{"id":3796,"date":"2013-12-22T03:00:00","date_gmt":"2013-12-22T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dimensao-da-compaixao\/"},"modified":"2017-03-24T15:15:19","modified_gmt":"2017-03-24T18:15:19","slug":"dimensao-da-compaixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dimensao-da-compaixao\/","title":{"rendered":"Dimens\u00e3o da Compaix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/wagnerpedro.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>\u201cEvangelizar \u00e9 tornar o Reino de Deus presente no mundo\u201d. Com esta verdade, o papa Francisco inicia o quarto cap\u00edtulo de sua primeira e surpreendente exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Na verdade, o compromisso social a que ele nos chama \u00e9, por si s\u00f3, uma confiss\u00e3o de f\u00e9. \u201cO pr\u00f3prio mist\u00e9rio da Trindade nos recorda que somos criados \u00e0 imagem desta comunh\u00e3o divina, pelo que n\u00e3o podemos realizar-nos nem salvar-nos sozinhos. O que fazemos aos outros tem uma dimens\u00e3o transcendente\u201d. Como muito bem nos ensinou o ap\u00f3stolo: a f\u00e9 sem obras \u00e9 morta. \u201cAssim\u00a0 como a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por natureza, tamb\u00e9m brota inevitavelmente dessa natureza a caridade efetiva para com o pr\u00f3ximo, a compaix\u00e3o que compreende, assiste e promove\u201d (178).<br \/>O papa refuta qualquer justificativa vazia que tente excluir a Igreja das quest\u00f5es sociais. Afinal, a miss\u00e3o salvadora de Cristo \u2013 e por extens\u00e3o tamb\u00e9m de sua Igreja \u2013 \u00e9 oferecer \u201cvida em abund\u00e2ncia\u201d a todos os povos, a todo g\u00eanero humano. \u201cTrata-se de amar a Deus que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre n\u00f3s, a vida social ser\u00e1 um espa\u00e7o de fraternidade, de justi\u00e7a, de paz, de dignidade para todos\u201d (180). A doutrina social da Igreja \u00e9 seu bra\u00e7o de a\u00e7\u00e3o concreta, sua identidade como povo que se ama e partilha esse amor. Sem esse testemunho, a coer\u00eancia evang\u00e9lica deixa de existir. Por isso o papa enfatiza: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o se pode afirmar que a religi\u00e3o deve limitar-se ao \u00e2mbito privado e serve apenas para preparar as almas para o c\u00e9u. Sabemos que Deus deseja a felicidade dos seus filhos tamb\u00e9m nesta terra\u201d (182).<br \/>Exorta empres\u00e1rios, empregadores e propriet\u00e1rios a fazerem melhor uso de suas riquezas. Aquele que for melhor agraciado com as riquezas desse mundo, melhor deve investir nas riquezas da solidariedade e da compaix\u00e3o pelos pobres. \u201cA solidariedade \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de quem reconhece a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade e o destino dos bens como realidades anteriores \u00e0 propriedade privada. A posse privada dos bens justifica-se para cuidar deles e aliment\u00e1-los de modo a servirem melhor o bem comum\u201d (189). S\u00f3 onde a avareza sem limites, a cegueira do ego\u00edsmo e a solid\u00e3o do individualismo corroem a alma humana \u00e9 que essa verdade ser\u00e1 refutada. Como n\u00e3o agradecer a Deus o privil\u00e9gio de ser administrador dos bens que nos confia? Como n\u00e3o multiplic\u00e1-los em fun\u00e7\u00e3o do bem comum? \u201cRespeitando a independ\u00eancia e a cultura de cada na\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso recordar-se sempre de que o planeta \u00e9 de toda humanidade\u201d (190).<br \/>Francisco retoma a op\u00e7\u00e3o pelos pobres. \u201cQuando amado, o pobre \u00e9 estimado como de alto valor, e isto diferencia a aut\u00eantica op\u00e7\u00e3o pelos pobres de qualquer ideologia, de qualquer tentativa de utilizar os pobres ao servi\u00e7o de interesses pessoais e pol\u00edticos\u201d (199). Algu\u00e9m vai negar que isso n\u00e3o aconteceu ou ainda acontece? Mas coloquemos a verdade nos trilhos: Igreja sem solidariedade e compaix\u00e3o n\u00e3o existe. \u201cLonge de mim um populismo irrespons\u00e1vel, mas a economia n\u00e3o pode mais recorrer a rem\u00e9dios que s\u00e3o um novo veneno como quando se pretende aumentar a rentabilidade reduzindo o mercado de trabalho e criando assim novos exclu\u00eddos\u201d (204). Essa pesada den\u00fancia papal s\u00f3 a voz de uma Igreja comprometida com os pobres \u00e9 capaz de fazer.<br \/>Cita o ecumenismo como primeiro passo para afastar de vez a separa\u00e7\u00e3o. Nada mais vergonhoso, por exemplo, que o processo de evangeliza\u00e7\u00e3o na \u00c1frica ou \u00c1sia. \u201cOs mission\u00e1rios nesses continentes referem repetidamente \u00e0s cr\u00edticas, queixas e sarcasmos que recebem por causa do esc\u00e2ndalo dos crist\u00e3os divididos\u201d (246). Lembra que \u201co di\u00e1logo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos disc\u00edpulos de Jesus\u201d. Que o \u201cdi\u00e1logo inter religioso\u201d nos ensina a \u201caceitar os outros na sua maneira diferente de ser, de pensar e de se exprimir\u201d. Conclama a uma melhor rela\u00e7\u00e3o com o Isl\u00e3o e todos os demais que n\u00e3o professem nossa f\u00e9. E conclui: \u201cSentimo-nos como preciosos aliados no compromisso pela defesa da dignidade humana\u201d (257).<br \/>WAGNER PEDRO MENEZES<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEvangelizar \u00e9 tornar o Reino de Deus presente no mundo\u201d. Com esta verdade, o papa Francisco inicia o quarto cap\u00edtulo de sua primeira e surpreendente exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. 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