{"id":4185,"date":"2014-02-10T12:27:29","date_gmt":"2014-02-10T14:27:29","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-que-a-igreja-se-opoe-a-pratica-das-barrigas-de-aluguel\/"},"modified":"2017-04-04T13:26:00","modified_gmt":"2017-04-04T16:26:00","slug":"por-que-a-igreja-se-opoe-a-pratica-das-barrigas-de-aluguel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-que-a-igreja-se-opoe-a-pratica-das-barrigas-de-aluguel\/","title":{"rendered":"Por que a Igreja se op\u00f5e \u00e0 pr\u00e1tica das barrigas de aluguel?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/barriga de aluguel.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>As coisas t\u00eam um pre\u00e7o, mas o ser humano tem uma dignidade: o corpo da mulher n\u00e3o \u00e9 uma ferramenta de produ\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7a as raz\u00f5es pelas quais a Igreja se op\u00f5e \u00e0 pr\u00e1tica das barrigas de aluguel:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. A Igreja se preocupa com o sofrimento das mulheres afetadas pela esterilidade, mas se op\u00f5e \u00e0 descriminaliza\u00e7\u00e3o das barrigas de aluguel em nome do respeito \u00e0 dignidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja recorda que a inten\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e excelente de dar vida a um filho n\u00e3o confere um \u201cdireito\u201d ao filho, que permitiria que os pais exigissem do Estado qualquer meio para chegar a este objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim n\u00e3o justifica os meios, reafirma a Igreja, protegendo um dos maiores princ\u00edpios da vida moral pessoal e coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para promover o respeito \u00e0 dignidade humana neste tema, ela se apoia em numerosos argumentos racionais dirigidos \u00e0 m\u00e3e e ao filho, como se apresentam a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. A pr\u00e1tica da barriga de aluguel se baseia na instrumentaliza\u00e7\u00e3o do corpo da mulher, transformando-o em ferramenta de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 barriga de aluguel, a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da pessoa \u00e9 manifesta. O contrato tem, de fato, a inten\u00e7\u00e3o de proporcionar um \u201cempr\u00e9stimo\u201d do \u00fatero, em troca de remunera\u00e7\u00e3o ou compensa\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher que se entrega a isso, conferindo um direito patrimonial sobre o seu corpo, incompat\u00edvel com a dignidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocando seu corpo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos que o requerem, a m\u00e3e de aluguel produz um filho por meio do seu instrumento de trabalho, o \u00fatero, o que leva a uma confus\u00e3o entre gravidez e simples fabrica\u00e7\u00e3o de mercadoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a prostitui\u00e7\u00e3o separa a sexualidade da vida \u00edntima para transform\u00e1-la em servi\u00e7o dispon\u00edvel no mercado, o uso de uma mulher como gestante separa a maternidade da vida pessoal e privada para transform\u00e1-la em trabalho e servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. A pr\u00e1tica da barriga de aluguel contradiz o princ\u00edpio de indisponibilidade do corpo humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns podem argumentar que a m\u00e3e de aluguel \u00e9 volunt\u00e1ria e perfeitamente consciente do que faz. Mas a pr\u00e1tica da barriga de aluguel contradiz o princ\u00edpio de indisponibilidade do corpo \u2013 componente, ele mesmo, da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o corpo se identifica com a pessoa, deve se beneficiar desta indisponibilidade. Este princ\u00edpio tem uma virtude essencial: preserva-nos da mercantiliza\u00e7\u00e3o do corpo humano. Isso permite evitar que os mais pobres sejam tentados a abdicar da sua dignidade vendendo o \u00fanico que t\u00eam: seu corpo. De fato, voc\u00ea j\u00e1 viu mulheres ricas emprestando seu \u00fatero a mulheres pobres?