{"id":42001,"date":"2018-07-03T14:15:00","date_gmt":"2018-07-03T17:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=42001"},"modified":"2018-07-03T14:15:00","modified_gmt":"2018-07-03T17:15:00","slug":"a-igreja-diante-do-mal-estar-da-sociedade-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-igreja-diante-do-mal-estar-da-sociedade-contemporanea\/","title":{"rendered":"A Igreja diante do mal-estar da sociedade contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/jornalosp.arquisp.org.br\/colunista\/ivanaldo-santos\">Ivanaldo Santos<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Sigmund Freud, em \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, popularizou a ideia de \u00a0que existe um mal-estar que povoa a mente humana, que angustia a sociedade e o indiv\u00edduo. Para ele, esse mal-estar n\u00e3o tem exatamente uma cura, mas \u00e9 fruto das tensas rela\u00e7\u00f5es entre a consci\u00eancia e o inconsciente, entre a busca pela realiza\u00e7\u00e3o pessoal e as for\u00e7as socioculturais. Nessa perspectiva, o ser humano est\u00e1 mergulhado, ao longo da hist\u00f3ria, dentro do mal-estar, que se manifestou, por exemplo, na queda do imp\u00e9rio romano, na revolu\u00e7\u00e3o francesa, nas crises econ\u00f4micas e nas duas grandes guerras mundiais do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Numa leitura crist\u00e3 da tese freudiana, pode-se afirmar que esse mal- -estar foi iniciado com a queda do ser humano do para\u00edso e vai ser conclu\u00eddo apenas no final dos tempos, quando o Reino de Deus ser\u00e1 plenificado de forma que \u201cDeus limpar\u00e1 de seus olhos toda a l\u00e1grima; e n\u00e3o haver\u00e1 mais morte, <img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/jornalosp.arquisp.org.br\/sites\/default\/files\/27_ilustracao_0.jpg\" alt=\"\" \/>nem pranto, nem clamor, nem dor; porque j\u00e1 as primeiras coisas s\u00e3o passadas\u201d (Ap 21,4).<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O mal-estar, descrito por Freud, manifestou-se com for\u00e7a nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI, marcadas por amea\u00e7as de guerras nucleares, pela nova guerra fria, por guerras comerciais, pela forma\u00e7\u00e3o de blocos ideol\u00f3gicos e econ\u00f4micos, pela crise dos refugiados, pelo crescimento do\u00a0terrorismo e dos cart\u00e9is de drogas, pelo populismo, por novas ditaduras e muito mais. O Brasil n\u00e3o fica de fora desse mal-estar. \u00c9 um pa\u00eds afetado, desde 2013, por ondas de protestos populares nas ruas, por crises pol\u00edticas e institucionais, pelo impeachment de uma presidente da Rep\u00fablica e, nos \u00faltimos dias, pela greve dos caminhoneiros &#8211; que paralisou e amea\u00e7ou levar o Pa\u00eds ao caos. Parece que o Pa\u00eds se transformou numa esp\u00e9cie de microcosmo do mal-estar presente no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Diante do mal-estar que cresce \u2013 com ares de caos \u2013 no s\u00e9culo XXI, qual o papel da Igreja, enquanto \u201ccaminho da salva\u00e7\u00e3o\u201d (At 16,17)?<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Se levarmos em conta a tese freudiana, o mal-estar \u00e9 algo inerente \u00e0 natureza humana. O ser humano, a cada s\u00e9culo, tem uma crise, uma ang\u00fastia que, por raz\u00f5es diversas, precisa de algum tipo de encaminhamento. Mas, no s\u00e9culo XXI, de um lado, o ser humano possui armas e tecnologia suficiente para se autodestruir e destruir toda e qualquer vida na Terra e, do outro lado, a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 anunciar e ajudar a construir o \u201cnovo homem\u201d (Ef 2,15), um modelo civilizat\u00f3rio em que n\u00e3o haver\u00e1 mais o mal-estar, mas sim um ambiente de supera\u00e7\u00e3o dos conflitos, das ang\u00fastias, do sofrimento, da dor e da morte.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Diante do mal-estar presente na sociedade contempor\u00e2nea, do qual o\u00a0Brasil \u00e9 um grande exemplo, a Igreja \u00e9 tentada a tomar partido, a ser mais uma ideologia, a ser mais uma institui\u00e7\u00e3o humana a anunciar caminhos f\u00e1ceis para o ser humano. \u00c9 bom recordar que o fascismo, nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940, parecia um caminho de salva\u00e7\u00e3o f\u00e1cil para o homem.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">No mundo contempor\u00e2neo, incluindo a recente e angustiante experi\u00eancia vivida pelo Brasil, a Igreja n\u00e3o deve aceitar o r\u00f3tulo, o papel de mera institui\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, de mero palanque pol\u00edtico. A Igreja est\u00e1 a servi\u00e7o de Deus e da humanidade e n\u00e3o de partidos ou ideologias pol\u00edticas. Deve tamb\u00e9m ser caminho para \u201cdesfazer a inimizade\u201d (At 16,17) entre os seres humanos, entre as institui\u00e7\u00f5es, entre os grupos pol\u00edticos e demais organiza\u00e7\u00f5es sociais. \u00c9 preciso ter consci\u00eancia que o mal-estar, descrito por Freud, s\u00f3 ter\u00e1 fim quando uma institui\u00e7\u00e3o tiver a coragem de dizer que os seres humanos s\u00e3o filhos de Deus e que, por isso, s\u00e3o iguais e t\u00eam responsabilidades compartilhadas e integrais. O ser humano est\u00e1 destinado ao Reino de Deus, mas \u00e9 miss\u00e3o da Igreja ajudar a constru\u00ed-lo. Para isso, a Igreja precisa ser caminho de unidade, caminho de renova\u00e7\u00e3o para todos os indiv\u00edduos e todos os grupos socioculturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Jornal o S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivanaldo Santos &nbsp; Sigmund Freud, em \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, popularizou a ideia de \u00a0que existe um mal-estar que povoa a mente humana, que angustia a sociedade e o indiv\u00edduo. Para ele, esse mal-estar n\u00e3o tem exatamente uma cura, mas \u00e9 fruto das tensas rela\u00e7\u00f5es entre a consci\u00eancia e o inconsciente, entre a busca pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":42002,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-42001","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42001"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42003,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42001\/revisions\/42003"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}