{"id":44092,"date":"2018-09-25T11:35:54","date_gmt":"2018-09-25T14:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44092"},"modified":"2018-09-25T11:35:54","modified_gmt":"2018-09-25T14:35:54","slug":"pe-spadaro-acordo-santa-se-china-sinal-de-esperanca-e-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pe-spadaro-acordo-santa-se-china-sinal-de-esperanca-e-de-paz\/","title":{"rendered":"Pe Spadaro: Acordo Santa S\u00e9-China, sinal de esperan\u00e7a e de paz"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NFajrFBEhgY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 class=\"article__title\"><\/h1>\n<div class=\"article__subTitle\">&#8220;Para n\u00f3s, Jesu\u00edtas, este Acordo significa muito, porque dizemos que a China est\u00e1 presente no cora\u00e7\u00e3o de cada Jesu\u00edta. Matteo Ricci \u00e9 um homem que se formou na cultura renascentista e, absorvendo a cultura europeia, decidiu ir para a China&#8221;, \u00e9 uma das passagens da entrevista.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidado do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>O diretor da revista dos desu\u00edtas &#8220;Civilt\u00e0 Cattolica&#8221;, Padre Ant\u00f4nio Spadaro &#8211; que faz parte da comitiva Papal nos Pa\u00edses B\u00e1lticos &#8211; concedeu uma entrevista ao nosso correspondente Alessandro De Carolis, sobre a assinatura em Pequim, no s\u00e1bado, do Acordo Provis\u00f3rio entre a Santa S\u00e9 e a China, sobre a nomea\u00e7\u00e3o de Bispos.<\/p>\n<p><b>Padre Ant\u00f4nio Spadaro, o que muda para a Igreja na China com a assinatura do Acordo entre a Santa S\u00e9 e o governo de Pequim?<\/b><\/p>\n<p>\u00ab<i>Com este Acordo, n\u00e3o h\u00e1 mais aquelas dificuldades que mantiveram a Igreja dividida entre duas comunidades. Assim, n\u00e3o h\u00e1 mais obst\u00e1culos para a comunh\u00e3o da Igreja na China, na sua globalidade, e em rela\u00e7\u00e3o com o Santo Padre. Este \u00e9 o objetivo alcan\u00e7ado com este Acordo provis\u00f3rio. Ao mesmo tempo, conclui-se um processo, que durou longos anos, iniciado por Jo\u00e3o Paulo II, sobre a legaliza\u00e7\u00e3o, &#8211; ou a readmiss\u00e3o da comunh\u00e3o com o Papa, &#8211; dos Bispos, que haviam sido ilegalmente ou ilicitamente, ou seja, uma ordena\u00e7\u00e3o feita pelo governo sem a autoriza\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia. Desde o ano 2000, cerca de 40 Bispos foram legitimados e Francisco completou esta obra. Sem d\u00favida, este ser\u00e1 um passo importante tamb\u00e9m para a miss\u00e3o do Evangelho. A Igreja, n\u00e3o mais dividida, poder\u00e1 ser mais livre, vivendo neste um processo de reconcilia\u00e7\u00e3o, de anunciar o Evangelho, que \u00e9 mais importante<\/i>\u00bb.<\/p>\n<p><b>Este Acordo provis\u00f3rio tem alguma rela\u00e7\u00e3o com a Carta que Bento XVI escreveu aos cat\u00f3licos chineses em 2007?<\/b><\/p>\n<p>\u00ab<i>Bento XVI tinha uma ideia muito clara: era preciso encontrar um modo para estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre o governo chin\u00eas e as autoridades chinesas com a Santa S\u00e9. Tal confian\u00e7a abriria alas para o di\u00e1logo; assim sendo, aos poucos, chegar\u00edamos a um ponto, no qual chegamos hoje. Logo, diria que Francisco realizou os profundos desejos, expressos por Bento XVI naquele documento t\u00e3o importante<\/i>\u00bb.<\/p>\n<p><b>Quais consequ\u00eancias poderia suscitar a assinatura deste Acordo provis\u00f3rio entre as Igrejas asi\u00e1ticas, onde os cat\u00f3licos s\u00e3o quase sempre uma minoria?<\/b><\/p>\n<p>\u00abA \u00c1sia \u00e9 o continente do futuro. H\u00e1 muitos cat\u00f3licos na \u00c1sia, que, \u00e0s vezes, constituem pequenas comunidades, mas, em alguns pa\u00edses, s\u00e3o extremamente din\u00e2micos. S\u00e3o comunidades que poder\u00edamos definir como &#8220;v\u00edrgula zero&#8221;: pequenas, mas extremamente fortes; sementes para o futuro. A China tem uma enorme necessidade espiritual e a est\u00e1 expressando: as convers\u00f5es ao cristianismo est\u00e3o alcan\u00e7ando porcentagens muito altas. Trata-se, geralmente, de convers\u00f5es ao protestantismo, porque as comunidades protestantes n\u00e3o t\u00eam v\u00ednculos particulares ou dificuldades com o governo e, portanto, s\u00e3o mais avantajadas na miss\u00e3o. A Igreja Cat\u00f3lica, hoje, \u00e9 chamada a responder a este grande desejo de Evangelho\u00bb.<\/p>\n<p><b>Falamos sobre um passado longo, sofrido. Agora, estamos falando de um presente novo, que come\u00e7a sob os melhores ausp\u00edcios. Tentando imaginar o futuro, o que se poderia dizer?