{"id":4338,"date":"2014-03-06T17:37:57","date_gmt":"2014-03-06T20:37:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/penitencia-e-caridade\/"},"modified":"2017-04-04T15:46:36","modified_gmt":"2017-04-04T18:46:36","slug":"penitencia-e-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/penitencia-e-caridade\/","title":{"rendered":"Penit\u00eancia e Caridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>Uma das caracter\u00edsticas do tempo da Quaresma \u00e9 a penit\u00eancia, que deve se manifestar em uma mudan\u00e7a de vida e aprofundamento da f\u00e9. A tradi\u00e7\u00e3o da igreja nos coloca o jejum, a abstin\u00eancia e outros sacrif\u00edcios como oportunidades de ascese. A penit\u00eancia pode consistir numa simples abstin\u00eancia, que \u00e9 ren\u00fancia a algum alimento, ou pode chegar ao jejum, que consiste no privar-se das refei\u00e7\u00f5es de modo total ou parcial. Muitas vezes podem ser outras formas de acordo com a situa\u00e7\u00e3o e a pessoa. \u00c9 muito salutar a pr\u00e1tica de tal forma de penit\u00eancia. <br \/>Mas, por que jejuar? Por que abster-se de alimentos? \u00c9 necess\u00e1rio compreender o sentido profundo que o cristianismo d\u00e1 a essas pr\u00e1ticas para n\u00e3o ficarmos numa atitude superficial, \u00e0s vezes at\u00e9 folcl\u00f3rica ou, por ignor\u00e2ncia pura e simples, desprezarmos algo t\u00e3o belo e precioso no caminho espiritual do crist\u00e3o. <br \/>O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. A ideia que isso exprime \u00e9 que nossa vida n\u00e3o vem de n\u00f3s mesmos, n\u00e3o a damos a n\u00f3s pr\u00f3prios; n\u00f3s a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a \u00e1gua que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos certa fraqueza e fragilidade, e, \u00e0s vezes, nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da \u201cpsicologia do jejum\u201d: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos \u00e9 dada por Deus continuamente. A pr\u00e1tica do jejum impede-nos, ent\u00e3o, da ilus\u00e3o de pensar que a nossa exist\u00eancia, uma vez recebida, \u00e9 aut\u00f4noma, fechada, independente. Nunca poderemos dizer: \u201cA vida \u00e9 minha; fa\u00e7o como eu quero!\u201d A vida ser\u00e1 sempre, e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e n\u00f3s seremos sempre dependentes dele. Esta depend\u00eancia nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossufici\u00eancia e nos faz compreender \u201cna carne\u201d nossa pr\u00f3pria verdade, recordando-nos que a vida \u00e9 para ser vivida em di\u00e1logo de amor com Aquele que no-la deu. <br \/>O alimento \u00e9 uma de nossas necessidades b\u00e1sicas, um de nossos instintos mais fundamentais, juntamente com a sexualidade. A absten\u00e7\u00e3o do alimento nos exercita na disciplina, fortalecendo nossa for\u00e7a de vontade, agu\u00e7ando nossa capacidade de vigil\u00e2ncia, dando-nos a capacidade para uma verdadeira disciplina. Nossa tend\u00eancia \u00e9 ir atr\u00e1s de nossos instintos, de nossas tend\u00eancias, de nossa vontade desequilibrada. Ali\u00e1s, essa \u00e9 a grande fraqueza e o grande engano do mundo atual. Dizemos: \u201cn\u00e3o vou me reprimir; n\u00e3o vou me frustrar\u201d, e vamos nos escravizando aos desejos mais banais e \u00e0s paix\u00f5es mais contr\u00e1rias ao Evangelho e ao amor pelo pr\u00f3ximo. O pr\u00f3prio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam \u00e0 vigil\u00e2ncia e \u00e0 sobriedade. O jejum e a abstin\u00eancia, portanto, s\u00e3o treinos para que sejamos senhores de n\u00f3s mesmos, de nossas paix\u00f5es, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que \u00e9 reto e desej\u00e1vel aos olhos de Deus! Jesus afirmou que quem comete pecado \u00e9 escravo do pecado! <br \/>O jejum tem tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de nos unir a Cristo no seu per\u00edodo de quarenta dias no deserto. O crist\u00e3o jejua por amor a Cristo e para unir-se a Ele, trazendo na sua carne as marcas da cruz do