{"id":4318,"date":"2014-03-04T03:00:00","date_gmt":"2014-03-04T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-origem-do-carnaval\/"},"modified":"2017-04-04T15:57:54","modified_gmt":"2017-04-04T18:57:54","slug":"a-origem-do-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-origem-do-carnaval\/","title":{"rendered":"A origem do Carnaval"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>V\u00e1rios autores explicam o nome carnaval a partir do latim \u201c carne vale\u201d, isto \u00e9, \u201cadeus carne\u201d ou a \u201cdespedida da carne\u201d. Isso significa que, no carnaval, o consumo de carne era considerado l\u00edcito, pela \u00faltima vez, antes dos dias de jejum quaresmal. Outros estudiosos recorrem \u00e0 express\u00e3o \u201ccarnem levare\u201d, suspender ou retirar a carne.<br \/> O Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno (590-604), teria dado ao \u00faltimo domingo, antes da Quaresma (antigamente domingo da quinquag\u00e9sima), o t\u00edtulo de \u201cdomenica ad carnes levandas\u201d; o que teria gerado \u201ccarneval\u201d ou carnaval. Um grupo de etimologistas apela para as origens pag\u00e3s do carnaval: entre os gregos e os romanos, costumava-se fazer um cortejo com uma nave dedicado ao deus Dion\u00edsio, ou baco, festa que se chamava em latim de \u201ccurrus navalis\u201d (nave carruagem), de onde teria vindo a forma \u201ccarnavale\u201d. <br \/>As mais antigas not\u00edcias do que hoje chamamos \u201cCarnaval\u201d datam, como se cr\u00ea, do s\u00e9culo VI a.C.; na Gr\u00e9cia: h\u00e1 pinturas gregas em vasos com figuras\u00a0 ano mascaradas desfilando em prociss\u00e3o ao som de m\u00fasicas em honra do deus Dion\u00edsio, com fantasias e alegorias; s\u00e3o certamente anteriores \u00e0 era crist\u00e3. Outras festas semelhantes aconteciam na entrada do novo civil (m\u00eas de janeiro) ou pela aproxima\u00e7\u00e3o da primavera (hemisf\u00e9rio norte), na despedida do inverno. <br \/>Eram festas religiosas dentro da concep\u00e7\u00e3o pag\u00e3 e da mitologia com a inten\u00e7\u00e3o de, com esses ritos, expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior e pedir aos deuses a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano. Tudo isso parece ter gerado abusos estimulados com o uso de m\u00e1scaras, fantasias, cortejos, pe\u00e7as de teatro, etc. As religi\u00f5es ditas de \u201cmist\u00e9rios\u201d provenientes do Oriente, muito difundidas no Imp\u00e9rio Romano, concorreram para o fomento das festividades carnavalescas. Estas tomaram o nome de \u201cpompas bacanais\u201d ou \u201csaturnais\u201d ou \u201clupercais\u201d.<br \/>Quando o Cristianismo surgiu j\u00e1 deve ter encontrado esses costumes pag\u00e3os. Vivenciando o Evangelho os crist\u00e3os aos poucos transformaram o significado de muitas festas pag\u00e3s ou m\u00edticas procurando purifica-las. Aos poucos essas festas foram sendo substitu\u00eddas por solenidades do Cristianismo (Natal, Epifania do Senhor ou a Purifica\u00e7\u00e3o de Maria, dita \u201cfesta da Candel\u00e1ria\u201d, em vez dos mitos pag\u00e3os celebrados a 25 de dezembro, 6 de janeiro ou 2 de fevereiro). Por fim, a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja parece ter conseguido restringir a celebra\u00e7\u00e3o oficial do Carnaval aos tr\u00eas dias que precedem a quarta-feira de cinzas. Hoje, infelizmente nem sempre acontece isso em nossa sociedade.<br \/>Em Portugal o carnaval era festa da alegria onde as pessoas jogavam uma nas outras, \u00e1gua, ovos e farinha. Acontecia num per\u00edodo anterior a quaresma e, portanto, tinha um significado ligado \u00e0 liberdade. Este sentido permanece at\u00e9 os dias de hoje no carnaval.<br \/>No Brasil, no final do s\u00e9culo XIX, come\u00e7am a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cord\u00f5es e os famosos \u201ccorsos\u201d. Estes \u00faltimos tornaram-se mais populares no come\u00e7o dos s\u00e9culos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Estaria a\u00ed a origem dos carros aleg\u00f3ricos, t\u00edpicos das escolas de samba atuais.<br \/> No s\u00e9culo XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. A primeira escola de samba, segundo algumas tradi\u00e7\u00f5es, surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se \u201cDeixa Falar\u201d. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a \u201cdeixa Falar\u201d, segundo consta, transformou-se na escola de samba \u201cEst\u00e1cio de S\u00e1\u201d. A partir da\u00ed o carnaval de rua come\u00e7a a ganhar um novo formato. Come\u00e7am a surgir novas escolas de samba, come\u00e7am os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.<br \/>Portanto, o carnaval \u00e9 uma festividade complexa e com muitas nuances e prismas. Por\u00e9m, infelizmente, como acontece com todas as coisas tamb\u00e9m temos exageros e viol\u00eancias em v\u00e1rios campos que lamentamos e exortamos para que a vida humana seja sempre respeitada. Seria muito importante que as pessoas pudessem se reunir para divertir de maneira sadia e com um esp\u00edrito de amor ao pr\u00f3ximo. Neste per\u00edodo de Carnaval a Igreja incentiva os retiros espirituais. Aqui em nossa arquidiocese s\u00e3o incont\u00e1veis. Pelo menos uns 30 re\u00fanem um n\u00famero significativo de pessoas que passam esses dias na alegria crist\u00e3 e na reflex\u00e3o preparando-se para uma santa quaresma. Mesmo nesses ambientes de retiro existe um momento de folguedo crist\u00e3o mais animado demonstrando que n\u00e3o somos contra a \u201cverdadeira alegria\u201d brotada do Evangelho e que precisa contagiar a todos com a \u201cboa not\u00edcia\u201d da salva\u00e7\u00e3o.<br \/>Nessa \u201cdespedida da carne\u201d \u00e9 importante que nos preparemos para um tempo de verdadeira convers\u00e3o. Nessas idas e vindas dos costumes como vimos acima n\u00e3o podemos perder de vista a necessidade de sermos pessoas novas que vivam com responsabilidade este tempo de tantas mudan\u00e7as e transforma\u00e7\u00f5es. Nesse mundo violento e complexo, aonde os valores humanos e crist\u00e3os v\u00e3o sendo esquecidos, \u00e9 sempre uma oportunidade de reflex\u00e3o s\u00e9ria sobre os direcionamentos que estamos ando as nossas vidas e a nossa sociedade. Somente deixando-nos conduzir por cora\u00e7\u00f5es novos que homens novos poder\u00e3o construir uma sociedade justa e fraterna.\u00a0 <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rios autores explicam o nome carnaval a partir do latim \u201c carne vale\u201d, isto \u00e9, \u201cadeus carne\u201d ou a \u201cdespedida da carne\u201d. Isso significa que, no carnaval, o consumo de carne era considerado l\u00edcito, pela \u00faltima vez, antes dos dias de jejum quaresmal. Outros estudiosos recorrem \u00e0 express\u00e3o \u201ccarnem levare\u201d, suspender ou retirar a carne. 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