{"id":38641,"date":"2018-03-02T08:55:16","date_gmt":"2018-03-02T11:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=38641"},"modified":"2018-03-02T08:55:16","modified_gmt":"2018-03-02T11:55:16","slug":"amar-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/amar-a-igreja\/","title":{"rendered":"Amar a igreja"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong>+ Jo\u00e3o Bosco \u00d3liver de Faria<\/p>\n<p>Arcebispo Em\u00e9rito de Diamantina<\/p>\n<p>Patos de Minas, 01 de mar\u00e7o de 2018<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vejo, com profunda tristeza, surgir aqui e ali, nas redes sociais, palavras pesadas, inj\u00farias, cal\u00fanias habilmente forjadas, contra a Igreja Cat\u00f3lica e contra a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tais fatos ou brotam de inimigos da Igreja de Jesus Cristo, ou brotam de pessoas cat\u00f3licas, menos avisadas, que acolhem, inocentemente, informa\u00e7\u00f5es deturpadas \u2013 fake News \u2013 e se deixam impressionar e levar por aqueles que, profissionalmente, s\u00e3o h\u00e1beis na mentira e inimigos da Igreja.<\/p>\n<p>Quanto aos primeiros, deles n\u00e3o se pode esperar flores ou aplausos. Ali\u00e1s a Igreja n\u00e3o precisa nem pode se interessar por isso. Ela tem uma miss\u00e3o a cumprir, recebida do\u00a0 pr\u00f3prio Jesus. Aquelas pessoas fazem o que sabem fazer.<\/p>\n<p>Quanto aos cat\u00f3licos, que participam assiduamente dos sacramentos e da vida da Igreja, e que conservam,\u00a0 no cora\u00e7\u00e3o, o amor \u00e0 Igreja que aprenderam de seus pais, esses, penso, sofrem na sua carne tais ofensas, cal\u00fanias e ficam a se questionar quanto \u00e0 verdade das mesmas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda os cat\u00f3licos que, sem culpa e por circunst\u00e2ncias diversas, n\u00e3o tiveram a oportunidade de conhecer melhor a Palavra de Deus na B\u00edblia, nem de conhecer a Igreja, seus ensinamentos e participar com frequ\u00eancia de suas celebra\u00e7\u00f5es. Esses, mais facilmente se deixam levar por tais not\u00edcias e at\u00e9 se permitem agredir a Igreja que os acolheu e pela qual nunca fizeram o menor sacrif\u00edcio, nem com Ela se comprometeram. O bom filho n\u00e3o fala mal de sua M\u00e3e, mesmo quando imagina estar ela equivocada.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, felizmente, os cat\u00f3licos que amam, de fato, a Igreja e percebem poss\u00edveis falhas em alguns de seus dirigentes. Assim como os sinais do sem\u00e1foro n\u00e3o perdem seu valor pelos defeitos do poste que os sustenta, tamb\u00e9m o sacerdote n\u00e3o perde o dom de ser portador da gra\u00e7a de Deus por causa de suas fraquezas.<\/p>\n<p>A natureza humana do sacerdote pode estar prejudicada naquilo que ele deveria ser como sacerdote de Jesus Cristo, mas o sacerd\u00f3cio de Jesus Cristo, que est\u00e1 presente nele, continua exercendo a sua for\u00e7a de santifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando isso vem a acontecer, o caminho para o crist\u00e3o seria o de procurar o seu sacerdote e, com humildade, caridade e serenidade, apresentar-lhe o que n\u00e3o est\u00e1 correto mostrando-lhe uma sugest\u00e3o de melhoria. Se por acaso ele n\u00e3o o escutar, procure outro sacerdote que possa ajudar aquele irm\u00e3o Padre em suas dificuldades. Se necess\u00e1rio, depois, procure um contato com seu Bispo Diocesano que sempre deve estar pronto a ajudar o seu sacerdote. \u00c9 o que Jesus nos ensina em Mateus 18, 15 a respeito da corre\u00e7\u00e3o fraterna.