{"id":42753,"date":"2018-08-06T16:29:20","date_gmt":"2018-08-06T19:29:20","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=42753"},"modified":"2018-08-06T16:29:20","modified_gmt":"2018-08-06T19:29:20","slug":"a-igreja-sempre-foi-contra-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-igreja-sempre-foi-contra-o-aborto\/","title":{"rendered":"A Igreja sempre foi contra o aborto"},"content":{"rendered":"<div class=\"io-div\" data-io-article-url=\"https:\/\/pt.aleteia.org\/2018\/08\/06\/a-igreja-sempre-foi-contra-o-aborto\/\">\n<h2 class=\"subtitle\">No s\u00e9culo I, j\u00e1 se l\u00ea, na Didach\u00e9 (Doutrina dos Ap\u00f3stolos): \u201cN\u00e3o matar\u00e1s crian\u00e7a por aborto nem crian\u00e7a j\u00e1 nascida\u201d<\/h2>\n<p>H\u00e1 quem afirme que a Igreja Cat\u00f3lica permitiu o aborto entre os s\u00e9culos IV e XIX. Tal afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da ignor\u00e2ncia ou da maldade de quem a divulga, conforme veremos.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo I, j\u00e1 se l\u00ea, na <i>Didach\u00e9<\/i> (Doutrina dos Ap\u00f3stolos): \u201cN\u00e3o matar\u00e1s crian\u00e7a por aborto nem crian\u00e7a j\u00e1 nascida\u201d\u00a0(2,2). Na <i>Ep\u00edstola a Diogneto<\/i>, s\u00e9culo III, aparece: \u201cOs crist\u00e3os casam-se como todos os homens; como todos, procriam, mas n\u00e3o rejeitam os filhos\u201d (V,6). Outros Padres (= Pais) da Igreja acompanharam esta doutrina.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio de Ancira, na \u00c1sia Menor, em 314, no c\u00e2non 20, assim diz: \u201cAs mulheres que fornicam e depois matam os seus filhos ou que procedem de tal modo que eliminem o fruto de seu \u00fatero, segundo uma lei antiga, s\u00e3o afastadas da Igreja at\u00e9 o fim da sua vida. Todavia, num trato mais humano, determinamos que lhes sejam impostos dez anos de penit\u00eancia segundo as etapas habituais\u201d\u00a0(Hardouin. <i>Acta Conciliorum<\/i>. Paris 1715, t. I, col. 279). Os Conc\u00edlios posteriores seguiram esta norma: o de Elvira, em 313 aproximadamente, c\u00e2non 63; o de Lerida, em 524, c\u00e2non 2; o de Trullos, em 629, c\u00e2non 91; o de Worms em 869, c\u00e2non 35, por exemplo.<\/p>\n<p>O Papa Sixto V, em 29\/10\/1588, publicou a Bula <i>Effraenatam<\/i>. Nela, com base na doutrina j\u00e1 tradicional na Igreja, puniu com penas can\u00f4nicas severas quem praticasse o aborto. A absolvi\u00e7\u00e3o da pena era reservadas \u00e0 Santa S\u00e9. Essa Bula, no entanto, chocou-se com a mentalidade da \u00e9poca. Qual era essa mentalidade? \u2013 Consistia, em s\u00edntese, no seguinte: se na fecunda\u00e7\u00e3o do \u00f3vulo pelo espermatozoide, Deus cria e infunde a alma espiritual no novo ser humano, tem-se a <i>anima\u00e7\u00e3o imediata<\/i>; se, por\u00e9m, h\u00e1 intervalo de tempo entre a forma\u00e7\u00e3o do corpo material pelos gametas masculino e feminino e a infus\u00e3o da alma espiritual criada por Deus para aquele novo ser, a anima\u00e7\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, <i>mediata<\/i>.<\/p>\n<p>A maioria dos escritores gregos (Greg\u00f3rio de Nissa; Bas\u00edlio Magno e M\u00e1ximo, o Confessor), \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de alguns como Teodoreto de Ciro, defendeu a anima\u00e7\u00e3o imediata. Tamb\u00e9m os estudiosos latinos (Tertuliano; Santo Agostinho e Cassiodoro) seguiram \u2013 cada um a seu modo \u2013 os gregos at\u00e9 o s\u00e9culo XIII.