{"id":43628,"date":"2018-09-11T09:17:55","date_gmt":"2018-09-11T12:17:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=43628"},"modified":"2018-09-11T09:17:55","modified_gmt":"2018-09-11T12:17:55","slug":"os-papas-e-o-11-de-setembro-o-amor-mais-forte-que-o-odio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-papas-e-o-11-de-setembro-o-amor-mais-forte-que-o-odio\/","title":{"rendered":"Os Papas e o 11 de setembro: o amor mais forte que o \u00f3dio"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Diante da barb\u00e1rie do terrorismo, Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco convidaram a humanidade a seguir o caminho do amor que supera toda forma de \u00f3dio e viol\u00eancia.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Alessandro Gisotti &#8211; Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>O dia 12 de setembro de 2001 foi uma quarta-feira. Pela manh\u00e3, a Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro estava repleta de fi\u00e9is, como de costume, mas a atmosfera que se respirava n\u00e3o era de alegria, como sempre. Nos olhos das pessoas estavam ainda gravadas as imagens de terror do dia anterior: a queda das Torres G\u00eameas, o avi\u00e3o batendo contra o Pent\u00e1gono, as pessoas desesperadas que fugiam de um cen\u00e1rio infernal, poeira, sangue, mortos nas ruas. Foram as imagens que tamb\u00e9m <b>Jo\u00e3o Paulo II<\/b>, na resid\u00eancia de Castel Gandolfo, viu com desalento e ang\u00fastia.<\/p>\n<p>Karol Wojtyla &#8211; disse <b>Joaqu\u00edn Navarro-Valls<\/b> &#8211; quis ir direto ao telefone expressar ao Presidente dos Estados Unidos sua tristeza e proximidade \u00e0 cidadania, mas George W. Bush estava fora de alcance por raz\u00f5es de seguran\u00e7a. Assim, foi enviado um telegrama no qual o Papa falava de &#8220;horror&#8221;, &#8220;ataques desumanos&#8221; e assegurava suas ora\u00e7\u00f5es &#8220;nesta hora de sofrimento e prova\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2>Dia sombrio na hist\u00f3ria da humanidade, mas o \u00f3dio n\u00e3o prevalece<\/h2>\n<p>Um dos leitores na Pra\u00e7a enfatiza que a audi\u00eancia \u00e9 marcada pelos &#8220;eventos dram\u00e1ticos&#8221; do dia anterior. &#8220;S\u00f3 para criar um clima de recolhimento e ora\u00e7\u00e3o &#8211; continua ele &#8211; o Santo Padre quer que n\u00e3o sejamos aplaudidos&#8221;. A voz de Karol Wojtyla racha de emo\u00e7\u00e3o quando afirma que o 11 de setembro &#8220;foi um dia negro na hist\u00f3ria da humanidade, uma terr\u00edvel afronta \u00e0 dignidade do homem&#8221;. E fazendo a pergunta angustiante que muitos t\u00eam em seu cora\u00e7\u00e3o, ele questiona &#8220;como podem tais epis\u00f3dios de selvageria ocorrerem&#8221;. No entanto, o futuro Santo n\u00e3o deixa espa\u00e7o para o desespero est\u00e9ril: \u201cMesmo no momento mais sombrio, &#8220;o fiel sabe que o mal e a morte n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra&#8221;, mesmo que &#8220;a for\u00e7a das trevas pare\u00e7a prevalecer&#8221;.<\/p>\n<h2>Nunca a religi\u00e3o seja usada como motivo de conflito<\/h2>\n<p>Alguns dias depois, estava agendada a visita de Jo\u00e3o Paulo II ao Cazaquist\u00e3o, pa\u00eds de maioria mu\u00e7ulmana. Muitos aconselham o Papa a n\u00e3o cumprir o compromisso, considerado perigoso. &#8220;A religi\u00e3o &#8211; diz ele com palavras sinceras, em Astana &#8211; nunca deve ser usada como motivo de conflito&#8221;. E convida &#8220;tanto crist\u00e3os como mu\u00e7ulmanos a rezar intensamente pelo Deus Todo-Poderoso que nos criou para que o bem fundamental da paz possa reinar no mundo&#8221;. Um compromisso para o qual Jo\u00e3o Paulo II, idoso e enfermo, n\u00e3o poupa energias ao convocar, em janeiro de 2002, um novo Encontro de Religi\u00f5es pela Paz em Assis, na esteira da hist\u00f3rica primeira reuni\u00e3o em 1986.<\/p>\n<h2>Trabalhemos por um mundo onde a paz e o amor reinem<\/h2>\n<p>Sete anos depois daquela terr\u00edvel ter\u00e7a-feira de setembro, em 20 de abril de 2008, um Papa vai ao <i>Ground Zero<\/i>.