{"id":44106,"date":"2018-09-25T14:47:30","date_gmt":"2018-09-25T17:47:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44106"},"modified":"2018-09-25T14:47:30","modified_gmt":"2018-09-25T17:47:30","slug":"aborto-e-a-banalidade-do-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/aborto-e-a-banalidade-do-mal\/","title":{"rendered":"Aborto e a banalidade do mal"},"content":{"rendered":"<article id=\"news\" class=\"noticia-conteudo news\">\n<div id=\"texto-interna\" class=\"noticias-conteudo-text-container\">\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p><a href=\"http:\/\/jornalosp.arquisp.org.br\/colunista\/ivanaldo-santos\">Ivanaldo Santos<\/a><\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Na d\u00e9cada de 1960 a pensadora judia Hannah Arendt cunhou a express\u00e3o \u201cbanalidade do mal\u201d. Para ela existe um tipo de mal que n\u00e3o \u00e9 metaf\u00edsico e transcendente. \u00c9 um mal que, a princ\u00edpio, n\u00e3o est\u00e1 relacionado com a religi\u00e3o e com a salva\u00e7\u00e3o da alma. \u00c9 um mal estabelecido pelo pr\u00f3prio ser humano, um mal produzido dentro da hist\u00f3ria. Trata-se do \u201cmal\u201d no sentido da mais radical nega\u00e7\u00e3o da \u00e9tica e da dignidade da pessoa humana. De forma muito forte Arendt identifica essa banalidade do mal, no s\u00e9culo XX, com o regime nazista. Um regime que transformou a morte em produto industrial, que matou milh\u00f5es de pessoas de forma organizada e sistem\u00e1tica, como se a morte fosse um produto de uma linha de produ\u00e7\u00e3o fordista.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A ideia de que existe uma banalidade do mal pode ser encontrada em quase todo o s\u00e9culo XX. Um s\u00e9culo que levou a morte a condi\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o em larga escala. Essa banalidade pode ser percebida, por exemplo, na cruel guerra de trincheiras da Primeira Guerra Mundial, na carnificina que foi a Segunda Guerra Mundial, no uso da bomba at\u00f4mica, em 1945, e de armas qu\u00edmicas na guerra da Coreia e do Vietn\u00e3. De certa forma, o ser humano sempre foi cruel e teve impulsos assassinos, mas o s\u00e9culo XX surpreendeu toda a hist\u00f3ria humana e, com isso, conseguiu superar as formas de matar e a efici\u00eancia que a morte era distribu\u00edda ao redor do planeta Terra.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Na sociedade contempor\u00e2nea existe a tentativa de ampliar a discuss\u00e3o de Arendt sobre a banalidade do mal. Por isso, percebe-se que o mal continua sendo banalizado, que o ser humano continua construindo estruturas sociais desprovidas de \u00e9tica e de respeito \u00e0 dignidade humana. Por exemplo, em nossos dias a banalidade do mal aparece nas pessoas que morrem nas filas dos hospitais, no abandono das crian\u00e7as, na eutan\u00e1sia praticada em idosos nos pa\u00edses desenvolvidos da Europa, no abandono dos refugiados, na n\u00e3o distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos b\u00e1sicos a vida humana e muito mais.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Em termos de uma pr\u00e1tica da banalidade do mal o s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 muito diferente do s\u00e9culo XX. Uma das formas mais radicais e eficientes de manifesta\u00e7\u00e3o da banalidade do mal \u00e9 o aborto. O aborto, por si s\u00f3, \u00e9 um ato horrendo, terr\u00edvel. \u00c9 a nega\u00e7\u00e3o radical da vida, \u00e9 n\u00e3o permitir que um ser humano desfrute do mais fundamental dos direitos, ou seja, o direito a vida, o direito de nascer. No entanto, para surpresa, em nossos dias o aborto \u00e9 apresentado como solu\u00e7\u00e3o para problemas de sa\u00fade p\u00fablica, como emancipa\u00e7\u00e3o de grupos sociais radicais e at\u00e9 mesmo como realiza\u00e7\u00e3o de algum projeto delirante de felicidade individual. Em muitos ambientes sociais e at\u00e9 mesmo dentro do judici\u00e1rio fala-se em legaliza\u00e7\u00e3o do aborto como solu\u00e7\u00e3o para conflitos humanos.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Na pr\u00e1tica a banalidade do mal continua presente na sociedade humana da forma como foi descrito por Arendt. A diferen\u00e7a \u00e9 que no s\u00e9culo XX matavam-se milh\u00f5es de pessoas de forma eficiente e r\u00e1pida nos campos de concentra\u00e7\u00e3o e, atualmente, deseja-se continuar matando, mas, n\u00e3o mais nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazista, deseja-se matar nas cl\u00ednicas de aborto. A banalidade do mal permanece a mesma apenas mudou o local do exterm\u00ednio. A sociedade contempor\u00e2nea precisa se reencontrar com a \u00e9tica e com o respeito pela dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">\n<address><sub><strong>Ivanaldo Santos<\/strong> \u00e9 escritor, pesquisador e professor universit\u00e1rio. E-mail: <a href=\"mailto:ivanaldosantos@yahoo.com.br\">ivanaldosantos@yahoo.com.br<\/a><\/sub><\/address>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivanaldo Santos Na d\u00e9cada de 1960 a pensadora judia Hannah Arendt cunhou a express\u00e3o \u201cbanalidade do mal\u201d. 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