{"id":44101,"date":"2018-09-25T14:22:47","date_gmt":"2018-09-25T17:22:47","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44101"},"modified":"2018-09-25T14:22:47","modified_gmt":"2018-09-25T17:22:47","slug":"a-diversidade-e-uma-riqueza-sera-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-diversidade-e-uma-riqueza-sera-mesmo\/","title":{"rendered":"A diversidade \u00e9 uma riqueza&#8230; ser\u00e1 mesmo?"},"content":{"rendered":"<div id=\"texto-interna\" class=\"noticias-conteudo-text-container\">\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p class=\"rtejustify\">A diversidade \u00e9 uma riqueza. Frase que gostamos de repetir em nossa sociedade. Mas, nos tempos atuais, particularmente no campo das vis\u00f5es de mundo, das ideias e dos valores, vivenciamos, de fato, a diversidade como algo enriquecedor?<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">\u00c9 nossa experi\u00eancia cotidiana estarmos numa sociedade pluralista. \u201cA emancipa\u00e7\u00e3o da pessoa diante das tradi\u00e7\u00f5es do passado, as quais n\u00e3o s\u00e3o mais aceitas apenas por serem tais, implica, necessariamente, uma releitura desses dados transmitidos pelas gera\u00e7\u00f5es anteriores, tornando a atual sociedade m\u00faltipla e diversa, em decorr\u00eancia da pluralidade de leituras nela efetuadas\u201d, explica o Padre Fran\u00e7a de Miranda, para concluir que isso provoca um mal-estar. Assim, o esp\u00edrito de nosso tempo acaba se caracterizando por um relativismo e um pluralismo radicais.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Paralelamente, por\u00e9m, notamos hoje outro fen\u00f4meno em dire\u00e7\u00e3o oposta. As pessoas tendem a procurar \u201cc\u00e2maras de eco\u201d, espa\u00e7os \u2013 favorecidos pelas m\u00eddias sociais \u2013 onde encontram outras pessoas com as mesmas ideias, orienta\u00e7\u00f5es de vida e interesses, e confirmam mutuamente as respectivas opini\u00f5es. Estimula-se um mon\u00f3logo do eu, e o encontro com o diferente tornase embate, ami\u00fade intoxicado por intoler\u00e2ncia e viol\u00eancia verbal. Assistimos n\u00e3o s\u00f3 a um \u201cchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u201d \u2013 como parece estar sendo provocado na Europa \u2013, mas mesmo a um choque entre pessoas e grupos de orienta\u00e7\u00f5es diferentes (ao qual nem mesmo os cat\u00f3licos escapam, como vemos em cr\u00edticas p\u00fablicas ao Papa e \u00e0 CNBB por parte de determinados setores).<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A diferen\u00e7a \u00e9 percebida como amea\u00e7a, e n\u00e3o se sabe como efetivamente lidar com ela.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">No documento sobre os leigos e as leigas na Igreja e na sociedade, os bispos brasileiros exortam-nos a viver na pluralidade que respeita as diferen\u00e7as, sem cair no relativismo. E talvez a Carta a Diogneto d\u00ea uma pista de como atuar isso, ao descrever os crist\u00e3os. \u201cSua doutrina n\u00e3o est\u00e1 na descoberta do pensamento de homens multiformes, tampouco aderem a uma corrente filos\u00f3fica humana\u201d. O pensamento deles busca seu fundamento alhures. Explica o Papa Francisco na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Veritatis gaudium<\/em>: \u201cDaqui tamb\u00e9m o acento peculiar, na forma\u00e7\u00e3o para uma cultura crist\u00e3mente inspirada, posto em descobrir em toda a cria\u00e7\u00e3o a marca trinit\u00e1ria que faz do cosmo onde vivemos \u2018uma trama de rela\u00e7\u00f5es\u2019 em que \u2018\u00e9 pr\u00f3prio de cada ser vivo tender, por sua vez, para outra realidade\u2019\u201d (VG 4).<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">\u00c9 a Trindade, por assim dizer, o \u201cmodelo\u201d que fundamenta a possibilidade de se viver a unidade na diversidade.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O olhar para as divinas Pessoas na Trindade permite intuir que n\u00e3o \u00e9 suficiente tolerar o diferente e a diferen\u00e7a (\u00e0s vezes tornando esta tabu, da qual n\u00e3o se fala), como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 suficiente o necess\u00e1rio respeito, em sentido de apre\u00e7o, considera\u00e7\u00e3o, a ela. Cabe um salto de qualidade: os diferentes, em sua diferen\u00e7a, precisam estar em rela\u00e7\u00e3o, precisam interagir mutuamente no amor.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Concretamente, e no campo das vis\u00f5es de mundo, das ideias, dos valores, isso pode ser traduzido, como continua a Veritatis gaudium, no \u201cdi\u00e1logo sem reservas: n\u00e3o como mera atitude t\u00e1tica, mas como exig\u00eancia intr\u00ednseca para fazer experi\u00eancia comunit\u00e1ria da alegria da Verdade e aprofundar o seu significado e implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas\u201d (VG 4). Verdade que, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mais relativa, mas relacional, buscada e descoberta na rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Assim, a diversidade torna-se efetivamente riqueza.<\/p>\n<address><sub><strong>Klaus Br\u00fcschke<\/strong> \u00e9 Membro do Movimento dos Focolares, ex-publisher da Editora Cidade Nova e articulista da revista Cidade Nova.<\/sub><\/address>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A diversidade \u00e9 uma riqueza. Frase que gostamos de repetir em nossa sociedade. 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