<\/p>\n<p>Dirijo minhas palavras a todos os bons filhos de Deus. Quero ajud\u00e1-los, tranquiliz\u00e1-los e conserv\u00e1-los no amor afetuoso \u00e0 \u00fanica Igreja de Jesus Cristo, a Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Georges Bernanos, em sua obra premiada pela Academia Francesa de Letras \u2013 \u201c<em>Di\u00e1rio de um P\u00e1roco de Aldeia\u201d<\/em> \u2013, referindo-se aos padres diocesanos<em>, <\/em>coloca nos l\u00e1bios do P\u00e1roco de Torcy as palavras: \u201c&#8230; <em>multid\u00e3o vener\u00e1vel de sacerdotes zelosos, irrepreens\u00edveis, que consagram suas for\u00e7as \u00e0s esmagadoras tarefas do minist\u00e9rio\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>.\u00a0 Disse-me o Cardeal Dario Castrillon, ent\u00e3o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero: \u201c<em>Os padres s\u00e3o o grande e maravilhoso ex\u00e9rcito que carrega a Igreja nas costas!\u201d<\/em><\/p>\n<p>Cada sacerdote \u00a0age segundo seus dons e segundo a miss\u00e3o que recebeu.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam, em nossas par\u00f3quias, leigos comprometidos e empenhados e que d\u00e3o, com generosidade, sacrif\u00edcio e perseveran\u00e7a, o melhor de si para a catequese, para as pastorais e para os diversos minist\u00e9rios que sustentam a vida paroquial.<\/p>\n<p>Mas o Padre,\u00a0 sob a orienta\u00e7\u00e3o de seu Bispo e em uni\u00e3o com ele, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, a cabe\u00e7a, a alma da Par\u00f3quia! Ele se santifica e santifica seu povo. Ele anima os fracos, consola e alivia os que sofrem, alegra os tristes, incentiva os lentos, equilibra os apressados, orienta os duvidosos e inseguros, anunciando a todos Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6).<\/p>\n<p>O que sustenta o cora\u00e7\u00e3o de um sacerdote, o que d\u00e1 o brilho de alegria a seus olhos no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio \u00e9 seu amor a Cristo e \u00e0 Igreja. O sacerdote n\u00e3o corre, nem pode correr atr\u00e1s de aplausos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Amar a Igreja<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Perguntei, certa vez, a uma pessoa: \u201co que significa amar a Igreja?\u201d<\/p>\n<p>Ela me respondeu:<\/p>\n<p><em>Amo a Igreja porque, na Igreja, recebo o Batismo, que \u00e9 a fonte de minha vida espiritual. Tenho, tamb\u00e9m, na Igreja, os demais sacramentos que s\u00e3o alimento dessa vida: na Igreja, encontro o perd\u00e3o de meus pecados; a grande for\u00e7a da Eucaristia que me sustenta nas dificuldades e desafios da vida; pelo sacramento da Crisma, recebo da Igreja os dons do Divino Esp\u00edrito Santo; pela Igreja, o meu amor matrimonial, que \u00e9 humano, \u00e9 transformado, \u00e9 vivificado e fortalecido pelo Amor Divino; e, pelo sacramento da Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos, encontro a for\u00e7a espiritual e o rem\u00e9dio na doen\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Amo tamb\u00e9m a Igreja, porque, na catequese, na prega\u00e7\u00e3o dos sacerdotes, nos ensinamentos dos Bispos e dos Papas, tenho a seguran\u00e7a de estar recebendo com autenticidade os ensinamentos de Jesus.