sobre o tema dos abusos sexuais de crian\u00e7as dentro da Igreja Cat\u00f3lica em Alemanha, de 1946 a 2014.<\/p>\n<p>As 27 Dioceses do pa\u00eds participaram da pesquisa apresentada na ter\u00e7a-feira, 25, em uma coletiva de imprensa no \u00e2mbito da Assembleia Episcopal alem\u00e3 em andamento em Fulda. Na ocasi\u00e3o pronunciaram-seo presidente da Confer\u00eancia Episcopal Alem\u00e3, cardeal Reinhard Marx, e o comiss\u00e1rio para as quest\u00f5es sobre abusos sexuais na Igreja e para as quest\u00f5es relativas \u00e0 protec\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e menores da Confer\u00eancia Episcopal, Dom Stephan Ackermann, bispo de Trier.<\/p>\n<h2>Mais de 3 mil v\u00edtimas em 68 anos<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O estudo, que durou quase quatro anos, fala de 3.677 menores abusados em 68 anos por sacerdotes, di\u00e1conos e membros de ordens religiosas. 62,8 por cento das v\u00edtimas s\u00e3o do sexo masculino. Tr\u00eas quartos das v\u00edtimas tinham algum tipo de rela\u00e7\u00e3o religiosa ou pastoral com os acusados.<\/p>\n<p>Quando o estudo fala de abuso de poder, ligando-o ao clericalismo, entende &#8220;um sistema autorit\u00e1rio em que o sacerdote pode assumir uma atitude autorit\u00e1ria de dom\u00ednio na intera\u00e7\u00e3o com pessoas n\u00e3o consagradas, dado que a sua fun\u00e7\u00e3o e sua consagra\u00e7\u00e3o o colocam em uma situa\u00e7\u00e3o superioridade&#8221;.<\/p>\n<p>Os abusados reclamam da parte dos acusados e da institui\u00e7\u00e3o Igreja, a falta de uma admiss\u00e3o cred\u00edvel das pr\u00f3prias faltas e do pr\u00f3prio arrependimento. O estudo registra pouqu\u00edssimas san\u00e7\u00f5es de natureza eclesial contra os acusados e a pr\u00e1tica da simples transfer\u00eancia, com o risco de reca\u00eddas.<\/p>\n<h2>A aten\u00e7\u00e3o da Igreja ao tema, modelo para outras institui\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Os pesquisadores reconhecem progressos no trabalho de preven\u00e7\u00e3o e isso \u2013 sublinha-se &#8211; pode &#8220;servir como modelo para outras institui\u00e7\u00f5es&#8221;. Neste sentido, elogiam os bispos alem\u00e3es por terem encomendado tal pesquisa que &#8220;que poderia servir como modelo para o necess\u00e1rio, e at\u00e9 agora negligenciado, estudo do abuso sexual em outros ambientes institucionais&#8221;.<\/p>\n<p>Iniciativas que podem ser consideradas &#8220;como um sinal de que a Igreja Cat\u00f3lica lida com a quest\u00e3o de maneira aut\u00eantica e cont\u00ednua e n\u00e3o apenas de forma reativa&#8221;.<\/p>\n<h2>A preval\u00eancia de v\u00edtimas do sexo masculino<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Quanto \u00e0 preval\u00eancia de v\u00edtimas do sexo masculino, os pesquisadores afirmam: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00f5es suficientes segundo as quais \u00e9 devido a uma causa \u00fanica a clara preval\u00eancia de jovens e crian\u00e7as do sexo masculino entre as v\u00edtimas de abusos sexuais por parte dos religiosos da Igreja Cat\u00f3lica. Aqui se pode falar muitos fatores. Um deles poderia ser a presen\u00e7a de v\u00e1rias e mais numerosas possibilidades de contato dos religiosos com crian\u00e7as e jovens do sexo masculino. Antes do Conc\u00edlio Vaticano II, por exemplo, somente pessoas do sexo masculinos podiam servir como coroinhas. Al\u00e9m disso, no passado, eram acolhidos nos col\u00e9gios e institutos religiosos mais pessoas do sexo masculinos do que meninas\u201d.