{"id":43432,"date":"2018-08-30T16:19:05","date_gmt":"2018-08-30T19:19:05","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=43432"},"modified":"2018-08-30T16:19:05","modified_gmt":"2018-08-30T19:19:05","slug":"carta-para-o-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/carta-para-o-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Carta para o Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, 30 de agosto de 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Santo Padre Papa Francisco,<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com filial rever\u00eancia, dirijo-me, muito cordialmente, a V. Santidade a fim de lhe expressar, mais especialmente, minha proximidade, comunh\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o ante not\u00edcias midi\u00e1ticas sensacionalistas recentes que parecem visar a desestabiliza\u00e7\u00e3o da unidade da Igreja atingindo, inclusive, o maior sinal vis\u00edvel dessa unidade, que \u00e9 o minist\u00e9rio petrino no qual, hoje, serve V. Santidade, querido Papa Francisco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tenho a certeza da f\u00e9 que Cristo, Nosso Senhor escolheu Pedro \u2013 e seus sucessores \u2013 para estar \u00e0 frente da Sua Igreja e confirmar seus irm\u00e3os na f\u00e9 (cf. Mt 16,17-19; Lc 22,31-32 e Jo 21,15-18). N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que Pedro, foi o escolhido pelo Senhor para conduzir a Igreja, enquanto Bispo de Roma. Dessa verdade at\u00e9 mesmo o historiador reformado Justo L. Gonz\u00e1les, muito usado nos estudos da Hist\u00f3ria da Igreja em comunidades evang\u00e9licas, ap\u00f3s referir-se ao fim historicamente incerto dos demais Ap\u00f3stolos, afirma a respeito de Pedro: \u201cDe todas as tradi\u00e7\u00f5es, provavelmente a que \u00e9 mais dif\u00edcil de p\u00f4r em d\u00favida \u00e9 a que afirma que Pedro esteve em Roma e que sofreu o mart\u00edrio nessa cidade durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero. Este fato encontra testemunhos fidedignos em v\u00e1rios escritores crist\u00e3os dos fins dos primeiros s\u00e9culos e de todo o s\u00e9culo segundo e, portanto, deve ser aceito como historicamente certo.\u201d (<em>A Era dos M\u00e1rtires<\/em>. 13\u00aa reimpress\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2005, p. 40-41. v. 1. Cole\u00e7\u00e3o: <em>Uma Hist\u00f3ria Ilustrada do Cristianismo<\/em>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ora, isso que o historiador confirma em seu trabalho, faz parte da Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, de modo que, no fim do s\u00e9culo I, tendo surgido um lit\u00edgio entre os fi\u00e9is de Corinto, o Bispo de Roma, S\u00e3o Clemente, lhes escreveu uma carta autorit\u00e1ria: \u201cSe alguns n\u00e3o obedecem ao que Deus mandou por nosso interm\u00e9dio, saibam que incorrem em falta e em perigo muito grave\u201d (c. 69).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo III, S. Cipriano, Bispo de Cartago, chamava a c\u00e1tedra de Roma \u201cc\u00e1tedra de Pedro, a Igreja principal, donde se origina a unidade sacerdotal (isto \u00e9, a unidade dos Bispos)\u201d (epist. 55, 14).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 certo haver alguns que, tentando fundamentar-se em Gl 2,11-14, tenham a pretens\u00e3o de resistir, hoje, ao Papa ou mesmo de enfrent\u00e1-Lo como se o referido trecho b\u00edblico lhes desse aval. Na verdade, n\u00e3o compactuamos com tal postura por duas grandes raz\u00f5es: 1) pela Escritura e pela Tradi\u00e7\u00e3o, como vimos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel servir a Cristo, em Sua Igreja, sem estar em plena comunh\u00e3o com o Sucessor de Pedro. 