<\/b><\/p>\n<p>\u00ab<i>O futuro consiste na prega\u00e7\u00e3o do Evangelho. N\u00e3o h\u00e1 outros objetivos neste Acordo. H\u00e1 uma dimens\u00e3o pastoral que, obviamente, comportam sementes para o futuro. Contudo, devemos entender tamb\u00e9m o que isso significa para a Igreja Cat\u00f3lica. Por exemplo, Bento XVI, em sua introdu\u00e7\u00e3o no livro &#8220;A Luz do Mundo&#8221;, publicado na edi\u00e7\u00e3o chinesa, auspiciava um cristianismo chin\u00eas, plenamente crist\u00e3o e tamb\u00e9m chin\u00eas. O que isso poderia significar, em termos de teologia e reflex\u00e3o, levando em conta a grande cultura deste pa\u00eds, sobre a qual o Papa Francisco se referiu v\u00e1rias vezes, dizendo-se &#8220;admirado&#8221; por tanta sabedoria? Repito, os desafios fundamentais s\u00e3o desafios de natureza pastoral; \u00e9 preciso, hoje, anunciar o Evangelho e, provavelmente, &#8211; se quisermos &#8211; este Acordo pode ser tamb\u00e9m um sinal: um sinal de esperan\u00e7a, um sinal de paz, em um mundo, onde se continuam a construir muros, especialmente entre Ocidente e Oriente<\/i>\u00bb.<\/p>\n<p><b>A assinatura deste Acordo provis\u00f3rio coincidiu com a primeira etapa da visita do Papa Francisco aos pa\u00edses B\u00e1lticos, na Litu\u00e2nia. Conversando com as autoridades e com os jovens, o Papa falou sobre a import\u00e2ncia de manter a alma e redescobrir as ra\u00edzes de um povo. Podemos dizer que esta mensagem tamb\u00e9m pode ser aplicada aos cat\u00f3licos na China?<\/b><\/p>\n<p>\u00ab<i>A mensagem de Francisco aqui, na Litu\u00e2nia, pode ser aplicada, certamente, a todos os cat\u00f3licos, tamb\u00e9m para os cat\u00f3licos chineses. Quando o Papa, aqui em Vilnius, falou de ra\u00edzes, falou tamb\u00e9m de acolhimento e abertura. Quer dizer, no fundo, precisamos recuperar as ra\u00edzes, n\u00e3o tanto para permanecermos apegados \u00e0s ra\u00edzes, sem que produzam frutos: essas ra\u00edzes s\u00e3o ra\u00edzes de \u00e1rvores que produzem frutos. Por isso, o Papa disse muito claramente, j\u00e1 na sua chegada a Vilnius, que este pa\u00eds, de fortes ra\u00edzes, soube acolher pessoas de nacionalidades, l\u00ednguas e religi\u00f5es diferentes. Eis o futuro!<\/i>\u00bb.<\/p>\n<p><b>A hist\u00f3ria da Companhia de Jesus na China \u00e9 longa e teve in\u00edcio h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos &#8211; 500 anos atr\u00e1s &#8211; com o Padre Matteo Ricci. O que a assinatura deste Acordo significa tamb\u00e9m para os Jesu\u00edtas?<\/b><\/p>\n<p>\u00ab<i>Para n\u00f3s, Jesu\u00edtas, este Acordo significa muito, porque dizemos que a China est\u00e1 presente no cora\u00e7\u00e3o de cada Jesu\u00edta. Matteo Ricci \u00e9 um homem que se formou na cultura renascentista e, absorvendo a cultura europeia, decidiu ir para a China. Precisamente esta sua forma\u00e7\u00e3o permitiu-lhe dialogar com a cultura deste grande pa\u00eds: ele se apaixonou por ela e a absorveu. Depois dele, os Jesu\u00edtas absorveram esta cultura, mesmo o Confucionismo, e a transmitiram \u00e0 Europa. Ent\u00e3o, em que modo influenciaram a Europa? \u00c9 impressionante como a evangeliza\u00e7\u00e3o, para esses primeiros Jesu\u00edtas, passa pelo profundo amor \u00e0 cultura de um povo. Logo, n\u00e3o h\u00e1 nenhum desejo de evangeliza\u00e7\u00e3o fundamentalista, quase como miss\u00e3o cultural, mas o desejo de encontrar um povo com suas ideias e costumes. Fiquei muito impressionado pelo fato de que o \u201cGlobal Times\u201d, um jornal oficial chin\u00eas, no dia do Acordo assinado entre a China e a Santa S\u00e9, tenha definido o Papa Francisco como &#8220;o primeiro Papa jesu\u00edta&#8221;; fazendo um confronto direto com Matteo Ricci, disse que \u201ceste homem, como seu Predecessor, tinha e tem uma rela\u00e7\u00e3o muito flex\u00edvel e din\u00e2mica quanto \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, capaz de amar o seu povo\u201d. Isto me impressionou muito, porque este \u00e9 exatamente o significado do Acordo: construir a confian\u00e7a, amar um povo!<\/i>\u00bb<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &#8220;Para n\u00f3s, Jesu\u00edtas, este Acordo significa muito, porque dizemos que a China est\u00e1 presente no cora\u00e7\u00e3o de cada Jesu\u00edta. Matteo Ricci \u00e9 um homem que se formou na cultura renascentista e, absorvendo a cultura europeia, decidiu ir para a China&#8221;, \u00e9 uma das passagens da entrevista. 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