{"id":43605,"date":"2018-09-10T15:01:28","date_gmt":"2018-09-10T18:01:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=43605"},"modified":"2018-09-10T15:01:28","modified_gmt":"2018-09-10T18:01:28","slug":"jesus-o-messias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/jesus-o-messias\/","title":{"rendered":"Jesus, o Messias"},"content":{"rendered":"<p>Marcante a indaga\u00e7\u00e3o que Jesus fez aos ap\u00f3stolos: \u201cE v\u00f3s quem dizeis que eu sou?\u201d. (Mc 8,27-350 Admir\u00e1vel a resposta de Pedro: \u201cTu \u00e9s o Messias\u201d, ou seja, o Ungido. O termo deriva do fato de que no Antigo Testamento os reis, os profetas e os sacerdotes, quando eleitos, eram consagrados por uma un\u00e7\u00e3o de \u00f3leo perfumado. A B\u00edblia profetiza um Ungido ou Consagrado especial que viria para realizar as promessas de salva\u00e7\u00e3o que Deus fizera a seu povo. Intenso o messianismo b\u00edblico e foi nesse sentido que o Ap\u00f3stolo caracterizou Jesus como o Esperado salvador. O pr\u00f3prio Cristo proclamaria que Ele era o Messias ansiosamente aguardado. Com efeito, diante do Sin\u00e9drio tal a resposta que Ele deu ao Sumo Sacerdote que o interrogou: \u201cTu \u00e9s o Messias, o Filho do Deus bendito\u201d? Jesus foi claro: \u201cEu o sou\u201d. (Mc 14,61 ss). De fato, Ele estabeleceria o poder de Deus sobre a terra, operando em nome de Deus uma mudan\u00e7a decisiva na hist\u00f3ria da humanidade. Eis a sua miss\u00e3o: reconciliar os homens com Deus. Portanto, Pedro foi preciso na sua coloca\u00e7\u00e3o. Os judeus fervorosos colocavam no Messias a esperan\u00e7a de uma renova\u00e7\u00e3o cabal dos cora\u00e7\u00f5es, mais do que uma mera restaura\u00e7\u00e3o nacional para Israel. Para que n\u00e3o pairasse d\u00favidas sobre sua tarefa salv\u00edfica, Jesus descreveu a figura do Messias sofredor, rejeitado pelos anci\u00e3os, pelos gr\u00e3o-sacerdotes e pelos escribas. Seria morto, mas ressuscitaria. N\u00e3o era, por\u00e9m, assim que Pedro vislumbrava o Messias que passaria por terr\u00edveis tormentos. Foi duramente repreendido pelo Mestre. N\u00e3o obstante, atrav\u00e9s dos tempos muitos quereriam um Messias sem a Paix\u00e3o e Morte no Calv\u00e1rio; desejariam as Bem-aventuran\u00e7as sem a Cruz; a amizade de Jesus sem uma profunda convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Deste modo, ocorrendo uma deturpa\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de Cristo, pois Ele viera redimir pelo sacrif\u00edcio total. Jesus chamou ent\u00e3o Pedro de Satan\u00e1s, pois o Pai da Mentira \u00e9 que almejava que o poder divino e os milagres estivessem a servi\u00e7o de um ilus\u00f3rio reino messi\u00e2nico. Eis porque Jesus se serviu daquela circunst\u00e2ncia para mostrar que segui-lo seria ir atr\u00e1s de um Crucificado numa ren\u00fancia cotidiana de si mesmo, carregando cada um sua pr\u00f3pria cruz, pois a dele Ele carregaria at\u00e9 o Calv\u00e1rio. Isto, contudo, n\u00e3o numa valoriza\u00e7\u00e3o err\u00f4nea do sofrimento em si, pois o que realmente glorifica a Deus \u00e9 o amor que transfigura os espinhos da vida em p\u00e9talas para a eternidade Eis a\u00ed o mist\u00e9rio da vida de Jesus no qual o \u00e1pice dos tormentos coincide com a culmin\u00e2ncia de uma dile\u00e7\u00e3o sem limites. Imposs\u00edvel ao homem penetrar nos planos divinos que assim tra\u00e7ou o caminho da salva\u00e7\u00e3o. O crist\u00e3o s\u00f3 entenderia\u00a0 os dissabores terrenos se os colocasse no horizonte de um amor eterno. \u00c9 penetrando fundo na obra redentora de Jesus, o Messias sofredor, que seus disc\u00edpulos entenderiam o que disse o poeta Musset: \u201cO homem \u00e9 um aprendiz, a dor o seu mestre, e ningu\u00e9m se conhece enquanto n\u00e3o sofreu\u201d. Percebe ent\u00e3o que os desgostos s\u00e3o uma li\u00e7\u00e3o sobre a gravidade do pecado, um apelo ao desprendimento e \u00e0 uni\u00e3o com o divino M\u00e1rtir do G\u00f3lgota num supera\u00e7\u00e3o cotidiana de si mesmo, Compreende tamb\u00e9m que a amargura \u00e9 fonte de purifica\u00e7\u00e3o, de for\u00e7a e, num paradoxo sublime, fonte at\u00e9 de esperan\u00e7a. Donde as palavras de S\u00e3o Paulo, \u201cN\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o alguma entre as prova\u00e7\u00f5es deste mundo e a gl\u00f3ria que um dia se manifestar\u00e1 em n\u00f3s\u201d (Rm 8,18). O segredo \u00e9 fazer das contrariedades atos de amor. Paul Claudel, renomado literato franc\u00eas, assim se expressou: \u201cFeliz daquele que sofre e que sabe para sofre. Quem tudo isto medita n\u00e3o acha a cruz bastante pesada nem prova\u00e7\u00e3o bastante amarga, pois a cruz,\u00a0 \u00e9 um dom que Deus faz a seus amigos. Pedro entenderia isto somente mais tarde quando ele tamb\u00e9m muito teria que padecer pela evangeliza\u00e7\u00e3o. Cumpre ent\u00e3o ao seguidor de Cristo se abandonar \u00e0 sabedoria de Deus, entregando as afli\u00e7\u00f5es deste ex\u00edlio terreno nas m\u00e3os de um Pai amoroso. Nele depositar \u00a0esperan\u00e7a e \u00a0alegria. Dele vem a for\u00e7a para carregar a cruz e seguir Jesus. Cumpre total ades\u00e3o ao projeto de Deus vivendo na confian\u00e7a nesta caminhada rumo \u00e0 gl\u00f3ria eterna. A paix\u00e3o e a morte se ajuntaria \u00e0 encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus e fariam dele um homem como n\u00f3s, companheiro de cada um que sofre neste ex\u00edlio terreno rumo \u00e0 p\u00e1tria verdadeira, conquistada pelo seu sangue redentor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcante a indaga\u00e7\u00e3o que Jesus fez aos ap\u00f3stolos: \u201cE v\u00f3s quem dizeis que eu sou?\u201d. (Mc 8,27-350 Admir\u00e1vel a resposta de Pedro: \u201cTu \u00e9s o Messias\u201d, ou seja, o Ungido. 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