{"id":42973,"date":"2018-08-14T11:13:31","date_gmt":"2018-08-14T14:13:31","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=42973"},"modified":"2018-08-14T11:13:31","modified_gmt":"2018-08-14T14:13:31","slug":"catequese-iii-o-grande-sonho-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/catequese-iii-o-grande-sonho-de-deus\/","title":{"rendered":"Catequese III: O grande sonho de Deus"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yifx1SE22HY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div class=\"article__subTitle\">\u201cN\u00e3o sabeis que eu devo ocupar-me das coisas que \u00e9 de meu Pai?\u201d (Lc 2,49): Na realidade, por tr\u00e1s dessas palavras um tanto enigm\u00e1ticas, o mist\u00e9rio de Sua Filia\u00e7\u00e3o \u00e9 obscurecida e, nela, a descend\u00eancia de cada homem, porque todo filho do homem, mesmo antes de ser tecido no ventre materno, antes mesmo de ser desejado pelos pais (e quantas vezes n\u00e3o desejado porque chegou fora dos programas humanos), sempre foi cobi\u00e7ado pelo cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p><i>A n\u00f3s, portanto, que acreditamo, o Noivo sempre nos parece Belo. Belo \u00e9 Deus, Verbo de Deus; Belo no \u00fatero da Virgem, onde n\u00e3o perdeu a divindade e assumiu a humanidade; Belo \u00e9 o Verbo nascido crian\u00e7a, porque enquanto era crian\u00e7a, enquanto sugava o leite, enquanto era carregado nos bra\u00e7os, os c\u00e9us falaram, os anjos cantavam louvores, a estrela dirigia o caminho dos magos, Ele era adorado no pres\u00e9pio, comida para os mansos. \u00c9 Belo, portanto, no c\u00e9u, Belo na terra; Belo no seio, Belo nos bra\u00e7os dos pais: Belo nos milagres, Belo nos supl\u00edcios; Belo em convidar para a vida, Belo em n\u00e3o cuidar da morte, Belo ao abandonar a vida e Belo ao retom\u00e1-la; Belo na cruz, Belo no sepulcro, Belo no c\u00e9u. Ou\u00e7am o c\u00e2ntico com intelig\u00eancia, e a fraqueza da carne n\u00e3o distrai os vossos olhos do esplendor da sua beleza. Suprema e verdadeira beleza \u00e9 a justi\u00e7a; N\u00e3o o ver\u00e1s Belo, se o considerar injusto; Se portanto \u00e9 justo, portanto \u00e9 Belo<\/i>. (S. Agostinho, <i>Esposizioni sui Salmi<\/i>, 44, 3)<\/p>\n<p>\u201c<i>N\u00e3o sabeis que eu devo ocupar-me das coisas que \u00e9 de meu Pai?\u201d<\/i> (Lc 2,49): s\u00e3o as \u00fanicas palavras que os Evangelhos nos transmitem de Jesus aos 12 anos. Nenhuma outra exclama\u00e7\u00e3o ou afirma\u00e7\u00e3o ou apenas uma palavra dEle naquela idade. Certamente, estamos diante de uma express\u00e3o bastante complexa que, a primeira vista, quase perceberia uma falta de respeito de Jesus com Jos\u00e9 e Maria, quase surpreso e indignado, quase surpreso e indignado porque os Seus deveriam saber o motivo da sua perman\u00eancia no templo de Deus sem dar qualquer aviso.<\/p>\n<p>Na realidade, por tr\u00e1s dessas palavras um tanto enigm\u00e1ticas, o mist\u00e9rio de Sua Filia\u00e7\u00e3o \u00e9 obscurecida e, nela, a descend\u00eancia de cada homem, porque todo filho do homem, mesmo antes de ser tecido no ventre materno, antes mesmo de ser desejado pelos pais (e quantas vezes n\u00e3o desejado porque chegou fora dos programas humanos), sempre foi cobi\u00e7ado pelo cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Assim, o Papa Francisco afirma com determina\u00e7\u00e3o: \u00ab<i>Cada