{"id":41257,"date":"2018-06-05T09:42:20","date_gmt":"2018-06-05T12:42:20","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=41257"},"modified":"2018-06-05T09:42:20","modified_gmt":"2018-06-05T12:42:20","slug":"a-virtude-do-desapego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-virtude-do-desapego\/","title":{"rendered":"A virtude do desapego"},"content":{"rendered":"<p>Aa virtude do desapego \u00e9 de suma import\u00e2ncia na vida do crist\u00e3o. Ela se op\u00f5e \u00e0 avareza. Possuir as coisas \u00e9 leg\u00edtimo, pois s\u00e3o dons de Deus para a pr\u00f3pria subsist\u00eancia e ajuda ao pr\u00f3ximo. O dinheiro e tudo mais que se possua devem servir e n\u00e3o serem servidos. S\u00e3o instrumentos e n\u00e3o os senhores. O mau uso dos bens \u00e9 que se transforma num mal. A reta administra\u00e7\u00e3o de tudo que Deus concede \u00e9 louv\u00e1vel, mas a cupidez \u00e9 um pecado condenado por Cristo. Este disse claramente: \u201cN\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d (Mt 6,24). S\u00e3o Paulo ent\u00e3o declarou claramente que \u201ca avareza \u00e9 uma idolatria\u201d (Col 3,5). Quem pratica a virtude do desapego n\u00e3o \u00e9 insens\u00edvel aos males alheios e procura san\u00e1-los dentro de suas possiblidades, sobretudo auxiliando as Obras Sociais da Igreja que socorrem com discernimento aos mais necessitados, n\u00e3o sendo tamb\u00e9m omisso na ajuda ao pr\u00f3ximo mais pr\u00f3ximo que s\u00e3o os que vivem sob o mesmo teto. Quem vive em fun\u00e7\u00e3o do dinheiro est\u00e1 sempre inquieto e isto pode levar a grandes pecados condenados pelo s\u00e9timo mandamento da Lei de Deus. Este n\u00e3o admite nenhum dano ao pr\u00f3ximo, por menor que seja este preju\u00edzo, bem como condena um trabalho mal feito, infringindo o contrato estabelecido e o n\u00e3o pagamento do sal\u00e1rio justo aos funcion\u00e1rios e oper\u00e1rios. N\u00e3o se pode, igualmente, emprestar dinheiro a outra pessoa exigindo juros exorbitantes. Neste rol entra tamb\u00e9m tomar as coisas emprestadas e n\u00e3o as devolver. Enfim, toda injusti\u00e7a precisa ser cuidadosamente evitada. O desapego requer que se paguem rigorosamente em dia as d\u00edvidas, n\u00e3o extorquindo o que a outro pertence. Por tudo isto, se pode bem aquilatar que o dinheiro \u00e9 bom servidor, mas um mau conselheiro, como diz um prov\u00e9rbio popular. No af\u00e3 de se ter sempre mais, multiplicam-se os danos aos outros. \u00c9 o querer exageradamente muito, n\u00e3o sabendo usufruir com sabedoria o que se tem. Segundo Santo Ambr\u00f3sio, embora possuindo muitas coisas, quem n\u00e3o \u00e9 desapegado se sente sempre pobre. Trata-se de uma verdadeira chaga que os te\u00f3logos chamam de \u201cbulimia da alma\u201d. Eis porque S\u00e3o Paulo na carta a Tim\u00f3teo assegura que \u201ca raiz de todos os males \u00e9 o amor do dinheiro\u201d (Tm 6,10). Nem se pode esquecer que um desejo imoderado de coisas materiais pode levar a uma car\u00eancia afetiva doentia de se querer sempre todas as aten\u00e7\u00f5es para si mesmo. N\u00e3o se trata de suprimir a fonte da afei\u00e7\u00e3o humana, mas esta deve ser transfigurada e purificada da febre emocional. Do contr\u00e1rio o crist\u00e3o \u00e9 levado a uma car\u00eancia afetiva que gera uma s\u00e9rie de problemas interiores. \u00c9 preciso sempre procurar o equil\u00edbrio na pr\u00f3pria vida espiritual e afetiva, isto \u00e9, a concilia\u00e7\u00e3o do desapego absoluto em rela\u00e7\u00e3o a tudo que n\u00e3o \u00e9 de Deus e o cultivo sincero de tudo de bom que existe na humanidade. Todos os grandes santos viveram intensamente a virtude do desapego e deixaram exemplos pr\u00e1ticos de como o praticar. Isto porque esta virtude \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a vida de f\u00e9. \u00c9 essencial a austeridade crist\u00e3 numa sociedade que vive em fun\u00e7\u00e3o do consumismo e do triunfo a qualquer pre\u00e7o. O seguidor do Evangelho se desapega de si, de suas pr\u00f3prias maneiras de agir e de pensar o que o leva a acatar a sabedoria alheia e a abrir espa\u00e7os para Deus dentro de si mesmo. Deus n\u00e3o pode ocupar um cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esteja vazio de si mesmo. N\u00e3o se trata de se desprender do que Deus concede a cada um. Mister se faz, por\u00e9m, se afastar das injun\u00e7\u00f5es meramente humanas. O cora\u00e7\u00e3o desapegado atrai a Deus e este o conduz \u00e0s riquezas espirituais muito mais valiosas do que as ilus\u00f5es terrenas. Observe-se, entretanto, que o desapego n\u00e3o quer dizer n\u00e3o valorizar o que se tem ou o amor que se deve aos outros, mas exige o combate ao narcisismo, ao egocentrismo. Amar os outros de uma maneira inteiramente gratuita, tal como o outro \u00e9 em sua estrutura, com seu perfil caracterol\u00f3gico, N\u00e3o amar simplesmente para ser amado. Cultivar sempre um amor desinteressado que abranja todas as pessoas. Portanto, o desapego leva a apreciar todas as d\u00e1divas divinas, utilizando-as criteriosamente e a amar a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo e isto desinteressadamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aa virtude do desapego \u00e9 de suma import\u00e2ncia na vida do crist\u00e3o. Ela se op\u00f5e \u00e0 avareza. Possuir as coisas \u00e9 leg\u00edtimo, pois s\u00e3o dons de Deus para a pr\u00f3pria subsist\u00eancia e ajuda ao pr\u00f3ximo. O dinheiro e tudo mais que se possua devem servir e n\u00e3o serem servidos. S\u00e3o instrumentos e n\u00e3o os senhores. 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