{"id":41351,"date":"2018-06-08T10:58:04","date_gmt":"2018-06-08T13:58:04","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=41351"},"modified":"2018-06-08T10:58:04","modified_gmt":"2018-06-08T13:58:04","slug":"seminario-internacional-da-caritas-brasileira-reflete-sobre-o-fluxo-migratorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/seminario-internacional-da-caritas-brasileira-reflete-sobre-o-fluxo-migratorio\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio Internacional da C\u00e1ritas Brasileira reflete sobre o fluxo migrat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>\u201cHoje eu, muito longe de casa, abra\u00e7o outra cultura. Vivo, me movimento, como, bebo: Tudo \u00e9 diferente. Amanh\u00e3 voc\u00ea pode abra\u00e7ar outra cultura, por decis\u00e3o pr\u00f3pria ou por falta de escolha. Ent\u00e3o voc\u00ea ir\u00e1 viver, se movimentar, comer, beber: Tudo vai ser diferente. Somos todos estrangeiros. Hoje eu, ontem outro, amanh\u00e3 voc\u00ea, talvez: Cidad\u00e3os deste mundo\u201d, este poema de Sandra Santos, brasileira que vive na Alemanha, lembra a hist\u00f3ria de Myria Tokmaji que vive no Brasil desde 2013. Ela diz que quando come\u00e7ou a guerra em seu pa\u00eds, a S\u00edria, procurou ref\u00fagio em diversos pa\u00edses, todos negaram. \u00a0Depois de viver sob a tens\u00e3o da guerra por dois anos enviou a documenta\u00e7\u00e3o ao Brasil, em duas semanas recebeu o comunicado de que a solicita\u00e7\u00e3o fora aceita e que ela poderia partir.\u00a0 Myria ressalta que o Brasil acolhe os refugiados, contudo n\u00e3o facilita a documenta\u00e7\u00e3o para que possam viver e trabalhar.<\/p>\n<p>A jovem Myria \u00e9 umas das participantes do Semin\u00e1rio Internacional sobre Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio, com o tema: \u201cCaminhos para a cultura do encontro\u201d, promovido pela C\u00e1ritas Brasileira, que ser\u00e1 realizado entre os dias 12 a 14 de junho de 2018, em Bras\u00edlia (DF). \u201c\u00c9 uma honra estar com voc\u00eas e falar, colocar mais luz \u00e0s coisas que precisam ser reveladas sobre as dificuldades que todos os refugiados passam desde a sa\u00edda de seus pa\u00edses at\u00e9 recome\u00e7ar uma nova vida no Brasil e tentar integrar \u00e0 nova sociedade\u201d, revela Myria.<\/p>\n<div id=\"attachment_195085\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-195085 size-medium\" src=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-300x200.jpeg\" srcset=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-300x200.jpeg 300w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-768x513.jpeg 768w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2-1024x684.jpeg 1024w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto2.jpeg 1280w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Migrantes venezuelanos em Roraima. Cr\u00e9dito: Marcelo Mora\/Amaz\u00f4nia Real<\/p>\n<\/div>\n<p>Participam do Semin\u00e1rio migrantes e refugiados que vivem no Brasil, representando cerca 50 pa\u00edses, o arcebispo de Manila, Filipinas, e presidente da C\u00e1ritas Internacional, cardeal Luis Antonio Tagle, agentes C\u00e1ritas, Igrejas Crist\u00e3s, denomina\u00e7\u00f5es religiosas, agentes de pastoral, ag\u00eancias de coopera\u00e7\u00e3o e governos, no total de 200 pessoas.<\/p>\n<p>S\u00e3o parceiros na promo\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio: Setor Pastoral da Mobilidade Humana da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (SMH-CNBB), o Servi\u00e7o Jesu\u00edta a Migrantes e Refugiados (SJMR), o Servi\u00e7o Pastoral dos Migrantes (SPM), o Instituto de Migra\u00e7\u00f5es e Direitos Humanos (IMDH), o Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios (CSEM) e a Miss\u00e3o Paz.<\/p>\n<p>A proposta do Semin\u00e1rio \u00e9 escutar os migrantes e refugiados, refletir sobre o fen\u00f4meno dos fluxos migrat\u00f3rios: ref\u00fagio, hospitalidade, integra\u00e7\u00e3o, quest\u00f5es jur\u00eddicas e experi\u00eancias em projetos de redes das organiza\u00e7\u00f5es das Igrejas Crist\u00e3s e denomina\u00e7\u00f5es religiosas, sociedade civil e governo que trabalham com a realidade migrat\u00f3ria no Brasil, na perspectiva global e local. O Congresso tamb\u00e9m se prop\u00f5e a mobilizar as for\u00e7as existentes na dire\u00e7\u00e3o do que o papa Francisco sugere como a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias na garantia dos direitos e da dignidade das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o e ref\u00fagio: acolher, proteger, promover e integrar.