{"id":44096,"date":"2018-09-25T14:02:26","date_gmt":"2018-09-25T17:02:26","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44096"},"modified":"2018-09-25T14:10:12","modified_gmt":"2018-09-25T17:10:12","slug":"como-buscar-o-rosto-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-buscar-o-rosto-de-deus\/","title":{"rendered":"Como buscar o rosto de Deus?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/jornalosp.arquisp.org.br\/colunista\/padre-alfredo-jose-goncalves-cs\">Padre Alfredo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves, CS<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"texto-interna\" class=\"noticias-conteudo-text-container\">\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p class=\"rtejustify\">Como buscar o rosto de Deus em meio a tanto rumor? Qu\u00e3o rumorosas s\u00e3o as ruas e pra\u00e7as da cidade! Rumor de motores, pneus e buzinas; de ambul\u00e2ncias, carros de bombeiros e da PM, com suas sirenes; de vozes, an\u00fancios e gritos; de m\u00e1quinas, alto-falantes e m\u00fasica; de crian\u00e7as nas escolas e ao redor delas. Como buscar o rosto de Deus em meio a tanta velocidade? A pressa se torna imperativa e inconsciente! Tudo o que se move, s\u00f3 o faz correndo, olhando o rel\u00f3gio: pessoas e ve\u00edculos, vendedores e compradores, empres\u00e1rios e funcion\u00e1rios. Como buscar o rosto de Deus em meio a tantos e m\u00faltiplos produtos que, expostos nas lojas iluminadas, fascinam e seduzem o consumidor? Quanto se produz, se vende e se compra no espa\u00e7o urbano! Roupa, cal\u00e7ados, bolsas, brinquedos, televisores eletrodom\u00e9sticos, celulares, m\u00f3veis, livros e revistas, material de escrit\u00f3rio, alimento, bebida, caf\u00e9, artefatos e bugigangas de toda esp\u00e9cie e g\u00eanero.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Como buscar o rosto de Deus em meio a tamanho medo e desconfian\u00e7a? Tudo e todos, nessa selva de pedra, parecem representar uma cont\u00ednua amea\u00e7a. Inimigos rec\u00edprocos por toda parte! A multid\u00e3o marcha veloz, flui em todas as dire\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes forma correntes de gente. Rios humanos que desembocam em pra\u00e7as, terminais rodovi\u00e1rios, esta\u00e7\u00f5es metrovi\u00e1rias, centros comerciais. Mas cada um procura esquivar-se do outro e, com grande cuidado, esquivar o entrechoque dos bra\u00e7os, dos pacotes, especialmente dos corpos. Esquivar, ignorar, desconhecer, fazer de conta que n\u00e3o se v\u00ea \u2013 eis a regra n\u00famero um de quem cruza apressadamente o centro urbano. De forma particular, \u00e9 preciso evitar um cruzamento imprevisto de um olhar. O risco de um olhar \u00e0 espreita no corre-corre da selva de pedra: verdadeira invas\u00e3o de privacidade! O olhar interpela e interroga, desnuda e penetra, rompe e invade as linhas de defesa. Pode ser letal! Por vezes os olhos se cruzam dentro do \u00f4nibus, do trem, da esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4, de qualquer consult\u00f3rio&#8230; Encontros ignotos e inc\u00f3gnitos, e que para sempre se convertem em desencontros.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Como buscar o rosto de Deus em meio ao turbilh\u00e3o irrequieto e buli\u00e7oso da metr\u00f3pole? Em primeiro lugar, o mesmo olhar que se teme e se procura esquivar, ao inv\u00e9s de uma invas\u00e3o imprevista, pode transfigurar-se em uma nova luz. Um raio de sol que ilumina a vida, o ambiente, o passado-presente-futuro&#8230; Tudo! Basta que, em lugar de um desencontro, este possa reconverter-se em um encontro. Um encontro fortuito, ocasonal e inesperado, em vez de perigo a ser evitado, pode abrir caminho para uma esfera diversa daquela em que nos movemos. Escancara-se uma janela para o c\u00e9u azul, para o ar livre, para a aurora de um novo dia. A opacidade urbana, onde cada um carrega uma armadura de autodefesa, transforma-se em transpar\u00eancia. Uma ilumina\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel e uma \u00e1gua cristalina passam a jorrar de fontes antes desconhecidas.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Mas dois impasses precisam ser superados. Primeiro, saber diminuir a marcha, saber parar. \u201cVamos sozinhos a um lugar deserto, para que voc\u00eas possam repousar um pouco\u201d, diz Jesus a seus disc\u00edpulos. Estavam pressionados pela multid\u00e3o. \u201cN\u00e3o tinham tempo nem para comer\u201d (Mc 6,31). A multid\u00e3o costuma exigir sempre mais \u2013 p\u00e3o, fatos, milagres, sensa\u00e7\u00f5es, espet\u00e1culo. Da\u00ed a necessidade de tempo para parar, refugiar-se em um lugar \u00e0 parte, interrogar a si pr\u00f3prio sobre a exist\u00eancia, o sentido da vida. Quem dirige perguntas a si mesmo e busca novas respostas, n\u00e3o teme o olhar alheio. Nenhum olhar poder\u00e1 converter-se em amea\u00e7a, pois, tendo aprendido a olhar-se no espelho de si mesmo, pode ver-se atrav\u00e9s do espelho do outro.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Mas n\u00e3o bastam os dois espelhos. O segundo impasse a ser superado \u00e9 o de saber calar. Numa palavra, parar e silenciar \u00a0para escutar. Momento para ouvir n\u00e3o apenas o outro que, dia ap\u00f3s dia cruza o meu caminho, vive sob o mesmo teto, ou trabalha comigo, mas, de modo especial, parar e silenciar para escutar o totalmente Outro. O Transcendente, mais do que cruzar meus passos, habita a minha alma, habita o interior de todo ser humano, habita a obra da humanidade. \u201cDeus habita esta cidade\u201d (Sl 47,9). Mas como busc\u00e1-Lo, se somos incapazes de diminuir o ritmo das atividades? Como escut\u00e1-Lo no sil\u00eancio da ora\u00e7\u00e3o, da medita\u00e7\u00e3o ou da contempla\u00e7\u00e3o, se somos incapazes de suportar o sil\u00eancio?\u00a0 Na ora\u00e7\u00e3o silenciosa, tr\u00eas espelhos se encontram, se interpelam e se fundem, refletindo simultaneamente a presen\u00e7a do Mist\u00e9rio, os temores e esperan\u00e7as do pr\u00f3ximo e os anseios de nossa pr\u00f3pria alma, tantas vezes solit\u00e1ria e ressequida.<\/p>\n<address><sub><strong>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves<\/strong>, te\u00f3logo, \u00e9 o atual Vig\u00e1rio Geral da Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios de S\u00e3o Carlos (scalabrinianos). Realizou trabalhos pastorais em\u00a0favelas, corti\u00e7os e no interior do Estado com os migrantes cortadores de cana. Foi diretor do CEM-Centro de Estudos Migrat\u00f3rios de S\u00e3o Paulo, assessor do Setor Pastorais Sociais da CNBB, Superior da Prov\u00edncia S\u00e3o Paulo dos Padres Scalabrinianos.\u00a0<\/sub><\/address>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Alfredo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves, CS &nbsp; Como buscar o rosto de Deus em meio a tanto rumor? Qu\u00e3o rumorosas s\u00e3o as ruas e pra\u00e7as da cidade! 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