{"id":41598,"date":"2018-06-15T14:51:42","date_gmt":"2018-06-15T17:51:42","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=41598"},"modified":"2018-06-15T14:51:42","modified_gmt":"2018-06-15T17:51:42","slug":"caminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-internacional-de-migracoes-e-refugio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/caminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-internacional-de-migracoes-e-refugio\/","title":{"rendered":"Caminhos para a cultura do encontro s\u00e3o sinalizados no Semin\u00e1rio Internacional de Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSou neto de um homem que nasceu na China, sua m\u00e3e vi\u00fava, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de cri\u00e1-lo, deu a um tio comerciante que vivia nas Filipinas. O menino migrou e come\u00e7ou uma nova vida, casou-se e teve nove filhos, a terceira \u00e9 a minha m\u00e3e. Eu tamb\u00e9m carrego o DNA de migrantes em meu sangue. Estou seguro que voc\u00ea tamb\u00e9m\u201d, enfatizou emocionado o cardeal Luis Antonio Tagle, de Manila, Filipinas e presidente da C\u00e1ritas Internacional, ao participar do Semin\u00e1rio Internacional de Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio, com o tema: \u201cCaminhos para a cultura do encontro\u201d, entre os dias 12 a 14 de junho de 2018, em Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n<p>Participaram do Semin\u00e1rio migrantes e refugiados que vivem no Brasil, representando cerca 50 pa\u00edses, agentes C\u00e1ritas, Igrejas Crist\u00e3s, denomina\u00e7\u00f5es religiosas, agentes de pastoral, ag\u00eancias de coopera\u00e7\u00e3o e governos, num total de 200 pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_195445\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-195445 size-medium\" src=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-300x199.jpg\" srcset=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-768x509.jpg 768w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-1024x678.jpg 1024w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Semin\u00e1rio Internacional de Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio realizado entre os dias 12 a 14 de junho de 2018, em Bras\u00edlia (DF). Cr\u00e9dito:\u00a0Francielle Oliveira<\/p>\n<\/div>\n<p>O presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha participou da mesa de abertura do semin\u00e1rio. O secret\u00e1rio-geral da entidade,\u00a0dom Leonardo Ulrich Steiner<strong>, <\/strong>participou da coletiva de imprensa e ressaltou a import\u00e2ncia das comunidades, fam\u00edlias e crist\u00e3os colocarem-se numa atitude de abertura para acolher os migrantes e refugiados que chegam ao Brasil. \u201cQuase todos n\u00f3s somos descendentes de imigrantes, quase todos n\u00f3s somos descendentes daqueles que chegaram e tiveram de come\u00e7ar do zero, tiveram de lutar, quantos pereceram\u2026 Somos dessa descend\u00eancia. Somos todos irm\u00e3os em Cristo e queremos acolher todos\u201d, refor\u00e7ou dom Leonardo que tamb\u00e9m lembrou de sua ancestralidade alem\u00e3.<\/p>\n<p>Mayra Alejandra Figura de Ortiz, venezuelana que vive no Brasil desde 2014, j\u00e1 conseguiu o visto permanente no pa\u00eds. \u00a0Emocionada contou que a f\u00e9 em Deus e o esp\u00edrito de solidariedade a fortalecem. Mayra trabalha como volunt\u00e1ria na Pastoral do Migrante em Boa Vista (RR) ajudando seus compatriotas que chegam aos milhares no estado de Roraima. \u201cA f\u00e9 em Deus nos faz confiar, a ter esperan\u00e7a! Por isso, eu tamb\u00e9m ajudo outras pessoas, porque sei que necessitam de uma palavra de \u00e2nimo e incentivo. \u00c0s vezes precisam somente de um cafezinho, um p\u00e3o, um leite\u201d, relatou Mayra. Ela recorda que diversas vezes deu a \u00faltima comida que tinha na geladeira, com a confian\u00e7a que algu\u00e9m ofereceria alguma coisa no dia seguinte \u00e0 sua fam\u00edlia. Mayra vibra, o filho mais velho conseguiu trabalho numa mercearia, recebe R$ 600 reais por m\u00eas, \u00fanica renda fixa mensal da fam\u00edlia. Com esse valor conseguem pagar o aluguel e sobra R$ 200 reais para as demais despesas da fam\u00edlia. O esposo chegou h\u00e1 seis meses ao Brasil, ainda est\u00e1 desempregado.