{"id":43039,"date":"2018-08-15T16:35:36","date_gmt":"2018-08-15T19:35:36","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=43039"},"modified":"2018-08-15T16:35:36","modified_gmt":"2018-08-15T19:35:36","slug":"perigosas-crendices-sobre-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/perigosas-crendices-sobre-o-aborto\/","title":{"rendered":"Perigosas crendices sobre o aborto"},"content":{"rendered":"<div class=\"io-div\" data-io-article-url=\"https:\/\/pt.aleteia.org\/2018\/08\/14\/perigosas-crendices-sobre-o-aborto\/\">\n<h2 class=\"subtitle\">Muitas vezes elas s\u00e3o ensinadas em universidades, embora n\u00e3o tenham qualquer fundamento cient\u00edfico<\/h2>\n<p><em>Texto do\u00a0<strong>Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz<\/strong> em <a href=\"http:\/\/www.providaanapolis.org.br\/index.php\/todos-os-artigos\/item\/531-perigosas-crendices-sobre-o-aborto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pr\u00f3 Vida An\u00e1polis<\/a><\/em><\/p>\n<p>Certa vez, um qu\u00edmico deixou acidentalmente que uma solu\u00e7\u00e3o de \u00e1cido clor\u00eddrico (HCl) fosse lan\u00e7ada sobre sua pele. Um colega de laborat\u00f3rio p\u00f4s-se a pensar o que fazer para socorrer seu amigo que gritava de dor.<\/p>\n<p>Pensou ele: \u00e1cidos e bases neutralizam-se mutuamente, produzindo sal e \u00e1gua. Assim, uma solu\u00e7\u00e3o de \u00e1cido clor\u00eddrico (HCl) \u00e9 neutralizada, por exemplo, por uma solu\u00e7\u00e3o de hidr\u00f3xido de s\u00f3dio (NaOH), produzindo cloreto de s\u00f3dio (NaCl) e \u00e1gua (H2O).<\/p>\n<p>HCl + NaOH \u00ae NaCl + H2O<\/p>\n<p>Levado pelo desejo de neutralizar o efeito do \u00e1cido clor\u00eddrico, o amigo da v\u00edtima aplicou sobre sua pele corro\u00edda uma solu\u00e7\u00e3o de hidr\u00f3xido de s\u00f3dio (soda c\u00e1ustica). Para sua surpresa, o resultado n\u00e3o foi um al\u00edvio, mas um agravamento da corros\u00e3o, o que fez a v\u00edtima sofrer ainda mais.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<div class=\"nativo-inread\"><\/div>\n<h3>O aborto \u201cterap\u00eautico\u201d<\/h3>\n<p>Da mesma forma, diante do fato de que certas doen\u00e7as se tornam mais complicadas com a gravidez, h\u00e1 m\u00e9dicos que, \u00e0 semelhan\u00e7a do qu\u00edmico do exemplo anterior, acreditam que o aborto far\u00e1 \u201cdesengravidar\u201d a paciente, levando-a ao estado anterior \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do filho. Segundo Alberto Raul Martinez, professor da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (SP), em depoimento de 1967,<\/p>\n<blockquote><p>deve-se levar em conta que a rea\u00e7\u00e3o mais comum do m\u00e9dico n\u00e3o afeito \u00e0 especialidade ginecol\u00f3gica, quando a prenhez ocorre em uma de suas pacientes j\u00e1 afetadas por problema f\u00edsico ou mental, \u00e9 a de que a remo\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o poderia simplificar a quest\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Isso, por\u00e9m, n\u00e3o ocorre. O aborto \u00e9 uma pr\u00e1tica t\u00e3o selvagem que, al\u00e9m de condenar \u00e0 morte um inocente, agrava o estado de sa\u00fade da gestante enferma.<\/p>\n<p>Sobre este assunto, conv\u00e9m citar a c\u00e9lebre aula inaugural \u201c<em>Por que ainda o ab\u00f4rto terap\u00eautico?<\/em>\u201d, do m\u00e9dico-legal Jo\u00e3o Batista de Oliveira Costa J\u00fanior para os alunos dos Cursos Jur\u00eddicos da Faculdade de Direito da USP de 1965:<\/p>\n<blockquote><p>Ante os processos atuais [de 1965!] da terap\u00eautica e da assist\u00eancia pr\u00e9-natal, o aborto n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico recurso; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 o pior meio, ou melhor, n\u00e3o \u00e9 meio algum para se preservar a vida ou a sa\u00fade da gestante. Por que invoc\u00e1-lo, ent\u00e3o? Seria o tradicionalismo, a ignor\u00e2ncia ou o interesse em atender-se a costumes injustific\u00e1veis? Por indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, estou certo, n\u00e3o o \u00e9, presentemente. Demonstrem, pois, os legisladores coragem suficiente para fundamentar seus verdadeiros motivos, e n\u00e3o envolvam a Medicina no protecionismo ao crime desejado. Digam, sem subterf\u00fagios, o que os sovi\u00e9ticos, os suecos, os dinamarqueses e outros j\u00e1 disseram. Assumam integralmente a responsabilidade de seus atos <i>(Jo\u00e3o Batista de O. COSTA J\u00daNIOR, Por qu\u00ea, ainda, o ab\u00f4rto terap\u00eautico?\u00a0Revista da Faculdade de Direito da USP, 1965, volume IX, p. 326).