crian\u00e7a, que se forma dentro de sua m\u00e3e, \u00e9 um projeto eterno de Deus Pai e do seu amor eterno: \u201cAntes de te haver formado no ventre materno, Eu j\u00e1 te conhecia; antes que sa\u00edsses do seio de tua m\u00e3e, Eu te consagrei\u201d (Jr 1, 5). Cada crian\u00e7a est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de Deus desde sempre e, no momento em que \u00e9 concebida, realiza-se o sonho eterno do Criador. Pensemos quanto vale o embri\u00e3o, desde que \u00e9 concebido! \u00c9 preciso contempl\u00e1-lo com este olhar amoroso do Pai, que v\u00ea para al\u00e9m de toda a apar\u00eancia.\u00bb <\/i>(Al 168).<\/p>\n<p>N\u00e3o somente Jesus, enquanto Filho de Deus, \u00e9 chamado a ocupar-se das coisas de Seu Pai, mas cada filho, nunca sendo propriedade de seus pais, pertence ao Pai Celestial, que sempre teve um sonho muito grande e surpreendente a ultrapassar a imagina\u00e7\u00e3o e as expectativas de seus pais terrenos. A quest\u00e3o fundamental, portanto, \u00e9 esta: qual \u00e9 o sonho de Deus em cada homem? O que Ele realmente sonha para que cada um de Seus filhos, possam tornar sua vida excelente e extraordin\u00e1ria?<\/p>\n<p>Com extraordin\u00e1rio imediatismo e profundidade, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II responde a esta pergunta: \u00ab<i>O homem n\u00e3o pode viver sem amor. Ele continua a ser um ser incompreens\u00edvel para si mesmo, sua vida n\u00e3o tem sentido, se o amor n\u00e3o lhe \u00e9 revelado, se ele n\u00e3o se encontra com o amor, se n\u00e3o o experimenta e n\u00e3o o torna, se n\u00e3o participa fortemente<\/i>\u00bb (<i>Redemptor hominis<\/i> 10).<\/p>\n<p>Se fala justamente da revela\u00e7\u00e3o do amor, do encontro com o amor, da experi\u00eancia e tamb\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o do amor, para significar que mais do que um movimento interior da alma ou um ato de doar-se, o amor revelado, encontrado, experimentado e participado \u00e9 uma Pessoa concreta, uma Pessoa viva, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo quem \u00ab<i>revelando o mist\u00e9rio do Pai e do seu amor tamb\u00e9m revela plenamente o homem a si mesmo e mostra-lhe a sua alt\u00edssima voca\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb (<i>Gaudium et spes<\/i> 22).<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o tem um sonho de amor abstrato ou id\u00edlico sobre cada um de n\u00f3s. No Filho, Naquele que, para espanto de Jos\u00e9 e Maria, responde que deve ocupar-se das coisas de Seu Pai, o verdadeiro e concreto caminho do amor \u00e9 revelado. E o amor tem sua pr\u00f3pria linguagem espec\u00edfica, tem sua express\u00e3o original, tem sua pr\u00f3pria maneira de se tornar carne. Qual? A nupcial!<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o Papa Bento XVI afirma que somente \u00ab<i>O matrim\u00f4nio baseado em um amor exclusivo e definitivo torna-se o \u00edcone do relacionamento de Deus com seu povo e vice-versa: o modo de amar de Deus torna-se a medida do amor humano<\/i>\u00bb (<i>Deus caritas est<\/i> 11).