<b> Bento XVI<\/b> opta por n\u00e3o fazer nenhum discurso. Encontra os parentes das v\u00edtimas e socorristas, os her\u00f3is daquele dia. Acende uma vela em mem\u00f3ria de todas as v\u00edtimas em Nova York, Washington e do voo United 93. Re\u00fanem-se em ora\u00e7\u00e3o no centro da imensa cavidade onde ficavam as torres g\u00eameas. Sob um c\u00e9u cinzento, que contrasta com a imagem do c\u00e9u claro do dia dos ataques, o Pont\u00edfice se ajoelha &#8211; em um sil\u00eancio quase surreal, quebrado apenas pelo som das gaitas de foles do <i>New York Fire Department<\/i> \u2013 e invoca o Deus &#8220;de amor, compaix\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o&#8221;. Bento XVI pede ao Senhor que traga a sua paz &#8220;ao nosso mundo violento&#8221;, &#8220;paz no cora\u00e7\u00e3o de todos os homens e mulheres e paz entre as na\u00e7\u00f5es da terra&#8221;.<\/p>\n<h2>No Ground Zero, uma rosa branca sobre os nomes das v\u00edtimas<\/h2>\n<p>Outros sete anos se passam e, desta vez, o <b>Papa Francisco<\/b> encontra um cen\u00e1rio completamente diferente do seu antecessor. Onde estava a cratera do Ground Zero, agora existe o Memorial do 11 de Setembro, duas enormes piscinas constru\u00eddas nos pontos exatos onde ficavam as Torres G\u00eameas. Os nomes das 2974 v\u00edtimas de 90 nacionalidades diferentes est\u00e3o gravados em bronze nos dois espelhos d\u2019\u00e1gua que formam o n\u00facleo do memorial.<\/p>\n<p>Aqui, em 25 de setembro de 2015, Francisco, visivelmente emocionado, posa uma rosa branca antes de se recolher em ora\u00e7\u00e3o. O c\u00e9u desta vez lembra a manh\u00e3 de 14 anos antes, mas para fazer sombra n\u00e3o h\u00e1 mais as Torres G\u00eameas, mas a Torre da Liberdade, o arranha-c\u00e9u mais alto dos Estados Unidos, inaugurada apenas alguns meses antes da visita papal. Como j\u00e1 fez Bento XVI, Francisco encontra os familiares das v\u00edtimas, os socorristas, acompanhados pelo arcebispo da cidade, <b>Timothy Dolan<\/b>. Esta visita tamb\u00e9m \u00e9 caracterizada pelo sil\u00eancio. O \u00fanico som: o rugido da \u00e1gua das grandes fontes do memorial.<\/p>\n<h2>Religi\u00f5es s\u00e3o for\u00e7as de paz, justi\u00e7a e reconcilia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Juntamente com o momento da homenagem \u00e0s v\u00edtimas, Francisco quer lan\u00e7ar &#8211; a partir de um lugar t\u00e3o simb\u00f3lico &#8211; um apelo para que as religi\u00f5es trabalhem juntas pela paz e contra toda a explora\u00e7\u00e3o do nome de Deus. O esp\u00edrito \u00e9 o mesmo da iniciativa que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II havia promovido alguns meses ap\u00f3s o 11 de setembro com o Encontro de l\u00edderes religiosos em Assis. A imagem n\u00e3o poderia ser mais eloquente: o Papa, junto com um im\u00e3 e um rabino, rezam juntos contra o terrorismo e contra a guerra. Medita\u00e7\u00f5es hindu, budista, sikh, crist\u00e3 e mu\u00e7ulmana sobre a paz se sucedem. E ainda a ora\u00e7\u00e3o judaica pelos mortos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu espero &#8211; diz Francisco &#8211; que nossa presen\u00e7a aqui seja um sinal poderoso de nosso anseio de compartilhar e reafirmar o desejo de sermos for\u00e7as de reconcilia\u00e7\u00e3o, for\u00e7as de paz e justi\u00e7a nesta comunidade e em todas as partes do mundo&#8221;. O Papa insiste em banir os sentimentos de &#8220;\u00f3dio, vingan\u00e7a e rancor&#8221;. S\u00f3 assim, diz ele, podemos &#8220;pedir ao c\u00e9u o dom de nos comprometermos com a causa da paz&#8221;.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-43628-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/9\/10\/18\/134614404_F134614404.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/9\/10\/18\/134614404_F134614404.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/9\/10\/18\/134614404_F134614404.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante da barb\u00e1rie do terrorismo, Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco convidaram a humanidade a seguir o caminho do amor que supera toda forma de \u00f3dio e viol\u00eancia. 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