{"id":41983,"date":"2018-07-02T14:42:04","date_gmt":"2018-07-02T17:42:04","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=41983"},"modified":"2018-07-02T14:42:04","modified_gmt":"2018-07-02T17:42:04","slug":"a-incredulidade-dos-nazarenos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-incredulidade-dos-nazarenos\/","title":{"rendered":"A incredulidade dos nazarenos"},"content":{"rendered":"<p>Em Nazareth Jesus ficou decepcionado com a descren\u00e7a de seus concidad\u00e3os e lhes dizia: \u201cUm profeta n\u00e3o \u00e9 desprezado sen\u00e3o em sua terra\u201d (Mc 6,1-6). Como mestre Ele j\u00e1 havia deixado li\u00e7\u00f5es magn\u00edficas, ensinando as multid\u00f5es inclusive atrav\u00e9s de significativas par\u00e1bolas. Como Deus poderoso que era, numerosas as curas que operava, mostrando-se o grande Profeta, taumaturgo onipotente, a quem os esp\u00edritos imundos obedeciam. Seus ouvintes ficavam admirados e exclamavam: \u201cUma doutrina nova ensinada com autoridade\u201d (Mc 1,27). Entretanto, indo a sua terra Ele percebeu que l\u00e1 sua miss\u00e3o n\u00e3o fora decodificada \u201ce n\u00e3o podia fazer ali nenhum milagre\u201d. Hoje, como outrora, Jesus vem a cada um, mas Ele n\u00e3o se imp\u00f5e, n\u00e3o for\u00e7a ningu\u00e9m a acat\u00e1-lo como Messias e \u00fanico salvador. Est\u00e1 escrito no Apocalipse&gt; \u201cEis que estou \u00e0 porta e bato. Se algum ouve a minha voz e abre a porta, eu entrarei e tomarei a refei\u00e7\u00e3o com ele e ele comigo! (Ap. 3,20),. Ele exige uma abertura do cora\u00e7\u00e3o, um acolhimento cordial. Ele n\u00e3o observa em cada pessoa\u00a0 o seu cora\u00e7\u00e3o. Se este est\u00e1 disposto a receb\u00ea-lo se d\u00e1 o que ocorreu um dia com Zaqueu: \u201choje a salva\u00e7\u00e3o chegou a esta casa\u201d.(Lc 19,9). Em Nazar\u00e9 muitas portas se fecharam para Jesus \u00c9 o que ocorre com quem n\u00e3o cr\u00ea na reden\u00e7\u00e3o de Deus, na sua ternura, na sua miseric\u00f3rdia, no seu amor. Ficam, como os nazarenos, fechados na sua incredulidade. Somente aos que o acolhem escutam o que foi dito a S\u00e3o Paulo: \u201cBasta-te a minha gra\u00e7a, pois \u00e9 justamente na fraqueza que a for\u00e7a da gra\u00e7a mostra sua pot\u00eancia\u201d (2 Cor 12,9). Na exist\u00eancia do crist\u00e3o surge muitas vezes o conflito entre a vis\u00e3o da f\u00e9 e a vida cotidiana; entre o desejo de Deus e o peso dos h\u00e1bitos; entre a liberdade oferecida por Cristo e o apego \u00e0s coisas materiais; entre o que Jesus ensina e o que se faz, se diz e se pensa. Trata-se de uma tens\u00e3o que tantas vezes atordoa o fiel, mas este pode reagir com sucesso por entre as tarefas de cada hora. \u00c9 no cerne de nossas obriga\u00e7\u00f5es que cumpre louvar e servir a Deus, guardando sempre um tempo para Ele a quem se deve consagrar tudo que se faz. Assim como Jesus foi a Nazar\u00e9, ele vem a cada cora\u00e7\u00e3o e deixa o apelo de nossa conformidade com a vontade divina, com tudo o que Ele ensinou. \u00c9 em sua vida concreta que o crist\u00e3o precisa reconhecer Cristo num ato de profundo amor. Eis porque \u00e9 t\u00e3o importante viver na presen\u00e7a de Deus. Jesus far\u00e1 ent\u00e3o que cres\u00e7a o entusiasmo pelo progresso espiritual na