{"id":38999,"date":"2018-03-13T09:40:03","date_gmt":"2018-03-13T12:40:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=38999"},"modified":"2018-03-13T09:54:30","modified_gmt":"2018-03-13T12:54:30","slug":"evangelii-gaudium-o-programa-do-pontificado-de-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/evangelii-gaudium-o-programa-do-pontificado-de-francisco\/","title":{"rendered":"Evangelii Gaudium: o \u201cprograma\u201d do pontificado de Francisco"},"content":{"rendered":"<p>Com a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii Gaudium, o Papa apresenta os objetivos do seu pontificado: uma Igreja mission\u00e1ria, em sa\u00edda, com as portas abertas e que saiba anunciar a todos a alegria do Evangelho.<\/p>\n<p>Cidade do Vaticano \u2013<\/p>\n<p>Nos cinco anos do anivers\u00e1rio da elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, propomos a sua primeira Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, a \u201cEvangelii Gaudium\u201d, considerada o \u201cprograma\u201d do seu pontificado. O texto, de mais de 220 p\u00e1ginas, foi publicado em 26 de novembro de 2013.<\/p>\n<p>O documento nasceu da XIII Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos sobre \u201cA nova evangeliza\u00e7\u00e3o para a transmiss\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3\u201d, de 2012.<br \/>\nO Papa reelabora o que emergiu desse S\u00ednodo de modo pessoal, escrevendo um documento program\u00e1tico e exortativo, utilizando a forma de \u201cExorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u201d. Como tal, tem estilo e linguagem pr\u00f3prios: coloquial e direto, como manifestou Francisco em seus meses de pontificado.<\/p>\n<p>A missionariedade \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do texto, em que o Papa convida todos os fi\u00e9is crist\u00e3os a uma nova etapa evangelizadora, caracterizada pela alegria.<\/p>\n<p>Trata-se de cinco cap\u00edtulos: \u201cA transforma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja\u201d, \u201cNa crise do compromisso comunit\u00e1rio\u201d, \u201cO an\u00fancio do Evangelho\u201d, \u201cA dimens\u00e3o social da evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cEvangelizadores com esp\u00edrito\u201d.<br \/>\nA alegria do evangelho<\/p>\n<p>\u201cA alegria do evangelho enche o cora\u00e7\u00e3o e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus\u201d: assim tem in\u00edcio o texto. \u201cDesejo dirigir-me aos fi\u00e9is crist\u00e3os \u2013 escreve o Papa \u2013 para convid\u00e1-los a uma nova etapa de evangeliza\u00e7\u00e3o marcada por esta alegria e indicar dire\u00e7\u00f5es para o caminho da Igreja nos pr\u00f3ximos anos\u201d (1). Trata-se de um premente apelo a todos os batizados para que com renovado fervor e dinamismo levem aos outros o amor de Jesus num \u201cestado permanente de miss\u00e3o\u201d (25), vencendo \u201co grande risco do mundo atual\u201d, o de cair \u201cnuma tristeza individualista\u201d (2).<\/p>\n<p>O Papa nos convida a \u201crecuperar a frescura original do Evangelho\u201d, encontrando \u201cnovas formas\u201d e \u201cm\u00e9todos criativos\u201d, a n\u00e3o aprisionarmos Jesus nos nossos \u201cesquemas mon\u00f3tonos\u201d (11). Precisamos de uma \u201cuma convers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria, que n\u00e3o pode deixar as coisas como elas s\u00e3o\u201d (25) e uma \u201creforma das estruturas\u201d eclesiais para que \u201ctodas se tornem mais mission\u00e1rias\u201d (27) . O Pont\u00edfice pensa tamb\u00e9m numa \u201cconvers\u00e3o do papado\u201d, para que seja \u201cmais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e \u00e0s necessidades atuais da evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. A esperan\u00e7a que as Confer\u00eancias Episcopais pudessem dar um contributo para que \u201co sentido de colegialidade\u201d se realizasse \u201cconcretamente\u201d \u2013 afirma o Papa \u2013 \u201cn\u00e3o se realizou plenamente\u201d (32). E\u2019 necess\u00e1ria uma \u201csaud\u00e1vel descentraliza\u00e7\u00e3o\u201d (16). Nesta renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deve ter medo de rever costumes da Igreja \u201cn\u00e3o diretamente ligados ao n\u00facleo do Evangelho, alguns dos quais profundamente enraizados ao longo hist\u00f3ria\u201d (43) .