{"id":39983,"date":"2018-04-16T10:52:08","date_gmt":"2018-04-16T13:52:08","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=39983"},"modified":"2018-04-16T10:52:08","modified_gmt":"2018-04-16T13:52:08","slug":"importante-papel-dos-leigos-na-igreja-na-republica-democratica-do-congo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/importante-papel-dos-leigos-na-igreja-na-republica-democratica-do-congo\/","title":{"rendered":"Importante papel dos leigos na Igreja na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p>Desde o final de 2017, os leigos na Igreja na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo protestam contra a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Obtiveram apoio de muitos setores, tanto dentro quanto fora do pa\u00eds. Dentro do Congo, a Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos os apoiou. Mais recentemente, eles tamb\u00e9m foram encorajados pelo Santo Padre. O pont\u00edfice tamb\u00e9m clamou pelo bem comum de todo o povo congol\u00eas. Apesar das novas v\u00edtimas da viol\u00eancia do Estado, h\u00e1 um clima de apoio. Outros crist\u00e3os e pessoas de outras religi\u00f5es est\u00e3o apoiando a causa dos leigos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p>Em 25 de fevereiro deste ano, na capital Kinshasa e em outras cidades da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, as marchas de protesto pac\u00edficas foram mais uma vez reprimidas.<\/p>\n<p>De acordo com a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos, houve 149 marchas pac\u00edficas separadas. 66 delas foram reprimidas enquanto ainda estavam dentro dos p\u00e1tios; 67 foram cessadas com balas e g\u00e1s lacrimog\u00eaneo; e apenas 16 terminaram sem incidentes. O saldo final foi de duas pessoas mortas a tiros; 32 feridos (13 delas com ferimentos de bala); e 76 pessoas presas. A pol\u00edcia, no entanto, alegou que apenas uma pessoa havia sido morta por uma bala de borracha e cinco feridos.<\/p>\n<p>Esta terceira marcha pac\u00edfica em protesto \u2013 organizada como as duas anteriores pelo Comit\u00ea de Leigos Cat\u00f3licos (Comit\u00e9 laic de Coordination) \u2013 pedia que o acordo pol\u00edtico de 31 de dezembro de 2016 fosse honrado. No centro do protesto estava a rejei\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia em todas as formas e da ditadura perpetuadora do regime. Reivindicavam tamb\u00e9m elei\u00e7\u00f5es livres, transparentes e garantias de paz. Al\u00e9m disso, advertiam que o adiamento das elei\u00e7\u00f5es poderia provocar uma grave crise. Isso porque ignorou o cronograma publicado pelo Comit\u00ea Eleitoral Nacional Independente. O acordo de Ano Novo de 2016 foi negociado gra\u00e7as \u00e0 media\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Nacional de Bispos do Congo. O acordo foi um marco para a organiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas; j\u00e1 que o mandato constitucional do Presidente em exerc\u00edcio, Joseph Kabila, havia terminado e ele n\u00e3o poderia de candidatar legalmente.<\/p>\n<h3>O porqu\u00ea do papel t\u00e3o ativo dos leigos na Igreja<\/h3>\n<p>O Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o dos Leigos inspirou-se na mensagem dos bispos congoleses em sua Assembl\u00e9ia Extraordin\u00e1ria de 22 a 24 de novembro de 2017, que declarou: \u201cPermanece firme, povo do Congo; o pa\u00eds est\u00e1 em apuros\u201d.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o dos bispos foi um apelo a todos os crist\u00e3os para que \u201cpermanecessem firmes e sem medo\u201d. Rapidamente, se tornou o princ\u00edpio orientador dos leigos em sua decis\u00e3o de formarem um \u201ccomit\u00ea coordenador\u201d para a defesa dos ideais democr\u00e1ticos assegurados pelo acordo, como tamb\u00e9m para a organiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. A comiss\u00e3o foi fundada com a aprova\u00e7\u00e3o do Arcebispo de Kinshasa. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada igualmente pelo documento do Vaticano II, \u201cLumen Gentium\u201d, sobre o papel dos leigos no mundo moderno.<\/p>\n<p>O comit\u00ea trabalha em coordena\u00e7\u00e3o do clero em Kinshasa por meio das comiss\u00f5es paroquiais de Justi\u00e7a e Paz. Al\u00e9m disso, se esfor\u00e7am para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre essa responsabilidade dos leigos na Igreja. Seu objetivo tamb\u00e9m \u00e9 superar a crise de confian\u00e7a nos pol\u00edticos. Pois s\u00e3o muito acusados de ina\u00e7\u00e3o, fechar neg\u00f3cios, conspirar a portas fechadas, compromissos escusos e corrup\u00e7\u00e3o flagrante.