{"id":42385,"date":"2018-07-23T09:35:47","date_gmt":"2018-07-23T12:35:47","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=42385"},"modified":"2018-07-23T09:48:54","modified_gmt":"2018-07-23T12:48:54","slug":"alma-e-coracao-peregrinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/alma-e-coracao-peregrinos\/","title":{"rendered":"Alma e cora\u00e7\u00e3o peregrinos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias em que o cora\u00e7\u00e3o da gente anseia pela quietude de um sono reparador. H\u00e1 dias em que a alma suspira pelo sil\u00eancio do cora\u00e7\u00e3o. Assim, desejando harmonizar-se entre o murmurinho da vida e a paz da consci\u00eancia serena, cora\u00e7\u00e3o e alma se tornam um, no desejo de experimentar um pouco da plenitude, da serenidade, do sil\u00eancio, da harmonia, da paz interior que qualquer filho de Deus busca para si pr\u00f3prio. Esse \u00e9 o anseio da alma sedenta, do cora\u00e7\u00e3o cansado. Esse \u00e9 o desejo dos fortes.<\/p>\n<p>Diz a vida que nenhum vivente passa por ela sem luta, sem garra, sem a fibra dos vencedores. Nasceu, tem que lutar. Tomo como exemplo aquele jovem viajante que caminhava obcecado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua meta de viagem. Vinha com fome, sede, c\u00e2imbras e dores da exaustiva caminhada, mas vinha determinado a chegar. Passando ao largo de um casebre, observou em seu interior um homem de idade \u00e0 mesa, saboreando um delicioso e suculento prato de sopas. Seu primeiro impulso foi chegar-se at\u00e9 sua porta e lhe suplicar um pouco daquela refei\u00e7\u00e3o. Mas preferiu, por primeiro, afastar-se daquilo que lhe parecia uma tenta\u00e7\u00e3o humilhante: invejar a felicidade do outro.<\/p>\n<p>Ali estava um senhor tamb\u00e9m cansado da luta di\u00e1ria, que fazia jus ao merecido trof\u00e9u di\u00e1rio, sua bem saborosa refei\u00e7\u00e3o vespertina. Era aquele o trof\u00e9u justo e merecido de quem, como ele, soubera buscar na luta pela sobreviv\u00eancia o seu p\u00e3o di\u00e1rio e repousar logo mais o corpo cansado no leito santo do seu lar, doce lar. Tamb\u00e9m ele haveria de alcan\u00e7ar e merecer aquele momento di\u00e1fano, pois para tanto se esfor\u00e7ava. Pensou ent\u00e3o em acelerar seus passos, seguindo adiante.<\/p>\n<p>Mas o homem do interior da casa logo percebeu a proximidade do viajante ao largo. Da janela, gritou, convidando-o a chegar-se mais. Mas, resoluto que estava em atingir logo seu objetivo, hesitou. O outro insistiu no convite, oferecendo-lhe sen\u00e3o da pr\u00f3pria refei\u00e7\u00e3o, ao menos um caf\u00e9, um copo de \u00e1gua que fosse. Bem, um m\u00ednimo com gentileza, um gesto cordial, um sorriso, um descanso solid\u00e1rio nunca se rejeita. Assim, o obstinado viajante penetrou naquele aparente o\u00e1sis. E, surpresa, era uma casa de leprosos.<\/p>\n<p>Sua primeira rea\u00e7\u00e3o foi de arrependimento. Mas logo a gentileza e tranquilidade daquela fam\u00edlia afastou para longe seus temores e preconceitos. Tanto que aceitou das m\u00e3os carcomidas do velho morf\u00e9tico uma x\u00edcara de ch\u00e1 e bolachas. Deixando de lado a tardia preocupa\u00e7\u00e3o com a doen\u00e7a do outro, passou a analisar seu semblante cansado, por\u00e9m feliz, satisfeito com mais um dia de muitas tarefas realizadas. Nada mais prazeroso que partilhar um pouco de suas conquistas com algu\u00e9m ao lado, outro transeunte, mas que tamb\u00e9m labutava naquela jornada pela sobreviv\u00eancia. N\u00e3o tinha as marcas terr\u00edveis da doen\u00e7a que consumia sua carne, mas por certo tinha tamb\u00e9m grandes e inc\u00f4modas cicatrizes a corroer sua alma, seu cora\u00e7\u00e3o condo\u00eddo pela morosidade dos sonhos a alcan\u00e7ar. Juntos, o velho e o jovem, acabaram por descobrir que a luta de ambos era a mesma. Talvez o velho estivesse um pouco mais \u00e0 frente naquela jornada, mas a aventura do jovem, saud\u00e1vel, repleto de sonhos e projetos ambiciosos, era merecedora de id\u00eanticas esperan\u00e7as. Ao menos o prazer de dividir um pouco de sua pobreza era agora o grande motivo da alegria estampada no rosto daquele velho e inesperado anfitri\u00e3o. Marcas e cicatrizes eram seus maiores trof\u00e9us.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, do fundo daquele casebre eis que surge uma jovem bela e sorridente. Minha neta, &#8211; diz o velho \u2013 minha mais preciosa e perfeita riqueza! N\u00e3o demorou muito para o jovem viajante se deixar seduzir por aqueles olhos serenos, cheios de luz e encantamento pela vida. A tal ponto que logo concluiu ser ali o ponto de chegada da primeira grande meta de seu conturbado cora\u00e7\u00e3o peregrino. Sua alma encontrara um o\u00e1sis. E nenhuma lepra do mundo o impediria de continuar lutando, sonhando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias em que o cora\u00e7\u00e3o da gente anseia pela quietude de um sono reparador. H\u00e1 dias em que a alma suspira pelo sil\u00eancio do cora\u00e7\u00e3o. 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