{"id":40403,"date":"2018-04-27T13:58:22","date_gmt":"2018-04-27T16:58:22","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=40403"},"modified":"2018-04-27T13:58:22","modified_gmt":"2018-04-27T16:58:22","slug":"a-igreja-e-divina-e-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-igreja-e-divina-e-humana\/","title":{"rendered":"A Igreja \u00e9 divina e humana"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\">Somos chamados a ser santos como o Pai celeste \u00e9 santo<\/h2>\n<p>H\u00e1 homens e mulheres, irm\u00e3os na f\u00e9 cat\u00f3lica, que ficam perplexos quando um (a) filho(a) da Igreja (leigo(a), religioso(a), sacerdote ou bispo) comete algum erro.<\/p>\n<p>\u00c9, pois, a esses crist\u00e3os at\u00f4nitos que dedicamos, com apre\u00e7o, o presente artigo a fim de deixar claro o seguinte: a Igreja, como Corpo m\u00edstico de Cristo prolongado na hist\u00f3ria (cf. Cl 1,24; 1Cor 12,12-21), \u00e9 divina, mas formada por filhos pecadores \u00e9 tamb\u00e9m humana, segundo a par\u00e1bola do joio e do trigo (cf. Mt 13,24-30) ao relatar que no campo do Senhor, junto ao trigo (os bons) cresce o joio (os maus).<\/p>\n<p>Aqui j\u00e1 se coloca um impasse: por que Deus permite que os pecadores permane\u00e7am na sua Igreja? \u2013 Responde S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (\u2020 1274) que \u00e9 pelas seguintes raz\u00f5es: a) o pecado de uns, longe de desanimar, deve incentivar os fi\u00e9is a serem mais santos em resposta supridora ao pecado; b) o Senhor quer dar a cada um desses pecadores a oportunidade de se converterem, especialmente por meio do Sacramento da Confiss\u00e3o; c) mesmo com o mau exemplo dos errantes, a Igreja n\u00e3o deixa de exercer a miss\u00e3o que Nosso Senhor lhe confiou: o ouro da gra\u00e7a divina pode passar por m\u00e3o sujas, mas n\u00e3o perde o seu pleno valor.<\/p>\n<p>Sim, desde o in\u00edcio do Cristianismo, de um modo particular a partir de Santo Agostinho (\u2020 430), a Igreja, lembrando as par\u00e1bolas do joio e do trigo, j\u00e1 citada, e da rede que recolhe bons e maus peixes (cf. Mt 13,47-50), demonstra que sempre houve problemas nas comunidades: incesto (cf. 1Cor 5,1); inj\u00farias ao ap\u00f3stolo Paulo (cf. 2Cor 2,5-11), renega\u00e7\u00e3o da doutrina (cf. Hb 6,4-8; 10,26-31), falhas morais diversas (cf. Gl 1,6; 3,1;5,4), esfriamento da f\u00e9 (cf. Ap 2-3) etc.<\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o obstante \u00e0s falhas de seus filhos, em Mt 28,20, o Senhor Jesus promete estar com a Igreja at\u00e9 o fim dos tempos. Da\u00ed comentar Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt, OSB, o seguinte: \u201cJesus promete \u00e0 sua Igreja uma assist\u00eancia vigilante\u2026 Igreja caracterizada pela sucess\u00e3o apost\u00f3lica; Jesus n\u00e3o promete estar com os mais santos ou os mais cultos, mas, sim, com os Ap\u00f3stolos e seus leg\u00edtimos sucessores [os Bispos] at\u00e9 o fim dos tempos. Muitas pessoas procuram o Cristo na comunidade mais simp\u00e1tica ou mais emocionante (crit\u00e9rios subjetivos). O que importa \u00e9 n\u00e3o perder a comunh\u00e3o com essa linhagem [dos Ap\u00f3stolos em seus sucessores], mesmo que nela se encontre figuras humanas pouco dignas (o joio n\u00e3o impede o trigo de frutificar)\u201d (<i>A Igreja divina e humana<\/i>. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2004, p. 6 \u2013 base deste artigo).<\/p>\n<p>Isso posto, v\u00ea-se que s\u00f3 se afasta do colo da M\u00e3e Igreja aquele(a) que desconhece em profundidade a f\u00e9 que diz professar ou que se deixa levar por sentimentalismos capazes de colocar o bispo X ou o padre Y no lugar de Deus. Algo que, se feito conscientemente, \u00e9 pecado. E pecado grave.<\/p>\n<p>Em sentido contr\u00e1rio, quem entende que a Igreja \u00e9 divina e humana concorda, neste ponto, com o fil\u00f3sofo Jacques Maritain ao escrever que \u201cOs cat\u00f3licos n\u00e3o s\u00e3o o Catolicismo. As faltas, as lerdezas, as car\u00eancias e as sonol\u00eancias do cat\u00f3lico n\u00e3o comprometem o Catolicismo\u2026 A melhor apolog\u00e9tica [defesa] n\u00e3o consiste em justificar os cat\u00f3licos quando erram, mas, ao contr\u00e1rio, em assinalar esses erros e dizer que n\u00e3o afetam a subst\u00e2ncia do Catolicismo e s\u00f3 contribuem para melhor trazer \u00e0 tona a for\u00e7a de uma religi\u00e3o sempre viva apesar deles\u2026 N\u00e3o nos considereis a n\u00f3s pecadores. Vede, antes, como a Igreja sana as nossas chagas e nos leva tr\u00f4pegos para a vida eterna\u2026 A grande gl\u00f3ria da Igreja \u00e9 ser santa com membros pecadores\u201d (<i>Religion et culture<\/i>. Paris, 1930, p. 60).<\/p>\n<p>Possam essas reflex\u00f5es levar-nos a confiar na mensagem transmitida pela M\u00e3e Igreja por meio de seus ministros (\u00e0s vezes pouco dignos) e rezar sempre pela nossa convers\u00e3o e pela dos nossos irm\u00e3os. Afinal, somos chamados a ser santos como o Pai celeste \u00e9 santo (cf. Lv 17,1; Mt 5,48; 1Pd 1,5-6).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vanderlei de Lima \u00e9 eremita na Diocese de Amparo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos chamados a ser santos como o Pai celeste \u00e9 santo H\u00e1 homens e mulheres, irm\u00e3os na f\u00e9 cat\u00f3lica, que ficam perplexos quando um (a) filho(a) da Igreja (leigo(a), religioso(a), sacerdote ou bispo) comete algum erro. \u00c9, pois, a esses crist\u00e3os at\u00f4nitos que dedicamos, com apre\u00e7o, o presente artigo a fim de deixar claro o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":40404,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-40403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40403"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40405,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40403\/revisions\/40405"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}