{"id":40788,"date":"2018-05-14T09:04:07","date_gmt":"2018-05-14T12:04:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=40788"},"modified":"2018-05-14T09:04:07","modified_gmt":"2018-05-14T12:04:07","slug":"santos-e-demoios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/santos-e-demoios\/","title":{"rendered":"Santos e Dem\u00f4ios"},"content":{"rendered":"<p>Papa Francisco encerra sua carta \u201cAlegrai-vos e Exultai\u201d com um cap\u00edtulo desafiador. Exorta-nos \u00e0 luta, vigil\u00e2ncia e discernimento contra as ciladas que Satan\u00e1s nos arma. \u201cA vida crist\u00e3 \u00e9 uma luta permanente. Requer-se for\u00e7a e coragem para resistir \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es do dem\u00f4nio e anunciar o Evangelho\u201d (158), diz no in\u00edcio de seu quinto cap\u00edtulo. Ora, como ter presente esse discernimento contra o mal se muitos de n\u00f3s, hoje, sequer acreditam na exist\u00eancia do Dem\u00f4nio? Essa \u00e9 uma das maiores pedras de trope\u00e7o na caminhada da f\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata apenas de uma luta contra o mundo e a mentalidade humana\u201d (159), pois que as distor\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias ou de ordem comportamental s\u00e3o, por si mesmas, obras demon\u00edacas. \u201c\u00c9 verdade que os autores b\u00edblicos tinham uma bagagem conceitual limitada para expressar algumas realidades e que, nos tempos de Jesus, podia se confundir uma epilepsia com possess\u00e3o\u201d, mas a pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o que Ele nos ensinou pede ao Pai que nos livre do Mal, do Maligno. \u201cIndica um ser pessoal que nos atormenta. Jesus ensinou-nos a pedir cada dia esta liberta\u00e7\u00e3o para que o seu poder n\u00e3o nos domine\u201d (160).<\/p>\n<p>Mais explicitamente, o Papa nos lembra a exorta\u00e7\u00e3o aos Ef\u00e9sios (6,11), quando o ap\u00f3stolo convidava a todos a resistir \u201ccontra as maquina\u00e7\u00f5es do diabo\u201d. Lembremo-nos que a inveja das gra\u00e7as a n\u00f3s derramadas e da predile\u00e7\u00e3o de Deus pela ra\u00e7a humana \u00e9 a grande raz\u00e3o da a\u00e7\u00e3o demon\u00edaca. \u201cN\u00e3o se trata de palavras po\u00e9ticas, porque o nosso caminho para a santidade \u00e9 tamb\u00e9m uma luta constante. Quem n\u00e3o quiser reconhec\u00ea-lo, ver-se-\u00e1 exposto ao fracasso ou \u00e0 mediocridade\u201d. E acrescenta: \u201cSe nos descuidarmos, facilmente nos seduzir\u00e3o as falsas promessas do mal\u201d (162).<\/p>\n<p>O santo vive em alerta. Contra tenta\u00e7\u00f5es externas e contra as pr\u00f3prias fraquezas. \u00c9 um guerreiro constante. Porque conhece os limites que tem, o ch\u00e3o em que pisa, as trevas que anuviam seu esp\u00edrito, sua consci\u00eancia de Deus. \u201cNingu\u00e9m resiste, se escolhe arrastar-se em ponto morto, se se contenta com pouco, se deixa de sonhar com a oferta de maior dedica\u00e7\u00e3o ao Senhor\u201d (163), diz o Papa. Esse \u00e9 o grande segredo da santifica\u00e7\u00e3o, a prontid\u00e3o e obedi\u00eancia \u00e0 voz de Deus em seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O santo n\u00e3o se corrompe. A corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 em voga, toma conta do mundo. Quer um sorvete ou um doce dado a uma crian\u00e7a em troca de um favor, quer a propina ao guarda, fiscal ou supervisor de servi\u00e7os, quer o mar de lama que hoje afunda a vida pol\u00edtico-partid\u00e1ria, qualquer a\u00e7\u00e3o que vise benef\u00edcios pessoais ou corporativos \u00e9 a\u00e7\u00e3o demon\u00edaca. Por\u00e9m, dentre estas, \u201ca corrup\u00e7\u00e3o espiritual \u00e9 pior que a queda dum pecador\u201d (165). Como reconhec\u00ea-la? \u201cA \u00fanica forma \u00e9 o discernimento&#8230;. Hoje em dia\u00a0 tornou-se particularmente necess\u00e1ria a capacidade de discernimento, porque a vida atual oferece enormes possibilidades de a\u00e7\u00e3o e distra\u00e7\u00e3o, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas v\u00e1lidas e boas\u201d (167). Eis um dom sobrenatural. \u201c\u00c9 verdade que o discernimento espiritual n\u00e3o exclui as contribui\u00e7\u00f5es de sabedorias humanas, existenciais, psicol\u00f3gicas, sociol\u00f3gicas ou morais; mas transcende-as\u201d (170).<\/p>\n<p>Chegamos ao ponto cr\u00edtico de uma inusitada proposta: \u00e9 poss\u00edvel ser santo neste mundo corrompido? N\u00e3o, poss\u00edvel n\u00e3o, mas obrigat\u00f3rio. Se nossa vida crist\u00e3 deseja verdadeiramente um mundo novo, temos que nos santificar. Purificar-nos nas promessas de Cristo. \u201cSomente quem est\u00e1 disposto a escutar \u00e9 que tem a liberdade de renunciar ao seu ponto de vista parcial e insuficiente, aos seus h\u00e1bitos, aos seus esquemas\u201d (172) e permitir que Deus aja em seu cora\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o m\u00ednimo. \u201cCondi\u00e7\u00e3o essencial para avan\u00e7ar no discernimento \u00e9 educar-se para a paci\u00eancia de Deus\u201d (174), que realiza seu projeto em n\u00f3s e por n\u00f3s, a seu tempo e no devido momento. Da nossa parte, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio pedir ao Esp\u00edrito Santo que nos liberte e expulse aquele medo que nos leva a negar-Lhe a entrada nalguns aspectos da nossa vida\u201d (175), que \u201cinfunda em n\u00f3s um desejo intenso de ser santos para a maior gl\u00f3ria de Deus\u201d (177).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Francisco encerra sua carta \u201cAlegrai-vos e Exultai\u201d com um cap\u00edtulo desafiador. 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