{"id":4127,"date":"2014-01-31T12:00:57","date_gmt":"2014-01-31T14:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/republica-centro-africana-ninguem-vem-em-nosso-auxilio-ate-onde-teremos-que-sofrerq\/"},"modified":"2017-04-04T10:20:39","modified_gmt":"2017-04-04T13:20:39","slug":"republica-centro-africana-ninguem-vem-em-nosso-auxilio-ate-onde-teremos-que-sofrerq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/republica-centro-africana-ninguem-vem-em-nosso-auxilio-ate-onde-teremos-que-sofrerq\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica Centro Africana: \u201cNingu\u00e9m vem em nosso aux\u00edlio. At\u00e9 onde teremos que sofrer?&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/criancascomarma.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Enquanto na capital, Bangui, a situa\u00e7\u00e3o se mostra est\u00e1vel, em outras localidades o futuro est\u00e1 cada vez mais incerto. No norte do pa\u00eds, os \u00faltimos dias foram, mais uma vez, de viol\u00eancia e ataques \u00e0 miss\u00f5es cat\u00f3licas.<br \/>A alegria foi grande que levou as pessoas a dan\u00e7arem pelas ruas quando foi anunciada a not\u00edcia da ren\u00fancia do presidente interino Djotodia em 10 de janeiro. Duas semanas depois, antigos rebeldes do grupo S\u00e9l\u00e9ka se retiraram de Bouar. &#8220;Eles estavam armados at\u00e9 os dentes e partiram em comboio na dire\u00e7\u00e3o do Chade&#8221;, relata o padre Beniamino Gusmeroli. Mas a alegria inicial n\u00e3o durou muito tempo: no mesmo dia em que se retiraram de Bouar, os rebeldes entraram em Bocaranga com 31 ve\u00edculos. L\u00e1, eles atacaram a esta\u00e7\u00e3o de miss\u00e3o dos Capuchinhos, onde cerca de 2.500 refugiados se abrigavam.<br \/>&#8220;Foi um dia apocal\u00edptico &#8211; descreve o padre polaco capuchinho, Robert Wnuk &#8211; Por todo lado se podia ouvir tiros e explos\u00f5es. Haviam muitos grupos de rebeldes. Eles for\u00e7aram a entrada em todas as casas. As mulheres refugiadas estavam sentadas no ch\u00e3o com seus filhos. Os rebeldes amea\u00e7aram os sacerdotes e tamb\u00e9m dispararam contra a igreja&#8221;, relata o padre Robert. &#8220;Eles atiraram como se fossem loucos.&#8221; As balas deixaram grandes buracos nas paredes e no ch\u00e3o. 120 cartuchos gastos foram encontrados na casa. Uma mulher e um homem morreram e um dos frades foi ferido. Um m\u00e9dico foi espancado e por pouco uma bala n\u00e3o atinge sua cabe\u00e7a. Os rebeldes roubaram todos os carros e levaram dinheiro, computadores, telefones e c\u00e2meras de fotografia. Depois seguiram para o convento das irm\u00e3s, onde o mesmo cen\u00e1rio se repetiu. Ainda neste mesmo dia os rebeldes atacaram a miss\u00e3o em Ngaoundaye, onde tomaram como ref\u00e9m um frade, libertando-o mais tarde. No dia seguinte saquearam a esta\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria dos Capuchinhos em Ndim.<br \/>Padre Robert n\u00e3o p\u00f4de acreditar no que aconteceu em sua miss\u00e3o, em meio aos muitos refugiados indefesos: &#8220;Estes s\u00e3o crimes de guerra, crimes contra a humanidade! Crimes contra mulheres e crian\u00e7as indefesas! Os autores est\u00e3o agora no Chade que, embora tenha fechado suas fronteiras, evidentemente deixou os criminosos entrarem no pa\u00eds, armados e com os carros que roubaram das miss\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria.&#8221; Em seu desespero e decep\u00e7\u00e3o ele se pergunta: &#8220;As tropas de prote\u00e7\u00e3o est\u00e3o no pa\u00eds j\u00e1 a alguns meses. Mas na realidade eles est\u00e3o apenas em Bangui, na capital. Supostamente vieram para proteger a popula\u00e7\u00e3o civil. Foram muitas as vezes em que pedimos ajuda \u00e0s autoridades em Bangui e Bouar, mas sempre a mesma resposta: &#8216;Veremos o que pode ser feito. J\u00e1 fizemos uma nota da ocorr\u00eancia.&#8217; Eles d\u00e3o respostas como esta durante uma interven\u00e7\u00e3o militar? Nos pedem, no telefone, informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o, e, em seguida, ningu\u00e9m faz nada. Ningu\u00e9m! At\u00e9 onde teremos que sofrer?&#8221; <br \/>Enquanto isso, os rebeldes do S\u00e9l\u00e9ka tamb\u00e9m se retiraram de Bozoum. Pouco antes haviam incendiado 1.300 casas nas imedia\u00e7\u00f5es, fazendo 6.000 pessoas desabrigadas. No quartel do grupo S\u00e9l\u00e9ka, agora vazio, h\u00e1 frases pelas paredes, tais como: &#8220;Esta \u00e9 a lei do Inferno&#8221;, assinada por algu\u00e9m que se intitula &#8220;o Diabo Encarnado&#8221;.