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. A pr\u00e1tica da barriga de aluguel trata o filho como se fosse uma coisa da qual podemos nos apropriar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a barriga de aluguel instrumentaliza a mulher, transformando-a em uma ferramenta viva, tamb\u00e9m implica em uma coisifica\u00e7\u00e3o do filho, que ofende sua dignidade. De fato, a m\u00e3e de aluguel se compromete a ceder o filho colocando um ato de disposi\u00e7\u00e3o relativo a uma pessoa. A isso segue uma coisifica\u00e7\u00e3o do filho, tratado n\u00e3o como um sujeito de direito, mas como um objeto de cr\u00e9dito ou como algo devido, em raz\u00e3o de um contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato de renunciar a um filho e entrega-lo em troca de uma retribui\u00e7\u00e3o o coloca no mundo das coisas apropri\u00e1veis e dispon\u00edveis, ao contr\u00e1rio da pessoa, radicalmente indispon\u00edvel. As coisas t\u00eam um pre\u00e7o, o ser humano tem uma dignidade: esta \u00e9 uma das leis da nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reduzindo o filho a algo comercial, \u00e9 l\u00f3gico que se questione a qualidade do produto negociado no contrato. O que aconteceria se o filho n\u00e3o respondesse ao desejo dos que o encomendaram, se nascesse com alguma defici\u00eancia ou m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o? Para evitar esta possibilidade, geralmente se prop\u00f5e uma cl\u00e1usula de ruptura de contrato, exigindo da mulher que exer\u00e7a seu \u201cdever de abortar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. A pr\u00e1tica da barriga de aluguel destr\u00f3i a delicada rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre m\u00e3e e filho ao longo da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando sensato responder, a qualquer pre\u00e7o, aos desejos dos adultos, a pr\u00e1tica da barriga de aluguel fere uma crian\u00e7a que n\u00e3o tem pre\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e de aluguel se compromete a abandon\u00e1-lo no nascimento, depois dos nove meses de gravidez. Coloca-se, portanto, obrigatoriamente (n\u00e3o faz\u00ea-lo seria s\u00f3 um mecanismo de defesa), em situa\u00e7\u00e3o de abandono psicol\u00f3gico desse filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas poder\u00e1 ser assim realmente quando ela sentir o filho mexendo-se em seu interior? Como acreditar que o ato dessas mulheres estar\u00e1 isento de complexidades neurol\u00f3gicas potencialmente patol\u00f3gicas para elas, para seus pr\u00f3prios filhos e para aquele a quem ela abandona?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. A pr\u00e1tica da barriga de aluguel n\u00e3o \u00e9 uma modalidade de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais que adotam socorrem uma crian\u00e7a que j\u00e1 existe e \u00e9 \u00f3rf\u00e3 dos seus pais naturais. A magn\u00edfica escolha da paternidade e maternidade adotivas n\u00e3o se encontra na origem da crian\u00e7a, n\u00e3o causa sua exist\u00eancia, n\u00e3o fabrica o beb\u00ea. Esta \u00e9 a grande diferen\u00e7a. Os pais adotivos se situam em uma l\u00f3gica de acolhimento de uma crian\u00e7a j\u00e1 nascida; abrem seus bra\u00e7os e seu lar a essa crian\u00e7a de passado doloroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda para satisfazer um capricho, mas recebida do outro, ou seja, dos seus pais desaparecidos. Os pais adotivos entram, assim, em uma din\u00e2mica de participa\u00e7\u00e3o em uma hist\u00f3ria, em um des\u00edgnio que os supera e do qual n\u00e3o s\u00e3o os primeiros respons\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas podem sofrer por n\u00e3o ter filhos e a ado\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Mas sempre haver\u00e1 crian\u00e7as a quem amar, sustentar, acompanhar, inclusive sem v\u00ednculo de parentesco gen\u00e9tico. Mas sem possess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a fecundidade \u2013 exigente, mas fonte de alegria \u2013 que a Igreja mostra sempre que oferece seu discernimento em mat\u00e9ria de assist\u00eancia m\u00e9dica \u00e0 procria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte:<\/strong> Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As coisas t\u00eam um pre\u00e7o, mas o ser humano tem uma dignidade: o corpo da mulher n\u00e3o \u00e9 uma ferramenta de produ\u00e7\u00e3o \u00a0 Conhe\u00e7a as raz\u00f5es pelas quais a Igreja se op\u00f5e \u00e0 pr\u00e1tica das barrigas de aluguel: \u00a0 1. 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