{"id":38470,"date":"2018-02-25T13:45:57","date_gmt":"2018-02-25T16:45:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=38470"},"modified":"2018-02-26T13:52:01","modified_gmt":"2018-02-26T16:52:02","slug":"a-grande-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-grande-cidade\/","title":{"rendered":"A grande cidade"},"content":{"rendered":"<p>Duas p\u00e1ginas b\u00edblicas comp\u00f5em um dos mais curtos e emblem\u00e1ticos livros daquela colet\u00e2nea sagrada. Falam de uma grande cidade corrompida pelo pecado e pelas tantas maledic\u00eancias comuns ao g\u00eanero humano. Falam de Jonas, o profeta que, bem ou mal, foi o instrumento de salva\u00e7\u00e3o daquele povo. Falam, direta ou indiretamente, das amea\u00e7as de destrui\u00e7\u00e3o a que se submetem grandes aglomera\u00e7\u00f5es urbanas quando delas expulsam Deus e aclamam o Outro como senhor e diretor de seus destinos. T\u00e3o grande como as maiores megal\u00f3poles dos dias atuais \u2013 \u201ceram precisos tr\u00eas dias para a percorrer\u201d \u2013 N\u00ednive tornou-se s\u00edmbolo da decad\u00eancia moral dos grandes aglomerados urbanos, mas tamb\u00e9m exemplo de como uma voz prof\u00e9tica p\u00f4de restaur\u00e1-la.<\/p>\n<p>Acontece que, num mundo globalizado, a contextualiza\u00e7\u00e3o urbana n\u00e3o imp\u00f5e limites ao comportamento humano. O mundo \u00e9 uma grande cidade. A miss\u00e3o da qual Jonas tentou fugir tem hoje um caminho difuso, mas com destino bem definido por Cristo: \u201co mundo todo\u201d. Foi essa a refer\u00eancia de Jesus contra o comportamento pecaminoso da sociedade de sua \u00e9poca: \u201cEsta gera\u00e7\u00e3o\u00a0 ad\u00faltera e perversa pede um sinal; mas n\u00e3o lhe ser\u00e1 dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas\u201d (Mt 12,39). Se, pois, a vida desregrada da civiliza\u00e7\u00e3o moderna nos preocupa e levanta quest\u00f5es em nosso \u00edntimo (\u00e9 preciso fazer alguma coisa!), n\u00e3o fa\u00e7amos como Jonas, que vacilou vergonhosamente.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, Jonas estava mais para avestruz do que para profeta. Ao receber a incumb\u00eancia divina de advertir os moradores da cidade pervertida, este correu&#8230; mas para o lado oposto da cidade. Embarcou em um navio e se escondeu em seu por\u00e3o, temendo a f\u00faria de uma tempestade circunstancial. Descoberto e apontado como respons\u00e1vel pela situa\u00e7\u00e3o de perigo, foi jogado ao mar. Deus o recolheu atrav\u00e9s de uma baleia e o devolveu \u00e0s praias pr\u00f3ximas a N\u00ednive, tr\u00eas dias depois de muita ang\u00fastia e reflex\u00f5es, prisioneiro no ventre daquele animal. Por certo, qualquer desafio que venha do alto, das estirpes divinas, sempre h\u00e1 de causar p\u00e2nico, inseguran\u00e7a, medo em qualquer fr\u00e1gil criatura, prisioneiro que est\u00e1 no ventre da terra. N\u00f3s desistimos Dele, mas Deus nunca desiste de n\u00f3s. Podemos fugir das vistas humanas, mas nunca da vista de Deus. Ponderou um dia Santo Agostinho: \u201cNaturalmente ignoram que estais em toda parte, e que nenhum lugar Vos circunscreve, e que V\u00f3s estais na presen\u00e7a dos que divagam longe de V\u00f3s\u201d. (Confiss\u00f5es). De uma forma ou de outra, \u00e0queles que recebem o dom prof\u00e9tico de \u201cunir a Cidade de Deus \u00e0s cidades dos homens\u201d, de construir uma civiliza\u00e7\u00e3o de Amor, de criar \u201cum novo C\u00e9u e uma nova Terra\u201d ou separar luz e trevas, ser\u00e3o sempre municiados por Deus. \u00c9 l\u00f3gico, com muni\u00e7\u00f5es capazes de salvar, nunca tirar vidas. Agostinho via nessas duas dimens\u00f5es n\u00e3o um confronto, mas a necessidade de unidade entre Igreja e Estado. O poder espiritual caminhando com o poder temporal.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a miss\u00e3o crist\u00e3 diante do confuso cerco que humanos fazem a si mesmos, nos dias atuais, sem encontrarem sentido para o sinal de Jonas. Ah, bendito sinal! An\u00fancio de vida nova, ressurrei\u00e7\u00e3o&#8230; O \u00fanico que nos deixou Cristo; a certeza de vit\u00f3ria final. Pudessem os profetas do nosso s\u00e9culo terem bem presentes esse sinal em suas vidas. Pudesse esse sinal animar disc\u00edpulos e mission\u00e1rios a subir morros e favelas, descer montanhas de intoler\u00e2ncia e descaso, percorrer avenidas, ruas e becos da inseguran\u00e7a, galgar pr\u00e9dios do individualismo, penetrar barracos da indiferen\u00e7a, destruir penitenci\u00e1rias e construir escolas&#8230; Fuzis e metralhadoras n\u00e3o escolhem suas v\u00edtimas. Pudessem as for\u00e7as pacificadoras levarem p\u00e3o&#8230; e n\u00e3o balas. A escola de samba desfilar sua harmonia numa parada militar. Pud\u00e9ssemos acreditar mais em n\u00f3s mesmos e a grande cidade que hoje nos assusta, voltaria a ser t\u00e3o maravilhosa quanto a Jerusal\u00e9m Celeste. Ent\u00e3o Deus poderia sussurrar em nossos ouvidos: \u201cE ent\u00e3o, n\u00e3o hei de ter compaix\u00e3o da grande cidade\u201d?&#8230; (Jon 4,11).<\/p>\n<p>Pesemos nossa responsabilidade mission\u00e1ria nesta hist\u00f3ria toda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas p\u00e1ginas b\u00edblicas comp\u00f5em um dos mais curtos e emblem\u00e1ticos livros daquela colet\u00e2nea sagrada. Falam de uma grande cidade corrompida pelo pecado e pelas tantas maledic\u00eancias comuns ao g\u00eanero humano. Falam de Jonas, o profeta que, bem ou mal, foi o instrumento de salva\u00e7\u00e3o daquele povo. 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