<\/em><\/p>\n<p><em>Amo ainda a Igreja pelo manancial de temas de espiritualidade e de doutrina, acumulados na sua hist\u00f3ria, desde os primeiros s\u00e9culos do cristianismo, quer nos livros dos Santos Padres, quer nos escritos de tantos santos que nos ajudam no aperfei\u00e7oamento de nossa vida crist\u00e3.<\/em><\/p>\n<p><em>A Igreja oferece, tamb\u00e9m, o testemunho desses santos, que viveram as dificuldades de sua \u00e9poca e que foram fi\u00e9is aos ensinamentos de Jesus. Eles s\u00e3o como um espelho em que encontro as for\u00e7as para dar, hoje, o meu testemunho de vida crist\u00e3.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Eu fiquei pensando: a resposta \u00e9 bonita, mas isso n\u00e3o \u00e9 AMAR A IGREJA!<\/strong><\/p>\n<p>Tudo o que a pessoa respondeu \u00e9 verdade, mas devo fazer aqui uma considera\u00e7\u00e3o importante: essa pessoa n\u00e3o ama a Igreja, ela gosta da Igreja; ela busca a Igreja para levar suas vantagens \u2013 vantagens boas e, at\u00e9 santas, mas vantagens!&#8230;<\/p>\n<p><strong>Gostar<\/strong> <strong>\u00e9 possuir, \u00e9 querer ter as coisas em proveito pr\u00f3prio.<\/strong> \u201cGostar\u201d \u00e9 uma palavra que, corretamente, s\u00f3 pode ser aplicada \u00e0s coisas, \u00e0s plantas, aos animais. As crian\u00e7as gostam do sorvete, do picol\u00e9, do chocolate. E, porque gostam, os destroem em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Os adultos gostam do churrasco, da cerveja, do vinho e, porque gostam, os destroem.<\/p>\n<p>Posso, tamb\u00e9m, gostar de uma roupa que me d\u00e1 conforto, de um carro ou de uma casa. Posso, ainda, gostar de uma cidade enquanto desfruto em meu benef\u00edcio o que ela pode oferecer para a minha realiza\u00e7\u00e3o pessoal, para o meu conforto, para o meu deleite ou prazer, ou para o bem de minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Assim, tamb\u00e9m, poderia at\u00e9 gostar da Igreja ou da Par\u00f3quia, pelos benef\u00edcios ou vantagens que delas posso receber. Poderia, tamb\u00e9m, erroneamente, gostar de uma pessoa pelas vantagens que sua amizade me ofereceria.<\/p>\n<p>Mas, de fato, n\u00e3o posso gostar de uma pessoa. Ela \u00e9 filha de Deus e, enquanto tal, n\u00e3o pode ser possu\u00edda nem instrumentalizada em favor de outrem. Eu n\u00e3o posso us\u00e1-la e, pior ainda, destru\u00ed-la em meu proveito. N\u00e3o posso, tamb\u00e9m, gostar de uma realidade ou de um ser espiritual-divino, pois n\u00e3o posso colocar tal entidade espiritual-divina a meu servi\u00e7o ou a servi\u00e7o de meus interesses e prazeres. A Igreja \u00e9 uma realidade transcendente, espiritual, divina. A Igreja s\u00f3 pode ser amada por quem se sente seu filho. Outras pessoas, que n\u00e3o s\u00e3o seus filhos (de outras religi\u00f5es), podem at\u00e9 gostar dela<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Como cat\u00f3lico, n\u00e3o posso nem devo dizer que \u201cgosto da Igreja\u201d!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que seria ent\u00e3o AMAR A IGREJA?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O amor tem cheiro de morte<\/strong>. <strong>\u201cNingu\u00e9m tem mais amor do que aquele que d\u00e1 a vida por seus amigos\u201d<\/strong> (Jo 15,13).<\/p>\n<p>S\u00f3 ama quem \u00e9 capaz de morrer pelo amado. Os pais, porque amam, n\u00e3o medem os sacrif\u00edcios que fazem por seus filhos. Quanta ren\u00fancia dos pais para dar aos filhos o que eles, pais, nunca tiveram quando crian\u00e7as, adolescentes ou jovens. E, sempre pensam que poderiam fazer mais por eles. Isso acontece porque \u00e9 grande o amor que eles t\u00eam pelos filhos. <strong>Amar \u00e9 morrer pelo amado!