{"id":39781,"date":"2018-04-09T14:13:14","date_gmt":"2018-04-09T17:13:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=39781"},"modified":"2018-04-09T14:13:15","modified_gmt":"2018-04-09T17:13:15","slug":"exortacao-apostolica-gaudete-et-exsultate-chamado-a-santidade-e-lancada-pelo-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/exortacao-apostolica-gaudete-et-exsultate-chamado-a-santidade-e-lancada-pelo-papa\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cGaudete et Exsultate: chamado \u00e0 santidade\u201d \u00e9 lan\u00e7ada pelo papa"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 precisamente o esp\u00edrito de alegria que o papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua \u00faltima\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html\">Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, <\/a>lan\u00e7ada nessa segunda-feira, 10\/04.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo \u201cGaudete et Exsultate\u201d, \u201cAlegrai-vos e exultai,\u201d repete as palavras que Jesus dirige \u201caos que s\u00e3o perseguidos ou humilhados por causa dele\u201d.<\/p>\n<p>Nos cinco cap\u00edtulos e 44 p\u00e1ginas do documento, o papa segue a linha de seu magist\u00e9rio mais profundo, a Igreja pr\u00f3xima \u00e0 \u201ccarne de Cristo sofredor.\u201d<\/p>\n<p>Os 177 par\u00e1grafos n\u00e3o s\u00e3o \u2013 adverte \u2013 \u00a0\u201cum tratado sobre a santidade, com muitas defini\u00e7\u00f5es e distin\u00e7\u00f5es\u201d, mas uma maneira de \u201cfazer ressoar mais uma vez o chamado \u00e0 santidade\u201d, indicando \u201cos seus riscos, \u00a0desafios e oportunidades\u201d(n. 2).<\/p>\n<p><strong>A classe m\u00e9dia da santidade<\/strong><\/p>\n<p>Antes de mostrar o que fazer para se tornar santos, o\u00a0 papa Francisco se det\u00e9m no primeiro cap\u00edtulo sobre o \u201cchamado \u00e0 santidade\u201d e reafirma: h\u00e1 um caminho de perfei\u00e7\u00e3o para cada um e n\u00e3o faz sentido desencorajar-se \u00a0contemplando \u201cmodelos de santidade que lhe parecem inating\u00edveis\u201d ou procurando \u00a0\u201cimitar algo que n\u00e3o foi pensado para ele\u201d. (n. 11).<\/p>\n<p>\u201cOs santos, que j\u00e1 chegaram \u00e0 presen\u00e7a de Deus\u201d nos \u201cprotegem, amparam e acompanham\u201d (n. 4), afirma o papa. Mas, acrescenta, a santidade a que Deus nos chama, ir\u00e1 crescendo com \u201cpequenos gestos\u201d (n. 16 ) cotidianos, tantas vezes testemunhados por \u201caqueles que vivem pr\u00f3ximos de n\u00f3s\u201d, a \u201cclasse m\u00e9dia de santidade\u201d (n. 7).<\/p>\n<p><strong>Raz\u00e3o como um Deus<\/strong><\/p>\n<p>No segundo cap\u00edtulo, o papa estigmatiza aqueles que define como \u201cdois inimigos sutis da santidade\u201d, j\u00e1 v\u00e1rias vezes objeto de reflex\u00e3o, entre outros, nas missas na Santa Marta, na\u00a0<i>Evangelii gaudium<\/i>, bem como no recente documento da Doutrina da F\u00e9,\u00a0<i>Placuit Deo<\/i>.<\/p>\n<p>Trata-se de \u201cgnosticismo\u201d e \u201cpelagianismo\u201d, \u00a0duas heresias que surgiram nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade (n.35).<\/p>\n<p>O gnosticismo \u2013 observa \u2013 \u00e9 uma autocelebra\u00e7\u00e3o de \u201cuma mente sem encarna\u00e7\u00e3o, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclop\u00e9dia de abstra\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Para o papa, trata-se de uma \u201cvaidosa superficialidade\u201d, que pretende \u201creduzir o ensinamento de Jesus a uma l\u00f3gica fria e dura que procura dominar tudo\u201d. E ao desencarnar o mist\u00e9rio, preferem \u2013 como disse em uma missa na Santa Marta \u2013 \u201cum Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo \u201c(nn. 37-39).