{"id":4156,"date":"2014-02-04T11:55:47","date_gmt":"2014-02-04T13:55:47","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-bispo-e-os-padres\/"},"modified":"2017-04-04T13:56:25","modified_gmt":"2017-04-04T16:56:25","slug":"o-bispo-e-os-padres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-bispo-e-os-padres\/","title":{"rendered":"O Bispo e os Padres"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em; white-space: pre;\"> <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">Estamos vivendo o 23\u00ba Curso para os Bispos aqui no Rio de Janeiro. Um dos temas \u00e9 sobre o Bispo e os Presb\u00edteros. Os temas fazem parte das comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos do Conc\u00edlio Vaticano II. Este Curso de Atualiza\u00e7\u00e3o Teol\u00f3gica para os Senhores Bispos, na Casa de Retiros do Sumar\u00e9, foi iniciado por D. Eug\u00eanio Araujo Sales h\u00e1 24 anos. Como fruto da reflex\u00e3o destes dias e mesmo em prepara\u00e7\u00e3o a eles, aproveito o ensejo para uma medita\u00e7\u00e3o \u201cp\u00fablica\u201d do assunto, revendo alguns documentos do magist\u00e9rio. Creio que esse relacionamento deve ser pautado pela m\u00fatua confian\u00e7a e renovado empenho de anunciar o Evangelho neste momento hist\u00f3rico e em todos os seguimentos da sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>O Bispo Diocesano preside o Presbit\u00e9rio. O presbit\u00e9rio deve estar unido ao seu Bispo e n\u00e3o deve agir sem a presid\u00eancia do seu pastor pr\u00f3prio. Por isso, &#8220;os presb\u00edteros diocesanos s\u00e3o, de fato, os principais e insubstitu\u00edveis colaboradores da ordem episcopal, investidos do \u00fanico e id\u00eantico sacerd\u00f3cio ministerial de que o Bispo possui a plenitude. O Bispo associa-os \u00e0 sua solicitude e responsabilidade, de forma que cultivem sempre o sentido da Diocese, fomentando ao mesmo tempo o sentido universal da Igreja&#8221; (cf. AS 75 \u2013 Documento da Congrega\u00e7\u00e3o para os Bispos \u2013 \u201cApostolorum Successores \u2013 Diret\u00f3rio para o minist\u00e9rio Pastoral dos Bispos)).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>O Bispo, pai da fam\u00edlia presbiteral, por meio do qual o Senhor Jesus Cristo, Supremo Pont\u00edfice, est\u00e1 presente no meio dos batizados, sabe que \u00e9 seu dever dirigir o seu amor e a sua solicitude particular para os sacerdotes e os candidatos ao sagrado minist\u00e9rio. O Bispo deve ajudar os seus sacerdotes, a quem deve ter apre\u00e7o, ouvir as suas dificuldades e velar para que o seu presb\u00edtero exer\u00e7a o seu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>&#8220;As rela\u00e7\u00f5es entre o Bispo e o presbit\u00e9rio devem inspirar-se e alimentar-se da caridade e de uma vis\u00e3o de f\u00e9, de modo que os pr\u00f3prios v\u00ednculos jur\u00eddicos, que derivam da constitui\u00e7\u00e3o divina da Igreja, surjam como a consequ\u00eancia natural da comunh\u00e3o espiritual de cada qual com Deus (cf. Jo13, 35). Desta forma, ser\u00e1, tamb\u00e9m, mais frutuoso o trabalho apost\u00f3lico dos sacerdotes, uma vez que a uni\u00e3o de vontades e de inten\u00e7\u00f5es com o Bispo aprofunda a uni\u00e3o com Cristo, o qual continua o seu minist\u00e9rio de chefe invis\u00edvel da Igreja por meio da Hierarquia vis\u00edvel&#8221; (cf. AS 76).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>O Bispo Diocesano deve conhecer os seus sacerdotes pessoalmente, sua hist\u00f3ria de vida, a sua fam\u00edlia. Por isso, o Bispo, ao confiar um of\u00edcio eclesi\u00e1stico ao seu sacerdote, dever\u00e1 levar em considera\u00e7\u00e3o entre outras coisas: &#8220;no car\u00e1ter e nas atitudes e aspira\u00e7\u00f5es, o seu n\u00edvel de vida espiritual, o zelo e os ideais, o estado de sa\u00fade e as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, as suas fam\u00edlias e tudo o que lhes diga respeito&#8221; (cf. AS 76).