<\/strong><\/p>\n<p>O amor matrimonial s\u00f3 cresce e se fortalece enquanto os dois s\u00e3o capazes de renunciar a alguma coisa, a seus interesses ou a um bem estar pessoal em benef\u00edcio da pessoa amada, quando os dois s\u00e3o capazes de morrer um pelo outro, no dia a dia da vida, em seus trabalhos e nas pequenas ou nas grandes ren\u00fancias. Sacrificam-se um pelo outro e os dois pelos filhos. Os casais se separam quando se gostam, mas n\u00e3o se amam. O primeiro que se cansa de ser tratado como coisa desanima e abandona o casamento por falta da for\u00e7a da f\u00e9!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Ensinou-nos Jesus<\/em><\/strong><em>: -\u201cSe o gr\u00e3o de trigo que cai na terra n\u00e3o morre, fica s\u00f3. Se ao contr\u00e1rio ele morrer, produzir\u00e1 fruto em abund\u00e2ncia\u201d (Jo 12,24).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cristo nos oferece o exemplo, ao dar a Sua vida pela Igreja e por n\u00f3s, mesmo sabendo que Seu amor n\u00e3o encontraria acolhimento nem retribui\u00e7\u00e3o por grande parte de pessoas. Amar \u00e9 doar-se sem nada esperar como retribui\u00e7\u00e3o. Quem ama de verdade, sem nada esperar como retribui\u00e7\u00e3o, desconhece a decep\u00e7\u00e3o! Quem se decepciona com a Igreja, \u00e9 porque n\u00e3o a ama, mas gosta dela!&#8230; E quando faz algo pela Igreja, na verdade, o faz por si mesmo, na expectativa de alguma vantagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O ap\u00f3stolo Paulo<\/strong> nos d\u00e1 seu exemplo, quando descreve \u00e0 Comunidade de Corinto o quanto sofreu pela Igreja: <em>Muito mais do que eles, pelos trabalhos, pelas pris\u00f5es, por excessivos a\u00e7oites; muitas vezes em perigo de morte; cinco vezes, recebi dos judeus quarenta chicotadas menos uma; tr\u00eas vezes, fui batido com varas; uma vez, apedrejado; tr\u00eas vezes naufraguei; passei uma noite e um dia em alto-mar; fiz in\u00fameras viagens, com perigos de rios, com perigos de ladr\u00f5es, perigos da parte de meus compatriotas, perigos da parte dos pag\u00e3os, perigos na cidade, perigos em regi\u00f5es desertas, perigos no mar, perigos por parte de falsos irm\u00e3os; trabalhos e fadigas, in\u00fameras vig\u00edlias, fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez; e,\u00a0 sem falar de outras coisas, a minha preocupa\u00e7\u00e3o de cada dia, a solicitude por todas as igrejas<\/em> (2 Cor 11, 23 \u2013 28)!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Beato Papa Paulo VI<\/strong> escreveu na sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, resultado do S\u00ednodo da Igreja sobre a \u201cEvangeliza\u00e7\u00e3o no Mundo Contempor\u00e2neo\u201d, \u00a0acontecido em 1974:<\/p>\n<p><em>Conv\u00e9m recordar aqui, de passagem, momentos em que acontece de n\u00f3s ouvirmos, n\u00e3o sem m\u00e1goa, algumas pessoas \u2013 cremos bem intencionadas, mas com certeza desorientadas no seu esp\u00edrito \u2013 a repetir que pretendem amar a Cristo, mas sem a Igreja, ouvir a Cristo, mas n\u00e3o \u00e0 Igreja, ser de Cristo, mas fora da Igreja. O absurdo de semelhante dicotomia aparece com nitidez nesta<\/em> palavra do <em>Evangelho:<\/em> \u201cQuem vos rejeita \u00e9 a mim\u00a0 que rejeita\u201d (Lc 10, 16). <em>E como se poderia querer amar Cristo sem amar a Igreja, uma vez que o mais belo testemunho dado de Cristo \u00e9 o que S\u00e3o Paulo exarou nestes termos: \u201c<\/em>Ele amou a Igreja e entregou-se a si mesmo por ela<em>\u201d (Ef 5, 25)?