<\/p>\n<p><strong>Adoradores da vontade<\/strong><\/p>\n<p>O neo-pelagianismo \u00e9, segundo Francisco, outro erro gerado pelo gnosticismo. A ser objeto de adora\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 mais a mente humana, mas o \u201cesfor\u00e7o pessoal\u201d, uma vontade sem humildade que \u201csente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas\u201d ou por ser fiel \u201ca um certo estilo cat\u00f3lico\u201d (n. 49).<\/p>\n<p>\u201cA obsess\u00e3o pela lei\u201d, \u201co fasc\u00ednio de exibir conquistas sociais e pol\u00edticas\u201d, ou \u201ca ostenta\u00e7\u00e3o no cuidado da liturgia, da doutrina e do prest\u00edgio da Igreja\u201d s\u00e3o para o papa, entre outros, alguns tra\u00e7os t\u00edpicos de crist\u00e3os que \u201cn\u00e3o se deixam guiar pelo Esp\u00edrito no caminho do amor\u201d. (n. 57 ).<\/p>\n<p>Francisco, por outro lado, lembra que \u00e9 sempre o dom da gra\u00e7a que ultrapassa \u201cas capacidades da intelig\u00eancia e as for\u00e7as da vontade humana\u201d (n. 54). \u00c0s vezes, constata, \u201ccomplicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos de um esquema\u201d. (N\u00ba 59)<\/p>\n<p><strong>Oito caminhos de santidade<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de todas as \u201cteorias sobre o que \u00e9 santidade\u201d, existem as Bem-aventuran\u00e7as. Francisco coloca-as no centro do terceiro cap\u00edtulo, afirmando que com este discurso Jesus \u201cexplicou, com toda a simplicidade, o que \u00e9 ser santo\u201d (n. 63).<\/p>\n<p>O papa as repassa uma a uma. Da pobreza de cora\u00e7\u00e3o \u2013 que tamb\u00e9m significa austeridade da vida (n. 70) \u2013 ao reagir \u201ccom humilde mansid\u00e3o\u201d em um mundo onde se combate em todos os lugares. (n. 74).<\/p>\n<p>Da \u201ccoragem\u201d de deixar-se \u201ctraspassar\u201d pela dor dos outros e ter \u201ccompaix\u00e3o\u201d por eles \u2013 enquanto \u201d o mundano ignora, olha para o lado\u201d (nn 75-76.) \u2013 \u00e0 sede de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA realidade mostra-nos como \u00e9 f\u00e1cil entrar nas s\u00facias da\u00a0 corrup\u00e7\u00e3o, fazer parte desta pol\u00edtica di\u00e1ria do \u201cdou para que me deem\u201d, onde tudo \u00e9 neg\u00f3cio. E quantos sofrem por causa das injusti\u00e7as, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida\u201d. (nn. 78-79).<\/p>\n<p>Do \u201colhar e agir com miseric\u00f3rdia\u201d, o que significa ajudar os outros \u201ce at\u00e9 mesmo perdoar\u201d (nn. 81-82), \u201cmanter o cora\u00e7\u00e3o limpo de tudo o que mancha o amor\u201d por Deus e o pr\u00f3ximo, isto \u00e9 santidade. (n.86).<\/p>\n<p>E finalmente, do \u201csemear a paz\u201d e \u201camizade social\u201d com \u201cserenidade, criatividade, sensibilidade e destreza\u201d \u2013 conscientes da dificuldade de lan\u00e7ar pontes entre pessoas diferentes (nn. 88-89) \u2013 ao aceitar tamb\u00e9m as persegui\u00e7\u00f5es, porque hoje a coer\u00eancia \u00e0s Bem-aventuran\u00e7as \u201cpode ser mal vista, suspeita, ridicularizada\u201d e, no entanto, n\u00e3o se pode esperar, para viver o Evangelho, que tudo \u00e0 nossa volta seja favor\u00e1vel\u201d (n. 91).<\/p>\n<p><strong>A grande regra do comportamento<\/strong><\/p>\n<p>Uma dessas bem-aventuran\u00e7as, \u201cBem-aventurados os misericordiosos\u201d, cont\u00e9m para Francisco \u201ca grande regra de comportamento\u201d dos crist\u00e3os, aquela descrita por Mateus no cap\u00edtulo 25 do \u201cJu\u00edzo Final\u201d.<\/p>\n<p>Esta p\u00e1gina, reitera, demonstra que \u201cser santo n\u00e3o significa revirar os olhos num suposto \u00eaxtase\u201d (n. 96), mas viver Deus por meio do amor aos \u00faltimos.<\/p>\n<p>Infelizmente, observa o papa, existem ideologias que \u201cmutilam o Evangelho\u201d. Por um lado, crist\u00e3os sem um relacionamento com Deus, que transformam o cristianismo \u201cnuma esp\u00e9cie de ONG, privando-o daquela espiritualidade irradiante\u201d vivida por S\u00e3o Francisco de Assis, S\u00e3o Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcut\u00e1. (n\u00ba 100).