<\/p>\n<p><strong>Redes de apoio <\/strong><\/p>\n<p>\u201cEstamos cientes de que n\u00e3o basta abrir os nossos cora\u00e7\u00f5es ao sofrimento dos outros. H\u00e1 muito que fazer antes de os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e benefic\u00eancia, uma aten\u00e7\u00e3o vigilante e abrangente\u201d, disse o papa Francisco na Mensagem para a Celebra\u00e7\u00e3o do 51\u00ba Dia Mundial da Paz.<\/p>\n<p>Para o arcebispo da arquidiocese de Aracaju e presidente da C\u00e1ritas Brasileira, dom Jo\u00e3o Jos\u00e9 da Costa, o Semin\u00e1rio \u00e9 um \u201cmomento important\u00edssimo para que convoquemos a sociedade brasileira, mas tamb\u00e9m internacional para que olhemos para essa realidade grav\u00edssima que atravessa tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s refugiados e imigrantes que vivem momentos dolorosos. E nossa C\u00e1ritas Brasileira, muito sens\u00edvel a esta realidade quer trazer para o centro de nossas aten\u00e7\u00f5es, essa discuss\u00e3o\u201d, afirma. Dom Jo\u00e3o enfatiza que acolher \u00e9 sempre uma a\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3pria da vida crist\u00e3.\u00a0 \u201cVamos nos somar! Cada vez mais nos comprometendo com Jesus presente na pessoa de cada irm\u00e3o que precisa de nosso apoio, do nosso aconchego, da nossa presen\u00e7a. Manifestemos esse nosso amor para com todos, n\u00e3o podemos cair na indiferen\u00e7a. \u00c9 preciso que nos aproximemos de cada um, expressando o amor misericordioso de Deus que acolhe a todos\u201d, convoca o arcebispo.<\/p>\n<p>A assessora nacional da C\u00e1ritas Brasileira, Cristina dos Anjos, contextualiza a ocasi\u00e3o em que o Semin\u00e1rio se realiza: \u201cToda sociedade brasileira acompanha a crise humanit\u00e1ria\u00a0 na Venezuela e os impactos da mesma nas pessoas venezuelanas que aqui chegam. Nesse sentido, estamos em um momento que \u00e9 important\u00edssimo reunir todas as for\u00e7as sociais e pol\u00edticas para dialogar sobre as experi\u00eancias e desafios do Brasil no acolhimento \u00e0s pessoas migrantes e refugiadas, e ao mesmo tempo, animar, mobilizar a sociedade brasileira para abrir portas e cora\u00e7\u00f5es para as pessoas que aqui chegam em busca de\u00a0 oportunidades para reconstru\u00edrem suas vidas\u201d, salienta .<\/p>\n<p>Para a diretora do IMDH, Irm\u00e3 Rosita Milesi, o Semin\u00e1rio Internacional de Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio \u201c\u00e9 uma oportunidade para em conjunto com tantas outras entidades, refletir nossa miss\u00e3o, aprofundar a tem\u00e1tica da mobilidade humana, tra\u00e7ar e assumir com novo ardor e em conjunto, a\u00e7\u00f5es de acolhida e integra\u00e7\u00e3o, bem como ser voz de den\u00fancia prof\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s omiss\u00f5es ou lacunas que n\u00e3o podem ser ignoradas\u201d.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Marlene Wildner, diretora do CSEM, tamb\u00e9m lembra que o Semin\u00e1rio se insere no \u00e2mbito da Campanha <em>Compartilhe a Viagem<\/em> \u2013 em que a C\u00e1ritas Internacional ap\u00f3s olhar \u00e0s principais feridas da humanidade hoje, escolheu a tem\u00e1tica dos imigrantes e refugiados \u2013 \u201cO Semin\u00e1rio Internacional \u00e9 uma oportunidade para criar consci\u00eancia sobre o fen\u00f4meno, convidar e despertar o povo brasileiro para a acolhida e solidariedade e, um espa\u00e7o de reflex\u00e3o e escuta da situa\u00e7\u00e3o dos migrantes e refugiados\u201d, ressalta Marlene. \u00a0Segundo a diretora, o CSEM acredita que o Semin\u00e1rio pode ser uma oportunidade para propor \u00e0 sociedade brasileira, em particular, formas e alternativas positivas que ajudam a aperfei\u00e7oar os recursos que os migrantes e refugiados trazem para o desenvolvimento e o crescimento do Brasil superando atitudes de xenofobia e descrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes e refugiados.