<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Amar a Igreja significa querer o seu bem, n\u00e3o \u201cpor causa de\u201d, mas \u201capesar de\u201d! <\/strong><\/p>\n<p>Amar a Igreja, amar a Par\u00f3quia, amar a Diocese significa querer o seu bem apesar de seus Bispos, de seus Sacerdotes, de seus Ministros e Agentes de Pastoral, apesar de certas pessoas que pretendem ser as \u201cdonas da Comunidade\u201d&#8230; e mais atrapalham que ajudam! Aprendi, em minha vida, a amar a Igreja para al\u00e9m daqueles que a representam! Houve pessoas na Igreja que me fizeram sofrer. Elas est\u00e3o na Igreja, mas elas n\u00e3o s\u00e3o a Igreja! Eu amo a Igreja e por ela, com alegria, tenho dado minha vida nestes 50 anos de sacerd\u00f3cio, sem contar o longo tempo de semin\u00e1rio pelo qual passei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Amar a Igreja significa servir a Igreja e n\u00e3o servir-se da Igreja. <\/strong><\/p>\n<p>Amar a Igreja significa dar a nossa vida pela Igreja. Os religiosos, os consagrados, os sacerdotes renunciaram a ter uma fam\u00edlia e a tantos outros bens, por amor a Cristo, ao Seu Reino, \u00e0 Sua Igreja. Uma das dificuldades que os P\u00e1rocos encontram na dire\u00e7\u00e3o de suas Par\u00f3quias \u00e9 a de encontrar pessoas que aceitem participar dos Minist\u00e9rios e das atividades pastorais. Os leigos que est\u00e3o comprometidos com suas fam\u00edlias podem dar um pouco de seu tempo ou de seus bens para que o Reino de Deus, querido por Jesus, aconte\u00e7a entre n\u00f3s. Essa \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja. Aqueles que se dedicam \u00e0s pastorais, aos minist\u00e9rios, aos movimentos de evangeliza\u00e7\u00e3o, o fazem por amor a Cristo e a Sua Igreja. Amar a Igreja \u00e9 dar a pr\u00f3pria vida pela Igreja, \u00e9 morrer por Ela. \u201cCristo tamb\u00e9m amou a Igreja e entregou Sua vida por ela\u201d (Ef 5,25), lembrou-nos o Beato Paulo VI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O fundamento do sentimento de perten\u00e7a \u00e0 Igreja vem da consci\u00eancia do pr\u00f3prio Batismo e n\u00e3o da atividade exercida na Igreja.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 porque exer\u00e7o uma atividade pastoral ou um minist\u00e9rio na Igreja que passo a am\u00e1-la. Mas \u00e9 porque amo a Igreja que sinto necessidade de oferecer minha vida, meu trabalho e meu tempo para que ela exer\u00e7a sua miss\u00e3o no an\u00fancio do Evangelho de Jesus Cristo. A alegria de ser Igreja, o amor \u00e0 Igreja nascem da consci\u00eancia do meu batismo!<\/p>\n<p>Todo aquele que \u00e9 batizado torna-se Luz e Vida de Cristo para o mundo, passa a ser algu\u00e9m que mostra o caminho para o mundo. Um mundo sem Cristo \u00e9 um mundo de viol\u00eancia, de \u00f3dio, de morte, de opress\u00e3o, de corrup\u00e7\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o do fraco, do pobre, do ignorante, um mundo dividido e de divis\u00f5es. O Batismo leva a pessoa e o mundo \u00e0 comunh\u00e3o em Cristo. Em Cristo, o homem volta a ser o que deve ser: imagem e semelhan\u00e7a de Deus, criado por Deus Amor para amar. O homem \u201ccristifica\u201d a humanidade. A pessoa ama essa Igreja que faz o mundo ser humano e por ela d\u00e1 a sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Igreja tem um rosto bem concreto, vis\u00edvel:<\/strong><\/p>\n<p>Para o leigo, a Igreja tem o rosto da Comunidade, da Par\u00f3quia de perten\u00e7a, da Diocese. \u00c9 importante trabalhar com nossos leigos o sentimento de perten\u00e7a \u00e0 Comunidade, \u00e0 Par\u00f3quia, \u00e0 Diocese.