{"id":4151,"date":"2014-02-03T17:37:09","date_gmt":"2014-02-03T19:37:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sal-da-terra-luz-do-mundo\/"},"modified":"2017-04-04T14:01:08","modified_gmt":"2017-04-04T17:01:08","slug":"sal-da-terra-luz-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sal-da-terra-luz-do-mundo\/","title":{"rendered":"Sal da terra, luz do mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de se notar que Jesus se dirigiu aos seus disc\u00edpulos n\u00e3o dando uma ordem \u201csede sal da terra [&#8230;] sede luz do mundo\u201d, mas afirmando \u201cV\u00f3s sois o sal da terra [&#8230;] V\u00f3s sois a luz do mundo\u201d (Mt 5, 13 e ss). Tais palavras devem ter desconcertado pobres pescadores e demais ouvintes que O cercavam. Entretanto, a veracidade de tais assertivas, com toda a densidade da realidade que continham, vem da rela\u00e7\u00e3o com Ele que era a verdadeira Luz do mundo. S\u00e3o Jo\u00e3o registrou estas palavras do Mestre divino: \u201cAquele que me segue n\u00e3o caminhar\u00e1 nas trevas e ter\u00e1 a luz que conduz \u00e0 vida\u201d (cap. 8). Adite-se que no pr\u00f3logo do Evangelho joanino se l\u00ea: \u201cNele (o Verbo Encarnado) estava a vida. A vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas n\u00e3o a receberam\u201d (Jo 1,1). N\u00e3o se trata da vida terrena, que conduz \u00e0 morte, mas da vida mesma de Deus, da vida eterna. A vida \u00e9 luz, isto \u00e9, plenitude de luminosidade em contraste com as trevas do mundo. Mundo este submetido \u00e0 vaidade e privado de sentido quando deixa de refletir a presen\u00e7a de Deus. Tal a miss\u00e3o do disc\u00edpulo de Cristo ser luz nas trevas desta terra, porque est\u00e1 sempre unido \u00e0quele que \u00e9 o fulgor eterno. Atrav\u00e9s das boas obras do crist\u00e3o o mundo fica iluminado, envolto em clar\u00f5es celestiais. Ent\u00e3o o Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us \u00e9 glorificado. Entretanto, Jesus acrescentou que seu ep\u00edgono \u00e9 sal da terra. O contrate entre as duas imagens \u00e9 muit\u00edssimo significativa. Com efeito, quando se acende uma l\u00e2mpada, ela n\u00e3o \u00e9 colocada debaixo de um m\u00f3vel, mas num candeeiro, posto no alto. O sal, ao contr\u00e1rio, \u00e9 escondido na terra ou misturado nos alimentos. Isto leva a refletir sobre a complexidade do testemunho dos disc\u00edpulos de Cristo no mundo. De fato, Jesus tamb\u00e9m recomendou: \u201cGuardai-vos de praticar vossa justi\u00e7a aos olhos dos homens [&#8230;] Que tua esmola fique secreta\u201d (Mt 6,1 e ss). Portanto, o batizado dever ser luz brilhante e sal que se oculta atrav\u00e9s da humildade pela qual age discretamente, mas eficientemente no contexto social. Luz e sal duas realidades que fazem a originalidade do crist\u00e3o. Que responsabilidade a daquele que se diz seguidor de Cristo! Dele depende o reconhecimento da grandeza do Evangelho. Se o crist\u00e3o \u00e9 luz e sal da terra e emprega todas as estrat\u00e9gias poss\u00edveis oferecidas pelas diversas pastorais ent\u00e3o, sim, a obra redentora se difunde por toda parte. Trata-se de se afirmar a identidade n\u00e3o somente crist\u00e3, mas cat\u00f3lica, ostentando claramente a grandeza de uma Igreja que oferece os sete sacramentos; que leva \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do Sacrif\u00edcio da Cruz atrav\u00e9s da Missa, que cultua a M\u00e3e de Jesus, os anjos e santos; que possui um magist\u00e9rio guiado pelo Papa, sucessor de Pedro. Eis\u00a0 valores que devem ser vividos e disseminados. Para isto n\u00e3o precisam os cat\u00f3licos\u00a0 confundir a miss\u00e3o da Igreja com um proselitismo imoderado e conden\u00e1vel. Muito se falou no testemunho de vida e \u00e9, exatamente, isto que \u00e9 preciso seja novamente inculcado. Al\u00e9m disto, \u00e9 necess\u00e1rio se tenha em conta de que neste mundo h\u00e1 germens de vida e de luz que s\u00e3o reflexos da luz de Cristo. H\u00e1 por toda parte sede de justi\u00e7a, de liberdade, de democracia, de paz. Cabe ao crist\u00e3o liderar os movimentos humanit\u00e1rios na luta contra a fome, as desigualdades sociais, a pugna contra a droga, a prostitui\u00e7\u00e3o, o aborto, a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. Ent\u00e3o, um outro fator, que torna o batizado luz do mundo e sal da terra, \u00e9 a viv\u00eancia plena das oito bem-aventuran\u00e7as, mesmo porque h\u00e1 uma maneira singular de chorar com os que choram; de consolar os que est\u00e3o desesperan\u00e7ados; de perdoar em todas as circunst\u00e2ncias; de ser um construtor da harmonia, da comisera\u00e7\u00e3o, afastando a viol\u00eancia; de n\u00e3o se procurar o pr\u00f3prio interesse, mas de se estar atento \u00e0s dificuldades dos mais necessitados. D\u00e1-se desta forma a realiza\u00e7\u00e3o concreta das met\u00e1foras luz do mundo e sal da terra. Deste modo, o crist\u00e3o transcende sempre uma \u00e9tica meramente humana, porque sua moral se acha impregnada do senso do divino. \u00c9 que para o verdadeiro disc\u00edpulo de Cristo a f\u00e9 n\u00e3o atrofia nunca. O crist\u00e3o compreende que ser luz do mundo e sal da terra \u00e9 estar sempre junto de Jesus, sabendo encontr\u00e1-lo numa prece silenciosa,\u00a0 na medita\u00e7\u00e3o da palavra de Deus. A chama se torna um clar\u00e3o, o sal retem toda sua for\u00e7a salv\u00edfica. \u00c9 assim que se faz a experi\u00eancia da Igreja, Corpo M\u00edstico de Cristo, contagiando a todos com a for\u00e7a das virtudes, levando-os \u00e0 pratica do bem, \u00e0 fuga do mal. Ficam, assim, afastadas a indiferen\u00e7a, a acomoda\u00e7\u00e3o, a indol\u00eancia, pois se multiplicam as a\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas daqueles que s\u00e3o luz do mundo e sal da terra.<\/p>\n<p> * Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 de se notar que Jesus se dirigiu aos seus disc\u00edpulos n\u00e3o dando uma ordem \u201csede sal da terra [&#8230;] sede luz do mundo\u201d, mas afirmando \u201cV\u00f3s sois o sal da terra [&#8230;] V\u00f3s sois a luz do mundo\u201d (Mt 5, 13 e ss). 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