{"id":38064,"date":"2018-02-05T15:13:14","date_gmt":"2018-02-05T17:13:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=38064"},"modified":"2018-02-08T15:15:41","modified_gmt":"2018-02-08T17:15:41","slug":"let-it-be-a-verdade-por-tras-da-visita-da-virgem-maria-a-paul-mccartney","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/let-it-be-a-verdade-por-tras-da-visita-da-virgem-maria-a-paul-mccartney\/","title":{"rendered":"\u201cLet it be\u201d: a verdade por tr\u00e1s da visita da Virgem Maria a Paul McCartney"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\">\u201cQuando eu estou em momentos dif\u00edceis\/A M\u00e3e Maria vem at\u00e9 mim\/Dizendo palavras de sabedoria: Deixe estar\u201d<\/h2>\n<p>Os sonhos sempre foram bons para Paul McCartney. Em uma manh\u00e3 de 1965, ele acordou com a melodia de\u00a0<em>Yesterday\u00a0<\/em>completamente formada, com sua m\u00fasica melanc\u00f3lica contrastando com sua alegre reputa\u00e7\u00e3o de \u201co Beatle mais bonito\u201d.<\/p>\n<p>Os problemas pareciam muito distantes naqueles dias embriagados pela obsess\u00e3o do sucesso. Por\u00e9m, tr\u00eas anos mais tarde, o sonho dividido com seus companheiros de grupo se transformou em um pesadelo recheado com desacordos criativos, disputas empresariais e choques de car\u00e1ter.<\/p>\n<p>\u201cPerto do outono de 1968, eu estava passando por um momento realmente dif\u00edcil\u201d, recordaria mais tarde McCartney no livro\u00a0<em>T<\/em><em>he Right Words at the Right Time<\/em>, de Marlo Thomas.<\/p>\n<p>\u201cA carreira dos Beatles j\u00e1 estava muito avan\u00e7ada e t\u00ednhamos come\u00e7ado a fazer um \u00e1lbum novo, uma continua\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>White Album<\/em>. Como grupo, come\u00e7\u00e1vamos a ter problemas. Eu tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que os Beatles iam se separar. Por isso, eu passava madrugadas acordado, bebendo, usando drogas, indo a bares, como era comum para as pessoas naquela \u00e9poca. Eu vivia e me divertia intensamente\u201d.<\/p>\n<p>Foi durante um dos epis\u00f3dios de sono irregular que McCartney, mais uma vez, recebeu uma visita em sonho. Desta vez, era uma presen\u00e7a reconfortante de f\u00e9 e fortaleza. Ele acordou na manh\u00e3 seguinte com as for\u00e7as reestabelecidas, pegou papel e caneta e escreveu uma can\u00e7\u00e3o nova, que evocava essa experi\u00eancia emocionante:<\/p>\n<p><em>Quando eu estou em momentos dif\u00edceis<\/em><\/p>\n<p><em>A M\u00e3e Maria vem at\u00e9 mim<\/em><\/p>\n<p><em>Dizendo palavras de sabedoria: Deixe estar.<\/em><\/p>\n<p>Nos anos seguintes, f\u00e3s de todo o mundo entenderam que essa figura era a Virgem Maria, M\u00e3e de Jesus. Mas a verdade era muito mais literal para o compositor. Ele sentiu o c\u00e1lido conforto de sua pr\u00f3pria m\u00e3e, Mary Mohin McCartney, que n\u00e3o resistiu a um c\u00e2ncer de mama e morreu quando ele tinha 14 anos.<\/p>\n<p>\u201cEm um sonho, vi minha m\u00e3e, que j\u00e1 estava morta h\u00e1 10 anos\u201d, contou ao escritor Barry Miles na biografia autorizada,\u00a0<em>Many Years from Now.