certeza de que \u00a0podemos am\u00e1-lo onde estivermos, tais como somos, com todas as nossas energias apesar de todas as mis\u00e9rias do corpo de da alma. Isto numa luta perseverante porque os sentimentos humanos s\u00e3o muito flutuantes. Os habitantes de Nazar\u00e9 pensavam que conheciam Jesus, mas, de fato, n\u00e3o o reconheciam somente como o carpinteiro, um concidad\u00e3o como outro qualquer. No entanto Ele j\u00e1 se apresentava num contexto muito maior, contexto anunciado pelos profetas. Por isto, ele foi embora de Nazar\u00e9 sem a\u00ed fazer grandes coisas. Continuou em outros lugares sua miss\u00e3o no encontro com \u00a0pessoas que nele creriam e por Ele seriam salvas. Num outro horizonte um encontro maravilhoso para multid\u00f5es que apinhoariam em seu derredor e proclamariam que Ele era o Filho de Deus. Em Nazar\u00e9 sua mensagem estava bloqueada. Esta situa\u00e7\u00e3o de incompreens\u00e3o ou de n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o do Evangelho seria vivida por muitos atrav\u00e9s dos tempos. Muitos que diante das afli\u00e7\u00f5es, dos problemas na fam\u00edlia, no trabalho, na sociedade em geral haveriam de desprez\u00e1-lo. Jesus foi a Nazareth e foi recusado. Isto serve de alerta, pois bem se expressou Santo Agostinho: \u201cTemo a Jesus que passa e pode n\u00e3o voltar\u201d. Cumpre que sempre percebamos Jesus passando \u00e0s portas de nosso cora\u00e7\u00e3o que s\u00f3 se abre por dentro, dado que Ele respeita a liberdade de cada um. Cristo n\u00e3o arromba a porta, mas bate suavemente. Pede acolhida e quer um di\u00e1logo amigo, salvador, mas exige muita sinceridade da parte de cada um. Ele deseja que tenhamos sempre a disposi\u00e7\u00e3o e a maleabilidade \u00e0 gra\u00e7a de sua presen\u00e7a. A Deus que vem at\u00e9 n\u00f3s \u00e9 preciso dizer com Davi: \u201cFazei-nos ver, Senhor, teu amor e dai-nos vossa salva\u00e7\u00e3o\u201d (Sl 84,8). Segundo o salmista, \u201co que Ele diz \u00e9 a paz para seu povo e seus fi\u00e9is e que eles n\u00e3o voltem nunca a sua loucura\u201d (Idem, v 9).\u201d.\u00a0N\u00e3o se pode, realmente, nunca deixar passar a hora de Deus que continuamente distribui suas mensagens salv\u00edficas. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio realizar grandes coisas para que Jesus nos convide a estar com Ele. \u00c9 preciso saber captar suas inspira\u00e7\u00f5es e segui-las com f\u00e9 e prontid\u00e3o. O importante \u00e9 saber acolher sua miseric\u00f3rdia infinita com alegria e perseveran\u00e7a. Ofere\u00e7amos a Ele nossa disposi\u00e7\u00e3o de progredir sempre mais espiritualmente e ele fortificar\u00e1 o nosso esp\u00edrito, solidificar\u00e1 nossas resolu\u00e7\u00f5es e nos cumular\u00e1 de gra\u00e7as maravilhosas que n\u00e3o lhe foi poss\u00edvel dar aos habitantes de Nazar\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Nazareth Jesus ficou decepcionado com a descren\u00e7a de seus concidad\u00e3os e lhes dizia: \u201cUm profeta n\u00e3o \u00e9 desprezado sen\u00e3o em sua terra\u201d (Mc 6,1-6). Como mestre Ele j\u00e1 havia deixado li\u00e7\u00f5es magn\u00edficas, ensinando as multid\u00f5es inclusive atrav\u00e9s de significativas par\u00e1bolas. 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