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>O Bispo Diocesano, antes de tudo, \u00e9 o pai do seu padre. Deve lhe dar respeito, carinho, ouvir pacientemente e considerar a trajet\u00f3ria do pr\u00f3prio sacerdote, colocando-o em um trabalho pastoral, administrativo, curial, jur\u00eddico, formativo, educacional, levando em conta sempre as suas aptid\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>Nestes tempos turbulentos em que os sacerdotes passam por grande fadiga ou mesmo por dificuldades, o Bispo Diocesano seja o primeiro a promover e defender o minist\u00e9rio de seus padres, incentivando o sacerdote a viver o seu sacerd\u00f3cio: &#8220;O Bispo nutra e manifeste publicamente a sua estima pelos presb\u00edteros, dando mostras de confian\u00e7a e louvando-os se o merecerem; respeite e fa\u00e7a respeitar os seus direitos e defenda-os de cr\u00edticas infundadas; resolva prontamente as controv\u00e9rsias para evitar que as inquieta\u00e7\u00f5es prolongadas possam ofuscar a caridade fraterna e lesar o minist\u00e9rio pastoral&#8221; (cf. AS 77).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>A atividade presbiteral visa o bem das almas, as necessidades da Igreja Particular e a dignidade humana e sacerdotal, por isso &#8220;ao conferir encargos, o Bispo julgar\u00e1 com equidade a capacidade de cada um e n\u00e3o sobrecarregar\u00e1 ningu\u00e9m com tarefas que, pelo seu n\u00famero ou import\u00e2ncia, possam ultrapassar as possibilidades individuais e at\u00e9 lesar a sua vida interior&#8221; (cf. AS 78).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>&#8220;\u00c9, pois, oportuno que o Bispo favore\u00e7a, quanto for poss\u00edvel, a vida em comum dos presb\u00edteros, que corresponde \u00e0 forma colegial do minist\u00e9rio sacramental e retoma a tradi\u00e7\u00e3o da vida apost\u00f3lica para uma maior fecundidade do minist\u00e9rio. Os ministros sentir-se-\u00e3o apoiados no seu compromisso sacerdotal e no generoso exerc\u00edcio do minist\u00e9rio. Este aspecto tem uma especial aplica\u00e7\u00e3o no caso dos que est\u00e3o empenhados numa mesma atividade pastoral&#8221; (cf. AS 79).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es do Bispo Diocesano deve ser as necessidades humanas dos presb\u00edteros: &#8220;Aos presb\u00edteros n\u00e3o deve faltar o que seja condizente com um n\u00edvel de vida decoroso e digno, devendo os fi\u00e9is da Diocese estar cientes de que lhes cabe o dever de apoiar tal necessidade&#8221; (cf. AS 80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>Em tempos de secularismo, \u00e9 muito importante que o Bispo tenha consci\u00eancia de que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;a) \u00c9 necess\u00e1rio evitar a solid\u00e3o e o isolamento dos sacerdotes, sobretudo se forem jovens e exercerem o minist\u00e9rio em localidades pequenas e pouco povoadas. Para resolver as eventuais dificuldades, convir\u00e1 procurar a ajuda de um sacerdote zeloso e entendido, bem como favorecer frequentes contatos com os outros irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio, inclusive atrav\u00e9s de poss\u00edveis modalidades de vida em comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Importa dar aten\u00e7\u00e3o ao perigo do h\u00e1bito e do cansa\u00e7o que os anos de trabalho ou as dificuldades inerentes ao minist\u00e9rio possam causar. Consoante as possibilidades da Diocese, o Bispo estudar\u00e1, caso a caso, a forma de recupera\u00e7\u00e3o espiritual, intelectual e f\u00edsica, que ajude a retomar o minist\u00e9rio com renovada energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Empenhe-se o Bispo com paternal afeto em rela\u00e7\u00e3o aos sacerdotes que por cansa\u00e7o ou por doen\u00e7a se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de fraqueza ou fadiga moral, destinando-os a atividades que sejam mais convidativas e f\u00e1ceis no seu estado, agindo de forma a evitar o isolamento em que possam encontrar-se e, enfim, acompanhando-os com compreens\u00e3o e paci\u00eancia para que se sintam humanamente \u00fateis e descubram a efic\u00e1cia sobrenatural \u2013 pela uni\u00e3o com a Cruz de Nosso Senhor \u2013 da sua condi\u00e7\u00e3o presente\u201d. (Cf. AS 81).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>Cabe ao Bispo velar para que o sacerdote viva o seu celibato como obla\u00e7\u00e3o total a Deus e \u00e0 Igreja.