\u00a0<\/em>\u201cFoi fant\u00e1stico v\u00ea-la. \u00c9 isso que os sonhos t\u00eam de maravilhoso: te re\u00fanem de verdade com a pessoa;\u00a0 durante um segundo voc\u00eas parecem estar fisicamente juntos novamente. Foi maravilhoso para mim e ela foi muito tranquilizadora. No sonho, ela me disse: \u2018Tudo vai ficar bem\u2019. N\u00e3o estou certo se ela usou as palavras \u2018deixe estar\u2019 [let it be], mas essa era a ess\u00eancia do seu conselho. Era: \u2018n\u00e3o se preocupe demasiadamente, tudo vai dar certo\u2019. Foi um sonho t\u00e3o agrad\u00e1vel que eu acordei pensando: \u2018Foi muito bom poder ter falado com ela novamente\u2019. Eu me senti muito aben\u00e7oado por ter tido aquele sonho. Isso me fez escrever a can\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Let it be<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>As palavras sa\u00edram da mesma fonte subconsciente que fez brotar a sofrida letra de\u00a0<em>Yesterday.\u00a0<\/em>A morte repentina de Mary deixou a fam\u00edlia de McCartney devastada. Era ela a fortaleza e o apoio para todos. \u201cMinha m\u00e3e foi enfermeira. Era muito trabalhadora, porque queria o melhor para n\u00f3s. N\u00e3o \u00e9ramos uma fam\u00edlia rica \u2013 n\u00e3o t\u00ednhamos carro, apenas nos permitimos ter uma TV. Meus pais trabalhavam e mam\u00e3e contribu\u00eda com uma boa fatia das receitas familiares. \u00c0 noite, quando ela voltava para casa, costumava cozinhar. N\u00e3o t\u00ednhamos muito tempo para ficarmos juntos. Mas simplesmente ela era uma presen\u00e7a muito reconfortante em minha vida\u201d.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o sabia nada sobre a doen\u00e7a, Paul McCartney ficou t\u00e3o impactado com a morte da m\u00e3e que sua primeira rea\u00e7\u00e3o foi: \u201cO que vamos fazer sem dinheiro?\u201d. E essa foi uma frase que o atormentaria durante anos.<\/p>\n<p>McCartney lidou com sua dor entregando-se ao dom\u00ednio da guitarra. O dram\u00e1tico fato tamb\u00e9m serviu como cimento para sua amizade com John Lennon, que perderia sua m\u00e3e menos de dois anos depois, em um acidente de tr\u00e2nsito. \u201cAquilo se transformou em um v\u00ednculo muito grande entre John e eu\u201d, disse McCartney no document\u00e1rio\u00a0<em>The Beatles Antology.<\/em>\u201cAmbos t\u00ednhamos esta turbul\u00eancia emocional para enfrentar e, como \u00e9ramos adolescentes, t\u00ednhamos que resolver isso r\u00e1pido\u201d. Juntos, eles se dedicaram \u00e0 composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de o primeiro trabalho de composi\u00e7\u00e3o de McCartney \u2013\u00a0<em>I lost my little girl\u00a0<\/em>\u2013\u00a0 ter sido diretamente inspirado no trauma familiar,\u00a0<em>Yesterday<\/em>se tornou ainda mais especialmente emocionante quando se pensa a partir da perspectiva de um jovem desorientado, que reagiu mal \u00e0 abrupta morte da m\u00e3e:<\/p>\n<p><em>Por que ela<\/em><\/p>\n<p><em>Teve que ir eu n\u00e3o sei<\/em><\/p>\n<p><em>Ela n\u00e3o me disse<\/em><\/p>\n<p><em>Eu disse<\/em><\/p>\n<p><em>Algo de errado e agora eu sinto falta<\/em><\/p>\n<p><em>Do ontem<\/em><\/p>\n<p>Enquanto\u00a0<em>Yesterday<\/em>\u00a0dificultava seus despreocupados dias de fama, fortuna e admira\u00e7\u00e3o com lembran\u00e7as de um profundo arrependimento,\u00a0<em>Let it be<\/em>\u00a0era a imagem da m\u00e3e no espelho, oferecendo esperan\u00e7a em meio \u00e0 escurid\u00e3o. \u201cEu acordei com uma sensa\u00e7\u00e3o muito boa. Era como se ela tivesse me visitado de verdade neste momento t\u00e3o dif\u00edcil da minha vida e me deixado a seguinte mensagem: \u2018Seja doce, n\u00e3o lute contra as coisas, simplesmente tente seguir a corrente e tudo vai dar certo\u2019\u201d.