{"id":41095,"date":"2018-05-28T09:42:19","date_gmt":"2018-05-28T12:42:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=41095"},"modified":"2018-05-28T14:04:31","modified_gmt":"2018-05-28T17:04:31","slug":"corpo-e-sangue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/corpo-e-sangue\/","title":{"rendered":"Corpo e Sangue"},"content":{"rendered":"<p>De tal maneira a corrup\u00e7\u00e3o humana enredou nossa sociedade que simples palavras como corpo, corpora\u00e7\u00e3o ou corporativismo beiram hoje o sin\u00f4nimo quase inconsciente de prostitui\u00e7\u00e3o, oportunismo e poder econ\u00f4mico. For\u00e7o um pouco, mas \u00e9 isso o que resulta dum entendimento vago dessas palavras. Isso respectivamente ou alternadamente. Porque um corpo humano est\u00e1 diretamente ligado ao seu aspecto pornogr\u00e1fico, ao oportunismo que o cerca na luta pela sobreviv\u00eancia, \u00e0s manobras que se submete para galgar pretensos poderes. Assim tamb\u00e9m as corpora\u00e7\u00f5es que a vida social obriga a constituir para defesa de seus interesses. Assim tamb\u00e9m o corporativismo de suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Posto isto, falta-nos a pureza do mais sagrado templo que o barro do \u00c9den nos legou e nos tornou o que somos, o mais perfeito dos seres criados. O que fizemos dessa virtude original? Se a corrup\u00e7\u00e3o dos costumes foi capaz de corroer algo, n\u00e3o foi apenas o corpo \u2013 muitos deles perfeitamente sadios \u2013 mas principalmente a alma. Esta, sim, a v\u00edtima maior.<\/p>\n<p>Tivemos e temos, no entanto, uma oportunidade de corre\u00e7\u00e3o, retorno \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Esta se deu num momento \u00fanico, quando algu\u00e9m t\u00e3o perfeito e puro como \u201co homem do para\u00edso\u201d, aquele que transluzia uma imagem e semelhan\u00e7a divinas, colocou-se em nosso meio, sentou-se \u00e0 mesa conosco, tomou de uma massa informe de trigo prensado e cozido, um p\u00e3o caseiro, mas saboroso, e afirmou: Isto \u00e9 meu corpo! Um novo Ad\u00e3o ali se manifestou, com o desejo \u00fanico de alimentar uma assembleia de novos amigos e dar-lhes a consist\u00eancia necess\u00e1ria para permanecerem no seu amor, seguirem a nova alian\u00e7a que Ele lhes propunha&#8230; Isto se quisessem retomar a pureza de seus corpos cansados, cora\u00e7\u00f5es conturbados, almas sedentas de plenitude. Naquela mesa entenderam aquele momento de reconcilia\u00e7\u00e3o e paz&#8230; e deram gra\u00e7as por isso!<\/p>\n<p>Da\u00ed o termo \u201ceucaristia\u201d, ou seja: dar gra\u00e7as. Da\u00ed a import\u00e2ncia desse gesto crist\u00e3o, personificado em Jesus, o rosto divino do homem, ou, j\u00e1 parafraseando a can\u00e7\u00e3o, o rosto humano de Deus. A f\u00e9 cat\u00f3lica tem neste ritual o centro de suas devo\u00e7\u00f5es. A realidade eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 mera recorda\u00e7\u00e3o de uma ceia do corpo, que antecedeu a morte de seu Cristo. \u00c9 personifica\u00e7\u00e3o do Pr\u00f3prio. Repete o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e do vinho servido em Can\u00e1, por\u00e9m revestido agora de um mist\u00e9rio maior: torna-se corpo e sangue daquele que n\u00e3o escolheu palavras ou subterf\u00fagios para se apresentar como alimento. Afirmou categoricamente: Isto&#8230;.Isto \u00e9 meu corpo&#8230; meu sangue!<\/p>\n<p>No mist\u00e9rio eucar\u00edstico, a palavra \u201ccorpo\u201d n\u00e3o aceita outro sin\u00f4nimo sen\u00e3o a magnitude de sua beleza original. A alma humana, sopro divino, habita o corpo moldado por suas m\u00e3os. \u00c9 morada, \u00e9 templo, \u00e9 personifica\u00e7\u00e3o de seu Criador. Esse mesmo corpo utilizado por Jesus, que um dia disse: \u201cQuem me v\u00ea, v\u00ea o Pai\u201d. Esse mesmo corpo profanado pelas institui\u00e7\u00f5es humanas, que venceu as trevas da nossa maldade, para dizer aos incr\u00e9dulos, como Tom\u00e9: \u201cToque minhas feridas, veja a chaga do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Esse mesmo corpo macerado e triturado, esva\u00eddo de seu sangue redentor, tornado p\u00e3o para nos alimentar e prosseguir no desafio de transformar o mundo, transformando por primeiro o organismo que somos, nosso corpo e alma. Para isso nos sobra a Igreja, a vida em comunh\u00e3o eclesial. Da\u00ed que Igreja tamb\u00e9m se faz corpo, o corpo m\u00edstico de Cristo, cuja cabe\u00e7a n\u00e3o poderia ser outra, sen\u00e3o Ele pr\u00f3prio. Da\u00ed a import\u00e2ncia de se resgatar a unidade entre os crist\u00e3os e torn\u00e1-los submissos n\u00e3o a uma corpora\u00e7\u00e3o meramente humana, nem ao corporativismo dos interesses grupais, individuais, mas \u00e0 voz de um \u00fanico pastor. N\u00e3o seja sua igreja uma mera corpora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fa\u00e7a de sua f\u00e9 um instrumento de corporativismo. Enquanto perdurar essas divis\u00f5es, que escandalizam e contaminam a pureza da f\u00e9 crist\u00e3, o corpo de Cristo continuar\u00e1 desnudo em sua cruz. Quando tomarmos consci\u00eancia desse esc\u00e2ndalo, entendermos o apelo \u201cque todos sejam um\u201d, o mundo conhecer\u00e1 nosso Cristo Ressuscitado. E entender\u00e1 suas palavras: Eu sou o p\u00e3o da vida!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De tal maneira a corrup\u00e7\u00e3o humana enredou nossa sociedade que simples palavras como corpo, corpora\u00e7\u00e3o ou corporativismo beiram hoje o sin\u00f4nimo quase inconsciente de prostitui\u00e7\u00e3o, oportunismo e poder econ\u00f4mico. For\u00e7o um pouco, mas \u00e9 isso o que resulta dum entendimento vago dessas palavras. Isso respectivamente ou alternadamente. 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