<br \/>\nAbrir as portas<\/p>\n<p>Sinal de acolhimento de Deus \u00e9 \u201cter por todo lado igrejas com as portas abertas\u201d para que aqueles que est\u00e3o \u00e0 procura n\u00e3o encontrem \u201ca frieza de uma porta fechada\u201d. \u201cNem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo\u201d. Assim, a Eucaristia \u201cn\u00e3o \u00e9 um pr\u00eamio para os perfeitos mas um generoso rem\u00e9dio e um alimento para os fracos. Estas convic\u00e7\u00f5es t\u00eam tamb\u00e9m consequ\u00eancias pastorais que somos chamados a considerar com prud\u00eancia e aud\u00e1cia\u201d (47). Reafirma de preferir uma Igreja \u201cferida e suja por ter sa\u00eddo pelas estradas, em vez de uma igreja \u2026 preocupada em ser o centro e que acaba prisioneira num emaranhado de obsess\u00f5es e procedimentos. Se algo nos deve santamente perturbar \u2026 \u00e9 que muitos dos nossos irm\u00e3os vivem \u201csem a amizade de Jesus (49).<\/p>\n<p>O Papa aponta as \u201ctenta\u00e7\u00f5es dos agentes da pastoral\u201d: o individualismo, a crise de identidade, o decl\u00ednio no fervor (78). \u201cA maior amea\u00e7a\u201d \u00e9 \u201co pragmatismo incolor da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede na faixa normal, quando na realidade a f\u00e9 se vai desgastando\u201d (83). Exorta a n\u00e3o se deixar levar por um \u201cpessimismo est\u00e9ril \u201d (84 ) e a sermos sinais de esperan\u00e7a (86) aplicando a \u201crevolu\u00e7\u00e3o da ternura\u201d (88). E\u2019 necess\u00e1rio fugir da \u201cespiritualidade do bem-estar\u201d que recusa \u201cempenhos fraternos\u201d (90) e vencer a \u201cmundanidade espiritual\u201d, que \u201cconsiste em buscar, em vez da gl\u00f3ria do Senhor, a gl\u00f3ria humana\u201d (93) . O Papa fala daqueles que \u201cse sentem superiores aos outros\u201d, porque \u201d inflexivelmente fi\u00e9is a um certo estilo cat\u00f3lico pr\u00f3prio do passado\u201d e \u201cem vez de evangelizar \u2026 classificam os outros\u201d, ou daqueles que t\u00eam um \u201ccuidado ostensivo da liturgia, da doutrina e do prest\u00edgio da Igreja, mas sem que se preocupem com a inser\u00e7\u00e3o real do Evangelho\u201d nas necessidades das pessoas ( 95). Esta \u201c\u00e9 uma tremenda corrup\u00e7\u00e3o com a apar\u00eancia de bem \u2026 Deus nos livre de uma igreja mundana sob cortinas espirituais ou pastorais\u201d (97) .<br \/>\nEle lan\u00e7a um apelo \u00e0s comunidades eclesiais para n\u00e3o ca\u00edrem nas invejas e ci\u00fames: \u201cdentro do povo de Deus e nas diversas comunidades, quantas guerras\u201d (98). \u201cA quem queremos evangelizar com estes comportamentos?\u201d (100).<br \/>\nResponsabilidade dos leigos<\/p>\n<p>Sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos \u201c\u00e0 margem nas decis\u00f5es\u201d por um \u201cexcessivo clericalismo\u201d (102). Afirma que \u201cainda h\u00e1 necessidade de se ampliar o espa\u00e7o para uma presen\u00e7a feminina mais incisiva na Igreja\u201d, em particular \u201cnos diferentes lugares onde s\u00e3o tomadas as decis\u00f5es importantes\u201d (103). \u201cAs reivindica\u00e7\u00f5es dos direitos leg\u00edtimos das mulheres \u2026 n\u00e3o se podem sobrevoar superficialmente\u201d (104). Os jovens devem ter \u201cum maior protagonismo\u201d (106). Diante da escassez de voca\u00e7\u00f5es em alguns lugares o Papa afirma que \u201cn\u00e3o se podem encher os semin\u00e1rios baseados em qualquer tipo de motiva\u00e7\u00e3o\u201d (107).