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, as teorias de Arist\u00f3teles (\u2020 322) \u2013 o \u00fanico fil\u00f3sofo grego antigo que tratou do tema \u2013 defendendo a anima\u00e7\u00e3o mediata do ser humano, espalhou-se pelo Ocidente. S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (\u2020 1274) e outros pensadores adotaram a tese de Arist\u00f3teles passando a afirmar que, nos homens, a alma era infundida no 40\u00ba dia ap\u00f3s a fecunda\u00e7\u00e3o e, nas mulheres, no 80\u00ba. Os defensores da tese aristot\u00e9lico-tomista recorriam, por engano, a tr\u00eas passagens b\u00edblicas: 1) \u00cax 21,22-23. O texto n\u00e3o quer ensinar Biologia; visa dar uma norma que defende a vida: o homem que, por agress\u00e3o, faz uma mulher expulsar o fruto de seu ventre pode ser multado, se o feto sair vivo, ou ser morto, se o feto vier morto; Lv 12,2-5. \u00c9 simb\u00f3lica, nada prova sobre anima\u00e7\u00e3o mediata, e J\u00f3 10,9-12. Refere-se \u00e0 uma escala que vai da mat\u00e9ria \u2013 o corpo \u2013 ao esp\u00edrito \u2013 a alma humana \u2013 sem estabelecer tempo preciso de anima\u00e7\u00e3o: imediata ou mediata.<\/p>\n<div class=\"nativo-inread\"><\/div>\n<p>Devido ao choque da Bula <i>Effraenatam<\/i>, o Papa Greg\u00f3rio XIV, em 31\/05\/1591, publicou outra Bula, a <i>Sedes Apost\u00f3lica<\/i>. Nela, distingue, de acordo com a mentalidade atr\u00e1s exposta, feto animado (depois de 40 dias para homens e 80 para mulheres) do n\u00e3o animado. No primeiro caso, haveria excomunh\u00e3o, mas n\u00e3o mais reservada \u00e0 Santa S\u00e9; no segundo caso, a puni\u00e7\u00e3o can\u00f4nica n\u00e3o deixaria de existir, por\u00e9m seria menos pesada.<\/p>\n<p>Aqui, vem um ponto importante: mesmo ante o debate sobre a anima\u00e7\u00e3o mediata ou imediata do ser humano, o Papa Inoc\u00eancio XI, em 02\/03\/1679, condenou a ideia muito divulgada segundo a qual, antes da anima\u00e7\u00e3o, se poderia permitir o aborto. Desautorizou ainda a tese de que a alma humana s\u00f3 entra na crian\u00e7a no momento em que a m\u00e3e d\u00e1 \u00e0 luz. O Papa Pio IX, em 12\/10\/1869, na Bula <i>Apostolicae Sedis<\/i>, afirmou estar, de modo autom\u00e1tico (<i>latae sententiae<\/i>) excomungado quem pratica o aborto seguindo-se o efeito. Essa senten\u00e7a permanece, no C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico em vigor, no c\u00e2non 1398.<\/p>\n<p>V\u00ea-se que a Igreja, mesmo em tempos controversos, <i>sempre<\/i> foi contra o aborto (cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. <i>Declara\u00e7\u00e3o sobre o aborto provocado<\/i>, n. 7, 1974).<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No s\u00e9culo I, j\u00e1 se l\u00ea, na Didach\u00e9 (Doutrina dos Ap\u00f3stolos): \u201cN\u00e3o matar\u00e1s crian\u00e7a por aborto nem crian\u00e7a j\u00e1 nascida\u201d H\u00e1 quem afirme que a Igreja Cat\u00f3lica permitiu o aborto entre os s\u00e9culos IV e XIX. Tal afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da ignor\u00e2ncia ou da maldade de quem a divulga, conforme veremos. 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