<\/p>\n<h3>O impacto da ora\u00e7\u00e3o do Papa pelo pa\u00eds<\/h3>\n<p>O apelo do Papa Francisco para um Dia de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz em 23 de fevereiro de 2018, especificamente para o Sud\u00e3o do Sul e a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, com base em que a paz \u00e9 essencial para o desenvolvimento, foi calorosamente recebido na imprensa local como \u201ciniciativa vinda de uma grande figura moral\u201d. No entanto, fontes pr\u00f3ximas ao presidente Kabila questionaram por que Francisco descreveu a situa\u00e7\u00e3o na RDC como \u201cgrave\u201d. Um porta-voz da oposi\u00e7\u00e3o saudou, todavia, o desejo de paz expressado pelo papa por sua preocupa\u00e7\u00e3o com o pa\u00eds. Anteriormente, disse o pont\u00edfice: \u201ca ora\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de transformar os maus desejos que habitam o cora\u00e7\u00e3o humano\u201d. Por isso, o Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o dos Leigos foi justificado em tomar medidas pr\u00e1ticas para chamar o estabelecimento do estado de direito na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a ora\u00e7\u00e3o do papa pela paz foi \u201cuma declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica importante; promoveu a causa da paz e o fim da viol\u00eancia e do derramamento de sangue\u201d. Viol\u00eancia esta que se espalha como gangrena no pa\u00eds, ou como um v\u00edrus no corpo humano.<\/p>\n<p>A n\u00edvel nacional, a confer\u00eancia episcopal convocou os fi\u00e9is a orarem. Recomendou especificamente a adora\u00e7\u00e3o diante do Sant\u00edssimo Sacramento; o Ros\u00e1rio \u2013 especialmente os Mist\u00e9rios Dolorosos; jejum e caridade.<\/p>\n<p>Assim, o apoio das confer\u00eancias episcopais do N\u00edger, Burkina Faso e Madagascar tamb\u00e9m atesta a for\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o e da cren\u00e7a na paz entre os bispos africanos. Inclusive, desde 23 de fevereiro tem havido uma not\u00e1vel atividade diplom\u00e1tica em Kinshasa, com visitas de presidentes de v\u00e1rios pa\u00edses da \u00c1frica Central e Austral.<\/p>\n<h3>Rea\u00e7\u00f5es de outras religi\u00f5es<\/h3>\n<p>Houve uma not\u00e1vel mudan\u00e7a de atitude, inclusive entre muitas pessoas de outras religi\u00f5es. O sentimento de intimida\u00e7\u00e3o est\u00e1 ent\u00e3o come\u00e7ando a desaparecer; mais e mais pessoas est\u00e3o assim come\u00e7ando a defender seus direitos constitucionais.<\/p>\n<p>Os mu\u00e7ulmanos e os crist\u00e3os de outras denomina\u00e7\u00f5es ficaram de fora da primeira marcha de 31 de dezembro de 2017. N\u00e3o houve envolvimento, nem declara\u00e7\u00e3o da parte deles. No entanto, \u00e0s v\u00e9speras da marcha de 21 de janeiro de 2018, muitos protestantes expressaram seu apoio a essa a\u00e7\u00e3o; ao mesmo tempo que muitos crist\u00e3os de comunidades evang\u00e9licas protestaram ao lado dos cat\u00f3licos, unindo-se \u00e0 passeata individualmente. Alguns mu\u00e7ulmanos tamb\u00e9m expressaram apoio, um tanto timidamente, e foram vistos aqui e ali, vestidos com suas t\u00fanicas. Estes, inclusive, condenaram a viol\u00eancia contra as marchas anteriores de 31 de dezembro de 2017.<\/p>\n<p>Durante a Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os, um pastor protestante convocou seus seguidores a apoiarem a iniciativa do Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o dos Leigos, dizendo que ele queria ver \u201cpaz e respeito do Estado pelos direitos do cidad\u00e3o\u201d. Ele tamb\u00e9m se juntou \u00e0 marcha. Em 21 de janeiro de 2018, o pastor exigiu que o governo respeitasse o acordo de Ano Novo assinado. Apelo semelhante foi lan\u00e7ado em um comunicado do Imam representante da comunidade mu\u00e7ulmana na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<h3>Comunidades se unindo em uma causa comum<\/h3>\n<p>As v\u00e1rias comunidades de f\u00e9 e grupos religiosos se aproximaram recentemente, conscientes de que enfrentam as mesmas realidades em suas cidades e sub\u00farbios.<\/p>\n<p>Muitos est\u00e3o come\u00e7ando a perceber que a luta pelo respeito da constitui\u00e7\u00e3o diz respeito a todos. O alto custo de vida, a infla\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a escassez de itens essenciais b\u00e1sicos s\u00e3o coisas que afetam a todos, independentemente da f\u00e9 religiosa ou da orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Essa coopera\u00e7\u00e3o foi vista, por exemplo, no dia anterior \u00e0 marcha, dia 25 de fevereiro. A televis\u00e3o estatal transmitiu uma mensagem, supostamente de um grupo de mu\u00e7ulmanos pr\u00f3ximos ao presidente Kabila, pedindo uma contra-marcha contra os leigos cat\u00f3licos. Solicitavam que se reunissem nas avenidas e pra\u00e7as em frente \u00e0s igrejas mais vis\u00edveis. No entanto, o pr\u00f3prio Imam respondeu a um canal de r\u00e1dio privado negando o relat\u00f3rio e dizendo: \u201cOs mu\u00e7ulmanos n\u00e3o est\u00e3o organizando nenhuma marcha\u201d e que, pelo contr\u00e1rio, a comunidade mu\u00e7ulmana estava apoiando a iniciativa dos leigos na Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Fonte: ACN<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o final de 2017, os leigos na Igreja na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo protestam contra a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Obtiveram apoio de muitos setores, tanto dentro quanto fora do pa\u00eds. Dentro do Congo, a Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos os apoiou. 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