<\/p>\n<p>Na verdade, existe um \u00ab<i>vasto campo sem\u00e2ntico da palavra<\/i> \u00abamor\u00bb: <i>fala-se de amor da p\u00e1tria, amor \u00e0 profiss\u00e3o, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irm\u00e3os e familiares, amor ao pr\u00f3ximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, por\u00e9m, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresist\u00edvel, sobressai como arqu\u00e9tipo de amor por excel\u00eancia, de tal modo que, comparados com ele, \u00e0 primeira vista todos os outros tipos de amor se ofuscam<\/i>\u00bb (<i>Deus caritas est<\/i> 2).<\/p>\n<p>\u00c9 o amor nupcial entre homem e mulher que revela a excel\u00eancia do amor de Deus realizado em Cristo. \u00c9 uma linguagem que esconde um Mist\u00e9rio verdadeiramente Grande. Pensar apenas que Deus assumiu tal amor para revelar o Seu cora\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade \u00e9 afirmar uma parte da verdade do mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Certamente, lendo toda a Escritura, especialmente os livros prof\u00e9ticos, vemos com frequ\u00eancia com que Deus usa a linguagem nupcial para expressar e revelar a Sua rela\u00e7\u00e3o \u00fanica com o povo eleito de Israel. No entanto, antes disso, n\u00e3o apenas cronologicamente, mas tamb\u00e9m e acima de tudo teologicamente, no mist\u00e9rio divino uma verdade muito maior \u00e9 obscurecida: Deus n\u00e3o assume o amor nupcial para revelar-se, mas o amor nupcial sempre foi a revela\u00e7\u00e3o original do rosto de Deus.<\/p>\n<p>\u00ab<i>O casal que ama e gera a vida \u00e9 a verdadeira \u00abescultura\u00bb viva (n\u00e3o a de pedra ou de ouro, que o Dec\u00e1logo pro\u00edbe), capaz de manifestar Deus criador e salvador<\/i>. [\u2026] <i>Sob esta luz, a rela\u00e7\u00e3o fecunda do casal torna-se uma imagem para descobrir e descrever o mist\u00e9rio de Deus, fundamental na vis\u00e3o crist\u00e3 da Trindade que, em Deus, contempla o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito de amor. O Deus Trindade \u00e9 comunh\u00e3o de amor; e a fam\u00edlia, o seu reflexo vivente.<\/i> [\u2026] <i>Este aspecto trinit\u00e1rio do casal encontra uma nova representa\u00e7\u00e3o na teologia paulina<\/i>\u00bb (Al 11).<\/p>\n<p>Quando o ap\u00f3stolo Paulo escreve em sua Carta aos Ef\u00e9sios: \u00ab<i>Por isso, o homem deixar\u00e1 seu pai e sua m\u00e3e e se unir\u00e1 \u00e0 sua mulher, e os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne. Este mist\u00e9rio \u00e9 grande \u2013 eu digo isto com refer\u00eancia a Cristo e \u00e0 Igreja!<\/i>\u00bb (Ef 5,31-32), ele afirma que na cria\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva, em sua cria\u00e7\u00e3o para formar uma s\u00f3 carne, Deus sempre pensou no Grande Mist\u00e9rio em refer\u00eancia a Cristo e \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p>Desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo, mesmo antes de moldar Ad\u00e3o e tirar uma costela de seu lado e cobri-la com carne para criar Eva, Deus olhou para Seu grande sonho, para o Grande Mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja, que hoje nos foi revelado no Filho. Por este motivo, o Papa Francisco afirma com convic\u00e7\u00e3o que \u00ab<i>querer formar uma fam\u00edlia \u00e9 ter a coragem de fazer parte do sonho de Deus, a coragem de sonhar com Ele, a coragem de construir com Ele, a coragem de unir-se a Ele nesta hist\u00f3ria\u00bb <\/i>(Al 321).<\/p>\n<p>Tal Mist\u00e9rio Grande n\u00e3o \u00e9 um ideal ou uma verdade, mas \u00e9 um evento real com uma forma concreta, a cruz, que ningu\u00e9m jamais esperou e que, de forma sempre nova e criativa, \u00e9 continuamente representada na nossa hist\u00f3ria. Como? Onde? Quando?