2) podemos observar que, em suas cartas, S\u00e3o Paulo, longe de se opor, conserva sempre especial respeito pela pessoa de S\u00e3o Pedro: 1Cor 9,5: \u201c&#8230;como os outros Ap\u00f3stolos e os irm\u00e3os do Senhor e Cefas\u201d; Gl 1,18: \u201cDepois de passados tr\u00eas anos, subi a Jerusal\u00e9m para conhecer Cefas, e permaneci com ele quinze dias\u201d; 1Cor 15,3-5: \u201cDesde o princ\u00edpio vos ensinei o que aprendi: que Cristo morreu&#8230; e ressurgiu e foi visto por Cefas e depois pelos onze\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De modo que tendo considerado o epis\u00f3dio de Antioquia e os demais textos paulinos, conclui o racionalista Alfred Loisy: a atitude de S\u00e3o Paulo \u201catesta ter sido Pedro o chefe do servi\u00e7o evang\u00e9lico, o homem com o qual era preciso entrar em acordo, sob pena de trabalhar em v\u00e3o\u201d (<em>Les Evangiles Synoptiques 14<\/em>). Segundo escreve o estudioso luterano G. Bornkamm: \u201cpara ser justo diremos que n\u00e3o h\u00e1 motivo para formular uma tal acusa\u00e7\u00e3o\u201d. A passagem de Gl trata \u201cda unidade dos crist\u00e3os de origem judaica e provenientes do paganismo numa comunidade mista. Cefas [Pedro] e Tiago n\u00e3o devem, portanto, ser acusados de deslealdade, e os judeu-crist\u00e3os de Antioquia, com o car\u00e1ter de um Barnab\u00e9, certamente n\u00e3o arremessaram no mar toda a sua compreens\u00e3o do Evangelho libertador da Lei\u201d (E. Cothenet. <em>A Ep\u00edstola aos G\u00e1latas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1984, p. 34). Quem viu ou v\u00ea a\u00ed um \u00e1libi para acusar ou questionar o Papa, engana-se.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De resto, Santo Padre, todos os Papas, de um ou de outro modo, sofreram cr\u00edticas e persegui\u00e7\u00f5es, nem Jo\u00e3o Paulo I, em apenas 33 dias de Pontificado, escapou da sanha acusat\u00f3ria. Se perseguiram o Mestre com toda sorte de sofrimentos f\u00edsicos e morais, com seus ministros n\u00e3o ser\u00e1 diferente, em graus diversos, de modo que tais sofrimentos toquem tamb\u00e9m os que mais est\u00e3o perto. S\u00f3 Deus e os verdadeiros irm\u00e3os podem estar pr\u00f3ximos de n\u00f3s nas horas em que somos tra\u00eddos por um dos doze, um dos membros do Col\u00e9gio Apost\u00f3lico. Foi a triste realidade a que o Senhor esteve submisso. Conosco n\u00e3o \u00e9, nem poderia ser, diferente. Carregamos um pouco da Cruz de Cristo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Santo Padre, termino com as palavras de carinho filial com as quais comecei esta Mensagem: sinta o meu incondicional apoio, minha proximidade espiritual e humana. Tenha-me como um filho devotado, na gra\u00e7a divina, que o Bispo de Roma pode ter sempre ao seu lado, especialmente em tempos de mar revolto a parecer amea\u00e7ar a Igreja de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta oportunidade, Santo Padre, transmita tamb\u00e9m minha afetuosa e fraterna proximidade ao meu irm\u00e3o no Episcopado e no Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio, Sua Emin\u00eancia, o Senhor Cardeal Pietro Parolin, DD. Secret\u00e1rio de Estado de Vossa Santidade. Esteja ele certo de minha ora\u00e7\u00e3o e amizade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Colocando-me ao Vosso inteiro dispor, suplico-Lhe, Santo Padre, Vossa B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica extensiva a todo o Povo de Deus desta Igreja Particular de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vosso devotado filho, no Senhor,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, 30 de agosto de 2018. &nbsp; Santo Padre Papa Francisco, &nbsp; Com filial rever\u00eancia, dirijo-me, muito cordialmente, a V. 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