<\/p>\n<p>\u00c9 muito triste encontrar pessoas para quem a Igreja termina nos limites de sua pequena comunidade, ou nos limites da Par\u00f3quia. Tais pessoas recusam-se a contribuir nas necessidades maiores da Par\u00f3quia ou da Diocese. Estes pretendem que a comunidade da Igreja Matriz sustente todas as despesas da vida paroquial, at\u00e9 mesmo o carro que \u00e9 usado para o atendimento da sua comunidade de perten\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 outro erro frequente na manifesta\u00e7\u00e3o do amor \u00e0 Igreja: h\u00e1 pessoas, generosas at\u00e9, mas que n\u00e3o t\u00eam nem sua cabe\u00e7a nem seu cora\u00e7\u00e3o na Comunidade ou na Par\u00f3quia em que vivem. Os pobres da Par\u00f3quia poderiam ser mais bem atendidos em suas necessidades. Pessoas com essas limita\u00e7\u00f5es de amor tamb\u00e9m n\u00e3o se importam com as necessidades nem com os problemas da Catequese Paroquial, que precisa anunciar Jesus Cristo \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens com os mesmos meios de comunica\u00e7\u00e3o a que nossos jovens est\u00e3o acostumados; a Capela ou a Matriz necessita trocar seu telhado ou alguma outra reforma para o bem e o conforto dos fi\u00e9is que a frequentam; o som usado nas celebra\u00e7\u00f5es \u00e9 ruim e faltam microfones de qualidade; o carro que o Padre usa n\u00e3o oferece seguran\u00e7a e, \u00e0s vezes, n\u00e3o chega a seu destino, deixando o pobre Padre na estrada, na poeira ou no barro, de dia ou de noite.<\/p>\n<p>\u00c9 na sua Par\u00f3quia que voc\u00ea foi batizado, ou ent\u00e3o batiza os seus filhos. Nela, voc\u00ea e seus filhos recebem a for\u00e7a viva da Eucaristia e o perd\u00e3o de seus pecados. Nela seus filhos s\u00e3o confirmados no Esp\u00edrito Santo, quando se iniciam na maturidade da vida diante dos perigos de um mundo afastado de Deus. Nela, voc\u00ea teve seu amor matrimonial aben\u00e7oado ou nela voc\u00ea ver\u00e1 ser aben\u00e7oado o amor matrimonial de seus filhos. Nela, voc\u00ea encontra o conforto da f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, quando acontece a perda de entes queridos. Nela, voc\u00ea ter\u00e1 o conforto da Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos, quando chegar uma indesejada doen\u00e7a grave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sua Par\u00f3quia \u00e9 a SUA PAR\u00d3QUIA<\/strong><\/p>\n<p>A sua Par\u00f3quia \u00e9 o rosto da Igreja que o adota como filho, que o ama e que trabalha pela sua felicidade e pela felicidade de sua fam\u00edlia. Participe da sua Par\u00f3quia com a santa vaidade de ser Cat\u00f3lico e seguidor de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Se a sua cidade tem mais de uma Par\u00f3quia, procure ser fiel e participar, em tudo, na SUA PAR\u00d3QUIA de perten\u00e7a.