{"id":43295,"date":"2018-08-23T10:01:35","date_gmt":"2018-08-23T13:01:35","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=43295"},"modified":"2018-08-23T10:55:13","modified_gmt":"2018-08-23T13:55:13","slug":"a-pobreza-a-unicef-e-a-sabedoria-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-pobreza-a-unicef-e-a-sabedoria-crista\/","title":{"rendered":"A pobreza, a UNICEF e a sabedoria crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<div id=\"texto-interna\" class=\"noticias-conteudo-text-container\">\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>\u201cNem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus\u201d (Mt 4,4). Uma vers\u00e3o n\u00e3o religiosa dessa senten\u00e7a evang\u00e9lica, apropriada para nossos tempos, poderia ser: \u201cNem s\u00f3 de renda vive o homem, mas de tudo aquilo que promove a dignidade da pessoa\u201d.<\/p>\n<p>Essa formula\u00e7\u00e3o serviria para resumir o recente estudo da UNICEF, <em>Pobreza na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia<\/em>. O trabalho chamou a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia por estimar que 61% das crian\u00e7as e adolescentes brasileiros vive na pobreza. O n\u00famero elevado se explica pela ado\u00e7\u00e3o de uma metodologia abrangente, que n\u00e3o avalia a pobreza apenas pela renda, mas por um conjunto das priva\u00e7\u00f5es que dificultam o pleno desenvolvimento da pessoa. Trata-se de um indicador, uma ferramenta para avalia\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o social, muito relevante.<\/p>\n<p>A renda \u00e9 um par\u00e2metro f\u00e1cil de medir, mas que n\u00e3o avalia a real situa\u00e7\u00e3o da pessoa. Mede, num sentido mais preciso, apenas sua capacidade de consumir. Aumentar a renda \u00e9 aumentar a capacidade de consumo da popula\u00e7\u00e3o \u2013 e isso pode ser bom para aqueles que n\u00e3o consomem o m\u00ednimo necess\u00e1rio, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para atender plenamente o desejo das pessoas.<\/p>\n<p>No fundo, o que interessa a cada um de n\u00f3s \u00e9 a possibilidade de realizar-se na vida, que passa pelo fator renda, mas n\u00e3o se resume a ele. Por exemplo, um programa de renda m\u00ednima, sem gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho dignos, com o tempo n\u00e3o s\u00f3 ter\u00e1 dificuldades de sustenta\u00e7\u00e3o financeira como tamb\u00e9m deixar\u00e1 de atender \u00e0s expectativas dos beneficiados, que desejar\u00e3o uma realiza\u00e7\u00e3o pessoal que transcende o fato de terem uma remunera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Ainda hoje, muitos discutem o significado das manifesta\u00e7\u00f5es de 2013, primeiro sinal da crise social em que estamos mergulhados no Brasil. A percep\u00e7\u00e3o, que emerge do relat\u00f3rio da UNICEF, de que a pobreza n\u00e3o se resume a uma quest\u00e3o de renda nos ajuda a entender aquele momento e toda a din\u00e2mica sociopol\u00edtica brasileira: a pobreza enquanto baixa renda pode estar sendo superada, mas se continuam a existir outras priva\u00e7\u00f5es, que comprometem o reconhecimento da dignidade pessoal (como falta de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, de seguran\u00e7a), a popula\u00e7\u00e3o continua a viver uma situa\u00e7\u00e3o de pobreza, entendida agora num sentido mais amplo. E o sentimento de insatisfa\u00e7\u00e3o tende at\u00e9 a aumentar&#8230;<\/p>\n<p>Por isso, Paulo VI, na <em>Populorum progressio<\/em>, em 1967, j\u00e1 afirmava que o desenvolvimento \u201cpara ser aut\u00eantico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo\u201d (PP 14). Era um dos precursores dessa vis\u00e3o multidimensional da pobreza e do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>O estudo da UNICEF mostra que, infelizmente, entre as priva\u00e7\u00f5es sofridas por nossos jovens est\u00e3o algumas das mais fundamentais para um pleno desenvolvimento humano: saneamento b\u00e1sico, que impacta diretamente as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade geral da popula\u00e7\u00e3o, e educa\u00e7\u00e3o adequada, que \u00e9 o fator b\u00e1sico para o progresso das pessoas e da sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta uma educa\u00e7\u00e3o conteudista, s\u00f3 de informa\u00e7\u00f5es, ou mesmo voltada apenas para a forma\u00e7\u00e3o profissional. \u00c9 necess\u00e1ria uma educa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, republicana, para usar um termo da moda, isso \u00e9, que forme os jovens para serem protagonistas na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor, voltada ao bem comum.<\/p>\n<p>Essa educa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 n\u00e3o pode ser confiada apenas ao Estado, for\u00e7osamente impessoal. Ela depende do testemunho e do esfor\u00e7o de todos, pois o jovem precisa encontrar adultos que lhe mostrem que a realiza\u00e7\u00e3o pessoal transcende renda e consumo, implica no amor e no compromisso para com o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: Jornal o S\u00e3o Paulo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus\u201d (Mt 4,4). Uma vers\u00e3o n\u00e3o religiosa dessa senten\u00e7a evang\u00e9lica, apropriada para nossos tempos, poderia ser: \u201cNem s\u00f3 de renda vive o homem, mas de tudo aquilo que promove a dignidade da pessoa\u201d. 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