{"id":43598,"date":"2018-09-09T14:25:09","date_gmt":"2018-09-09T17:25:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=43598"},"modified":"2018-09-10T14:27:31","modified_gmt":"2018-09-10T17:27:31","slug":"de-surdos-e-mudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/de-surdos-e-mudos\/","title":{"rendered":"De surdos e mudos"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea fala e eu finjo que entendo. Voc\u00ea ouve, mas s\u00f3 escuta o que lhe interessa. Quando fala n\u00e3o espera resposta. Quando ou\u00e7o prefiro ignorar. Seus ouvidos s\u00f3 captam os sons dos burburinhos distantes; os meus, quanto mais barulho, menos interesse. Ou quanto mais falat\u00f3rio, melhor a pol\u00eamica dos desentendidos. Chegamos ao patamar da comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea sem os filtros necess\u00e1rios ao aprofundamento dos muitos sons, palavr\u00f3rios, doutrinas e teorias que muito barulho faz, mas quase n\u00e3o encontra eco nos ouvidos moucos da maioria massificada. Explico melhor: muito se fala, mas pouco se faz.<\/p>\n<p>Estamos vivendo a era da desinforma\u00e7\u00e3o pelo excesso de informa\u00e7\u00f5es que hoje recebemos. Um filtro \u00e9 hoje ap\u00eandice necess\u00e1rio (nem sempre eficiente) para aqueles que preferem o sil\u00eancio ou desdenham os fatos que o circundam. Assim, constru\u00edmos barreiras ao nosso redor, um anteparo necess\u00e1rio para n\u00e3o enlouquecermos com tudo o que hoje ouvimos e vemos acontecer no mundo. Seria esta a melhor atitude?<\/p>\n<p>Sen\u00e3o, eis que fatos recentes me tiram do s\u00e9rio. N\u00e3o posso me silenciar diante dos ataques \u00e0 minha f\u00e9, \u00e0s minhas convic\u00e7\u00f5es, ao direito que tenho de seguir uma vida no m\u00ednimo coerente com meus princ\u00edpios c\u00edvicos, familiares ou de simples cidad\u00e3o que ainda respeita um semelhante. Grupos contr\u00e1rios a esses direitos b\u00e1sicos est\u00e3o ultrapassando os limites, com a\u00e7\u00f5es mais que vis, pois s\u00f3 despertam asco e avers\u00e3o a qualquer cidad\u00e3o minimamente civilizado. Em nome da \u201carte\u201d, profanam igrejas, atacam escolas, vilipendiam tudo que se possa dizer comportamento padr\u00e3o, \u00e9tico ou no mesmo religioso. Com nojo e repugn\u00e2ncia, assisti a um v\u00eddeo desses animais, nus como lhes conv\u00eam, fazendo sexo e defecando dentro de uma igreja. Em nome do amor livre. Que amor, que liberdade? Outros, em prociss\u00e3o qual manada de porcos, caminhavam por uma avenida de uma de nossas cidades e gritavam em un\u00edssono: \u201cJesus, FDP\u201d. Isso mesmo, o termo mais baixo que sai da boca daqueles que nenhum senso de respeito humano possui para com seus semelhantes. Nem mais Jesus escapa dessas bocas cheias de fezes.<\/p>\n<p>Nosso momento pol\u00edtico chegou ao fundo do po\u00e7o. Ou melhor, da fossa. Enlameou-se com a sordidez do fanatismo, do jogo partid\u00e1rio, da insensatez. Quem financia quem? \u00a0Tenho que dizer alto e em bom som: estou enojado disso tudo. Como vislumbrar um futuro ao menos mais digno, quando o presente s\u00f3 nos assombra? Onde encontrar a linha da esperan\u00e7a sem medo, quando jovens e crian\u00e7as brasileiras vivem um analfabetismo funcional, sem vis\u00e3o da realidade, sem travas e peias da moral e dos bons costumes, sem perspectivas vocacionais ou profissionais? \u00a0A perspectiva da desacelera\u00e7\u00e3o de nossa faixa et\u00e1ria, com um n\u00famero cada vez menor de jovens, nos faz imaginar como estes ir\u00e3o tomar as r\u00e9deas desse pa\u00eds num futuro bem pr\u00f3ximo. Todos despreparados e intelectualmente alienados dos fatos que desmorona nosso legado cultural, intelectual e mesmo c\u00edvico. Isso sem falar dos costumes e tradi\u00e7\u00f5es familiares, do respeito \u00e0 cultura religiosa que trouxemos at\u00e9 aqui, dos valores pr\u00f3prios de uma civiliza\u00e7\u00e3o inserida num contexto de progresso cultural e competitivo, que outras na\u00e7\u00f5es ainda primam em conserv\u00e1-las como sua riqueza maior. E nossa hist\u00f3ria? A cultura que inc\u00eandios inexplic\u00e1veis tornam cinzas da noite pro dia? Onde acabar\u00e1 tudo isso?<\/p>\n<p>N\u00e3o me calo, porque ainda tenho olhos para ver e ouvidos para entender tudo isso. Jesus, o filho n\u00e3o daquela \u2013 a Eva do para\u00edso perdido \u2013 mas da outra \u2013 a mulher por excel\u00eancia, usou de um expediente bem simb\u00f3lico para curar aquele surdo-mudo: \u201ccolocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e, com a saliva, tocou a l\u00edngua dele\u201d. Quem sabe esse ritual nos lembre que uma cusparada no rosto nos desperte a vergonha. Ou um toque de Jesus em nossa l\u00edngua tamb\u00e9m ser\u00e1 preciso para destravar nossa l\u00edngua e gritar ao mundo as verdades de nossa f\u00e9. \u201cEfat\u00e1!\u201d Ou\u00e7am os surdos, falem os mudos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea fala e eu finjo que entendo. Voc\u00ea ouve, mas s\u00f3 escuta o que lhe interessa. Quando fala n\u00e3o espera resposta. 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