{"id":39632,"date":"2018-04-04T13:47:29","date_gmt":"2018-04-04T16:47:29","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=39632"},"modified":"2018-04-04T13:47:29","modified_gmt":"2018-04-04T16:47:29","slug":"a-crise-na-republica-centro-africana-sob-os-olhos-de-dom-aguirre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-crise-na-republica-centro-africana-sob-os-olhos-de-dom-aguirre\/","title":{"rendered":"A crise na Rep\u00fablica Centro Africana sob os olhos de Dom Aguirre"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p>Cinco anos de guerra e viol\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o atual, a crise na Rep\u00fablica Centro Africana \u00e9 profundamente angustiante. Falando \u00e0 37\u00aa Sess\u00e3o Ordin\u00e1ria da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Dom Juan Jos\u00e9 Aguirre-Mu\u00f1oz, de Bangassou, descreveu o pa\u00eds como um \u201cestado falido\u201d. Desde a chegada do grupo isl\u00e2mico fundamentalista Seleka, em 2013, o pa\u00eds est\u00e1 \u201csem um ex\u00e9rcito, sem pol\u00edcia, sem um sistema judicial\u201d, disse ele. A aus\u00eancia total do Estado \u00e9 vis\u00edvel, ele acrescentou. H\u00e1, desse modo, uma absoluta aus\u00eancia de qualquer rea\u00e7\u00e3o por parte do Estado diante da atual e cont\u00ednua amea\u00e7a de um ataque \u00e0 cidade de Bangassou; cidade no sudeste do pa\u00eds, onde Dom Aguirre \u00e9 bispo nos \u00faltimos 17 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p>Dom Aguirre foi convidado a ir a Genebra na quarta-feira, 7 de mar\u00e7o, pela Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia ACN para falar em um evento dedicado \u00e0s minorias religiosas em conflitos armados no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1frica. O bispo de Bangassou \u00e9 espanhol, tem 63 anos e trabalha h\u00e1 38 anos como mission\u00e1rio na Rep\u00fablica Centro-Africana. Em sua participa\u00e7\u00e3o, pediu melhor \u201ccontrole e seguran\u00e7a nas fronteiras\u201d do pa\u00eds; uma vez que, no momento atual, elas estavam sendo livremente atravessadas por \u201ccriminosos de todo tipo, que est\u00e3o saqueando, destruindo e devastando\u201d o pa\u00eds. Al\u00e9m disso, acrescentou que o pa\u00eds est\u00e1 efetivamente \u201cnas m\u00e3os de mercen\u00e1rios\u201d. Ele apelou ao mesmo tempo por a\u00e7\u00e3o contra a venda de armas.<\/p>\n<h3>As origens da crise na Rep\u00fablica Centro Africana s\u00e3o econ\u00f4micas<\/h3>\n<p>A Rep\u00fablica Centro Africana est\u00e1 em \u00faltimo lugar no mundo no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano da ONU. A lista de suas afli\u00e7\u00f5es \u00e9 longa, explicou o bispo: \u201cAs pessoas est\u00e3o cansadas, abandonadas, abandonadas a si mesmas. Bairros inteiros foram arrasados porque os mercen\u00e1rios mu\u00e7ulmanos usaram o fogo como arma de guerra. Quase um milh\u00e3o de refugiados est\u00e3o atualmente abrigados no Congo. Assim, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o precisa de ajuda alimentar. Al\u00e9m disso, a mortalidade infantil aumentou consideravelmente como resultado da guerra e da viol\u00eancia. O sistema educacional n\u00e3o funciona h\u00e1 anos; o sistema de sa\u00fade \u00e9 inexistente. Nosso centro m\u00e9dico no norte da diocese foi destru\u00eddo, junto com nossa miss\u00e3o. Agora nada resta a n\u00e3o ser as funda\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Diante dessas dificuldades esmagadoras, Dom Aguirre fez um apelo \u00e0 ACN: \u201cPrecisamos de suas ora\u00e7\u00f5es. Pe\u00e7am que o Senhor nos ajude a discernir o que devemos fazer para poder sair da crise em que estamos\u201d, disse ele.