<\/p>\n<h2>Homossexualidade e celibato<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;Tudo isso, no entanto &#8211; continuaram os pesquisadores &#8211; n\u00e3o consegue explicar a clara preval\u00eancia de v\u00edtimas do sexo masculino. Nesse contexto, poder-se-ia portanto, falar tamb\u00e9m de explica\u00e7\u00f5es e atitudes ambivalentes da moral sexual cat\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 homossexualidade e sobre o significado do celibato. A obriga\u00e7\u00e3o de uma vida celibat\u00e1ria poderia parecer a solu\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios problemas ps\u00edquicos a seminaristas inclinados a negar as pr\u00f3prias tend\u00eancias homossexuais, uma vez que oferece tamb\u00e9m a perspectiva de uma estreita conviv\u00eancia exclusivamente com homens, pelo menos no semin\u00e1rio. Nesse sentido, espec\u00edficas estruturas e regras da Igreja Cat\u00f3lica poderiam ter um elevado potencial de atra\u00e7\u00e3o para pessoas imaturas com tend\u00eancias homossexuais. Mas oficialmente a Igreja n\u00e3o admite relacionamentos ou pr\u00e1ticas homossexuais. H\u00e1, portanto, o perigo de que essas tend\u00eancias devam ser vividas &#8220;em segredo&#8221;. A complexa intera\u00e7\u00e3o de imaturidade sexual, de poss\u00edveis tend\u00eancias homossexuais latentes negadas e rejeitadas em um ambiente em parte manifestamente homof\u00f3bico, poderia ser outra explica\u00e7\u00e3o para a preval\u00eancia de v\u00edtimas do sexo masculino nos abusos sofridos por parte de religiosos cat\u00f3licos. Contudo &#8211; afirmam os pesquisadores &#8211; nem a homossexualidade nem o celibato s\u00e3o em si causas de abuso sexual em menores&#8221;.<\/p>\n<h2>Import\u00e2ncia da sele\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>o que diz respeito ao celibato, todavia, o estudo sugere a ser questionado como, para alguns grupos de pessoas, essa escolha &#8220;poderia ser um fator de risco de abusos sexuais&#8221;.<br \/>\nNa literatura \u2013 \u00e9 enfatizado &#8211; esta quest\u00e3o \u00e9 objeto de controv\u00e9rsia &#8220;. Por essas raz\u00f5es, os pesquisadores afirmam que se reveste de fundamental import\u00e2ncia &#8220;a sele\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o e um aconselhamento psicol\u00f3gico ininterrupto, aliado \u00e0 profiss\u00e3o sacerdotal. Deve-se, por isso, prestar uma maior aten\u00e7\u00e3o aos aspectos da forma\u00e7\u00e3o da identidade sexual e \u00e0s exig\u00eancias ps\u00edquicas espec\u00edficas do sacerd\u00f3cio&#8221;.<\/p>\n<h2>N\u00e3o minimizar situa\u00e7\u00f5es de risco<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Portanto, se observa que, &#8220;o risco de abuso sexual em crian\u00e7as dentro das estruturas da Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno conclu\u00eddo. O problema persiste e requer a\u00e7\u00f5es concretas para evitar situa\u00e7\u00f5es de risco ou de minimiz\u00e1-las o mais poss\u00edvel. Os resultados da pesquisa demonstram claramente que o abuso sexual de menores por sacerdotes da Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 devido ao comportamento equivocado dos indiv\u00edduos, mas que se deve dirigir a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0s caracter\u00edsticas estruturais do risco dentro da Igreja Cat\u00f3lica, que favorecem o abuso sexual de menores ou tornam mais dif\u00edcil a sua preven\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2>Cardeal Marx: abuso foi negado por muito tempo<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O presidente da Confer\u00eancia dos Bispos da Alemanha, cardeal Reinhard Marx, reiterou com firmeza, que &#8220;o abuso sexual \u00e9 um crime. Quem \u00e9 culpado deve ser punido. Por muito tempo negou-se na Igreja o abuso, desviou-se o olhar e foi mantido escondido. Eu pe\u00e7o perd\u00e3o por todos os fracassos e por toda a dor. Estou envergonhado pela confian\u00e7a que foi destru\u00edda, pelos crimes cometidos contra as pessoas por parte de autoridades da Igreja e sinto vergonha pelos muitos que desviam o olhar, que n\u00e3o querem aceitar o que aconteceu e n\u00e3o t\u00eam pensado nas v\u00edtimas . Isso tamb\u00e9m se aplica a mim. N\u00e3o soubemos ouvir as v\u00edtimas. Isso n\u00e3o deve permanecer sem consequ\u00eancias! As v\u00edtimas t\u00eam direito \u00e0 justi\u00e7a &#8220;.