{"id":41610,"date":"2018-06-18T08:54:10","date_gmt":"2018-06-18T11:54:10","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=41610"},"modified":"2018-06-18T08:55:42","modified_gmt":"2018-06-18T11:55:42","slug":"a-escolha-que-fazemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-escolha-que-fazemos\/","title":{"rendered":"A escolha que fazemos"},"content":{"rendered":"<p>Uma cena corriqueira do passado me salta aos olhos agora: mam\u00e3e, num canto de mesa, escolhendo pacientemente as sementes de arroz ou feij\u00e3o antes de lev\u00e1-las ao fogo. \u00c0s vezes, tamb\u00e9m eu me arriscava nessa tarefa. Mas a supervis\u00e3o do trabalho competia a ela. Escolher as sementes apropriadas ao consumo da fam\u00edlia era um ritual di\u00e1rio, quase sagrado!<\/p>\n<p>Cresci e fui obrigado a fazer minhas pr\u00f3prias escolhas. E longe da supervis\u00e3o maternal. Aos poucos, aprendi que uma vida saud\u00e1vel depende das escolhas que fazemos. Ou, como nos ensina a Palavra: depende da separa\u00e7\u00e3o criteriosa do joio no meio do trigo. Isso n\u00f3s somos obrigados a fazer diuturnamente, se quisermos crescer numa vida saud\u00e1vel, eliminando tudo de nocivo para nosso consumo, alimentando-nos sempre com o que de melhor a natureza nos preparou. \u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. \u201cO estomago recebe toda a esp\u00e9cie de alimentos, mas entre os alimentos um \u00e9 melhor do que o outro\u201d (Ecle 36,20). A vida nos oferece todo tipo de prazeres, mas, dentre eles s\u00f3 aquele purificado pelo amor \u00e9 apropriado.<\/p>\n<p>N\u00e3o fiquemos apenas com o arroz e o feij\u00e3o, o trivial. Dentre as escolhas que fazemos, muitas s\u00e3o quest\u00f5es de vida ou morte. Requerem presen\u00e7a de esp\u00edrito e a gra\u00e7a do discernimento. Tudo que constr\u00f3i nossa exist\u00eancia, tanto no plano biol\u00f3gico quanto no plano espiritual, depende das escolhas que fizermos. Assim como a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, drogas e v\u00edcios deixam suas marcas no tecido f\u00edsico, limitando a sa\u00fade e trazendo precocemente a morte, assim tamb\u00e9m nossa alma estar\u00e1 sujeita aos crit\u00e9rios que usamos para preservar sua vitalidade. \u201cMeu filho, experimenta tua alma durante tua vida&#8230; Nunca sejas guloso em banquete algum, n\u00e3o te lances sobre tudo o que se serve\u201d (Ecle 37,30;32).\u00a0 O bom senso dita as regras e a consci\u00eancia aponta sempre o melhor proceder, a melhor escolha.<\/p>\n<p>Alimentamo-nos das nossas escolhas. Se boa ou ruim, as consequ\u00eancias vir\u00e3o. Por isso a idade adulta nos d\u00e1 sempre a responsabilidade de arcar com o peso de nossas decis\u00f5es. Nunca atribu\u00ed-las a outros. Assumir uma responsabilidade \u00e9 tomar para si tamb\u00e9m eventuais fracassos e n\u00e3o apenas os louros de uma conquista, uma vit\u00f3ria sem derrotados, sem vencidos. Toda vit\u00f3ria est\u00e1 associada a uma derrota. Toda conquista a um fracasso anterior. Essa \u00e9 a lei da natureza, da vida, pois venc\u00ea-la exige o esfor\u00e7o da supera\u00e7\u00e3o e superar nada mais \u00e9 do que ultrapassar, galgar, deixar pra tr\u00e1s, olhar em frente, n\u00e3o perder a meta, o rumo, o ideal&#8230; Uma vida sem ideal n\u00e3o \u00e9 vida. Quem assim conduz sua exist\u00eancia n\u00e3o chega a lugar algum, est\u00e1 morto e esqueceram de velar. Porque, mesmo a morte exige uma escolha nossa: plenitude ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio da sabedoria humana \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o desses dois caminhos. Por isso a f\u00e9, nossa cren\u00e7a na possibilidade de escolha, nas op\u00e7\u00f5es entre o bem e o mal, o certo e o errado, o que \u00e9 saud\u00e1vel para o corpo e o que corr\u00f3i nossa alma, isso tudo \u00e9 a grande riqueza da vida crist\u00e3. Isso tudo nos ensina a m\u00e3e-Igreja, a paciente servi\u00e7al que alimenta nossa f\u00e9 diariamente, que nos prepara um banquete, que nos ensina a fazer escolhas. Nunca se envergonhe desse direito que temos de escolher nossos pr\u00f3prios caminhos. Outros n\u00e3o o far\u00e3o por n\u00f3s. Mas, nas decis\u00f5es que tomamos, uma verdade permanece na vida dos que ainda acreditam em Deus: \u201cN\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi primeiro\u201d.\u00a0 Dessa verdade nasce o conforto para nossas mais radicais decis\u00f5es e a certeza de um caminho certo. Ainda bem que \u00e9 assim. Porque a pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular, a principal na obra de Deus&#8230; O que era imprest\u00e1vel aos olhos humanos, para Deus era o que de mais precioso tinha a nos oferecer: seu Filho, sua Vida. E muitos construtores da sabedoria humana ainda o rejeitam!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cena corriqueira do passado me salta aos olhos agora: mam\u00e3e, num canto de mesa, escolhendo pacientemente as sementes de arroz ou feij\u00e3o antes de lev\u00e1-las ao fogo. \u00c0s vezes, tamb\u00e9m eu me arriscava nessa tarefa. Mas a supervis\u00e3o do trabalho competia a ela. 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