<\/p>\n<p>Por outro, aqueles que \u201csuspeitam do compromisso social dos outros\u201d, considerando-o como se fosse algo de superficial, mundano, secularizado, imamentista, \u201ccomunista ou populista\u201d, ou \u201co relativizam\u201d em nome de uma determinada \u00e9tica.<\/p>\n<p>Aqui o papa reafirma que \u201ca defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso est\u00e1 em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada\u201d (n. 101).<\/p>\n<p>Mesmo a acolhida dos migrantes \u2013 que alguns cat\u00f3licos,\u00a0 observa, gostariam que fosse menos importante do que a bio\u00e9tica \u2013 \u00e9 um dever de todo crist\u00e3o, porque em todo estrangeiro existe Cristo, e \u201cn\u00e3o se trata da inven\u00e7\u00e3o de um papa, nem de um del\u00edrio passageiro\u201d (n. 103).<\/p>\n<p><strong>\u201cGastar-se\u201d nas obras de miseric\u00f3rdia<\/strong><\/p>\n<p>Assim, observou que \u201cgozar a vida\u201d como nos convida a fazer o \u201cconsumismo hedonista\u201d, \u00e9 o oposto do desejar dar gl\u00f3rias a Deus, que pede para nos \u201cgastarmos\u201d nas obras de miseric\u00f3rdia (nn. 107-108).<\/p>\n<p>No quarto cap\u00edtulo, Francisco repassa as caracter\u00edsticas \u201cindispens\u00e1veis\u201d para entender o estilo de vida da santidade: \u201cperseveran\u00e7a, paci\u00eancia e mansid\u00e3o\u201d, \u201calegria e senso de humor\u201d, \u201caud\u00e1cia e fervor\u201d.<\/p>\n<p>O caminho da santidade vivido como caminho \u201cem comunidade\u201d e \u201cem constante ora\u00e7\u00e3o\u201d, que chega \u00e0 \u201ccontempla\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o entendida como \u201cevas\u00e3o que nega o mundo que nos rodeia\u201d (nn. 110-152).<\/p>\n<p><strong>Luta vigilante e inteligente<\/strong><\/p>\n<p>E porque, prossegue, a vida crist\u00e3 \u00e9 uma luta \u201cconstante\u201d contra a \u201cmentalidade mundana\u201d que \u201cnos engana, atordoa e torna med\u00edocres\u201d (n. 159).<\/p>\n<p>O papa conclui no quinto cap\u00edtulo convidando ao \u201ccombate\u201d contra o \u201cMaligno que, escreve ele, n\u00e3o \u00e9 \u201cum mito\u201d, mas\u201d um ser pessoal que nos atormenta\u201d (n. 160-161).<\/p>\n<p>\u201cQuem n\u00e3o quiser reconhec\u00ea-lo, ver-se-\u00e1 exposto ao fracasso ou \u00e0 mediocridade\u201d. As suas maquina\u00e7\u00f5es, indica, devem ser contrastadas com a \u201cvigil\u00e2ncia\u201d, usando as \u201carmas poderosas\u201d da ora\u00e7\u00e3o, a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, os Sacramentos e com uma vida permeada pela caridade (n. 162).<\/p>\n<p>Importante, continua Francisco, \u00e9 tamb\u00e9m o \u201cdiscernimento\u201d, particularmente em uma \u00e9poca \u201cque oferece enormes possibilidades de a\u00e7\u00e3o e distra\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 das viagens, ao tempo livre, ao uso descontrolado da tecnologia \u2013 \u201cque n\u00e3o deixam espa\u00e7os vazios onde ressoa a voz de Deus \u201c. Francisco pede cuidados especiais para os jovens, muitas vezes \u201cexpostos a um constante zapping\u201d, em mundos virtuais distantes da realidade (n. 167).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se faz discernimento para descobrir o que mais podemos derivar dessa vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a miss\u00e3o que nos foi confiada no Batismo.\u201d (174)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 precisamente o esp\u00edrito de alegria que o papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua \u00faltima\u00a0Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, lan\u00e7ada nessa segunda-feira, 10\/04. O t\u00edtulo \u201cGaudete et Exsultate\u201d, \u201cAlegrai-vos e exultai,\u201d repete as palavras que Jesus dirige \u201caos que s\u00e3o perseguidos ou humilhados por causa dele\u201d. 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