{"id":39099,"date":"2018-03-14T15:52:38","date_gmt":"2018-03-14T18:52:38","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=39099"},"modified":"2018-03-16T15:54:47","modified_gmt":"2018-03-16T18:54:47","slug":"o-aniversario-do-papa-francisco-em-sua-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-aniversario-do-papa-francisco-em-sua-missao\/","title":{"rendered":"O anivers\u00e1rio do Papa Francisco em sua miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Desejo, junto com nossa querida Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, unir-me a toda Igreja que, de modo jubiloso, comemora o quinto ano de Francisco como Bispo de Roma (elei\u00e7\u00e3o dia 13 e in\u00edcio do minist\u00e9rio dia 19 de mar\u00e7o de 2018). Quero, neste momento importante, escrever sobre um aspecto muito importante: a miss\u00e3o do Papa, Bispo de Roma, como cabe\u00e7a vis\u00edvel da Igreja, de acordo com a inten\u00e7\u00e3o de Cristo (cf. Mt 16.18-19).<\/p>\n<p>Valho-me do <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em> (n. 880-885) que, por sua vez, como se ver\u00e1, faz ressoar, em seus cristalinos ensinamentos, os documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II (1962-1965), especialmente, a <em>Lumen Gentium<\/em> (LG), sobre a Igreja. Quem ama e entende sua M\u00e3e, \u201csente\u201d com a Igreja e est\u00e1 em comunh\u00e3o com o Santo Padre. Santa Catarina de Sena, grande m\u00edstica e doutora da Igreja, deixou-nos o exemplo de quem reconhece e ama, acima de tudo, o Papa, \u201co doce Cristo na terra\u201d, dando ao seu magist\u00e9rio o assentimento que merece, no grau moral e can\u00f4nico devido a todo bom fiel.<\/p>\n<p>Leiamos, de forma atenta, o <em>Catecismo<\/em>: \u201cCristo, ao instituir os Doze, \u2018deu-lhes a forma dum corpo colegial, quer dizer, dum grupo est\u00e1vel, e colocou \u00e0 sua frente Pedro, escolhido de entre eles\u2019 (<em>LG<\/em>, 19). \u2018Assim como, por institui\u00e7\u00e3o do Senhor, Pedro e os outros ap\u00f3stolos formam um s\u00f3 col\u00e9gio apost\u00f3lico, assim de igual modo o pont\u00edfice romano, sucessor de Pedro, e os bispos, sucessores dos Ap\u00f3stolos, est\u00e3o unidos entre si\u2019 (<em>LG<\/em>, 22).\u201d<\/p>\n<p>\u201cFoi s\u00f3 de Sim\u00e3o, a quem deu o nome de Pedro, que o Senhor fez a pedra da sua Igreja. Confiou-lhe as chaves desta (cf. Mt 16,18-19) e instituiu-o pastor de todo o rebanho (cf. Jo 21,15-17). \u2018Mas o m\u00fanus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, tamb\u00e9m foi dado, sem d\u00favida alguma, ao col\u00e9gio dos Ap\u00f3stolos unidos ao seu chefe\u2019 (<em>LG<\/em>, 22). Este m\u00fanus pastoral de Pedro e dos outros ap\u00f3stolos pertence aos fundamentos da Igreja e \u00e9 continuado pelos bispos sob o primado do Papa.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO\u00a0<em>Papa,\u00a0<\/em>bispo de Roma e sucessor de S\u00e3o Pedro, \u2018\u00e9 princ\u00edpio perp\u00e9tuo e vis\u00edvel, e fundamento da unidade que liga, entre si, tanto os bispos como a multid\u00e3o dos fi\u00e9is\u2019 (LG 23). \u2018Com efeito, em virtude do seu cargo de vig\u00e1rio de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pont\u00edfice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer\u2019 (<em>LG<\/em>, 22; <em>Christus Dominus<\/em>, 2;9).