{"id":43800,"date":"2018-09-16T08:46:19","date_gmt":"2018-09-16T11:46:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=43800"},"modified":"2018-09-17T08:50:03","modified_gmt":"2018-09-17T11:50:03","slug":"for-do-lacio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/for-do-lacio\/","title":{"rendered":"For do l\u00e1cio"},"content":{"rendered":"<p>Ainda recentemente, 8 de setembro, o mundo comemorou o Dia Mundial da Alfabetiza\u00e7\u00e3o. Nada teria a dizer nesse espa\u00e7o, n\u00e3o fosse esta efem\u00e9ride uma comemora\u00e7\u00e3o vazia de sentido entre n\u00f3s. Que vivemos tempos de desconstru\u00e7\u00e3o de nossas tradi\u00e7\u00f5es e valores outrora preservados por pais, educadores e amantes da cultura e linguagem de um povo, todos bem o sabemos. Ou at\u00e9 preferimos ignorar, pisando firme sobre a teimosia que a autossufici\u00eancia do progresso hoje nos proporciona. Por que preservar o passado quando temos tudo o de melhor, quando a modernidade nos proporciona uma vida de conforto e bem-estar sem preocupa\u00e7\u00f5es ef\u00eameras? Por que queimar etapas com regras e detalhes de nosso linguajar, gram\u00e1tica e concord\u00e2ncias, quando tradutores cibern\u00e9ticos e simult\u00e2neos nos facilitam a comunica\u00e7\u00e3o global?<\/p>\n<p>Pensar em alfabetiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resume a quest\u00f5es do be-a-b\u00e1. Nesta arte prim\u00e1ria do aprendizado est\u00e1 inclu\u00edda a pr\u00e1tica da leitura b\u00e1sica, mas igualmente o entendimento de textos, a constru\u00e7\u00e3o destes, a verbaliza\u00e7\u00e3o de ideias, a comunica\u00e7\u00e3o interpessoal, a defesa de teses, de teorias, de argumentos, a proclama\u00e7\u00e3o de uma doutrina, a prega\u00e7\u00e3o pura e simples. Tais qualidades s\u00e3o raras no mercado dos bons argumentadores dos nossos dias. Estamos nos comunicando quase guturalmente, com monoss\u00edlabos, sem os predicados necess\u00e1rios \u00e0 boa defesa de nossas ideias. A linguagem empobrece. Perde sua poesia e poder de persuas\u00e3o. Quando muito, se deixa poluir pelo modismo das influ\u00eancias externas (em especial a l\u00edngua inglesa), perdendo sua identidade e pureza original. Isso sentimos facilmente, em especial ap\u00f3s o advento tecnol\u00f3gico e seus termos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>N\u00e3o prego aqui um retrocesso. Ao contr\u00e1rio, precisamos evoluir nesta unifica\u00e7\u00e3o dos povos, sem, no entanto, sepultar nossa cultura ou origens. Quem se envergonha destas \u00e9 algu\u00e9m sem identidade pessoal, sem ra\u00edzes que sustentem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Corre o risco do ostracismo (para quem n\u00e3o sabe: ser ignorado por todos \u2013 pois algu\u00e9m sem hist\u00f3ria n\u00e3o merece respeito, n\u00e3o atrai aten\u00e7\u00f5es sobre si). Um zero \u00e0 esquerda de tudo o que, unida, a humanidade \u00e9 capaz de criar, construir, inventar. O ber\u00e7o que nos abrigou, a escola que nos alfabetizou, a igreja que nos doutrinou s\u00e3os as primeiras refer\u00eancias que o mundo nos pede ao avaliar nossos valores, nossas capacidades.<\/p>\n<p>Assim pensando, constatei e comprovei algo assustador nesta linha de racioc\u00ednio. Dos basti\u00f5es da cultura e da l\u00edngua p\u00e1tria que alguns poucos ainda prezam, uma institui\u00e7\u00e3o pode ser apontada como reserva (ainda que aquartelada) da linguagem luso-brasileira. N\u00e3o pense em liceus (estes est\u00e3o praticamente extintos). Nem na ABL (Academia Brasileira de Letras), demasiadamente contaminada pelos modismos e pela linguagem corrompida de muitos autores modernos). Nem numa universidade de tradi\u00e7\u00e3o. Nada disso. Essa institui\u00e7\u00e3o \u00e9 a igreja crist\u00e3 (cat\u00f3lica ou n\u00e3o), com sua b\u00edblia e seus ritos tradicionais e liturgicamente imut\u00e1veis, bem como irrepreens\u00edveis em suas concord\u00e2ncias nominais ou verbais. Onde ainda se usa pronomes e conjuga\u00e7\u00f5es em primeira, segunda ou terceira pessoas, singular ou plural, sem medo, mas com naturalidade? Na igreja, quem diria! O catolicismo tornou-se uma verdadeira escola de alfabetiza\u00e7\u00e3o gramatical com seus folhetos lit\u00fargicos irretoc\u00e1veis gramaticalmente, com suas preces a dignificar Deus nas alturas e a minimizar os humanos na sua indignidade como errantes contumazes. O povo cat\u00f3lico, no andar dos fatos que vemos acontecer com a linguagem atual, poder\u00e1 possuir, num futuro n\u00e3o muito distante, os poucos mestres da nossa velha flor do l\u00e1cio, nossa boa e gostosa l\u00edngua portuguesa. Nossos irm\u00e3os evang\u00e9licos, amantes da leitura b\u00edblica, idem. J\u00e1 nossos inveterados digitadores do mundo atual, tipo tds vcs tb. Bjs, ka, ka, ka&#8230; Bora l\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda recentemente, 8 de setembro, o mundo comemorou o Dia Mundial da Alfabetiza\u00e7\u00e3o. Nada teria a dizer nesse espa\u00e7o, n\u00e3o fosse esta efem\u00e9ride uma comemora\u00e7\u00e3o vazia de sentido entre n\u00f3s. 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