Senhor. \u00c9 uma uni\u00e3o com o Senhor que n\u00e3o envolve somente a alma, com seus sentimentos e afetos, mas tamb\u00e9m o corpo. \u00c9 o homem todo, a pessoa na sua totalidade, que se une ao Cristo. Nunca \u00e9 demais recordar que o cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o simplesmente da alma, mas atinge o homem em sua totalidade. Pelo jejum, tamb\u00e9m o corpo reza, tamb\u00e9m o corpo luta para colocar-se no \u00e2mbito da vida nova de Cristo Jesus. Tamb\u00e9m o corpo necessita, como o cora\u00e7\u00e3o, ser esvaziado do vinagre dos v\u00edcios para ser preenchido pelo mel, que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo de Jesus.<br \/>O jejum e a abstin\u00eancia fazem-nos recordar aqueles que passam priva\u00e7\u00e3o, sobretudo a fome, abrindo-nos para os irm\u00e3os necessitados. H\u00e1 tantos que, \u00e0 for\u00e7a, pela gritante injusti\u00e7a social em nosso Pa\u00eds, jejuam e se abst\u00eam todos os dias, o ano todo! O jejum nos faz sentir um pouco a sua dor, t\u00e3o concreta, t\u00e3o real, t\u00e3o dolorosa! Por isso mesmo, na tradi\u00e7\u00e3o m\u00edstica e asc\u00e9tica da Igreja, o jejum e a abstin\u00eancia devem ser acompanhados sempre pela esmola: aquele alimento do qual me privo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais meu, mas deve ser destinado ao pobre. \u00c9 o sentido da coleta da solidariedade do Domingo de Ramos: a oferta dos valores referentes \u00e0 penit\u00eancia quaresmal para os trabalhos sociais da Igreja. Eis o jejum perfeito: ele me abre para Deus e para os irm\u00e3os. Nesse ponto \u00e9 enorme a insist\u00eancia seja da Sagrada Escritura, seja dos Padres da Igreja (os santos doutores dos primeiros s\u00e9culos do cristianismo).<br \/>Nesse sentido podemos notar que o jejum vai de encontro com a caridade, ou seja, o ato de ajudar o pr\u00f3ximo. \u00c9 por isso que, justamente para valorizar o esp\u00edrito do amor ao pr\u00f3ximo e da a\u00e7\u00e3o social, quis dedicar na Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, o ano de 2014 como Ano da Caridade. Este se iniciou no dia 20 de janeiro e vai at\u00e9 dia 23 de novembro. N\u00e3o deixa de ser interessante perguntar o que vai ser feito no Ano Arquidiocesano da Caridade, pois a reposta n\u00e3o poderia ser mais simples: vamos praticar a caridade e motivar os outros a seguirem o mesmo caminho. Isso vale para cada pessoa, grupo e institui\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 perceber: ningu\u00e9m est\u00e1 isento de colocar em pr\u00e1tica o mandamento do Senhor Jesus naquela parte que se refere a amar ao pr\u00f3ximo.<br \/>Caridade pode ser como estamos acostumados a conceber, ajuda imediata na hora do sofrimento agudo. O mais comum nestes casos \u00e9 a ajuda diante da fome. Isso \u00e9 muito bom. Isso \u00e9 indispens\u00e1vel. A fome n\u00e3o tem idade, ra\u00e7a, religi\u00e3o, sexo nem qualquer outra condi\u00e7\u00e3o. Fome \u00e9 fome e precisa ser enfrentada com ajuda urgente. Acontece, por\u00e9m, que nem sempre as pessoas t\u00eam apenas o que chamamos de fome material, isto \u00e9, aus\u00eancia de alimentos. As pessoas t\u00eam outras necessidades que podem ser materiais, como tamb\u00e9m afetivas, emocionais e espirituais.<br \/>Caridade \u00e9, portanto, doa\u00e7\u00e3o gratuita. \u00c9 doar um sorriso, uma gentileza, uma aten\u00e7\u00e3o, respeito, alimento e roupas, engajamento nas obras sociais, participa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das pol\u00edticas p\u00fablicas em prol do bem comum, di\u00e1logo com quem pensa diferente. Esta lista, na verdade, n\u00e3o termina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das caracter\u00edsticas do tempo da Quaresma \u00e9 a penit\u00eancia, que deve se manifestar em uma mudan\u00e7a de vida e aprofundamento da f\u00e9. A tradi\u00e7\u00e3o da igreja nos coloca o jejum, a abstin\u00eancia e outros sacrif\u00edcios como oportunidades de ascese. 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