{"id":4378,"date":"2014-03-17T18:50:26","date_gmt":"2014-03-17T21:50:26","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/as-asas-da-liberdade\/"},"modified":"2017-04-04T14:51:50","modified_gmt":"2017-04-04T17:51:50","slug":"as-asas-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/as-asas-da-liberdade\/","title":{"rendered":"As asas da liberdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum pensador humano deixou de transitar suas ideias sobre a quest\u00e3o da liberdade. Por ser ela um principio de dignidade e de autonomia, o direito de ir e vir, de pensar e agir, de aceitar ou recusar, de abra\u00e7ar uma ideia, uma f\u00e9 ou um modo de vida sempre esteve presente na hist\u00f3ria humana como causa e consequ\u00eancia dos caminhos que trilhamos. Se boa ou ruim, a escolha foi nossa. \u00c9 o que chamamos de livre arb\u00edtrio. Faculdade humana que at\u00e9 Deus respeita. <br \/> Entretanto, a estrutura social nem sempre respeita a liberdade do indiv\u00edduo, como cl\u00e1usula intoc\u00e1vel e direito inviol\u00e1vel. N\u00e3o a vemos no processo de arregimenta\u00e7\u00e3o de muitos trabalhadores. N\u00e3o a vemos na explora\u00e7\u00e3o degradante da sexualidade tanto feminina quanto masculina. N\u00e3o a vemos nos mirabolantes tr\u00e1ficos de \u00f3rg\u00e3os para transplantes, que a ci\u00eancia moderna criou para \u201csalvar vidas\u201d. N\u00e3o a vemos nas imposi\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias ou partid\u00e1rias de regimes e institui\u00e7\u00f5es claramente monopolizadoras. Nem mesmo na apregoada cartilha dos direitos humanos, que quase sempre \u00e9 manipulada e distorcida em favor de mandat\u00e1rios e estruturas dominantes.<br \/> A liberdade s\u00f3 chega at\u00e9 onde os tent\u00e1culos da domina\u00e7\u00e3o permitem. Nesta conjectura, o grito de liberdade que nos prop\u00f5e a Igreja, \u00e9 um brado que diz respeito a todos. Quem j\u00e1 n\u00e3o se sentiu acuado por brandir sua opini\u00e3o contra situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, por defender a causa do mais fraco, por opinar com convic\u00e7\u00e3o contra leis e decis\u00f5es injustas, por apregoar ideias contr\u00e1rias ao ide\u00e1rio pol\u00edtico-partid\u00e1rio, por vestir e defender as cores de suas convic\u00e7\u00f5es pessoais, comunit\u00e1rias ou mesmo religiosas&#8230; Estamos num fogo cruzado entre interesses m\u00faltiplos, onde, por for\u00e7a das estruturas que sempre dominaram o mundo, o indiv\u00edduo n\u00e3o se faz ouvir nas suas m\u00ednimas e mais preciosas aspira\u00e7\u00f5es. Dentre elas a liberdade, seu mais sagrado direito.<br \/> Quando o ap\u00f3stolo nos lembra que \u201c\u00e9 para a liberdade que Cristo nos libertou\u201d (Gl 5,1), usa de uma redund\u00e2ncia t\u00e3o somente para real\u00e7ar essa liberdade. Ela nos custou o sofrimento de um redentor. Foi-nos restaurada ao pre\u00e7o de muita dor, suor, sangue e humilha\u00e7\u00e3o. Trouxe-nos o discernimento para fazermos nossas escolhas com total liberdade de a\u00e7\u00e3o, sem, no entanto, repetirmos os erros do passado, quando \u00e9ramos escravos e nossa hist\u00f3ria era escrita sob os grilh\u00f5es do pecado social. Se ainda o praticamos, hoje somos conscientes. Exatamente a consci\u00eancia \u00e9 que nos faculta o perd\u00e3o e a liberdade de optar pelo caminho certo, fugir dos erros passados, trilhar pelas sendas da justi\u00e7a e da miseric\u00f3rdia divinas. Portanto, abaixo a escravid\u00e3o. Abaixo toda forma de tr\u00e1fico e opress\u00e3o humana, cujas ra\u00edzes ainda nos lembram os processos da cegueira humana antes da clarivid\u00eancia da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3: a verdade vos libertar\u00e1! Depois de Cristo, n\u00e3o h\u00e1 justificativas para qualquer situa\u00e7\u00e3o que viole a liberdade do indiv\u00edduo, de classes ou at\u00e9 de na\u00e7\u00f5es inteiras, sob o pretexto da ignor\u00e2ncia de causa. <br \/> Os valores sociais tendem sempre a serem deixados de lado, quando a experi\u00eancia do divino est\u00e1 em queda. \u00c9 uma rea\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica. Proporcional. Perigosa. Se perdermos a refer\u00eancia do Eterno, se fecharmos nossos olhos para as crescentes formas de escravid\u00e3o humana &#8211; dentre elas o tr\u00e1fico de forma assustadora &#8211; estaremos rasgando n\u00e3o s\u00f3 nossas constitui\u00e7\u00f5es de vida social ao menos suport\u00e1vel, como tamb\u00e9m permitindo a volta das maiores abomina\u00e7\u00f5es que a hist\u00f3ria humana j\u00e1 escreveu, especialmente quando distante de Deus. N\u00e3o percamos esse referencial. \u201cCristo nos libertou\u201d E o papa Francisco hoje alerta: \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ficar impass\u00edvel, sabendo que existem seres humanos sendo tratados como mercadoria\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhum pensador humano deixou de transitar suas ideias sobre a quest\u00e3o da liberdade. 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