<\/p>\n<p>\u00ab<i>Os esposos s\u00e3o, portanto, o chamado permanente para a Igreja do que aconteceu sobre a Cruz; s\u00e3o um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salva\u00e7\u00e3o, do qual o sacramento os torna part\u00edcipes<\/i>\u00bb (Fc 13 retomou em Al 72).<\/p>\n<p>Tudo isso desmonte o conhecimento generalizado e consci\u00eancia do Sacramento do Matrim\u00f4nio enquanto algo superficial e distorcido: isso n\u00e3o pode ser entendido e vivido como <i>\u00abuma conven\u00e7\u00e3o social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso. O sacramento \u00e9 um dom para a santifica\u00e7\u00e3o e a salva\u00e7\u00e3o dos esposos, porque \u00aba sua perten\u00e7a rec\u00edproca \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o real, atrav\u00e9s do sinal sacramental, da mesma rela\u00e7\u00e3o de Cristo com a Igreja<\/i>\u00bb (Al 72).<\/p>\n<p>Uma vez que estamos falando sobre o Grande Mist\u00e9rio de que palavras humanas nunca poderiam expressar plenamente a profundidade, a amplitude, a altura e a grandeza, o Papa Francisco com uma linguagem mais imediata escreve que \u00ab<i>O sacramento n\u00e3o \u00e9 uma \u201ccoisa\u201d nem uma \u201cfor\u00e7a\u201d, mas o pr\u00f3prio Cristo, na realidade, \u201cvem ao encontro dos esposos crist\u00e3os com o sacramento do matrim\u00f4nio. Fica com eles, d\u00e1-lhes a coragem de O seguirem, tomando sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro\u201d. O matrim\u00f4nio crist\u00e3o \u00e9 um sinal que n\u00e3o s\u00f3 indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Alian\u00e7a selada na Cruz, mas torna presente esse amor na comunh\u00e3o dos esposos<\/i>\u00bb (Al 73).<\/p>\n<p>O mesmo e id\u00eantico amor de Cristo dado na cruz para a Igreja \u00e9 o mesmo amor dos c\u00f4njuges e vice-versa. Isso cria uma equa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria que faz tremer somente ao pensar nisso. Os esposos, em virtude da gra\u00e7a do Sacramento do Matrim\u00f4nio, amam-se divinamente, eles se amam por Deus. Onde Deus alcan\u00e7ou o \u00e1pice do Seu amor? \u00ab<i>Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unig\u00eanito<\/i>\u00bb (Jo 13,18).<\/p>\n<p>Os esposos realizam e mostram ao mundo inteiro a loucura desse amor divino. Como o Papa Francisco afirma, \u00abtoda a vida em comum dos esposos, toda a rede de rela\u00e7\u00f5es que h\u00e3o de tecer entre si, com os seus filhos e com o <i>mundo, estar\u00e1 impregnada e robustecida pela gra\u00e7a do sacramento que brota do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e da P\u00e1scoa, onde Deus exprimiu todo o seu amor pela humanidade e Se uniu intimamente com ela. Os esposos nunca estar\u00e3o s\u00f3s, com as suas pr\u00f3prias for\u00e7as, a enfrentar os desafios que surgem. S\u00e3o chamados a responder ao dom de Deus com o seu esfor\u00e7o, a sua criatividade, a sua perseveran\u00e7a e a sua luta di\u00e1ria, mas sempre poder\u00e3o invocar o Esp\u00edrito Santo que consagrou a sua uni\u00e3o, para que a gra\u00e7a recebida se manifeste sem cessar em cada nova situa\u00e7\u00e3o\u00bb<\/i> (Al 74).