\u00a0 Jesus Cristo \u00e9 o centro do nosso viver. \u201cCristo \u00e9 a nossa vida\u201d, nos ensina S\u00e3o Paulo (Cl\u00a0 3,4). Ame Jesus Cristo e Sua Igreja, na sua Par\u00f3quia. N\u00e3o se deixe levar pela simpatia maior ou menor deste ou daquele P\u00e1roco. Tal viv\u00eancia religiosa seria sentimentalismo, interesse pessoal e n\u00e3o viv\u00eancia e esp\u00edrito de f\u00e9.<\/p>\n<p>Participar da vida da sua Comunidade com seu trabalho \u00c9 OBRIGA\u00c7\u00c3O.<\/p>\n<p>O bom cat\u00f3lico n\u00e3o deve ser apenas um \u201cf\u00e3\u201d um \u201ctorcedor\u201d de Jesus Cristo, mas um membro vivo e atuante do Corpo M\u00edstico de Cristo (Cl 1, 24) com a ora\u00e7\u00e3o e com o trabalho, correspons\u00e1vel na sua Comunidade Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para todos os cat\u00f3licos, a Igreja tem o rosto <\/strong>da DIOCESE onde a mente e o cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o no Bispo auxiliado por seus sacerdotes, onde seu \u00fatero est\u00e1 no Semin\u00e1rio, onde seus \u00f3rg\u00e3os vitais e seus membros se manifestam em seus leigos com fun\u00e7\u00f5es, com dons e com carismas diversificados, todos trabalhando pela constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>A Igreja tem o rosto DA PAR\u00d3QUIA onde a mente e o cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o no P\u00e1roco com os Sacerdotes e Di\u00e1conos seus colaboradores; o \u00fatero est\u00e1 na catequese e nos que a ela se dedicam; e seus \u00f3rg\u00e3os vitais e seus membros se evidenciam em seus leigos dedicados \u00e0 miss\u00e3o, enriquecidos com seus dons e com os carismas do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Para todo aquele que quer ser Igreja, ela tem o rosto do POBRE, que, pelo ego\u00edsmo de outros, nasceu ou se tornou pobre e se encontra privado das condi\u00e7\u00f5es de uma vida digna e que, por isso, amarga sua exist\u00eancia na tristeza, sem esperan\u00e7a de uma situa\u00e7\u00e3o melhor. Nada mais triste nesta terra que as l\u00e1grimas de uma crian\u00e7a pobre que desconhece o carinho do abra\u00e7o de um pai ou a ternura do beijo de uma m\u00e3e.<\/p>\n<p>A Igreja tem o rosto do DOENTE que n\u00e3o consegue marcar uma consulta m\u00e9dica e, quando o faz, n\u00e3o tem acesso aos exames cl\u00ednicos e aos rem\u00e9dios que lhe devolveriam a sa\u00fade e lhe suavizariam a dor.<\/p>\n<p>A Igreja tem o rosto do FRACO que n\u00e3o consegue defender seus direitos e v\u00ea-se usurpado nos seus poucos pertences e espoliado no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>A Igreja tem o rosto do SOLIT\u00c1RIO que, pelos seus cabelos brancos ou por sua fraqueza f\u00edsica, vive em um canto de seu quarto atravessando as noites intermin\u00e1veis e os dias que n\u00e3o passam, sem ter algu\u00e9m com quem conversar e recordar as p\u00e1ginas menos sofridas da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>A Igreja tem o rosto do SOFREDOR que bebe do c\u00e1lice da cal\u00fania e da maledic\u00eancia, ao ver seu nome e sua honra serem vilipendiados, sofrendo as consequ\u00eancias da inveja diab\u00f3lica dos fracassados na vida, dos corruptos e dos incompetentes.<\/p>\n<p>A Igreja tem o rosto do PECADOR que desconhece a imensid\u00e3o da miseric\u00f3rdia de Deus, bom e paciente, sempre pronto a perdoar e que esquece sempre e para sempre todas as nossas faltas.<\/p>\n<p><strong>E os esc\u00e2ndalos na Igreja?