{"id":42245,"date":"2018-07-16T09:05:53","date_gmt":"2018-07-16T12:05:53","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=42245"},"modified":"2018-07-17T09:09:45","modified_gmt":"2018-07-17T12:09:45","slug":"rebanho-e-alcateia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/rebanho-e-alcateia\/","title":{"rendered":"Rebanho e alcateia"},"content":{"rendered":"<p>A guerra surda que a humanidade trava pela sobreviv\u00eancia tem dois lados: o bom e o ruim. Nestes se digladiam o bem e o mal. Mais que simples status de situa\u00e7\u00f5es, constituem entidades espirituais a conduzir nossos passos. Para a vit\u00f3ria ou derrota, a alegria ou tristeza, a pr\u00e1tica da bondade ou da maldade. Nisso tudo se insere a vida humana, cuja hist\u00f3ria ser\u00e1 escrita de acordo com a op\u00e7\u00e3o individual, o livre arb\u00edtrio que nos permite escolhas certas ou erradas. Nesse fuzu\u00ea entra a religi\u00e3o destinada a separar o joio do trigo e a Igreja na ajuda de uma defini\u00e7\u00e3o sobre o melhor caminho, o embate mais apropriado. Essa \u00e9 a raz\u00e3o do cristianismo ter sido definido, em seu in\u00edcio, como O Caminho.<\/p>\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o denigre ou desmerece a a\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria de qualquer outra religi\u00e3o, desde que nesta se manifestem princ\u00edpios de Temor a Deus e respeito \u00e0 sua Verdade. S\u00e3o muitos os caminhos, muitas as ovelhas de outro aprisco, mas o pastor apela \u00e0 unidade e conduz seu rebanho a um \u00fanico redil; aquele onde o bem vence o mal. Essa \u00e9 a amplitude da f\u00e9, que vai al\u00e9m da confusa defini\u00e7\u00e3o que dela fazemos, quando afirmamos com todas as letras ser a nossa religi\u00e3o, a nossa Igreja, a verdadeira, a mais coerente, a escolhida&#8230;<\/p>\n<p>Todavia, Cristo um dia afirmou que sua vinda tinha uma finalidade prim\u00e1ria: reunir seu povo como um pastor re\u00fane seu rebanho. Colocar esse povo a salvo das alcateias do mundo, onde a voracidade fam\u00e9lica de muitos lobos est\u00e1 sempre \u00e0 espreita. Cordeiros e lobos nos d\u00e3o bem a ideia de um cen\u00e1rio de guerra. O inimigo sempre atento, mas o bom pastor idem. Por isso \u00e9 po\u00e9tica a figura desse pastor e dessas ovelhas por ele protegidas. Como tamb\u00e9m po\u00e9tica \u00e9 a imagem de um rebanho assim posto a salvo. Um rebanho obediente ao comando do pastor, que conhece a tonalidade, a suavidade de sua voz, o assobio de alerta, o grito quando necess\u00e1rio ou mesmo o sorriso de alivio ou de alegria ao salvar um dos seus. Seu cajado n\u00e3o s\u00f3 espanta o lobo, como tamb\u00e9m aponta o caminho, determina os passos do rebanho.<\/p>\n<p>Por outro lado, o inimigo n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas. N\u00e3o \u00e9 a realidade urbana, mas o simbolismo de uma alcateia de lobos constitui uma imagem de terror e amea\u00e7as constantes. O lobo, por si s\u00f3, representa perigo, destrui\u00e7\u00e3o, morte. Seus dentes afiados, seu olhar penetrante, seu olfato agu\u00e7ado, sua destreza, suas a\u00e7\u00f5es sorrateiras, seu uivar esgani\u00e7ado, tudo nele constitui elementos apavorantes para qualquer ovelha indefesa. Estas, afinal, s\u00e3o o prato preferido no card\u00e1pio de uma alcateia. Nesse meio, contraditoriamente, Jesus coloca sua Igreja, ovelha entre lobos. Se a inten\u00e7\u00e3o de Jesus era mesmo nos salvar, por que n\u00e3o nos afastou de imediato desses perigos? \u2013 voc\u00ea pode estar se perguntado agora. Retomo o in\u00edcio: porque somos livres, a escolha \u00e9 nossa, o caminho da vida ou da morte \u00e9 o indiv\u00edduo quem faz, n\u00e3o a Igreja, n\u00e3o sua religi\u00e3o, seja esta crist\u00e3 ou n\u00e3o. Mas os passos quem os d\u00e1 \u00e9 a ovelha, apreensiva com o lobo, mas segura nas m\u00e3os de seu Bom Pastor.<\/p>\n<p>Por essa e outras \u00e9 que reafirmo ser a f\u00e9 o alimento de um rebanho que confia em seu pastor. Como membros de um rebanho protegido, n\u00e3o tem porque n\u00e3o encarar desafios maiores. A alcateia dos lobos mundanos est\u00e1 a\u00ed, a nos amea\u00e7ar a todo instante, mas, diferentemente daqueles que n\u00e3o se inserem no rebanho dos privilegiados por Deus, temos a certeza de que o bem sempre vencer\u00e1 o mal. Se nos d\u00e3o inseguran\u00e7a f\u00edsica, temos a seguran\u00e7a da prote\u00e7\u00e3o divina, esta que nos garante a vit\u00f3ria final. N\u00e3o desanime! Ao nos enviar como ovelhas no meio de lobos, o Mestre crist\u00e3o quis apenas reafirmar o amor do Pai por aqueles que Ele pr\u00f3prio escolheu, pondo em prova nossa f\u00e9. Porque se constitu\u00edmos um rebanho submisso \u00e0 vontade de Deus, seja qual nossa fun\u00e7\u00e3o neste mundo, nada subsistir\u00e1 \u00e0 realidade do outro, onde um dia acamparemos no redil das bem-aventuran\u00e7as que a f\u00e9 nos promete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra surda que a humanidade trava pela sobreviv\u00eancia tem dois lados: o bom e o ruim. Nestes se digladiam o bem e o mal. Mais que simples status de situa\u00e7\u00f5es, constituem entidades espirituais a conduzir nossos passos. Para a vit\u00f3ria ou derrota, a alegria ou tristeza, a pr\u00e1tica da bondade ou da maldade. 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