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o da Comunidade Ganesa de Crici\u00fama (SC), Salihu Larry, que chegou em 2013 de Gana ao Brasil, destaca o Semin\u00e1rio como um lugar estrat\u00e9gico para a articula\u00e7\u00e3o entre as pessoas. \u201cEsse Semin\u00e1rio \u00e9 muito importante porque vai dar uma bela oportunidade para interagimos e aprofundarmos nossas compreens\u00f5es sobre migra\u00e7\u00e3o internacional e os desafios de viver em um pa\u00eds fora de casa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fen\u00f4meno das migra\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_195083\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-195083 size-medium\" src=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto1-300x200.jpg\" srcset=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto1-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/foto1-1024x683.jpg 1024w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Migrantes e refugiados de diversas parte do mundo com o papa Francisco. Cr\u00e9dito: C\u00e1rtias Internacional<\/p>\n<\/div>\n<p>Como fen\u00f4meno, a migra\u00e7\u00e3o internacional sempre foi uma realidade na hist\u00f3ria da humanidade. Na perspectiva socioecon\u00f4mica, no Brasil podemos destacar a migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada dos milhares de negros e negras trazidas da \u00c1frica para o trabalho escravo no contexto da coloniza\u00e7\u00e3o, no s\u00e9culo 16, e o per\u00edodo da imigra\u00e7\u00e3o europeia, entre 1880 e 1930, que trouxe ao Brasil mais de 5 milh\u00f5es de europeus. Na perspectiva b\u00edblico-teol\u00f3gica temos a pr\u00f3pria Fam\u00edlia de Nazar\u00e9. O evangelista s\u00e3o Mateus narra que, pouco tempo depois do nascimento de Jesus, Jos\u00e9 foi obrigado a partir de noite para o Egito levando consigo o menino e sua m\u00e3e, para fugir da persegui\u00e7\u00e3o do rei Herodes (cf.\u00a0Mt\u00a02, 13-15).<\/p>\n<p>Em n\u00fameros atuais, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, 244 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo vivem como migrantes internacionais, deste total 22.5 milh\u00f5es s\u00e3o refugiados, o que representa cerca de 8% do contingente de todos os migrantes internacionais. \u201cOs refugiados s\u00e3o pessoas que fogem do pr\u00f3prio pa\u00eds por causa de persegui\u00e7\u00e3o ou grave e generalizada viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos. N\u00e3o s\u00e3o terroristas, mas v\u00edtimas de terrorismo. N\u00e3o s\u00e3o criminosos, mas v\u00edtimas de a\u00e7\u00f5es criminosas. S\u00e3o amparados por instrumentos internacionais de prote\u00e7\u00e3o que garantem direitos fundamentais, entre os quais a n\u00e3o devolu\u00e7\u00e3o (<em>non refoulement<\/em>) ao pa\u00eds de origem\u201d, explicam os pesquisadores do Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios (CSEM), Tu\u00edla Botega e Roberto Marinucci, no recente estudo A mobilidade humana nos pa\u00edses com presen\u00e7a de Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de S\u00e3o Carlos Borromeu \u2013 Scalabrinianas.<\/p>\n<p>Outros n\u00fameros apresentados pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (ACNUR) no relat\u00f3rio Tend\u00eancias Globais (2016) nos d\u00e3o, em certa medida, o tamanho do desafio que precisa ser enfrentado por governos e sociedades locais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o migrat\u00f3ria em todo o mundo. Para cada grupo de 113 pessoas no planeta uma \u00e9 solicitante de ref\u00fagio e quatro s\u00e3o migrantes internacionais ou deslocados internos. 173 milh\u00f5es de refugiados se deslocam por causa de guerras e conflitos, o n\u00famero j\u00e1 supera, por exemplo, os deslocamentos provocados no contexto da 2\u00aa Guerra Mundial. Diante do n\u00famero total de migrantes no mundo 13% s\u00e3o latino-americanos.<\/p>\n<p><strong>Rede de Comunicadores\/as da C\u00e1ritas Brasileira, Jucelena Rocha e Osnilda Lima<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cHoje eu, muito longe de casa, abra\u00e7o outra cultura. Vivo, me movimento, como, bebo: Tudo \u00e9 diferente. Amanh\u00e3 voc\u00ea pode abra\u00e7ar outra cultura, por decis\u00e3o pr\u00f3pria ou por falta de escolha. Ent\u00e3o voc\u00ea ir\u00e1 viver, se movimentar, comer, beber: Tudo vai ser diferente. Somos todos estrangeiros. 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