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas na Igreja que se envolvem em esc\u00e2ndalos est\u00e3o na Igreja, mas n\u00e3o s\u00e3o a Igreja. J\u00e1 nos disse Jesus: <em>Ai do mundo por causa dos esc\u00e2ndalos. \u00c9 inevit\u00e1vel, sem d\u00favida, que eles ocorram, mas ai daquele que os provoca (Mt 18,7)!<\/em><\/p>\n<p>Volto a lembrar duas coisas que escrevi: amo a Igreja apesar dessas pessoas e n\u00e3o por causa das pessoas que est\u00e3o na Igreja; aprendi a amar a Igreja para al\u00e9m daquelas pessoas que a representam.<\/p>\n<p>Um bom cat\u00f3lico reza pela convers\u00e3o daqueles que provocaram ou que provocam esc\u00e2ndalo com seu mau testemunho de vida. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que a Igreja nos prop\u00f5e o exemplo e o modelo dos santos: n\u00e3o para serem \u201cadorados,\u201d como dizem pessoas n\u00e3o cat\u00f3licas, mas para que seus ensinamentos e exemplos possam nos fortalecer na f\u00e9, diante do mau exemplo de outros!<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os em Cristo, desejo fazer crescer em seus cora\u00e7\u00f5es o amor a Cristo, o amor \u00e0 Igreja. Nesse amor, a iniciativa \u00e9 de Cristo: <em>N\u00e3o foram voc\u00eas que me escolheram; pelo contr\u00e1rio, fui eu que os escolhi, para que v\u00e3o e deem fruto e que esse fruto n\u00e3o se perca<\/em> (Jo 15,16).<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><strong>\u00c9 divina a origem da Igreja<\/strong>. \u00c9 divina a origem de nossa voca\u00e7\u00e3o batismal. \u00c9 divina a origem de nossa voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. \u00c9 divina nossa perten\u00e7a, a minha perten\u00e7a \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica!<\/p>\n<p>Apesar de ser o que eu sou, Deus me escolheu com um amor de predile\u00e7\u00e3o para ser Dele, s\u00f3 Dele, todo Dele e ser, pelo Batismo que recebi, a presen\u00e7a viva de Jesus no mundo.<\/p>\n<p>Deus tem a mim e a voc\u00ea para fazer a Igreja de Cristo sempre mais bela, iluminando a vida da humanidade.<\/p>\n<p>O amor com que Cristo nos amou, a ponto de dar a Sua vida e de sofrer a morte na cruz por n\u00f3s, s\u00f3 pode ter uma resposta de amor: dar a nossa vida, incondicionalmente, toda ela, sem reservas, por Cristo e pela Igreja, colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Senhor da Messe todos os dons e todos os carismas que recebemos, trabalhando com f\u00e9, com confian\u00e7a e com esperan\u00e7a na miss\u00e3o que cada um recebeu, na fam\u00edlia, na comunidade, na sociedade e na Igreja.<\/p>\n<p>Am\u00e9m!<\/p>\n<p>djbosco@terra.com.br<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0+ Jo\u00e3o Bosco \u00d3liver de Faria Arcebispo Em\u00e9rito de Diamantina Patos de Minas, 01 de mar\u00e7o de 2018 \u00a0 Vejo, com profunda tristeza, surgir aqui e ali, nas redes sociais, palavras pesadas, inj\u00farias, cal\u00fanias habilmente forjadas, contra a Igreja Cat\u00f3lica e contra a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB. &nbsp; Tais fatos ou brotam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":38642,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-38641","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38641"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38641\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38643,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38641\/revisions\/38643"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}