<\/i><\/p><\/blockquote>\n<h3>O aborto para \u201caliviar\u201d os danos do estupro<\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e0 semelhan\u00e7a do qu\u00edmico que pretendia neutralizar a corros\u00e3o do \u00e1cido clor\u00eddrico despejando hidr\u00f3xido de s\u00f3dio na v\u00edtima, h\u00e1 quem pense que, se uma gravidez resultou de um estupro, o aborto seria capaz de \u201cdesestuprar\u201d a mulher. Depois de um aborto \u2014 pensam os doutos, sem qualquer fundamento \u2014 a mulher violentada voltaria a seu estado anterior ao estupro. E mais ainda: afirmam gratuitamente que, se a mulher violentada der \u00e0 luz, a simples vis\u00e3o do beb\u00ea perpetuar\u00e1 a lembran\u00e7a do estupro em sua vida. Leia-se, por exemplo, esta lament\u00e1vel afirma\u00e7\u00e3o de N\u00e9lson Hungria:<\/p>\n<blockquote><p>Nada justifica que se obrigue a mulher estuprada a aceitar uma maternidade odiosa, que d\u00ea vida a um ser que lhe recordar\u00e1 perpetuamente o horr\u00edvel epis\u00f3dio da viol\u00eancia sofrida (<em>N\u00e9lson Hungria, em\u00a0Coment\u00e1rios ao C\u00f3digo Penal,\u00a0vol. 5, 4. Rio de Janeiro, Forense, 1958, p. 312<\/em>).<\/p><\/blockquote>\n<p>Conv\u00e9m lembrar ao c\u00e9lebre jurista que a vida da crian\u00e7a por nascer permanece inviol\u00e1vel apesar da viol\u00eancia praticada por seu pai e sofrida por sua m\u00e3e. Ainda que o beb\u00ea parecesse repugnante aos olhos da m\u00e3e, nada justificaria a sua morte. Em tal caso (suponhamos que ele existisse), a m\u00e3e poderia encaminhar seu filho rec\u00e9m-nascido para a ado\u00e7\u00e3o, e ele rapidamente encontraria um casal para acolh\u00ea-lo (quem conhece as filas de ado\u00e7\u00e3o dos Juizados da Inf\u00e2ncia e da Juventude, sabe que os rec\u00e9m-nascidos n\u00e3o ficam muito tempo esperando por pais adotivos).<\/p>\n<p>No entanto, os casais que pretendem adotar n\u00e3o devem alimentar esperan\u00e7as de encontrar beb\u00eas dispon\u00edveis entre os concebidos em uma viol\u00eancia sexual, pois estes costumam ser os filhos preferidos de suas m\u00e3es. Explico-me.<\/p>\n<p>Em meu trabalho pr\u00f3-vida, j\u00e1 conheci muitas v\u00edtimas de estupro que engravidaram e deram \u00e0 luz. Elas s\u00e3o un\u00e2nimes em dizer que estariam morrendo de remorsos se tivessem abortado. Choram s\u00f3 de pensar que alguma vez cogitaram em abortar seu filho. A conviv\u00eancia com a crian\u00e7a n\u00e3o perpetua a lembran\u00e7a do estupro, mas serve de um doce rem\u00e9dio para a viol\u00eancia sofrida. Com exce\u00e7\u00e3o das gestantes doentes mentais, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum caso em que uma v\u00edtima de estupro, ap\u00f3s dar a luz, n\u00e3o se apaixonasse pela crian\u00e7a (as doentes mentais n\u00e3o rejeitam o filho; contudo, n\u00e3o criam la\u00e7os afetivos com ele, de modo que n\u00e3o se importam que ele seja adotado).<\/p>\n<p>E mais: se no futuro, a mulher se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido. Tal fato tem uma explica\u00e7\u00e3o simples: as m\u00e3es se apegam de modo especial aos filhos que lhe deram maior trabalho.<\/p>\n<blockquote><p><em>Olha! Se voc\u00ea sofre demais para conseguir uma coisa, \u00e9 muito mais amor. Porque esse filho \u00e9 o que mais deu dilema<\/em>\u00a0(Maria Aparecida, violentada em 1975, referindo-se ao seu filho Renato, fruto da viol\u00eancia).<\/p>\n<p><em>No in\u00edcio, quando voc\u00ea percebe que est\u00e1 gr\u00e1vida, fica com muita raiva. Mas depois que a crian\u00e7a nasce, voc\u00ea nem se lembra mais do que aconteceu<\/em> (Maria Luciene, violentada em 1995, m\u00e3e de Bruna).<\/p>\n<p><em>Tive tanto trabalho para ter esse nen\u00e9m e agora vou dar para os outros?<\/em> (E., adolescente de 12 anos, violentada pelo pai em 1999).<\/p><\/blockquote>\n<p>Se, por\u00e9m, a gestante fizer um aborto, a marca do estupro, longe de se apagar, ficar\u00e1 cristalizada. Em vez de ter diante de si um rosto sorridente de uma crian\u00e7a para lhe servir de rem\u00e9dio, a mulher ter\u00e1 dentro de si a voz da consci\u00eancia acusando-a de ter matado um filho inocente. Nenhuma v\u00edtima de estupro merece t\u00e3o horr\u00edvel castigo. Mas \u00e9 isso o que nosso governo tem oferecido como \u201ctratamento\u201d para a viol\u00eancia sexual\u2026<\/p>\n<p>An\u00e1polis, 9 de janeiro de 2017.<\/p>\n<p>Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vezes elas s\u00e3o ensinadas em universidades, embora n\u00e3o tenham qualquer fundamento cient\u00edfico Texto do\u00a0Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz em Pr\u00f3 Vida An\u00e1polis Certa vez, um qu\u00edmico deixou acidentalmente que uma solu\u00e7\u00e3o de \u00e1cido clor\u00eddrico (HCl) fosse lan\u00e7ada sobre sua pele. 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