<br \/>\nPrioridade absoluta \u00e0s v\u00edtimas e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Desde 2010 &#8211; acrescentou &#8211; os bispos alem\u00e3es se comprometeram em dar &#8220;absoluta prioridade a uma orienta\u00e7\u00e3o incondicional \u00e0s v\u00edtimas e de evitar outras v\u00edtimas&#8221;. &#8220;Por muito tempo &#8211; continuou ele \u2013 olhamos para outro lado, por amor \u00e0 institui\u00e7\u00e3o e para defender a n\u00f3s, bispos e padres. Aceitamos estruturas de poder e muitas vezes promovemos um clericalismo que, por sua vez, favoreceu a viol\u00eancia e o abuso. Pudemos honrar em parte nossos compromissos em 2010, mas ainda n\u00e3o terminamos: de fato, os resultados deste estudo mostram claramente que devemos seguir em frente. O combate contra a viol\u00eancia sexual na Igreja exige o nosso en\u00e9rgico esfor\u00e7o \u201c para enfrentar &#8220;com determina\u00e7\u00e3o um novo cap\u00edtulo&#8221;: \u201cn\u00e3o se trata de salvar uma institui\u00e7\u00e3o&#8221;, mas de trabalhar para a &#8220;tutela das crian\u00e7as\u201d, pelo \u201cbem das pessoas envolvidas&#8221; e para recriar &#8220;confian\u00e7a e credibilidade&#8221;.<\/p>\n<h2>Os bispos alem\u00e3es levar\u00e3o o tema dos abusos ao S\u00ednodo<\/h2>\n<p>O purpurado disse j\u00e1 ter informado brevemente o Papa sobre os resultados do estudo e antecipou que os bispos alem\u00e3es falar\u00e3o sobre a quest\u00e3o dos abusos sexuais no S\u00ednodo sobre os jovens que se realizar\u00e1 em outubro.<\/p>\n<h2>Dom Ackermann: necess\u00e1ria maior coordena\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O comiss\u00e1rio para as quest\u00f5es sobre os abusos sexuais na Igreja e para as quest\u00f5es relativas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e menores da Confer\u00eancia Episcopal Alem\u00e3, Dom Stephan Ackermann, bispo de Trier, ressalta que o estudo d\u00e1 indica\u00e7\u00f5es claras sobre quais estruturas e quais din\u00e2micas podem favorecer os abusos na Igreja: &#8220;Nos \u00faltimos anos, adotamos uma s\u00e9rie de medidas contra a viol\u00eancia sexual no \u00e2mbito da Igreja. Isso se aplica sobretudo ao setor de preven\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as ao comprometimento das pessoas encarregadas pela preven\u00e7\u00e3o, junto a suas muitas colaboradoras e seus muitos colaboradores. Mas o relat\u00f3rio final nos mostra que n\u00f3s bispos, devemos intervir com maiior coer\u00eancia e maior coordena\u00e7\u00e3o rec\u00edproca e que todas as medidas de interven\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o insuficientes se n\u00e3o estiverem inseridas em uma cultura eclesi\u00e1stica e em estruturas que contribuam para prevenir com efic\u00e1cia o abuso de poder eclesi\u00e1stico .<\/p>\n<p>O bispo de Trier conclui dizendo, que na luta contra o abuso, &#8220;sozinhos, n\u00f3s bispos, n\u00e3o conseguiremos. Precisamos da ajuda cr\u00edtica e da solidariedade dos outros: da sociedade, da pol\u00edtica, da ci\u00eancia e de modo especial tamb\u00e9m da ajuda das pessoas atingidas&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo, que foi encomendado pelos pr\u00f3prios bispos alem\u00e3es, enfatiza o abuso de poder e o clericalismo. 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