<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o tomaria forma pela primeira vez em janeiro de 1969, durante as tortuosas sess\u00f5es do que ficou conhecido como\u00a0<em>Get Back<\/em>, um projeto multim\u00eddia que combinava um especial de TV com um \u00e1lbum ao vivo. As rela\u00e7\u00f5es entre os Beatles estavam mais tensas. McCartney sentia que o grupo se desmoronava irremediavelmente. Por sorte, seu \u00e2nimo foi refor\u00e7ado pela nova mulher de sua vida: sua esposa Linda Eastman. \u201cN\u00e3o muito depois do sonho, eu me casei com Linda, que foi minha salva\u00e7\u00e3o. Poderia dizer que era como se minha m\u00e3e a tivesse enviado\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia\u00a0<em>Get Back\u00a0<\/em>foi t\u00e3o desagrad\u00e1vel que as fitas ficaram encaixotadas durante um ano, durante o qual os Beatles conseguiram gravar um \u00faltimo \u00e1lbum:\u00a0<em>Abbey Road<\/em>\u00a0(em homenagem ao lar criativo de sempre).<\/p>\n<p><em>Let it be<\/em>\u00a0seria o \u00faltimo single da banda antes do an\u00fancio da separa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m seria o tema que daria nome ao LP lan\u00e7ado um m\u00eas depois. Desde ent\u00e3o, alcan\u00e7ou o status de um hino moderno e amado por todos, que traz alegria e inspira\u00e7\u00e3o a milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Em 1986, a m\u00fasica foi escolhida para coroar o show\u00a0<em>Live Aid<\/em>\u00a0em Londres, transmitindo a todo o mundo a mensagem celestial da f\u00e9 de Maria. A can\u00e7\u00e3o traria, mais uma vez, o consolo ao seu autor, quando, em 1998, as pessoas cantaram-na no funeral de Linda, que tamb\u00e9m perdeu a batalha contra o c\u00e2ncer de mama. Para McCartney, a can\u00e7\u00e3o foi um eco comovedor da trag\u00e9dia que ele viveu na inf\u00e2ncia. Mas continuava ajudando-o.<\/p>\n<p>Apesar do seu intenso significado pessoal, McCartney manteve uma atitude bondosa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es mais piedosas da can\u00e7\u00e3o. \u201c\u2018M\u00e3e Maria\u2019 se transformou em algo quase religioso, ent\u00e3o voc\u00ea pode entender dessa forma, n\u00e3o me importo\u201d, disse ele a Miles. \u201cEu fico feliz que as pessoas queiram us\u00e1-la para refor\u00e7ar a f\u00e9. N\u00e3o tenho problemas com isso. Acho maravilhoso ter qualquer tipo de f\u00e9, principalmente no mundo em que vivemos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando eu estou em momentos dif\u00edceis\/A M\u00e3e Maria vem at\u00e9 mim\/Dizendo palavras de sabedoria: Deixe estar\u201d Os sonhos sempre foram bons para Paul McCartney. Em uma manh\u00e3 de 1965, ele acordou com a melodia de\u00a0Yesterday\u00a0completamente formada, com sua m\u00fasica melanc\u00f3lica contrastando com sua alegre reputa\u00e7\u00e3o de \u201co Beatle mais bonito\u201d. 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