<br \/>&#8220;A decis\u00e3o da ONU a favor de uma interven\u00e7\u00e3o militar veio tarde demais&#8221;, critica Padre Aur\u00e9lio Gazzera, h\u00e1 vinte anos trabalhando na Rep\u00fablica Centro Africana. &#8220;O reinado de oito meses de terror pelo S\u00e9l\u00e9ka criou um clima de \u00f3dio e vingan\u00e7a que explodiu em f\u00faria louca e demon\u00edaca dirigida contra todos: contra os mu\u00e7ulmanos, muitos dos quais lucraram com o S\u00e9l\u00e9ka e que foram protegidos pelos rebeldes. Assim se vingavam do resto da popula\u00e7\u00e3o, que muitas vezes era vista pelos mu\u00e7ulmanos como c\u00famplices dos Anti-Balaka&#8221;.<br \/>O padre carmelita italiano explica que \u00e9 um erro apresentar o Anti-Balaka como &#8220;mil\u00edcia crist\u00e3&#8221;, como muitas vezes \u00e9 feito. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 muito de cristianismo neles &#8211; explica ele &#8211; Eles carregam fetiches e amuletos de prote\u00e7\u00e3o e est\u00e3o cheios de raiva depois de suportar longos meses de assaltos e viol\u00eancia. Uma explos\u00e3o de loucura tem acontecido. H\u00e1 execu\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, as pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o deixadas para tr\u00e1s, e assim por diante. Precisamos de uma forte presen\u00e7a militar em toda a regi\u00e3o para parar com tantas mortes!&#8221; O mission\u00e1rio, que conduz as negocia\u00e7\u00f5es de paz com todos os grupos da popula\u00e7\u00e3o em Bozoum, relata que as conversas s\u00e3o tensas e dif\u00edceis pelo fato de que muitos adeptos do Anti-Balaka consomem bebidas alco\u00f3licas em demasia e, assim, tornam-se imprevis\u00edveis. Em muitos lugares a Igreja tamb\u00e9m protege os mu\u00e7ulmanos que vivem com medo de vingan\u00e7a. Assim, por exemplo, o Padre Aur\u00e9lio fornece \u00e1gua pot\u00e1vel e arroz \u00e0s suas pr\u00f3prias custas aos refugiados mu\u00e7ulmanos e tenta impedir um novo massacre entre os anti-Balaka e mu\u00e7ulmanos, pensando, sobretudo, na prote\u00e7\u00e3o das mulheres e crian\u00e7as. <br \/>Durante a retirada do S\u00e9l\u00e9ka, Padre Aur\u00e9lio quase foi morto quando v\u00e1rios mu\u00e7ulmanos, indignados, atacaram com pedras e armas. Um rebelde S\u00e9l\u00e9ka e um outro mu\u00e7ulmano lhe protegeram e lhe salvaram a vida. Nisto, na cidade de Bozoum, os rumores foram se espalhando de que o sacerdote estava morto. Quando, pela noite, chegou em sua miss\u00e3o com seu carro destro\u00e7ado, as pessoas choraram de alegria. &#8220;Eles estendiam suas roupas na frente do meu carro e me receberam como se eu fosse o Messias. Foi inacredit\u00e1vel. Rezamos uma Ave Maria em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as &#8211; tamb\u00e9m por aqueles que cometem o mal.&#8221;<br \/>Muito mais ora\u00e7\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rias para aqueles que cometem o mal. Em Bossempt\u00e9l\u00e9, onde esta semana 80 pessoas foram mortas e o S\u00e9l\u00e9ka ainda saqueou o hospital dos Padres Camilianos, os anti-Balaka agora exigem dinheiro das freiras carmelitas. As irm\u00e3s foram informadas de que se n\u00e3o pagarem no prazo de dois dias, ent\u00e3o dever\u00e3o entregar os civis mu\u00e7ulmanos, inocentes, que t\u00eam procurado ref\u00fagio na miss\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, os membros do Anti-Balaka v\u00e3o invadir as instala\u00e7\u00f5es do convento e matar todos os mu\u00e7ulmanos. <br \/>A viol\u00eancia \u00e9 uma espiral cada vez mais r\u00e1pida. E tamb\u00e9m um desastre humanit\u00e1rio porque a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds est\u00e1 resultando em mais e mais crian\u00e7as desnutridas. E ainda assim h\u00e1 momentos de esperan\u00e7a: &#8220;Em Bozoum as crian\u00e7as est\u00e3o agora em condi\u00e7\u00f5es de voltar para a escola&#8221;, diz feliz o padre Aur\u00e9lio. E h\u00e1 tamb\u00e9m pequenos milagres: Um catequista tinha fixado um ros\u00e1rio como sendo a fechadura da sua porta. Os rebeldes n\u00e3o se atreveram a quebrar a porta. Mas o maior milagre \u00e9 a coragem com que, dia a dia, padres e religiosos cat\u00f3licos colocam suas pr\u00f3prias vidas em risco contra um turbilh\u00e3o de viol\u00eancia. Eles tentam salvar o que pode ser salvo. &#8220;Agora tenho de voltar para os refugiados, Tchau&#8221;, diz o padre Beniamino Gusmeroli. Para os mission\u00e1rios, o servir e a coragem s\u00e3o coisas do dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Local: S\u00e3o Paulo (SP)<br \/>Fonte: AIS (Ajuda Igreja que Sofre)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto na capital, Bangui, a situa\u00e7\u00e3o se mostra est\u00e1vel, em outras localidades o futuro est\u00e1 cada vez mais incerto. 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