<\/p>\n<p>A diversidade cultural e religiosa dos v\u00e1rios pa\u00edses representados pelos migrantes e refugiados, no Semin\u00e1rio, tamb\u00e9m foram tema de debate e partilhas. O cardeal Tagle destacou que \u00e9 preciso crescer na intelig\u00eancia cultural e inter-religiosa, assunto pouco dialogado na Igreja, segundo o cardeal. \u201cA cultura \u00e9 como uma segunda natureza. Agimos de acordo com a nossa cultura que \u00e9 uma forma de a gente se expressar. Se eu n\u00e3o entender a cultura da outra pessoa, o mist\u00e9rio dela, vou come\u00e7ar a agir de modo suspeito, vou ter medo dela\u201d, refor\u00e7ou dom Tagle, que ainda disse que reza e espera que nas comunidades de f\u00e9 as pessoas desenvolvam o interesse por estudar a aprender das diversas culturas que os migrantes trazem para assim construir pontes e n\u00e3o muros que promovem separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comunidade de Ganeses de Crici\u00fama (SC), Salihu Larry, partilhou que uma das maiores dificuldades que encontrou ao chegar no Brasil, foi o preconceito religioso e com as express\u00f5es culturais de seu pais, Gana, \u00c1frica Ocidental. \u201cN\u00f3s somos seres humanos, cada um de n\u00f3s tem direito de pertencer a religi\u00e3o que escolher. Eu sou isl\u00e2mico, a forma de expressar e viver a minha f\u00e9 n\u00e3o pode ser uma barreira que separa a gente. Temos de nos unir como fam\u00edlia humana. A verdade \u00e9 essa: temos de tratar uns aos outros como seres humanos\u201d, enfatizou.<\/p>\n<div id=\"attachment_195444\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-195444 size-medium\" src=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto3-300x127.jpeg\" srcset=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto3-300x127.jpeg 300w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto3-768x325.jpeg 768w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto3-1024x434.jpeg 1024w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto3.jpeg 1279w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"127\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Participantes\u00a0Semin\u00e1rio Internacional de Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio. Cr\u00e9dito: Francielle Oliveira<\/p>\n<\/div>\n<p>No decorrer do Semin\u00e1rio os temas abordados para fortalecer a cultura do encontro permearam desde os direitos humanos; dialogo com organismos internacionais e governos; a quest\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o brasileira para o migrante e refugiado; o protagonismo e empoderamento dos migrantes e refugiados; as pr\u00e1ticas bem sucedidas de acolhida e integra\u00e7\u00e3o no Brasil; a vulnerabilidade de crian\u00e7as, adolescentes e jovens migrantes; a intoler\u00e2ncia que gera viol\u00eancia e xenofobia; a crise humanit\u00e1ria no mundo e as pr\u00e1ticas de solidariedade da humanidade, todas essas discuss\u00f5es, permeadas com diversidade cultural,\u00a0 manifestou-se nas m\u00fasicas, comidas, o colorido das roupas, sobretudo, nos di\u00e1logos e pontes estabelecidas a partir das conviv\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos tratar a migra\u00e7\u00e3o pensando aos sujeitos, n\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias e aos medos de alguns ou as irresponsabilidades administrativas de outros. A chegada dessas pessoas mexe. Mexe porque s\u00e3o diferentes. Mexe porque tem outro modo de conceber a vida, de tratar os problemas, de cuidar dos valores, de tratar a fam\u00edlia, de cultivar a amizades, de se virar na hora da prova. Essas pessoas que chegam enriquecem, n\u00e3o s\u00f3 porque trazem uma riqueza, mas porque ativam processos, obrigam a gente a perceber que outros est\u00e3o em necessidades. Obrigam a gente perceber que a comunidade n\u00e3o \u00e9 nivelamento, todo mundo igual, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. Ajuda a perceber que o Brasil tamb\u00e9m tem diferen\u00e7as, sobretudo sociais e raciais que s\u00e3o feridas abertas. Mas tamb\u00e9m outras diferen\u00e7as, e tendo que nos abrir e relacionar com o migrante a gente acaba ficando aberto e tratando com mais miseric\u00f3rdia, mas sabedoria, mais flexibilidade mental e de cora\u00e7\u00e3o, de recursos e de portas mais abertas com as outras pessoas que representam exclus\u00e3o e forma de alteridade na comunidade. Ent\u00e3o nesse sentido os migrantes s\u00e3o oportunidades. Nos tiram de nosso pedestal de na\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica nos obrigando a perceber que Deus fala com outros tamb\u00e9m, de outras formas, prescindindo da gente\u201d, lembrou Carmem Lussi, assessora do Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios (CSEM).<\/p>\n<p><strong>Rede de Comunica\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Brasileira<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSou neto de um homem que nasceu na China, sua m\u00e3e vi\u00fava, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de cri\u00e1-lo, deu a um tio comerciante que vivia nas Filipinas. O menino migrou e come\u00e7ou uma nova vida, casou-se e teve nove filhos, a terceira \u00e9 a minha m\u00e3e. Eu tamb\u00e9m carrego o DNA de migrantes em meu sangue. 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