{"id":38366,"date":"2018-02-19T15:28:55","date_gmt":"2018-02-19T18:28:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=38366"},"modified":"2018-02-19T15:28:55","modified_gmt":"2018-02-19T18:28:55","slug":"a-voz-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-voz-do-coracao\/","title":{"rendered":"A voz do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Falar em sacrif\u00edcios nos dias em que o conforto, o materialismo e os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos ou cient\u00edficos empanturram a sociedade moderna e tudo facilita em nossas vidas, \u00e9 falar a linguagem dos loucos. N\u00e3o h\u00e1 como abster-se do fausto que nos rodeia. Mesmo quando fazemos parte de uma sociedade de desiguais. Mesmo quando o maior absurdo do progresso humano \u00e9 o contraponto da guerra, da mis\u00e9ria, da fome e da viol\u00eancia. Os tempos modernos oferecem tudo para a felicidade e a paz humanas, desde que haja um coerente uso das riquezas adquiridas, do conhecimento e da espiritualidade amadurecida que pensamos possuir.<\/p>\n<p>Neste est\u00e1gio, temos tudo para uma vida mais justa, mais humana. Se h\u00e1 fome, falta partilha. Se h\u00e1 mis\u00e9ria, falta solidariedade. Se h\u00e1 doen\u00e7as, faltam planos assistenciais. Se h\u00e1 guerra, falta&#8230; despojamento. Como diria Jesus: miseric\u00f3rdia, n\u00e3o sacrif\u00edcios! Penetrar esse enigma crist\u00e3o \u00e9 descobrir a luz, a luminosa ideia que Cristo nos deixou para solidificar em definitivo seu projeto de novo mundo, nova humanidade. Miseric\u00f3rdia \u00e9 a palavra. Toda mis\u00e9ria humana passando pelo cora\u00e7\u00e3o amoroso de Deus. Todo sentimento de rancor, de individualismo, de possess\u00e3o em demasia, de ego\u00edsmo, de racismo, de soberania sobre bens, territ\u00f3rios, cidades, pa\u00edses, se fundindo e desaparecendo na proposta de solidariedade, partilha e despojamento individuais, em face do bem comum. Mas isso \u00e9 comunismo, grita algu\u00e9m!<\/p>\n<p>N\u00e3o. No projeto de Deus n\u00e3o cabem ideias tendenciosas, fracionadas, ocultas sob a sombra de bandeiras que nos dividem. O despojamento que Ele nos pede \u00e9 regido pelo Amor, pela fraternidade, pela consci\u00eancia clara e bem administrada da igualdade, portanto dos direitos e deveres que a vida nos ensina a exigir e praticar. Esse \u00e9 o maior tesouro que a f\u00e9 pura e genu\u00edna faz brotar no cora\u00e7\u00e3o humano. \u201cO homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu cora\u00e7\u00e3o, e o homem mau tira coisa m\u00e1s do seu mau tesouro\u201d (Lc 6, 45). Deixo a conclus\u00e3o desse texto para o final. Porque aqui nos deparamos com a maior e mais clara referencia crist\u00e3 do que seja uma partilha sem outros interesses que n\u00e3o as alternativas boas ou ruins. Depende de qual seja o tesouro acumulado no cora\u00e7\u00e3o humano.<\/p>\n<p>Eis ent\u00e3o que essa proposta nos remete a um sacrif\u00edcio, um esfor\u00e7o para identificar nosso tesouro. Sacrif\u00edcio exigido de todos para purifica\u00e7\u00e3o de nossos pontos de vistas contaminados pelo individualismo ou qualquer fac\u00e7\u00e3o que nos divide. Um deles vem do nosso muito falar, muito pensar e pouco praticar. Muitos h\u00e3o de proferir asneiras, blasf\u00eamias e at\u00e9 cal\u00fanias diante desse desafio que propositadamente resgato numa quaresma. Um tempo de sacrif\u00edcios. Mas tamb\u00e9m um tempo de miseric\u00f3rdia&#8230; Tiremos, por primeiro, nossas traves, nosso olhar caolho e tendencioso, se quisermos enxergar a pureza desse sacrif\u00edcio e a riqueza da miseric\u00f3rdia que Deus sempre oferece aos homens \u201cde boa vontade\u201d. Se quisermos salvar o mundo, ou\u00e7amos o cora\u00e7\u00e3o do Pai. Ele nos fez iguais, nos quer iguais, na alegria de superar nossas diferen\u00e7as com justi\u00e7a e fraternidade, com perseveran\u00e7a e amor, com despojamento e confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas se \u00e9 de sacrif\u00edcio que falamos no in\u00edcio \u00e9 porque ainda temos muito a alcan\u00e7ar. O progresso material n\u00e3o preenche a mis\u00e9ria espiritual. O esfor\u00e7o crist\u00e3o de oferecer ao mundo uma conviv\u00eancia santa, agrad\u00e1vel ao Criador, e um tempo de paz e amor sem travas nos olhos, na l\u00edngua, nas ideias, ainda n\u00e3o \u00e9 chegado por raz\u00f5es de nossa ignor\u00e2ncia, nossa m\u00edope vis\u00e3o dos ensinamentos sagrados. Por isso ainda necessitamos de sacrif\u00edcios, muitos sacrif\u00edcios! N\u00e3o aqueles que matavam animais no passado, n\u00e3o aquele de vitimou o Cordeiro de Deus em nosso nome, mas sacrif\u00edcios que suplantem o animal que somos, que abram nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es, modelem nossa l\u00edngua e filosofias baratas, resgate nosso verdadeiro g\u00eanero e nos devolva a faculdade de sonhar, de amar; \u201cPorque a boca fala daquilo que o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio\u201d. (Lc 6,45s).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar em sacrif\u00edcios nos dias em que o conforto, o materialismo e os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos ou cient\u00edficos empanturram a sociedade moderna e tudo facilita em nossas vidas, \u00e9 falar a linguagem dos loucos. N\u00e3o h\u00e1 como abster-se do fausto que nos rodeia. Mesmo quando fazemos parte de uma sociedade de desiguais. 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