{"id":38792,"date":"2018-03-06T11:07:34","date_gmt":"2018-03-06T14:07:34","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=38792"},"modified":"2018-03-06T11:07:34","modified_gmt":"2018-03-06T14:07:34","slug":"papa-francisco-prefacio-do-livro-o-evangelho-face-a-face-sobre-o-pe-pernet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-francisco-prefacio-do-livro-o-evangelho-face-a-face-sobre-o-pe-pernet\/","title":{"rendered":"Papa Francisco: pref\u00e1cio do livro &#8220;O Evangelho face a face&#8221; sobre o Pe. Pernet"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Gra\u00e7as a este livro, \u00e1gil, mas cheio de hist\u00f3rias de vida, \u00e9 poss\u00edvel conhecer Pe. Stefano Pernet, declarado vener\u00e1vel pelo meu predecessor S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em 1983.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>O jornal italiano \u201cLa Stampa\u201d publicou o pref\u00e1cio do Papa Francisco no livro \u201cO Evangelho face a face\u201d da jornalista <b>Paola Bergamini<\/b> que conta a vida do <b>Pe. Stefano Pernet, fundador da Congrega\u00e7\u00e3o das Pequenas Irm\u00e3s da Assun\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a p\u00f3s-revolucion\u00e1ria em meados do s\u00e9culo XIX, Pe. Pernet dedicou sua vida ao apoio \u00e0s fam\u00edlias mais pobres nos bairros mais degradados de Paris.<\/p>\n<p>O livro estar\u00e1 nas livrarias a partir do pr\u00f3ximo dia 6, e ser\u00e1 apresentado na pr\u00f3xima quinta-feira (08\/03), na feira \u201cTempo de livros\u201d, em Mil\u00e3o.<\/p>\n<p>Segue, na \u00edntegra, <b>o pref\u00e1cio do Papa Francisco.<\/b><\/p>\n<p>Nasci e antes de completar um dia, uma jovem novi\u00e7a das Pequenas Irm\u00e3s da Assun\u00e7\u00e3o, fundada pelo Pe. Stefano Pernet, Ant\u00f4nia, chegou \u00e0 nossa casa, no bairro Flores, em Buenos Aires, e me pegou no colo. Mantive o contato com essa religiosa durante toda a sua vida, at\u00e9 quando foi para o C\u00e9u alguns anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Tenho v\u00e1rias recorda\u00e7\u00f5es ligadas a essas religiosas que como anjos silenciosos nas casas de quem precisa, trabalham com paci\u00eancia, auxiliam, ajudam e, depois, silenciosamente, voltam para o convento. Seguem a sua regra, rezam e depois saem para as casas de quem se encontra em dificuldade, fazendo as enfermeiras e governantes, acompanhando as crian\u00e7as \u00e0 escola e preparando o que comer para elas.<\/p>\n<p>Meu pai tinha v\u00e1rios colegas de trabalho que voltaram para a Argentina depois da Guerra Civil Espanhola. Eram anticlericais. Um dia, um deles ficou doente. Pegou uma infec\u00e7\u00e3o. Aquele homem tinha o corpo coberto de chagas, sofria muito. Tinha tr\u00eas filhos e a mulher tinha de trabalhar. Portanto, ficava fora de casa muitas horas por dia. Quando souberam, as Pequenas Irm\u00e3s da Assun\u00e7\u00e3o mandaram uma delas \u00e0 casa dele. Como se tratava de um caso dif\u00edcil, a superiora foi l\u00e1. Sabia-se que o colega de meu pai era um anticlerical convicto e n\u00e3o olhava com bons olhos nenhuma t\u00fanica.<\/p>\n<p>A religiosa disse: \u201cEu vou!\u201d Voc\u00eas podem imaginar o que aquele homem disse \u00e0 religiosa: os piores palavr\u00f5es. Mas ela estava tranquila, fazia o seu trabalho, cuidava das feridas, levava as crian\u00e7as para a escola, preparava o almo\u00e7o e limpava a casa. Depois de mais de um m\u00eas, aquele homem ficou curado e voltou \u00e0 vida normal. Voltou a trabalhar. Alguns dias depois, saindo do trabalho junto com outros tr\u00eas ou quatro colegas anticlericais como ele, passavam na rua duas religiosas. Um deles disse palavras feias contra elas. Ent\u00e3o, o colega de trabalho do meu pai deu-lhe um soco e disse: \u00abSobre os sacerdotes e sobre Deus, diga o que quiser, mas contra Nossa Senhora e contra as religiosas n\u00e3o!