\u201d<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos demais bispos, se l\u00ea: \u201c\u2018O<em>\u00a0col\u00e9gio ou corpo episcopal\u00a0<\/em>n\u00e3o tem autoridade a n\u00e3o ser em uni\u00e3o com o pont\u00edfice romano [&#8230;] como sua cabe\u00e7a\u2019. Como tal, este col\u00e9gio \u00e9 \u2018tamb\u00e9m sujeito do poder supremo e pleno sobre toda a Igreja, poder que, no entanto, s\u00f3 pode ser exercido com o consentimento do pont\u00edfice romano\u2019 (<em>LG<\/em>, 22; <em>C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico (CIC)<\/em>, c\u00e2n. 336)\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO col\u00e9gio dos bispos exerce de modo solene o poder sobre toda a Igreja no conc\u00edlio ecum\u00eanico\u201d (<em>CIC<\/em>, c\u00e2n 337,1). Mas \u2018n\u00e3o h\u00e1 concilio ecum\u00eanico se n\u00e3o for, como tal, confirmado, ou pelo menos aceite, pelo sucessor de Pedro\u2019 (<em>LG<\/em>, 22). \u2018Pela sua m\u00faltipla composi\u00e7\u00e3o, este col\u00e9gio exprime a variedade e a universalidade do povo de Deus: enquanto reunido sob uma s\u00f3 cabe\u00e7a, revela a unidade do rebanho de Cristo\u2019 (<em>LG<\/em>, 22).\u201d<\/p>\n<p>Isso citado, cabe entender melhor \u00e0 luz da boa Teologia, o que significa Magist\u00e9rio ordin\u00e1rio e extraordin\u00e1rio da Igreja e o como e quando \u00e9 exercido. Valemo-nos da obra do Pe. Maur\u00edlio Teixeira-Leite Penido.\u00a0<em>Inicia\u00e7\u00e3o Teol\u00f3gica I: O Mist\u00e9rio da Igreja<\/em>. Petr\u00f3polis: Ed. Vozes, 1956, p. 291-293. Ensina ele, de modo simples, mas profundo e elucidativo, que \u201co Magist\u00e9rio infal\u00edvel da Igreja se expressa de duas maneiras, conforme ensina o Conc\u00edlio do Vaticano: \u2018Com f\u00e9 divina e cat\u00f3lica deve ser crido tudo o que est\u00e1 contido na palavra de Deus \u2013 escrita, ou conservada pela Tradi\u00e7\u00e3o \u2013 e que, por ju\u00edzo solene ou magist\u00e9rio ordin\u00e1rio e universal, a Igreja prop\u00f5e como divinamente revelado\u2019 (cf. Denzinger, 1792)\u201d.<\/p>\n<p>Mais: \u201c1\u00ba. Magist\u00e9rio solene ou extraordin\u00e1rio: a) o Sumo Pont\u00edfice falando \u2018ex cathedra\u2019 (por ex.: Pio XII definiu a Assun\u00e7\u00e3o); b) os Bispos em comunh\u00e3o com o Papa, reunidos em conc\u00edlio universal (por ex.: o Conc\u00edlio do Vaticano I definiu a infalibilidade pontifical). 2\u00ba. Magist\u00e9rio ordin\u00e1rio universal: a generalidade dos Bispos em comunh\u00e3o com o Papa \u2013 e n\u00e3o reunidos em conc\u00edlio \u2013 ensinando uma doutrina como de f\u00e9 (Se est\u00e3o reunidos em Conc\u00edlio, reca\u00edmos no caso do Magist\u00e9rio solene. Aqui se trata da prega\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, un\u00e2nime do episcopado)\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel, portanto, o ensino habitual ou cotidiano do Papa, nem o dos Bispos isoladamente, ou mesmo reunidos em conc\u00edlios parciais (Pio VI Denz 1593 \u2013 A menos que o Conc\u00edlio particular seja solenemente aprovado pelo Papa: por ex.: o 2\u00ba. Conc\u00edlio de Orange sancionado, em 531, por Bonif\u00e1cio II cf. Denz 200\u00aa. Mas ent\u00e3o reca\u00edmos no Magist\u00e9rio extraordin\u00e1rio)\u201d.<\/p>\n<p>Daqui, poderia algu\u00e9m ser \u2013 erroneamente, \u00e9 claro \u2013, levado a pensar que quando o ensinamento n\u00e3o \u00e9 solene (<em>ex cathedra<\/em>) n\u00e3o mereceria acatamento por parte do Povo de Deus. Ora, o Conc\u00edlio Vaticano II explicou, na <em>Lumen Gentium<\/em>, 25, os dois modos de se exercer o Magist\u00e9rio da Igreja, com as seguintes palavras: do magist\u00e9rio ordin\u00e1rio: uma \u201creligiosa submiss\u00e3o da vontade e do entendimento \u00e9 por especial raz\u00e3o devida ao magist\u00e9rio aut\u00eantico do Romano Pont\u00edfice, mesmo quando n\u00e3o fala\u00a0<em>ex cathedra<\/em>; de maneira que o seu supremo magist\u00e9rio seja reverentemente reconhecido, se preste sincera ades\u00e3o aos ensinamentos que dele emanam, segundo o seu sentir e vontade; estes manifestam-se sobretudo quer pela \u00edndole dos documentos, quer pelas frequentes repeti\u00e7\u00f5es da mesma doutrina, quer pelo modo de falar\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o aspecto infal\u00edvel, continua o mesmo documento: \u201cEmbora