{"id":39387,"date":"2018-03-25T13:24:44","date_gmt":"2018-03-25T16:24:44","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=39387"},"modified":"2018-03-26T14:10:16","modified_gmt":"2018-03-26T17:10:16","slug":"ele-vira-para-a-festa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ele-vira-para-a-festa\/","title":{"rendered":"Ele vir\u00e1 para a festa"},"content":{"rendered":"<p>A persegui\u00e7\u00e3o ao Cristo estava acirrada, com promessas de recompensas a quem denunciasse seu paradeiro. Ciente dessa conspira\u00e7\u00e3o, Jesus se refugiara em Bet\u00e2nia, na casa de L\u00e1zaro. Hordas de perseguidores vasculhavam toda a regi\u00e3o. Caif\u00e1s, o sumo sacerdote, havia jogado lenha na fogueira com seu coment\u00e1rio oportunista: \u201c\u00c9 melhor morrer um s\u00f3 homem do que toda uma na\u00e7\u00e3o\u201d. Profetizou a morte de um justo. Cegos e desorientados quanto \u00e0 verdade, muitos do povo se somaram \u00e0 \u201cca\u00e7ada\u201d daquele \u201c\u00fanico\u201d homem. Um an\u00f4nimo dentre eles comentou: \u201cAchais que Ele vir\u00e1 \u00e0 festa?\u201d Seria tolo um homem assim perseguido apresentar-se publicamente numa ocasi\u00e3o de festa religiosa. Seria entregar-se \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Mas eis que \u201caquele homem\u201d retoma seu caminho. E o faz com galhardia, de forma espont\u00e2nea, mas sem perder a majestade. Entra em Jerusal\u00e9m como um rei, um soberano amado e acolhido pelo povo com ramos de palma, mantos sob seus p\u00e9s e o grito \u201cHosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!\u201d (Jo 12, 13). Jesus vai para a Festa.<\/p>\n<p>Que festa aquela, quando tudo apontava para sua condena\u00e7\u00e3o e morte, quando as for\u00e7as ocultas do temer\u00e1rio poder humano j\u00e1 haviam determinado sua senten\u00e7a capital, quando aqueles que rejeitavam sua doutrina, seus milagres, sua proposta de mudan\u00e7as, suas promessas de novo sentido \u00e0 festa judaica, nova \u201cpassagem\u201d da morte para a vida, da escravid\u00e3o para a liberdade, do pecado para a gra\u00e7a, se dividiam entre aclam\u00e1-lo como rei e entreg\u00e1-lo como bandido? Qual a verdadeira motiva\u00e7\u00e3o de t\u00e3o sinistra P\u00e1scoa?<\/p>\n<p>Os fatos que se seguiram bem conhecemos hoje. Dois mil\u00eanios depois, a turba dos indecisos parece ser a mesma daqueles dias. Ainda estamos divididos. Ainda n\u00e3o vislumbramos com clareza o sentido dessa festa. Ainda nos perdemos em nossos becos e vielas \u00e0 procura do nosso cordeiro pascal, que Abr\u00e3o encontrou entre espinhos e em circunst\u00e2ncias de d\u00favidas. Sacrificar o pr\u00f3prio filho \u00fanico ou aceitar o holocausto de uma ovelha qualquer? Oferecer a Deus um sacrif\u00edcio perfeito, que externe nossas fraquezas e nossa gratid\u00e3o plena, ou trair sua confian\u00e7a com ofertas impuras, insignificantes, temer\u00e1rias diante de suas gra\u00e7as e seu amor sempre providencial? Eis que a festa ainda \u00e9 a mesma. Eis que ainda a realizamos de forma significativa para nossas vidas, apesar da relutante d\u00favida que permeia nossos cora\u00e7\u00f5es endurecidos pela raz\u00e3o: Ser\u00e1 que Ele vir\u00e1? Ser\u00e1 mesmo que Jesus ressuscitado estar\u00e1 presente em nossas festas pascais, em nossas celebra\u00e7\u00f5es de f\u00e9 que reafirmam a presen\u00e7a viva do cordeiro de Deus entre n\u00f3s, em n\u00f3s?<\/p>\n<p>Um crist\u00e3o coerente n\u00e3o estaciona na paix\u00e3o e morte, na via sacra cotidiana, nos limites da nossa insignific\u00e2ncia terrena. Passa por esses momentos, mas t\u00eam \u00e0 frente a certeza de sua vit\u00f3ria, sua glorifica\u00e7\u00e3o plena. Se os horrores do calv\u00e1rio \u2013 seja o de Cristo ou nosso pr\u00f3prio \u2013 s\u00e3o capazes de despertar em n\u00f3s o natural instinto de sobreviv\u00eancia ou supera\u00e7\u00e3o, a luz da ressurrei\u00e7\u00e3o estar\u00e1 sempre \u00e0 frente, a ponto de olharmos para a cruz e nela enxergarmos a luz&#8230;. a mesma luz que um dia Jesus afirmou ser. Essa \u00e9 a festa dos que professam uma f\u00e9 al\u00e9m da realidade que nos cerca. Se existir trevas, persegui\u00e7\u00e3o, dor e morte no caminho, n\u00e3o olhe apenas isso, n\u00e3o estacione sua vida nos limites das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, mas estenda seu olhar para o horizonte al\u00e9m dessas; uma festa maior est\u00e1 nos sendo preparada. Um banquete primoroso nos aguarda num futuro de alegrias duradouras, onde encontraremos o Senhor da Festa, aquele que j\u00e1 trilhou esse caminho que hoje \u00e9 nosso e agora torce por n\u00f3s. P\u00e1scoa \u00e9 isso: passagem. Um parto para nova vida, vida nova. Acredite: o Senhor estar\u00e1 nessa sua festa!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A persegui\u00e7\u00e3o ao Cristo estava acirrada, com promessas de recompensas a quem denunciasse seu paradeiro. Ciente dessa conspira\u00e7\u00e3o, Jesus se refugiara em Bet\u00e2nia, na casa de L\u00e1zaro. Hordas de perseguidores vasculhavam toda a regi\u00e3o. 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