\u00bb Pensem? Ele era ateu, um anticlerical, e mesmo assim defendeu as religiosas. Por que o fez? Simplesmente porque tinha conhecido o rosto materno da Igreja, tinha visto o sorriso de Nossa Senhora no rosto daquela superiora, aquela religiosa paciente que ia cur\u00e1-lo n\u00e3o obstante as suas maldi\u00e7\u00f5es. Aquela mulher consagrada que curava as suas chagas, fazia a empregada em sua casa, levava as crian\u00e7as \u00e0 escola e depois ia busc\u00e1-las.\u201d<\/p>\n<p><b>Padre Stefano Pernet\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Gra\u00e7as a este livro, \u00e1gil, mas cheio de hist\u00f3rias de vida, \u00e9 poss\u00edvel conhecer Pe. Stefano Pernet, declarado vener\u00e1vel pelo meu predecessor S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em 1983. \u00c9 uma hist\u00f3ria composta de rostos, dedica\u00e7\u00e3o, gestos de caridade e gratuidade pura. Uma hist\u00f3ria que n\u00e3o perdeu o seu frescor e a sua atualidade. Tamb\u00e9m hoje, vivemos num tempo em que a evangeliza\u00e7\u00e3o passa atrav\u00e9s do testemunho da proximidade e da caridade, atrav\u00e9s do testemunho do rosto misericordioso de Deus. Evangelizar nos leva tamb\u00e9m a apoiar a nossa face na face de quem sofre, no corpo e no esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Com o seu trabalho escondido e silencioso, essas mulheres consagradas seguiram e seguem a inspira\u00e7\u00e3o de seu fundador, que em 7 de mar\u00e7o de 1867, no mosteiro de Auteuil, disse: \u00abOs pobres, quando ficam doentes, s\u00e3o abandonados completamente, ningu\u00e9m os ajuda. Para este fim, nos oferecemos ao Senhor para que os pobres tenham uma religiosa na cabeceira que preste assist\u00eancia material. Mas isso n\u00e3o basta para as pequenas irm\u00e3s. Vejam, nos tempos em que vivemos, o homem do povo, os trabalhadores, os homens e as mulheres, muitos vezes s\u00e3o arruinados pela m\u00e1 companhia, pelas m\u00e1s leituras e depois se afastam de Deus. Nesta situa\u00e7\u00e3o, o sacerdote, mesmo quando quer levar al\u00edvio espiritual a quem est\u00e1 doente, \u00e9 visto como um espantalho, um mensageiro da morte. Por outro lado, o que pode fazer a n\u00e3o ser confortar com as palavras? Mas eles n\u00e3o querem ouvir. Ao inv\u00e9s, as pequenas religiosas n\u00e3o t\u00eam medo. Com sua maneira educada de agir s\u00e3o olhadas com gratid\u00e3o, confiam nelas. Atrav\u00e9s dos simples gestos de limpeza e medica\u00e7\u00e3o as religiosas pregam Jesus Cristo melhor do que qualquer serm\u00e3o. A sua presen\u00e7a \u00e9 suficiente. Com paci\u00eancia, levam a ora\u00e7\u00e3o e os costumes crist\u00e3os de volta a essas fam\u00edlias \u00bb.<\/p>\n<p>Servindo, com paci\u00eancia, e confiando somente no Senhor, pode acontecer que os cora\u00e7\u00f5es das pessoas, at\u00e9 mesmo as mais distantes, sejam tocados.<\/p>\n<p>Como Maria, nossa M\u00e3e, nos ensina: a \u00fanica for\u00e7a capaz de conquistar o cora\u00e7\u00e3o dos homens \u00e9 a ternura de Deus. O que encanta e atrai, que abre e desfaz as correntes, n\u00e3o \u00e9 a for\u00e7a dos instrumentos ou a dureza da lei, mas a fragilidade onipotente do amor divino: a for\u00e7a irresist\u00edvel de sua do\u00e7ura e a promessa irrevers\u00edvel de sua miseric\u00f3rdia. Aquela do\u00e7ura e miseric\u00f3rdia que o Pe. Pernet testemunhou ao longo de sua vida e que as suas Pequenas Irm\u00e3s em muitos pa\u00edses do mundo continuam a reverberar.<\/p>\n<p>Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gra\u00e7as a este livro, \u00e1gil, mas cheio de hist\u00f3rias de vida, \u00e9 poss\u00edvel conhecer Pe. Stefano Pernet, declarado vener\u00e1vel pelo meu predecessor S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em 1983. 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