<\/p>\n<p>Certamente o amor deles \u00e9 um \u00absigno imperfeito de amor entre Cristo e a Igreja\u00bb (Al 72), e \u00ab<i>a analogia entre marido e mulher<\/i> [\u2026] <i>uma analogia imperfeita<\/i>\u00bb (Al 73), porque o Matrim\u00f4nio, mesmo o mais bem-sucedido, o mais realizado e o mais santo, n\u00e3o pode e nunca deve ser a realiza\u00e7\u00e3o de uma pessoa.<\/p>\n<p>A causa de tantos sofrimentos familiares \u00e9 exatamente isso: o pensamento generalizado e comum de que o pr\u00f3prio Matrim\u00f4nio seja a conquista da t\u00e3o desejada meta final. N\u00e3o \u00e9 o amor nupcial com o pr\u00f3prio c\u00f4njuge que nos faz realizar a felicidade humana, e n\u00e3o porque n\u00e3o existe um c\u00f4njuge que n\u00e3o tenha limites, dificuldades ou fragilidade e, portanto, n\u00e3o seja capaz de responder \u00e0s grandes expectativas de amor que uma pessoa possa ter.<\/p>\n<p>O Matrim\u00f4nio nunca \u00e9 o fim, mas \u00ab<i>nas alegrias do seu amor e da sua vida familiar, Ele d\u00e1-lhes, j\u00e1 neste mundo, um antegozo do festim das n\u00fapcias do Cordeiro<\/i>\u00bb (Al 73). Os esposos s\u00e3o, portanto, destinados n\u00e3o ao matrim\u00f4nio terreno, mas ao eterno: as n\u00fapcias de Cristo Esposo com a Igreja, Sua Esposa.<\/p>\n<p>Ao perder essa orienta\u00e7\u00e3o fundamental, a alian\u00e7a matrimonial em si perde seu significado e sua pr\u00f3pria solidez. \u00c9 o eterno que d\u00e1 gosto e verdadeiro sabor ao humano, mas sem essa refer\u00eancia tudo se torna ins\u00edpido e desorientador, causando crises conjugais e familiares generalizadas que hoje n\u00e3o poupam mais ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O Matrim\u00f4nio \u00e9 apenas o aperitivo da felicidade, mas n\u00e3o a pr\u00f3pria felicidade. Voc\u00ea quer felicidade? N\u00e3o tente construir a casa eterna no Matrim\u00f4nio para encontr\u00e1-la. \u00c9 a verdadeira porta de acesso ao sentimento que conduz a alegria plena, mas parar na porta equivale a nunca participar do eterno banquete nupcial eterno.<\/p>\n<p>Urge, portanto, uma verdadeira e necess\u00e1ria proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho de Jesus Cristo \u00e0s 5 fam\u00edlias, mostrando como \u00ab<i>Na encarna\u00e7\u00e3o, Ele assume o amor humano, purifica-o, leva-o \u00e0 plenitude e d\u00e1 aos esposos, com o seu Esp\u00edrito, a capacidade de o viver, impregnando toda a sua vida com a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade. Assim, os c\u00f4njuges s\u00e3o de certo modo consagrados e, por meio duma gra\u00e7a pr\u00f3pria, edificam o Corpo de Cristo e constituem uma igreja dom\u00e9stica<\/i>\u00bb (Al 67).<\/p>\n<p>Aqui n\u00e3o se trata de cuidar da dimens\u00e3o religiosa ou espiritual das fam\u00edlias, mas de faz\u00ea-las experimentar a extraordin\u00e1ria obra redentora que Cristo realiza em nossa humanidade: sem Ele o amor humano nunca existiria e perderia a sua origin\u00e1ria beleza.<\/p>\n<p>A comunidade eclesial, portanto, deve necessariamente utilizar o melhor de suas energias para as fam\u00edlias, porque, se \u00e9 verdade que \u00ab<i>O bem da fam\u00edlia \u00e9 decisivo para o futuro do mundo e da Igreja<\/i>\u00bb (Al 31), da mesma forma \u00ab<i>a Igreja, para compreender plenamente o seu mist\u00e9rio, olha para a fam\u00edlia crist\u00e3, que o manifesta de forma genu\u00edna<\/i>\u00bb (Al 67).