<br \/>\nAbordando o tema da incultura\u00e7\u00e3o, o Papa lembra que \u201co cristianismo n\u00e3o disp\u00f5e de um \u00fanico modelo cultural\u201d e que o rosto da Igreja \u00e9 \u201cmultiforme\u201d (116). \u201cN\u00e3o podemos esperar que todos povos \u2026 para expressar a f\u00e9 crist\u00e3, tenham de imitar as modalidades adotadas pelos povos europeus num determinado momento da hist\u00f3ria\u201d (118). O Papa reitera \u201ca for\u00e7a evangelizadora da piedade popular\u201d (122) e incentiva a pesquisa dos te\u00f3logos convidando-os a ter \u201ca peito a finalidade evangelizadora da Igreja\u201d e a n\u00e3o se contentar \u201ccom uma teologia de escrit\u00f3rio\u201d (133).<br \/>\nHomilia<\/p>\n<p>Em seguida o Papa det\u00e9m-se \u201ccom uma certa meticulosidade, na homilia\u201d, porque \u201cs\u00e3o muitas as reclama\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a este importante minist\u00e9rio e n\u00e3o podemos fechar os ouvidos\u201d (135). A homilia \u201cdeve ser breve e evitar de parecer uma confer\u00eancia ou uma aula \u201d (138), deve ser capaz de dizer \u201cpalavras que fa\u00e7am arder os cora\u00e7\u00f5es\u201d, evitando uma \u201cprega\u00e7\u00e3o puramente moralista ou de endoutrinar\u201d (142). Sublinha a import\u00e2ncia da prepara\u00e7\u00e3o \u201c, um pregador que n\u00e3o se prepara n\u00e3o \u00e9 \u2018espiritual\u2019, \u00e9 desonesto e irrespons\u00e1vel\u201d (145). \u201cUma boa homilia deve conter \u2026 \u2018uma ideia, um sentimento, uma imagem&#8217;\u201d (157). A prega\u00e7\u00e3o deve ser positiva, para que possa oferecer \u201csempre esperan\u00e7a\u201d e n\u00e3o deixe \u201cprisioneiros da negatividade\u201d (159). O pr\u00f3prio an\u00fancio do Evangelho deve ter caracter\u00edsticas positivas: \u201cproximidade, abertura ao di\u00e1logo, paci\u00eancia, acolhimento cordial que n\u00e3o condena\u201d (165).<br \/>\nDesafios do mundo contempor\u00e2neo<\/p>\n<p>Falando dos desafios do mundo contempor\u00e2neo, o Papa denuncia o atual sistema econ\u00f3mico: \u201c\u00e9 injusto pela raiz\u201d (59). \u201d Esta economia mata\u201d porque prevalece a \u201clei do mais forte\u201d. A atual cultura do \u201cdescart\u00e1vel\u201d criou \u201calgo de novo\u201d: \u201cos exclu\u00eddos n\u00e3o s\u00e3o \u2018explorados\u2019, mas \u2018lixo\u2019, \u2018sobras&#8217;\u201d (53). Vivemos uma \u201cnova tirania invis\u00edvel, por vezes virtual\u201d de um \u201cmercado divinizado\u201d, onde reinam a \u201cespecula\u00e7\u00e3o financeira\u201d, \u201ccorrup\u00e7\u00e3o ramificada\u201d, \u201cevas\u00e3o fiscal ego\u00edsta\u201d (56). Denuncia os \u201cataques \u00e0 liberdade religiosa\u201d e as \u201cnovas situa\u00e7\u00f5es de persegui\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os \u2026 Em muitos lugares trata-se pelo contr\u00e1rio de uma difusa indiferen\u00e7a relativista\u201d (61). A fam\u00edlia \u2013 continua o Papa \u2013 \u201catravessa uma crise cultural profunda\u201d \u201d Reafirmando \u201ca contribui\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel do matrim\u00f3nio para a sociedade\u201d (66 ), sublinha que \u201co individualismo p\u00f3s-moderno e globalizado promove um estilo de vida \u2026 que perverte os v\u00ednculos familiares\u201d (67) .<br \/>\nO Papa Francisco reafirma \u201ca \u00edntima conex\u00e3o entre evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana\u201d (178 ) e o direito dos Pastores \u201cpara emitir opini\u00f5es sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas\u201d (182). \u201cNingu\u00e9m pode exigir de n\u00f3s que releguemos a religi\u00e3o \u00e0 secreta intimidade das pessoas, sem qualquer influ\u00eancia na vida social\u201d.<\/p>\n<p>Cita Jo\u00e3o Paulo II onde diz que a Igreja \u201cn\u00e3o pode nem deve ficar \u00e0 margem da luta pela justi\u00e7a\u201d (183). \u201cPara a Igreja, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 uma categoria teol\u00f3gica\u201d antes de ser sociol\u00f3gica. \u201cPor isso pe\u00e7o uma Igreja pobre para os pobres. Eles t\u00eam muito a ensinar-nos\u201d (198). \u201cAt\u00e9 que n\u00e3o se resolvam radicalmente os problemas dos pobres \u2026 n\u00e3o se resolver\u00e3o os problemas do mundo\u201d (202). \u201cA pol\u00edtica, tanto denunciada\u201d \u2013 diz ele \u2013 \u201c\u00e9 uma das formas mais preciosas de caridade\u201d. \u201cRezo ao Senhor para que nos d\u00ea mais pol\u00edticos que tenham verdadeiramente a peito \u2026 a vida dos pobres!