{"id":41478,"date":"2018-06-12T13:55:26","date_gmt":"2018-06-12T16:55:26","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=41478"},"modified":"2018-06-12T13:59:41","modified_gmt":"2018-06-12T16:59:41","slug":"do-sacerdocio-leigo-ao-simples-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/do-sacerdocio-leigo-ao-simples-emprego\/","title":{"rendered":"Do sacerd\u00f3cio leigo ao simples emprego"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/jornalosp.arquisp.org.br\/colunista\/francisco-borba-ribeiro-neto\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-38570 alignleft\" src=\"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/borba-1.jpg\" alt=\"\" width=\"115\" height=\"115\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/jornalosp.arquisp.org.br\/colunista\/francisco-borba-ribeiro-neto\">Francisco Borba Ribeiro Neto<\/a><\/p>\n<p>A recente reforma trabalhista, quer seja boa, quer seja m\u00e1, abriu brechas perigosas no reconhecimento dos direitos de alguns profissionais, entre os quais os professores. \u00c9 um problema social grave, pois essa categoria enfrenta m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, num setor vital, no qual o desempenho do Pa\u00eds tem sido muito fraco.<\/p>\n<p>A recente paralisa\u00e7\u00e3o dos professores da rede particular, pleiteando a manuten\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas, h\u00e1 muito reconhecidos e que agora est\u00e3o em risco, n\u00e3o \u00e9 apenas a defesa corporativa de uma categoria. \u00c9 uma luta pela qualidade da forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es e pelo futuro do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Contudo, minha m\u00e3e, docente do ciclo fundamental, dizia que professores podiam protestar, mas n\u00e3o deviam fazer greve, porque as crian\u00e7as n\u00e3o eram culpadas dos erros dos adultos e n\u00e3o podiam ter sua forma\u00e7\u00e3o comprometida. Na Faculdade de Ci\u00eancias Sociais, no per\u00edodo da ditadura, um dos professores mais engajados e coerentes nos chocou dizendo que oper\u00e1rios e trabalhadores do setor produtivo faziam greve, mas professores e estudantes, quando queriam mudar o mundo, ensinavam e estudavam mais ainda.<\/p>\n<p>Vinham de uma \u00e9poca na qual a doc\u00eancia era vista como sacerd\u00f3cio leigo. Para minha m\u00e3e, como um culto crist\u00e3o do amor aos pequenos. Para meu professor, como um culto iluminista de emancipa\u00e7\u00e3o pelo saber.<\/p>\n<p>Numa sociedade cada vez mais mercantilista e individualista, os professores \u201cse conscientizaram\u201d que esse sacerd\u00f3cio era uma ilus\u00e3o da ideologia capitalista. Somos \u2013 por que eu tamb\u00e9m sou um professor de hoje \u2013 apenas trabalhadores assalariados, que t\u00eam de lutar por seus direitos contra os desmandos do mercado capitalista.<\/p>\n<p>Na verdade, trata-se das duas dimens\u00f5es do trabalho \u00e0s quais aludia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II na Laborem exercens . Em sua dimens\u00e3o subjetiva, o magist\u00e9rio \u00e9 uma daquelas profiss\u00f5es que exigem tal carga de doa\u00e7\u00e3o pessoal que n\u00e3o podem ser vistas sen\u00e3o como sacerd\u00f3cio. Na objetiva, \u00e9 uma atividade assalariada como todas as demais, num mundo onde predominam o lucro e a explora\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>O drama dos professores reside, na atualidade, na enorme contradi\u00e7\u00e3o entre essas duas dimens\u00f5es. Nossa dignidade pessoal passa pela dimens\u00e3o subjetiva, mas tamb\u00e9m pelo reconhecimento objetivo, que se concretiza em sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Os docentes que mant\u00eam esse valor subjetivo do magist\u00e9rio (que s\u00e3o a maioria), quando convocados para paralisa\u00e7\u00f5es e greves, ficam divididos entre esse senso de dever e a necessidade de ter suas reivindica\u00e7\u00f5es ouvidas e atendidas.<\/p>\n<p>Um problema adicional: a educa\u00e7\u00e3o dos menores \u00e9 um servi\u00e7o essencial at\u00e9 porque os pais que trabalham n\u00e3o t\u00eam onde deixar seus filhos durante as paralisa\u00e7\u00f5es. E as paralisa\u00e7\u00f5es em servi\u00e7os essenciais tendem a criar mais hostilidade do que empatia com as categorias paradas.<\/p>\n<p>O equil\u00edbrio entre todos esses fatores \u00e9 o desafio que se coloca \u00e0s lideran\u00e7as dos movimentos docentes. A hist\u00f3ria recente traz exemplos tanto de sucesso quanto de fracasso na busca desse equil\u00edbrio e, em consequ\u00eancia, no \u00eaxito do movimento.<\/p>\n<p>Para os cat\u00f3licos, \u00e9 um desafio e uma oportunidade. Sendo tanto empregados quanto empregadores, s\u00e3o chamados a encontrar as formas adequadas de conciliar essas duas dimens\u00f5es do trabalho docente, enfrentando com criatividade os desafios do mercado e da conjuntura.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 boa educa\u00e7\u00e3o sem bons professores. A sociedade precisa encampar as justas reivindica\u00e7\u00f5es dos professores e fortalecer os movimentos e organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3-educa\u00e7\u00e3o que v\u00eam crescendo no Brasil.<\/p>\n<p>Em ano eleitoral, n\u00e3o custa perguntar: voc\u00ea vai votar em candidatos que, de fato, apoiar\u00e3o os professores e a melhoria da educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: jornal O S\u00c3O PAULO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Borba Ribeiro Neto A recente reforma trabalhista, quer seja boa, quer seja m\u00e1, abriu brechas perigosas no reconhecimento dos direitos de alguns profissionais, entre os quais os professores. \u00c9 um problema social grave, pois essa categoria enfrenta m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, num setor vital, no qual o desempenho do Pa\u00eds tem sido muito fraco. 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