<\/p>\n<p>Na fam\u00edlia, o Grande Mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja est\u00e1 em jogo. Em outras palavras, ao salvar a fam\u00edlia n\u00e3o s\u00f3 a Igreja se realiza, mas Deus mostra o Seu Rosto ao mundo na carne humana das rela\u00e7\u00f5es familiares, cumprindo assim o seu grande sonho para a humanidade.<\/p>\n<p><b><u>Em Fam\u00edlia<\/u><\/b><\/p>\n<p><b>Para refletir<\/b><\/p>\n<p>1. O Grande Sonho que Deus tem para o homem tem alguma rela\u00e7\u00e3o com o sonho que o homem tem para si?<\/p>\n<p>2. O Matrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 a felicidade, mas apenas o aperitivo da felicidade. Que consequ\u00eancias concretas essa afirma\u00e7\u00e3o tem na vida conjugal e familiar?<\/p>\n<p><b>Pr\u00e1tica<\/b><\/p>\n<p>1. \u00ab<i>Toda a vida em comum dos c\u00f4njuges, toda a rede de rela\u00e7\u00f5es que tecer\u00e3o entre eles, com seus filhos e com o mundo, ser\u00e1 impregnada e fortalecida pela gra\u00e7a do sacramento que decorre do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e da P\u00e1scoa, em que Deus expressou todo o seu amor pela humanidade e intimamente unido a ela. Eles nunca estar\u00e3o sozinhos com a for\u00e7a deles para enfrentar os desafios que surgem. Eles s\u00e3o chamados a responder ao dom de Deus com seu compromisso, criatividade, resist\u00eancia e luta di\u00e1ria, mas sempre podem invocar o Esp\u00edrito Santo que consagrou sua uni\u00e3o, para que a gra\u00e7a recebida se manifesta novamente em cada nova situa\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb (Al 72). De que forma o Esp\u00edrito Santo opera na vossa vida conjugal e familiar?<\/p>\n<p>2. Amar-se de Deus. Amar-se ao divino. Amar-se como Cristo amou a Igreja dando Sua vida na Cruz. Como tudo isso pode ser realizado?<\/p>\n<p><b><u>Na Igreja<\/u><\/b><\/p>\n<p><b>Para Refletir \u00a0<\/b><\/p>\n<p>1. Por que a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia tem dificuldade de entrar na pastoral da Igreja?<\/p>\n<p>2. Na fam\u00edlia est\u00e1 em jogo o Grande Mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja. O que isso significa?<\/p>\n<p><b>Pr\u00e1tica<\/b><\/p>\n<p>1. \u00ab<i>A Igreja, para entender completamente o seu mist\u00e9rio, olha para a fam\u00edlia crist\u00e3, que a manifesta de forma genu\u00edna<\/i>\u00bb (Al 67). Como \u00e9 poss\u00edvel realizar tudo isso?<\/p>\n<p>2. Se verdadeiramente \u00abo bem da fam\u00edlia \u00e9 decisivo para o futuro do mundo e da Igreja\u00bb (Al 31), como deveria trabalhar a pastoral da Igreja?)<\/p>\n<p>2. Se verdadeiramente \u00abo bem da fam\u00edlia \u00e9 decisivo para o futuro do mundo e da Igreja\u00bb (Al 31), como deveria trabalhar a pastoral da Igreja?)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o sabeis que eu devo ocupar-me das coisas que \u00e9 de meu Pai?\u201d (Lc 2,49): Na realidade, por tr\u00e1s dessas palavras um tanto enigm\u00e1ticas, o mist\u00e9rio de Sua Filia\u00e7\u00e3o \u00e9 obscurecida e, nela, a descend\u00eancia de cada homem, porque todo filho do homem, mesmo antes de ser tecido no ventre materno, antes mesmo de ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":42974,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-42973","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42973"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42975,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42973\/revisions\/42975"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}