\u201d Em seguida, um aviso: \u201cqualquer comunidade dentro da Igreja\u201d que se esquecer dos pobres corre \u201co risco de dissolu\u00e7\u00e3o\u201d (207) .<br \/>\nCuidar dos mais fracos<\/p>\n<p>O Papa nos convida a cuidar dos mais fracos: \u201cos sem-teto, os dependentes de drogas, os refugiados, os povos ind\u00edgenas, os idosos cada vez mais s\u00f3s e abandonados\u201d e os migrantes, para quem o Papa exorta os Pa\u00edses \u201ca uma abertura generosa\u201d (210 ). Fala das v\u00edtimas de tr\u00e1fico e de novas formas de escravid\u00e3o: \u201cNas nossas cidades est\u00e1 implantado este crime mafioso e aberrante, e muitos t\u00eam as m\u00e3os cheias de sangue por causa de uma cumplicidade c\u00f3moda e silenciosa\u201d (211). \u201cDuplamente pobres s\u00e3o as mulheres que sofrem situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o, maus tratos e viol\u00eancia\u201d ( 212) . \u201cEntre estes fracos que a Igreja quer cuidar\u201d est\u00e3o \u201cas crian\u00e7as em gesta\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o as mais indefesas e inocentes de todos, \u00e0s quais hoje se quer negar a dignidade humana\u201d (213) . \u201cN\u00e3o se deve esperar que a Igreja mude a sua posi\u00e7\u00e3o sobre esta quest\u00e3o \u2026 N\u00e3o \u00e9 progressista fingir de resolver os problemas eliminando uma vida humana\u201d (214). E depois, um apelo para o respeito de toda a cria\u00e7\u00e3o: \u201csomos chamados a cuidar da fragilidade das pessoas e do mundo em que vivemos\u201d ( 216) .<br \/>\nPaz<\/p>\n<p>No que diz respeito ao tema da paz, o Papa afirma que \u00e9 \u201cnecess\u00e1ria uma voz prof\u00e9tica\u201d quando se quer implementar uma falsa reconcilia\u00e7\u00e3o \u201cque mant\u00e9m calados\u201d os pobres, enquanto alguns \u201cn\u00e3o querem renunciar aos seus privil\u00e9gios\u201d (218). Para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade \u201cem paz, justi\u00e7a e fraternidade\u201d indica quatro princ\u00edpios (221): \u201co tempo \u00e9 superior ao espa\u00e7o\u201d (222) significa \u201ctrabalhar a longo prazo, sem a obsess\u00e3o dos resultados imediatos\u201d (223). \u201cA unidade prevalece sobre o conflito\u201d (226) significa operar para que os opostos atinjam \u201cuma unidade multi-facetada que gera nova vida\u201d (228). \u201cA realidade \u00e9 mais importante que a ideia\u201d (231) significa evitar que a pol\u00edtica e a f\u00e9 sejam reduzidas \u00e0 ret\u00f3rica (232). \u201cO todo \u00e9 maior do que a parte\u201d significa colocar em conjunto globaliza\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o (234).<br \/>\nDi\u00e1logo<\/p>\n<p>\u201cA evangeliza\u00e7\u00e3o \u2013 prossegue o Papa \u2013 tamb\u00e9m implica um caminho de di\u00e1logo\u201d, que abre a Igreja para colaborar com todas as realidades pol\u00edticas, sociais, religiosas e culturais (238). O ecumenismo \u00e9 \u201cuma via imprescind\u00edvel da evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. Importante o enriquecimento rec\u00edproco: \u201cquantas coisas podemos aprender uns dos outros!