<span style=\"white-space: pre;\"> <\/span> O Bispo n\u00e3o se descuide da forma\u00e7\u00e3o permanente do seu presbit\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>Na missa de segunda-feira, dia 27 de janeiro deste ano, o Papa Francisco, na sua homilia, na Capela Santa Marta, recordou: \u201cOs bispos n\u00e3o s\u00e3o eleitos apenas para levar avante uma organiza\u00e7\u00e3o que se chama Igreja particular; s\u00e3o ungidos, eles t\u00eam a un\u00e7\u00e3o e o Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 com eles. Mas todos os bispos, todos n\u00f3s somos pecadores, todos! Mas somos ungidos. Mas todos n\u00f3s queremos ser mais santos a cada dia, mais fi\u00e9is a esta un\u00e7\u00e3o. E o que faz a Igreja realmente, e o que d\u00e1 unidade \u00e0 Igreja \u00e9 a pessoa do bispo, em nome de Jesus Cristo, porque ele \u00e9 ungido, n\u00e3o porque ele foi eleito pela maioria. Porque \u00e9 ungido. \u00c9 nesta un\u00e7\u00e3o que uma Igreja Particular tem a sua for\u00e7a. E por participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os sacerdotes s\u00e3o ungidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>A un\u00e7\u00e3o \u2013 continuou o Papa \u2013 aproxima os bispos e os sacerdotes ao Senhor, e d\u00e1 a eles a alegria e a for\u00e7a \u201cpara levar para frente um povo, a viver ao servi\u00e7o de um povo\u201d. Doa a alegria de sentirem-se \u201cescolhidos pelo Senhor, seguidos pelo Senhor, como aquele amor com que o Senhor olha para n\u00f3s, para todos n\u00f3s\u201d. Assim, \u201cquando pensamos nos bispos e sacerdotes, devemos pens\u00e1-los assim: ungidos\u201d. \u201cAo contr\u00e1rio, n\u00e3o se entende a Igreja, mas n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o a entendemos como n\u00e3o se consegue explicar como a Igreja vai avante somente com as for\u00e7as humanas. Esta diocese vai avante porque tem um povo santo, tantas coisas, e tamb\u00e9m um ungido que a conduz, que a ajuda a crescer. Esta par\u00f3quia vai para frente porque h\u00e1 muitas organiza\u00e7\u00f5es, tantas coisas, mas tamb\u00e9m tem um sacerdote, um ungido que a leva para frente. E n\u00f3s na hist\u00f3ria conhecemos uma m\u00ednima parte: quantos bispos santos, quantos sacerdotes, quantos padres santos que deixaram as suas vidas e dedicaram-se ao servi\u00e7o da diocese, da par\u00f3quia; quantas pessoas receberam a for\u00e7a da f\u00e9, a for\u00e7a do amor, a esperan\u00e7a desses p\u00e1rocos an\u00f4nimos, que n\u00f3s n\u00e3o conhecemos. Existem muitos deles\u201d. S\u00e3o tantos \u2013 disse o Papa Francisco \u2013, \u201cos p\u00e1rocos do interior ou da cidade, que com a sua un\u00e7\u00e3o deram for\u00e7a ao povo, transmitiram a doutrina, deram os sacramentos, isto \u00e9, a santidade\u201d: \u201cMas, padre, eu li em um jornal que um bispo fez tal coisa, ou que um padre fez tal coisa. Oh sim, tamb\u00e9m eu li, mas, me diga, os jornais d\u00e3o tamb\u00e9m not\u00edcias daquilo que fazem tantos sacerdotes, tantos padres em muitas par\u00f3quias da cidade ou do interior, que fazem tanta caridade, tanto trabalho para levar avante o seu povo? Isso, n\u00e3o! Isso n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia. \u00c9 sempre assim: faz mais barulho uma \u00e1rvore que cai, do que uma floresta que cresce. Hoje, pensando na un\u00e7\u00e3o de Davi, nos faz bem pensar em nossos bispos e nos nossos sacerdotes corajosos, santos, bons, fi\u00e9is, e rezar por eles. Gra\u00e7as a eles hoje n\u00f3s estamos aqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>O Bispo Diocesano n\u00e3o governa a sua Diocese sozinho. Ele o faz em comunh\u00e3o com o seu presbit\u00e9rio. No di\u00e1logo das v\u00e1rias inst\u00e2ncias diocesanas, desde o Col\u00e9gio Episcopal, com os seus Bispos Auxiliares, o Col\u00e9gio dos Consultores e o Conselho Presbiteral, o Bispo vai amadurecendo o seu modo de agir como aquele que, em nome de Cristo Cabe\u00e7a, guia a Igreja Particular como aut\u00eantica esposa de Cristo. O Bispo \u00e9 o que mais deve ouvir. \u00c9 o primeiro a ser o ponto de &#8220;converg\u00eancia&#8221;, de supera\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"white-space: pre;\"> <\/span>Al\u00e9m de colaboradores da ordem episcopal, os presb\u00edteros s\u00e3o o rosto da Igreja, aqueles ungidos que, indo ao encontro da &#8220;Ecclesia&#8221;, vivem o an\u00fancio universal do Reino de Deus: &#8220;Convers\u00e3o pastoral&#8221; e testemunho de Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos vivendo o 23\u00ba Curso para os Bispos aqui no Rio de Janeiro. Um dos temas \u00e9 sobre o Bispo e os Presb\u00edteros. Os temas fazem parte das comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos do Conc\u00edlio Vaticano II. Este Curso de Atualiza\u00e7\u00e3o Teol\u00f3gica para os Senhores Bispos, na Casa de Retiros do Sumar\u00e9, foi iniciado por D. 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