{"id":40994,"date":"2018-05-21T11:12:18","date_gmt":"2018-05-21T14:12:18","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=40994"},"modified":"2018-05-21T11:13:19","modified_gmt":"2018-05-21T14:13:19","slug":"linguas-de-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/linguas-de-fogo\/","title":{"rendered":"L\u00ednguas de Fogo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos o qu\u00e3o ferino \u00e9 nosso linguajar. Abrasivo e vingativo, com ele exigimos do outro a perfei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o temos. Tecendo opini\u00f5es e construindo nossas teorias, tornamo-nos o animal pensante mais sequaz do universo. Expressamos nossos conhecimentos, doutrinas e padr\u00f5es de comportamento. Declaramos nossas paix\u00f5es de amor e \u00f3dio. Expomos nossas desilus\u00f5es. Editamos regras, dissimulamos normas, massacramos leis. A l\u00edngua, sem d\u00favidas, \u00e9 nosso maior instrumento de edifica\u00e7\u00e3o&#8230; e destrui\u00e7\u00e3o. \u201cVamos, fa\u00e7amos para n\u00f3s uma cidade e uma torre cujo cimo atinja o c\u00e9u\u201d (Gn). Esse empreendedorismo humano n\u00e3o edificou nada mais que um projeto de alcan\u00e7ar Deus, tomar suas r\u00e9deas, governar o mundo com as pr\u00f3prias m\u00e3os. E o mundo voltou ao caos&#8230; N\u00e3o mais se falou a mesma l\u00edngua. Todos se desentenderam&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A confus\u00e3o das l\u00ednguas metaforicamente ilustrada em Babel for\u00e7ou a diplomacia entre as Na\u00e7\u00f5es. Se quis\u00e9ssemos um m\u00ednimo de unidade, era preciso restabelecer o di\u00e1logo. Se os empreendimentos que o entendimento humano projeta para o alto de sua realidade terrena buscassem realmente o sucesso, necess\u00e1rio seria fortalecer seus sonhos e seguir um projeto adequado \u00e0 realidade. Mas sem o <strong>entendimento<\/strong> dessa verdade, tudo \u00e9 caos, desilus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De nada nos serviria toda <strong>ci\u00eancia<\/strong> humana sem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas experi\u00eancias do passado, a voz prof\u00e9tica que lhes apontou caminhos tortuosos, fragrantes desrespeitos a um projeto mais p\u00e9 no ch\u00e3o, ou seja: os bons conselhos de Deus. \u201cN\u00e3o coma da \u00e1rvore do meio do Para\u00edso\u201d, foi o primeiro deles. Um <strong>conselho <\/strong>de harmonia com a realidade humana. N\u00e3o se ufanem com a pretensa <strong>sabedoria<\/strong> de se julgarem deuses, de se igualarem ao Criador. Nossa <strong>fortaleza<\/strong> n\u00e3o \u00e9 humana, mas divina; vem de Deus. O poder que pensamos possuir, enquanto simples mortais, nunca atingir\u00e1 o cume da realiza\u00e7\u00e3o plena sem as for\u00e7as celestiais. A torre da nossa prepot\u00eancia h\u00e1 de desabar com estrondo, se continuarmos nessa ideia de nos acharmos semideuses no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que nos falta e clama urg\u00eancia \u00e9 mais <strong>piedade<\/strong>, mais sintonia com um projeto de vida que busque alcan\u00e7ar o c\u00e9u. Fugimos deste como o Diabo da cruz. A piedade, que deveria identificar nossa gratid\u00e3o por sermos o que somos, est\u00e1 sepulta e enterrada na prepot\u00eancia que governa nosso mundo, nossa vida. Temos vergonha dela. Pratic\u00e1-la tornou-se sin\u00f4nimo de fraqueza, de pieguice s\u00f3 compat\u00edvel aos fracos, aos inseguros, aos t\u00edmidos. \u00c9 coisa de beatos, que a sociedade moderna j\u00e1 n\u00e3o aceita como virtuosa ou necess\u00e1ria numa civiliza\u00e7\u00e3o de competidores, vencedores por m\u00e9ritos pessoais. Nesse contexto, n\u00e3o mais se justifica um sentimento de <strong>temor a Deus<\/strong>. Assim constru\u00edmos nossa Babel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas a Festa da Colheita, que outrora celebrava o lucro, os dividendos de uma safra promissora, tornou-se um Pentecostes mais abrasador. Desde Cristo, a colheita \u00e9 outra. As l\u00ednguas de fogo derramadas sobre seus Ap\u00f3stolos, com Maria ao meio, fizeram nascer a Igreja que somos. Nem a torre de Babel (que sequer foi conclu\u00edda),nem a de Sil\u00f3e (que desabou sobre seus construtores), nem as g\u00eameas do World Trade Center (que fizeram ruir a diplomacia moderna), nem as maiores edifica\u00e7\u00f5es ou realiza\u00e7\u00f5es de qualquer aud\u00e1cia contempor\u00e2nea, foram mais grandiosas que aquela edifica\u00e7\u00e3o simples numa rua de Jerusal\u00e9m, onde l\u00ednguas de fogo deram novo sentido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas. A partir desse novo Pentecostes, estamos aptos a colher frutos mais saborosos, advindos de uma nova \u00e1rvore do Para\u00edso, a cruz crist\u00e3. Eis o maior lucro, a melhor colheita. Antes, ser\u00e1 preciso abandonar nossos projetos falidos, cortar a l\u00edngua ferina da cr\u00edtica \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 e olhar, olhar sim, para as coisas do alto, sem a pretens\u00e3o de uma nova torre, mas com o desejo de alcan\u00e7a-las com os sete dons revelados pelas l\u00ednguas de Pentecostes. Estas, sim, trar\u00e3o fogo \u00e0 Terra, uma nova sar\u00e7a ardente, que queima sem consumir. Um fogo de amor. \u201cE como Eu gostaria que j\u00e1 estivesse aceso\u201d, diria Jesus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabemos o qu\u00e3o ferino \u00e9 nosso linguajar. Abrasivo e vingativo, com ele exigimos do outro a perfei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o temos. Tecendo opini\u00f5es e construindo nossas teorias, tornamo-nos o animal pensante mais sequaz do universo. Expressamos nossos conhecimentos, doutrinas e padr\u00f5es de comportamento. Declaramos nossas paix\u00f5es de amor e \u00f3dio. Expomos nossas desilus\u00f5es. 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