{"id":38177,"date":"2018-02-14T16:12:31","date_gmt":"2018-02-14T18:12:31","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=38177"},"modified":"2018-02-14T16:12:31","modified_gmt":"2018-02-14T18:12:31","slug":"jesus-tentado-no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/jesus-tentado-no-deserto\/","title":{"rendered":"Jesus tentado no deserto"},"content":{"rendered":"<p>Com o primeiro domingo da quaresma inicia-se a caminhada para a P\u00e1scoa e a liturgia mostra Jesus tentado no deserto (Mc 1,12-15). A quaresma \u00e9 um tempo prop\u00edcio para aprofundar toda a beleza e a for\u00e7a da f\u00e9 crist\u00e3. Juntos caminhamos para o maior dia do ano, a fim de celebrar a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, vitorioso sobre a morte, imortal e impass\u00edvel. \u00c9 um convite para viver um tempo de um deserto salutar, visando total fidelidade a Deus. S\u00e3o Marcos registrou com precis\u00e3o os dias nos quais Jesus ficou num lugar isolado, mas n\u00e3o desceu a pormenores sobre as tenta\u00e7\u00f5es audaciosas de satan\u00e1s, como o fazem os outros evangelistas. S\u00e3o Marcos vai sempre ao essencial dos fatos e neste caso sublinha que em torno de Cristo se renova a alian\u00e7a com a cria\u00e7\u00e3o ferida desde as origens pelo pecado de Ad\u00e3o, alian\u00e7a dos anjos, do homem, do mundo animal e de toda a natureza, Eis o que flui de um texto sint\u00e9tico, mas de grande densidade teol\u00f3gica. De plano \u00e9 de se notar que o Esp\u00edrito conduz Jesus ao deserto. Bem sabemos que no Antigo Testamento o envio a uma regi\u00e3o desabitada \u00e9 rico de sentido, por ser ele um lugar de prova\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de encontro da alma com Deus. Lemos no Profeta Os\u00e9ias: \u201cEis porque, diz o Senhor, eu a vou seduzir e a conduzirei ao deserto e falarei a seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Os 2,14). \u00c9 do deserto que uma voz clama: \u201cPreparai os caminhos do Senhor\u201d (Mc 1,3). Jesus ficar\u00e1 40 dias isolado, como outrora os israelitas levaram 40 anos para chegar \u00e0 terra prometida. 40 dias foi o tempo que levou o Profeta Elias para aproximar-se da montanha do Senhor, o Horeb (1R 19,8). Jesus vai para um ambiente ermo n\u00e3o somente para ser tentado pelo dem\u00f4nio, mas tamb\u00e9m para celebrar a alian\u00e7a com seu Pai e da\u00ed sair para cumprir sua miss\u00e3o. Apesar do tumulto de um mundo agitado no qual o crist\u00e3o se v\u00ea bombardeado n\u00e3o apenas pelo ru\u00eddo que lhe vem de toda parte, mas tamb\u00e9m pelo sem n\u00famero de mensagens que lhe chegam atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, \u00e9 preciso momentos de sil\u00eancio, criando um espa\u00e7o que seja um ref\u00fagio salutar. Quer numa Igreja, ou no recanto de uma casa, ou numa caminhada em lugares nos quais reina a tranquilidade se pode deparar um clima que favore\u00e7a o contato \u00edntimo com o Criador. No sil\u00eancio se descobre Deus e se acha um mundo imenso em si mesmo. Ent\u00e3o se pode adorar e bendizer o Ser Supremo. O contato com a natureza \u00e9 um caminho at\u00e9 Deus. Ali\u00e1s, S\u00e3o Marcos diz que Cristo naquela quarentena vivia com os animais silvestres. Isto evoca inclusive a realiza\u00e7\u00e3o das promessas messi\u00e2nicas do profeta Isa\u00edas: \u201cHabitar\u00e3o juntos o lobo e o cordeiro [&#8230;] As feras \u201cn\u00e3o causar\u00e3o mal nem dano algum, em todo o meu santo monte\u201d (Is 11 6.9). Com Jesus, o Messias, se instaura uma nova harmonia entre o homem e a cria\u00e7\u00e3o, a paz do para\u00edso perdido. Jesus \u00e9 o novo Ad\u00e3o que veio para oferecer a restaura\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o outrora ferida pelo pecado. Mensagem sublime t\u00e3o bem vivida por S\u00e3o Francisco de Assis que nos legou o seu bel\u00edssimo \u201cC\u00e2ntico das criaturas\u201d. Por tudo isto \u00e9 preciso acolher o brado joanino que ecoa na quaresma: &#8220;Completou-se o tempo e est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino de Deus, fazei penit\u00eancia e crede na boa nova\u201d (Mc 1, l1). No deserto Jesus enfrentou vitoriosamente o diabo, mostrando a seus seguidores ser na ora\u00e7\u00e3o\u00a0 longe do bul\u00edcio do mundo\u00a0 que o fiel vencer\u00e1 sempre as ins\u00eddias sat\u00e2nicas. Fortalecidos na uni\u00e3o com o Mestre divino cumpre entrar no cambaste da f\u00e9 para encontrar a paz da nova cria\u00e7\u00e3o do para\u00edso reconquistado por Cristo. Imerso na presen\u00e7a divina o crist\u00e3o prossegue neste mundo a obra de salva\u00e7\u00e3o iniciada por Jesus em cada cora\u00e7\u00e3o. Assim como Cristo no deserto, o crist\u00e3o \u00e9 destinado a partilhar a doce harmonia da cria\u00e7\u00e3o reconciliada\u00a0 no Reino de Deus, instaurado pelo Redentor. Isto concretizado na exist\u00eancia de cada um que compreende que o Redentor deseja salvar da desgr\u00e7a do pecado num triunfo ininterrupto contra satan\u00e1s. A voca\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o como membro de Cristo\u00a0 consiste em vencer sempre o inimigo com a ajuda da gra\u00e7a, Neste tempo quaresmal iniciado com t\u00e3o belas li\u00e7\u00f5es legadas por Jesus no deserto o pensamento deve se voltar para a coroa da vida eterna que est\u00e1 reservada para todos que imitarem o Mestre vitorioso. Vir\u00e3o as tenta\u00e7\u00f5es,\u00a0 mas todas ser\u00e3o superadas com fidelidade e amor, pois Jesus\u00a0 deixou a todos o exemplo a ser imitado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o primeiro domingo da quaresma inicia-se a caminhada para a P\u00e1scoa e a liturgia mostra Jesus tentado no deserto (Mc 1,12-15). A quaresma \u00e9 um tempo prop\u00edcio para aprofundar toda a beleza e a for\u00e7a da f\u00e9 crist\u00e3. 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