os Bispos, individualmente, n\u00e3o gozem da prerrogativa da infalibilidade, anunciam, por\u00e9m, infalivelmente a doutrina de Cristo sempre que, embora dispersos pelo mundo mas unidos entre si e com o sucessor de Pedro, ensinam autenticamente mat\u00e9ria de f\u00e9 ou costumes concordando em que uma doutrina deve ser tida por definida. O que se verifica ainda mais manifestamente quando, reunidos em Conc\u00edlio Ecum\u00eanico, s\u00e3o doutores e ju\u00edzes da f\u00e9 e dos costumes para toda a Igreja, devendo-se aderir com f\u00e9 \u00e0s suas defini\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMas esta infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a Sua igreja, na defini\u00e7\u00e3o de doutrinas de f\u00e9 ou costumes, estende-se tanto quanto se estende o dep\u00f3sito da divina Revela\u00e7\u00e3o, o qual se deve religiosamente guardar e fielmente expor. Desta mesma infalibilidade goza o Romano Pont\u00edfice em raz\u00e3o do seu of\u00edcio de cabe\u00e7a do col\u00e9gio episcopal, sempre que, como supremo pastor dos fi\u00e9is crist\u00e3os, que deve confirmar na f\u00e9 os seus irm\u00e3os (cf. Lc 22,32), define alguma doutrina em mat\u00e9ria de f\u00e9 ou costumes. As suas defini\u00e7\u00f5es com raz\u00e3o se dizem irreform\u00e1veis por si mesmas e n\u00e3o pelo consenso da Igreja, pois foram pronunciadas sob a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo, que lhe foi prometida na pessoa de S. Pedro. N\u00e3o precisam, por isso, de qualquer alheia aprova\u00e7\u00e3o, nem s\u00e3o suscept\u00edveis de apela\u00e7\u00e3o a outro ju\u00edzo. Pois, nesse caso, o Romano Pont\u00edfice n\u00e3o fala como pessoa privada, mas exp\u00f5e ou defende a doutrina da f\u00e9 cat\u00f3lica como mestre supremo da Igreja universal, no qual reside de modo singular o carisma da infalibilidade da mesma Igreja. A infalibilidade prometida \u00e0 Igreja reside tamb\u00e9m no col\u00e9gio episcopal, quando este exerce o supremo magist\u00e9rio em uni\u00e3o com o sucessor de Pedro. A estas defini\u00e7\u00f5es nunca pode faltar o assentimento da Igreja, gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que conserva e faz progredir na unidade da f\u00e9 todo o rebanho de Cristo.\u201d<\/p>\n<p>Irm\u00e3o e irm\u00e3, as defini\u00e7\u00f5es <em>ex cathedra<\/em> s\u00e3o muito raras na vida da Igreja. Sup\u00f5em forte contesta\u00e7\u00e3o a uma verdade revelada para que se defina com clareza a f\u00e9 da igreja. Contudo, o magist\u00e9rio ordin\u00e1rio do Santo Padre se exerce sempre e merece \u201creligiosa aceita\u00e7\u00e3o\u201d, nunca menosprezo.<\/p>\n<p>Desejamos \u2013 a Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro junto com o seu Pastor, os Bispos auxiliares, todo o clero, consagrados e consagradas, leigos e leigas e pessoas de boa vontade em geral \u2013 que o Santo Padre, o Padre, o Papa Francisco, tenha um longo e prof\u00edcuo minist\u00e9rio \u00e0 frente da Barca de Cristo, a Igreja, e nos ajude a entender com f\u00e9, alegria e esperan\u00e7a o seu modo de ser e agir como grande arauto da miseric\u00f3rdia em um mundo t\u00e3o marcado pela viol\u00eancia, pela injusti\u00e7a, pela desconfian\u00e7a e o desalento.<\/p>\n<p>Ao Santo Padre bem se aplica a m\u00e1xima popular: \u201cSe o serm\u00e3o cativa, o exemplo arrasta\u201d&#8230; Possa o Papa Francisco conduzir, ainda, muitos homens e mulheres para Cristo como incans\u00e1vel mission\u00e1rio do Senhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desejo, junto com nossa querida Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, unir-me a toda Igreja que, de modo jubiloso, comemora o quinto ano de Francisco como Bispo de Roma (elei\u00e7\u00e3o dia 13 e in\u00edcio do minist\u00e9rio dia 19 de mar\u00e7o de 2018). 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