<\/p>\n<h3>A guerra esquecida no cora\u00e7\u00e3o da \u00c1frica<\/h3>\n<p>O bispo apelou aos meios de comunica\u00e7\u00e3o para que falem \u00e0s pessoas sobre esta \u201cguerra esquecida no cora\u00e7\u00e3o de \u00c1frica\u201d. Ademais, ele pediu algo mais al\u00e9m: &#8220;Por favor, fa\u00e7a dessa guerra esquecida sua pr\u00f3pria preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m&#8221;. Ao mesmo tempo, no entanto, o bispo Aguirre pediu \u00e0s pessoas que n\u00e3o vissem essa guerra como &#8220;uma crise religiosa&#8221;; porque aqueles que a viveram desde o in\u00edcio sabem que \u00e9 o resultado de um \u201cproblema puramente econ\u00f4mico, embora indubitavelmente com consequ\u00eancias religiosas\u201d. Entre outras coisas, o bispo insistiu que \u201ca extra\u00e7\u00e3o de diamantes, ouro, ur\u00e2nio e petr\u00f3leo, o com\u00e9rcio de madeiras duras e a complexa quest\u00e3o da transum\u00e2ncia\u201d eram \u201cas verdadeiras raz\u00f5es por tr\u00e1s de nossas disputas\u201d. Ele suspeita de \u201cgrupos de interesse\u201d que est\u00e3o por tr\u00e1s da manipula\u00e7\u00e3o grosseira da informa\u00e7\u00e3o, junto com a triste revela\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 de fato interesses comerciais na crise na Rep\u00fablica Centro Africana.<\/p>\n<h3>A situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo inter-religioso<\/h3>\n<p>Para Dom Aguirre, a parte mais dif\u00edcil e triste do quadro \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual em rela\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo inter-religioso. \u201cApesar dos grandes esfor\u00e7os que os l\u00edderes crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos est\u00e3o fazendo em todo o pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o real hoje \u00e9 cr\u00edtica\u201d. N\u00e3o apenas porque alguns desses l\u00edderes foram atacados ou amea\u00e7ados, mas tamb\u00e9m porque \u201co \u00f3dio est\u00e1 crescendo entre grupos mu\u00e7ulmanos e n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos, assim como as rea\u00e7\u00f5es de intoler\u00e2ncia religiosa de ambos os lados\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito dif\u00edcil inclusive para os pr\u00f3prios padres. H\u00e1 meses est\u00e3o centro abrigados centenas de mu\u00e7ulmanos nos jardins da catedral. De modo que arriscam suas pr\u00f3prias vidas em um esfor\u00e7o para mediar os grupos fren\u00e9ticos e violentos da regi\u00e3o. O bispo explicou: &#8220;Estendemos a m\u00e3o \u00e0queles que nos atacaram, porque \u00e9 isso que a Igreja faz&#8221;. Ele ent\u00e3o lamentavelmente reconhece que &#8220;em meio a tanta viol\u00eancia n\u00f3s fomos obrigados a enterrar muitas pessoas de diferentes religi\u00f5es; assim foi&#8230; ali, numa vala comum, que finalmente se uniram novamente. Em paz&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, o Bispo Aguirre est\u00e1 convencido de que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ccontinuar trabalhando pela reconcilia\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a, paz e perd\u00e3o; de modo a desarmar o cora\u00e7\u00e3o das pessoas\u201d.<\/p>\n<p><em>A ACN tem ajudado o povo desde o in\u00edcio da crise na Rep\u00fablica Centro Africana. S\u00f3 em 2017, a funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia apoiou cerca de 30 projetos pastorais no pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco anos de guerra e viol\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o atual, a crise na Rep\u00fablica Centro Africana \u00e9 profundamente angustiante. Falando \u00e0 37\u00aa Sess\u00e3o Ordin\u00e1ria da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Dom Juan Jos\u00e9 Aguirre-Mu\u00f1oz, de Bangassou, descreveu o pa\u00eds como um \u201cestado falido\u201d. 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