\u201d, por exemplo\u201d, no di\u00e1logo com os irm\u00e3os ortodoxos, n\u00f3s os cat\u00f3licos temos a possibilidade de aprender alguma coisa mais sobre o sentido da colegialidade episcopal e a sua experi\u00eancia de sinodalidade\u201d (246), \u201d o di\u00e1logo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos disc\u00edpulos de Jesus\u201d (248 ), \u201co di\u00e1logo inter-religioso\u201d, que deve ser conduzido \u201ccom uma identidade clara e alegre\u201d , \u00e9 \u201d uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a paz no mundo\u201d, e n\u00e3o obscurece a evangeliza\u00e7\u00e3o (250-251), \u201cnesta \u00e9poca adquire not\u00e1vel import\u00e2ncia a rela\u00e7\u00e3o com os crentes do Isl\u00e3o (252): o Papa implora \u201chumildemente\u201d para que os Pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica garantam a liberdade religiosa para os crist\u00e3os, mesmo \u201ctendo em conta a liberdade de que gozam os crentes do Isl\u00e3o nos pa\u00edses ocidentais\u201d. \u201cDiante de epis\u00f3dios de fundamentalismo violento\u201d o Papa convida a \u201cevitar odiosas generaliza\u00e7\u00f5es, porque o verdadeiro Isl\u00e3o e uma adequada interpreta\u00e7\u00e3o do Alcor\u00e3o se op\u00f5em a toda a viol\u00eancia\u201d ( 253). E contra a tentativa de privatizar as religi\u00f5es em alguns contextos, afirma que \u201co respeito devido \u00e0s minorias de agn\u00f3sticos ou n\u00e3o-crentes n\u00e3o se deve impor de forma arbitr\u00e1ria, que silencie as convic\u00e7\u00f5es das maiorias de crentes ou ignore a riqueza das tradi\u00e7\u00f5es religiosas\u201d (255). E reafirma, portanto, a import\u00e2ncia do di\u00e1logo e da alian\u00e7a entre crentes e n\u00e3-crentes (257) .<br \/>\nEsp\u00edrito Santo<\/p>\n<p>O \u00faltimo cap\u00edtulo \u00e9 dedicado aos \u201cevangelizadores com o Esp\u00edrito\u201d, que s\u00e3o aqueles \u201cque se abrem sem medo \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u201d, que \u201cinfunde a for\u00e7a para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia ), em voz alta e em todo tempo e lugar, mesmo contra a corrente\u201d (259). Trata-se de \u201cevangelizadores que rezam e trabalham\u201d (262), na certeza de que \u201ca miss\u00e3o \u00e9 uma paix\u00e3o por Jesus mas, ao mesmo tempo, \u00e9 uma paix\u00e3o pelo seu povo\u201d (268): \u201cJesus quer que toquemos a mis\u00e9ria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros\u201d (270). \u201cNa nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo \u2013 esclarece o Papa \u2013 somos convidados a dar a raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a, mas n\u00e3o como inimigos que apontam o dedo e condenam\u201d (271). \u201cPode ser mission\u00e1rio \u2013 acrescenta ele \u2013 apenas quem se sente bem na busca do bem do pr\u00f3ximo, quem deseja a felicidade dos outros\u201d (272): \u201cse eu conseguir ajudar pelo menos uma \u00fanica pessoa a viver melhor, isto j\u00e1 \u00e9 suficiente para justificar o dom da minha vida\u201d (274).<\/p>\n<p>O Papa convida-nos a n\u00e3o desanimar perante as falhas ou escassos resultados, porque a \u201cfecundidade muitas vezes \u00e9 invis\u00edvel, indescrit\u00edvel, n\u00e3o pode ser contabilizada\u201d; devemos saber \u201capenas que o dom de n\u00f3s mesmos \u00e9 necess\u00e1rio\u201d (279). A Exorta\u00e7\u00e3o termina com uma ora\u00e7\u00e3o a Maria, \u201cM\u00e3e da Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cExiste um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos Maria voltamos a acreditar na for\u00e7a revolucion\u00e1ria da ternura e do afeto\u201d (288).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii Gaudium, o Papa apresenta os objetivos do seu pontificado: uma Igreja mission\u00e1ria, em sa\u00edda, com as portas abertas e que saiba anunciar a todos a alegria do Evangelho. Cidade do Vaticano \u2013 Nos cinco anos do anivers\u00e1rio da elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, propomos a sua primeira Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, a \u201cEvangelii [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39004,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-38999","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38999"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38999\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39003,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38999\/revisions\/39003"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}